{"id":638,"date":"2016-08-12T14:10:46","date_gmt":"2016-08-12T17:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/?p=638"},"modified":"2016-10-23T11:59:33","modified_gmt":"2016-10-23T13:59:33","slug":"pesquisadores-investigam-transformacoes-ocorridas-na-regiao-metropolitana-de-porto-alegre-entre-1980-e-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/pesquisadores-investigam-transformacoes-ocorridas-na-regiao-metropolitana-de-porto-alegre-entre-1980-e-2010\/","title":{"rendered":"Pesquisadores investigam transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre entre 1980 e 2010"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Desde a sua institucionaliza\u00e7\u00e3o, em 1973, a Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) passou por mudan\u00e7as profundas em sua organiza\u00e7\u00e3o socioespacial e econ\u00f4mica. De uma estrutura produtiva prioritariamente industrial a uma economia baseada em servi\u00e7os, com uma elitiza\u00e7\u00e3o de Porto Alegre e periferiza\u00e7\u00e3o das camadas populares, refletindo tend\u00eancias nacionais e mundiais. Entender como se deram essas mudan\u00e7as, seu sentido, suas consequ\u00eancias e as rela\u00e7\u00f5es com os diferentes modelos de desenvolvimento experimentados pelo pa\u00eds desde a d\u00e9cada de 1980 foi o objetivo do projeto de pesquisa <em>Porto Alegre: transforma\u00e7\u00f5es na ordem urbana<\/em>, desenvolvido pelo Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles \u2013 N\u00facleo Porto Alegre, que envolve pesquisadores da UFRGS, da Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica (FEE), da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS), da Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da ONG CDES Direitos Humanos. A proposta \u00e9 interpretar as mudan\u00e7as econ\u00f4micas, socioespaciais e institucionais que ocorreram entre 1980 e 2010.<\/p>\n<p>Com foco na reconstru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre territ\u00f3rio, economia, sociedade e pol\u00edtica, a pesquisa \u00e9 parte de outra mais ampla, feita em rede nacional pelo <a href=\"http:\/\/observatoriodasmetropoles.net\/\">Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles<\/a>, que incluiu an\u00e1lises de outras 13 regi\u00f5es metropolitanas e resultou em uma <a href=\"http:\/\/observatoriodasmetropoles.net\/index.php?option=com_k2&amp;view=item&amp;id=1469:cole%C3%A7%C3%A3o-metr%C3%B3poles-transforma%C3%A7%C3%B5es-na-ordem-urbana&amp;Itemid=167\">s\u00e9rie de livros<\/a>. Foram investigados temas como as caracter\u00edsticas da transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, as mudan\u00e7as no mercado de trabalho e nos espa\u00e7os industriais, as caracter\u00edsticas da estrutura social e da organiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e as transforma\u00e7\u00f5es no perfil das fam\u00edlias, nas formas de provis\u00e3o de moradia e na mobilidade urbana, al\u00e9m das conex\u00f5es eleitorais e da distribui\u00e7\u00e3o territorial do voto na regi\u00e3o e da inclus\u00e3o de temas relacionados \u00e0 governan\u00e7a das metr\u00f3poles nas agendas governamentais.<\/p>\n<p>\u201cA din\u00e2mica brasileira, dos pontos de vista socioecon\u00f4mico, pol\u00edtico e demogr\u00e1fico, \u00e9 fortemente influenciada pelas regi\u00f5es metropolitanas\u201d, comenta o professor do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia da UFRGS <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4701492U1\">Luciano Joel Fedozzi<\/a>, um dos pesquisadores envolvidos no estudo. Segundo o professor, o pa\u00eds est\u00e1 densificando sua popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas urbanas, especialmente nas regi\u00f5es metropolitanas, que abrigam cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o nacional. Em 2010, segundo dados do IBGE, a RMPA concentrava 37% da popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha e 44% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Inicialmente constitu\u00edda por 14 munic\u00edpios, hoje, a Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre configura-se como a quarta maior aglomera\u00e7\u00e3o urbana brasileira, com cerca de quatro milh\u00f5es de habitantes em 32 cidades.<strong> \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, \u201cmuitas pessoas, e at\u00e9 o pr\u00f3prio Estado e os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, t\u00eam na cabe\u00e7a a regi\u00e3o metropolitana como ela foi institu\u00edda e n\u00e3o levam muito em conta todas essas mudan\u00e7as pelas quais ela passou\u201d, explica o professor do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UFRGS\u00a0<a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4727983Z7\">Paulo Soares<\/a>, outro respons\u00e1vel pela pesquisa. \u201cO papel do Observat\u00f3rio tamb\u00e9m \u00e9 um pouco isso: acompanhar essas transi\u00e7\u00f5es e mostrar que os gestores t\u00eam que pensar a regi\u00e3o \u00e0 luz de todas essas mudan\u00e7as\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h5>Globaliza\u00e7\u00e3o e modelos de desenvolvimento<\/h5>\n<p>Durante o per\u00edodo abrangido pela pesquisa, o Brasil passou por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es em seu modelo de desenvolvimento: da crise generalizada do desenvolvimentismo tutelado pelos militares na d\u00e9cada de 1980 \u2013 a chamada d\u00e9cada perdida, quando se aceleram a infla\u00e7\u00e3o e o desemprego no quadro da recess\u00e3o econ\u00f4mica \u2013, passando pela reestrutura\u00e7\u00e3o neoliberal empreendida com mais for\u00e7a ao longo da d\u00e9cada de 1990, \u00e9poca fortemente dominada pela estabilidade econ\u00f4mica, \u00e0 nova din\u00e2mica presente a partir de 2003 \u2013 um modelo que articula caracter\u00edsticas neoliberais e desenvolvimentistas com um protagonismo maior do Estado e pol\u00edticas p\u00fablicas redistributivas.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel mundial, as metr\u00f3poles passam por um per\u00edodo de reestrutura\u00e7\u00f5es iniciado na d\u00e9cada de 1970, com a transi\u00e7\u00e3o do regime de acumula\u00e7\u00e3o fordista para o regime de acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel. Mais que uma simples reestrutura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, s\u00e3o produzidas grandes mudan\u00e7as sociais, emergindo uma configura\u00e7\u00e3o metropolitana distinta, composta por uma nova complexidade social, \u00e9tnica e cultural. Se por um lado \u00e9 percept\u00edvel a dispers\u00e3o ou a desconcentra\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os industriais \u2013 em raz\u00e3o das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e das rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o \u2013, por outro, h\u00e1 uma expans\u00e3o da economia de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>As metr\u00f3poles brasileiras, incluindo Porto Alegre e a RMPA, inserem-se nesse contexto de transi\u00e7\u00f5es em n\u00edvel nacional e global. \u201cO estudo se deu sobre este pressuposto: s\u00e3o tr\u00eas d\u00e9cadas em que ocorreram mudan\u00e7as no modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico nacional\u201d, explica Fedozzi, que atenta tamb\u00e9m para o papel da globaliza\u00e7\u00e3o nessas transforma\u00e7\u00f5es e para o fato de que o processo n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo e impacta de maneiras diferentes as diversas metr\u00f3poles e os munic\u00edpios que comp\u00f5em cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Transi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da RMPA<\/h5>\n<p>Em 1980, o setor industrial compreendia um ter\u00e7o da economia metropolitana, enquanto os servi\u00e7os compunham 65,90% do PIB da regi\u00e3o. Especificamente em Porto Alegre, a ind\u00fastria era respons\u00e1vel por 21,62% do PIB municipal, enquanto os servi\u00e7os representavam 78,25%. No in\u00edcio dos anos 90, o setor industrial chegou ao seu auge na economia metropolitana, com 55,59% do PIB da RMPA e 33,36% do Produto Interno Bruto porto-alegrense. A partir de ent\u00e3o, a capital percebeu com mais for\u00e7a a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e o movimento de desindustrializa\u00e7\u00e3o. Em 2000, o setor terci\u00e1rio participava com 84,87% do PIB de Porto Alegre e 65,98% do PIB da Regi\u00e3o Metropolitana. Em 2010, essa participa\u00e7\u00e3o passou para 67,14% na RMPA, enquanto a ind\u00fastria recuou de 33,43% (2000) para 32,20% (2010). Em Porto Alegre, os \u00edndices se mantiveram est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Outra tend\u00eancia percept\u00edvel \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do peso de Porto Alegre na economia da regi\u00e3o metropolitana ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Se em 1982 a capital era respons\u00e1vel por 57,78% do PIB metropolitano, em 2010, esse n\u00famero era de 38,85%. A redu\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dr\u00e1stica no PIB industrial (de 37,46% para 18,62% no mesmo per\u00edodo), o que aponta para o processo de desconcentra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria metropolitana. Em termos demogr\u00e1ficos, Porto Alegre tamb\u00e9m perdeu participa\u00e7\u00e3o. O crescimento da capital \u00e9 mais lento que o dos demais munic\u00edpios metropolitanos. Em 1980, Porto Alegre tinha 50,44% da popula\u00e7\u00e3o da RMPA; em 2010, esse n\u00famero caiu para 35,42%.<\/p>\n<p>Esse movimento de perda relativa da participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria atingiu de modo variado os diferentes munic\u00edpios da RMPA. O processo de desconcentra\u00e7\u00e3o tem refor\u00e7ado a tend\u00eancia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos centros na regi\u00e3o metropolitana, com o crescimento do com\u00e9rcio e dos servi\u00e7os n\u00e3o s\u00f3 na capital, mas tamb\u00e9m em outros munic\u00edpios, especialmente os mais populosos e de economia mais din\u00e2mica. Em um primeiro momento, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, a expans\u00e3o metropolitana se produziu pelo deslocamento do setor industrial. As grandes ind\u00fastrias abandonaram a capital, assim como as novas implanta\u00e7\u00f5es buscaram outras localiza\u00e7\u00f5es na Regi\u00e3o Metropolitana, como os munic\u00edpios de Gravata\u00ed, Gua\u00edba e Cachoeirinha. A partir de 2000, especialmente, a desconcentra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorreu no setor de servi\u00e7os, com alguns centros urbanos se convertendo em importantes polos de atividades terci\u00e1rias, como Canoas e Novo Hamburgo.<\/p>\n<p>A RMPA continuou a atrair investimentos industriais, mas esses novos empreendimentos trouxeram consigo novas formas de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o \u2013 mais flex\u00edveis, com novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e forte conte\u00fado tecnol\u00f3gico, que reduz a for\u00e7a de trabalho empregada no setor. \u00a0Outro importante componente da estrutura econ\u00f4mica da RMPA s\u00e3o os \u201cnovos espa\u00e7os industriais\u201d vinculados \u00e0 economia informacional, como a f\u00e1brica da Dell Computadores instalada em Eldorado do Sul e os diversos parques tecnol\u00f3gicos ligados a universidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica<\/h5>\n<p>Essas mudan\u00e7as na estrutura econ\u00f4mica afetaram tamb\u00e9m outros \u00e2mbitos da organiza\u00e7\u00e3o socioespacial do territ\u00f3rio. Com uma maior oferta de empregos na \u00e1rea de servi\u00e7os e com o aumento da demanda por m\u00e3o de obra qualificada nas regi\u00f5es mais centrais das metr\u00f3poles, muda o pr\u00f3prio perfil da popula\u00e7\u00e3o que habita esses espa\u00e7os. \u201cSetores mais din\u00e2micos, mais vinculados \u00e0 economia globalizada exigem profissionais mais qualificados, e a\u00ed vem o mercado imobili\u00e1rio, a constru\u00e7\u00e3o de condom\u00ednios fechados&#8230; E esses elementos v\u00e3o se constituindo como caracter\u00edstica dos espa\u00e7os urbanos\u201d, comenta Fedozzi.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, foi evidente a exist\u00eancia de um processo de segrega\u00e7\u00e3o espacial. Ao mesmo tempo que as elites se concentraram em setores e bairros nobres da metr\u00f3pole, ocorreu o aumento da periferiza\u00e7\u00e3o da moradia das camadas populares. Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o corroboradas por mapas elaborados pelo Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles, constru\u00eddos a partir dos dados e das categorias s\u00f3cio-ocupacionais do IBGE, que comparam a tipologia socioespacial da RMPA nos anos de 1991, 2000 e 2010.<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-638 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/pesquisadores-investigam-transformacoes-ocorridas-na-regiao-metropolitana-de-porto-alegre-entre-1980-e-2010\/tipologia-socioespacial-rmpa_1991-2\/'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_1991-1-300x300.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-655\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_1991-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_1991-1-160x160.jpg 160w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_1991-1-320x320.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-655'>\n\t\t\t\t1991 &#8211; Tipologia socioespacial da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre &#8211; Fonte: Observat\u00f3rio das Metrop\u00f3les\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/pesquisadores-investigam-transformacoes-ocorridas-na-regiao-metropolitana-de-porto-alegre-entre-1980-e-2010\/tipologia-socioespacial-rmpa_2000\/'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2000-300x300.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-639\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2000-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2000-160x160.jpg 160w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2000-320x320.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-639'>\n\t\t\t\t2000 &#8211; Tipologia socioespacial da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre &#8211; Fonte: Observat\u00f3rio das Metrop\u00f3les\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/pesquisadores-investigam-transformacoes-ocorridas-na-regiao-metropolitana-de-porto-alegre-entre-1980-e-2010\/tipologia-socioespacial-rmpa_2010\/'><img decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2010-300x300.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-640\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2010-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2010-160x160.jpg 160w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tipologia-socioespacial-RMPA_2010-320x320.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-640'>\n\t\t\t\t2010 &#8211; Tipologia socioespacial da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre &#8211; Fonte: Observat\u00f3rio das Metrop\u00f3les\n\t\t\t\t<\/figcaption><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Se em 1991 havia uma predomin\u00e2ncia oper\u00e1ria em Alvorada, Gravata\u00ed, Canoas e na Zona Norte de Porto Alegre; em 2010, essa camada ficou reduzida ao eixo do Vale dos Sinos, que j\u00e1 come\u00e7a a apresentar tamb\u00e9m manchas de tipos superiores, mais elitizadas. Nesse per\u00edodo, a capital ostentou um perfil mais elitizado que nos anteriores: ao mesmo tempo que desapareceram os espa\u00e7os oper\u00e1rios, observou-se a segrega\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os populares na periferia urbana. \u201cEsses setores populares est\u00e3o sendo cada vez mais alocados nas periferias, sendo que os setores m\u00e9dios dividem com os setores superiores Porto Alegre e algumas cidades da regi\u00e3o metropolitana, como Canoas\u201d, enfatiza Fedozzi. Pode-se observar tamb\u00e9m a presen\u00e7a de espa\u00e7os elitizados, de tipo superior, fora da capital, em munic\u00edpios de grande porte e forte centralidade, como Novo Hamburgo e S\u00e3o Leopoldo.<\/p>\n<p>Outro motivo que contribuiu para essa periferiza\u00e7\u00e3o das camadas populares foi a expans\u00e3o da ind\u00fastria imobili\u00e1ria observada na d\u00e9cada de 2000. O per\u00edodo marcou a retomada dos investimentos em habita\u00e7\u00e3o e infraestrutura por parte do Governo Federal, ap\u00f3s a crise no sistema de financiamento p\u00fablico que perdurava desde meados dos anos 80. Na RMPA, a taxa de crescimento do n\u00famero de domic\u00edlios foi superior ao aumento populacional nos \u00faltimos anos. Entre 1991 e 2000, a popula\u00e7\u00e3o aumentou 16,16% e o n\u00famero de domic\u00edlios, 24,44%. De 2000 a 2010, a popula\u00e7\u00e3o cresceu 6,47%, e os domic\u00edlios, 18,27%.<\/p>\n<p>O aporte de recursos p\u00fablicos, todavia, n\u00e3o representou uma altera\u00e7\u00e3o nos modelos de urbaniza\u00e7\u00e3o e metropoliza\u00e7\u00e3o brasileiros. Ao contr\u00e1rio, o protagonismo do mercado na produ\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria aumentou, e empresas construtoras e incorporadoras assumiram um papel central na pol\u00edtica habitacional do pa\u00eds, com a produ\u00e7\u00e3o de moradias para os setores de m\u00e9dia e baixa renda, como evidencia o Programa Minha Casa Minha Vida.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, os munic\u00edpios, de modo geral, n\u00e3o enfrentaram a quest\u00e3o fundi\u00e1ria, e a localiza\u00e7\u00e3o dos empreendimentos foi definida pelo mercado: as casas voltadas para os setores mais populares foram constru\u00eddas em locais em que o solo era mais barato. Al\u00e9m disso, na RMPA como um todo, o pre\u00e7o da terra subiu significativamente ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Minha Casa Minha Vida. Para os pesquisadores, o volume acentuado de recursos destinados \u00e0s construtoras, sem um controle do uso e da ocupa\u00e7\u00e3o do solo por parte do poder p\u00fablico, refor\u00e7a o modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e patrimonialista que acentua os problemas urbanos e consolida as desigualdades socioespaciais.<\/p>\n<p>\u201cEssas pol\u00edticas habitacionais e esses projetos de infraestrutura acabaram refor\u00e7ando a segrega\u00e7\u00e3o. As melhores \u00e1reas foram destinadas a grandes empreendimentos privados voltados \u00e0 classe m\u00e9dia e \u00e0 classe alta\u201d, salienta Paulo. \u201cAo mesmo tempo que o Minha Casa Minha Vida tem um grande m\u00e9rito, como foi um projeto mais voltado para o crescimento econ\u00f4mico do que um programa de acesso \u00e0 moradia, foi um modelo calcado no mercado, que buscou a redu\u00e7\u00e3o de custos. \u00c9 quase consenso entre pesquisadores da \u00e1rea que o programa cont\u00e9m esse paradoxo. Proporcionou acesso de milh\u00f5es de pessoas \u00e0 moradia, mas tamb\u00e9m causou situa\u00e7\u00f5es de segrega\u00e7\u00e3o e de periferiza\u00e7\u00e3o\u201d, complementa Fedozzi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Mobilidade<\/h5>\n<p>Outro aspecto investigado foram as transforma\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 mobilidade urbana. Segundo os pesquisadores, os n\u00edveis de mobilidade das pessoas, seja por trabalho, seja por estudo, compras, lazer ou neg\u00f3cios, se elevaram na RMPA. Houve amplia\u00e7\u00e3o da rede de transporte p\u00fablico, decorrente da expans\u00e3o territorial, assim como o aumento do servi\u00e7o prestado, traduzido pelo maior n\u00famero de ve\u00edculos, viagens e rodagem. Mas tamb\u00e9m foi constatado que, nos \u00faltimos anos, o crescimento em oferta foi acompanhado pela diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de passageiros, ainda que a popula\u00e7\u00e3o total tenha aumentado no per\u00edodo estudado.<\/p>\n<p>Entre 1976 e 1995, per\u00edodo de crescimento populacional e territorial da RMPA, observa-se o correspondente aumento da oferta e da demanda do transporte p\u00fablico \u2013 de uma frota de 927 \u00f4nibus, respons\u00e1veis por 6.937 viagens, com uma m\u00e9dia de 279.837 passageiros por dia, para 1.786 \u00f4nibus, com 9.717 viagens e 570.753 passageiros. Em 2000, cai para 517.542 o n\u00famero de passageiros transportados diariamente, ainda que tenha ocorrido o incremento da frota para 2.111 ve\u00edculos e de viagens di\u00e1rias para 13.702. A perda de passageiros pelo sistema seguiu nos anos seguintes, com 484.756 passageiros em 2010, acompanhada da diminui\u00e7\u00e3o da oferta (2.090 \u00f4nibus para 12.643 viagens). Por outro lado, a frota veicular da RMPA tem demonstrado crescimento anual superior a 5% ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, chegando a 7,1% em 2009 \u2013 um poss\u00edvel reflexo das pol\u00edticas de incentivo \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria periferiza\u00e7\u00e3o discutida anteriormente \u00e9 um dos fatores que leva ao aumento da movimenta\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio. A maioria os trabalhadores do terci\u00e1rio n\u00e3o especializado e da constru\u00e7\u00e3o civil, que configuram o tipo popular, moram nas periferias e no entorno da capital. Em 2010, esses espa\u00e7os populares se situavam em bairros perif\u00e9ricos de Porto Alegre e em munic\u00edpios identificados como dormit\u00f3rios, como Viam\u00e3o e Alvorada, o que exige longos deslocamentos em dire\u00e7\u00e3o aos locais de trabalho. Em Alvorada, por exemplo, 24,4% da popula\u00e7\u00e3o leva mais de uma hora para ir de casa ao trabalho; em Viam\u00e3o, esse n\u00famero \u00e9 de 25,2%, enquanto em Gravata\u00ed, Gua\u00edba e Cachoeirinha, todas pr\u00f3ximas a Porto Alegre, o \u00edndice varia de 15% a 20%. Al\u00e9m do deslocamento para trabalho em outras cidades, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser explicada pelo tempo despendido devido a problemas operacionais do servi\u00e7o de transporte p\u00fablico e das condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o local e pela dispers\u00e3o territorial das ocupa\u00e7\u00f5es urbanas em Gravata\u00ed, Gua\u00edba e Viam\u00e3o, que t\u00eam vasta \u00e1rea urbana e rural.<\/p>\n<p>Mesmo dentro de Porto Alegre, o tempo de deslocamento para os que vivem nas periferias pode ser longo, j\u00e1 que grande parte da oferta de empregos est\u00e1 no centro da capital. Outrora espa\u00e7o de com\u00e9rcios e servi\u00e7os voltados \u00e0 elite, o centro hist\u00f3rico sofreu um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o com a perda de fun\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de maior prest\u00edgio para os \u201cnovos\u201d centros, como o bairro Moinhos de Vento e a Avenida Carlos Gomes, e hoje concentra uma consider\u00e1vel parte dos empregos voltados \u00e0 camada popular, com ofertas no com\u00e9rcio e no servi\u00e7o voltadas a trabalhadores n\u00e3o qualificados. \u201cEsses setores populares que est\u00e3o na periferia v\u00eam para o Centro, e isso traz tamb\u00e9m implica\u00e7\u00f5es para a mobilidade urbana\u201d, comenta Paulo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h5>Agenda de governan\u00e7a<\/h5>\n<p>Apesar da crescente import\u00e2ncia das metr\u00f3poles na din\u00e2mica nacional, os pesquisadores identificam uma falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a essas regi\u00f5es. Face \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es pelas quais a RMPA passou, \u00e9 de se imaginar que a tarefa de realizar sua gest\u00e3o tamb\u00e9m tenha se tornado mais complexa. Uma regi\u00e3o metropolitana que cresceu em n\u00famero de munic\u00edpios, que contempla espa\u00e7os mais heterog\u00eaneos, bem como uma economia e uma organiza\u00e7\u00e3o socioespacial distintas, exige estruturas de gest\u00e3o adequadas. Entretanto, todas essas mudan\u00e7as, at\u00e9 o momento, n\u00e3o se traduziram em uma nova gest\u00e3o metropolitana compat\u00edvel com a import\u00e2ncia e os problemas que a regi\u00e3o apresenta.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds com grandes \u00e1reas metropolitanas e, ao mesmo tempo, h\u00e1 uma aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas dirigidas para os problemas dessas regi\u00f5es. Temos um paradoxo a\u00ed\u201d, enfatiza Fedozzi. \u201cO Brasil est\u00e1 imensamente atrasado no que diz respeito \u00e0 gest\u00e3o das suas \u00e1reas metropolitanas, e o Rio Grande do Sul n\u00e3o est\u00e1 fora disso\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Segundo o professor, um dos motivos para a resist\u00eancia dos gestores em trabalhar as regi\u00f5es metropolitanas de forma integrada est\u00e1 na origem do processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o metropolitana no pa\u00eds: durante o per\u00edodo de ditadura militar. A gest\u00e3o da metr\u00f3pole ocupou certa centralidade na agenda dos governos militares. No Rio Grande do Sul, por exemplo, foram formados o Sistema Metropolitano Estadual, o Conselho Deliberativo da RMPA e a Funda\u00e7\u00e3o Metropolitana de Planejamento Territorial (Metroplan) nesse per\u00edodo. A pol\u00edtica metropolitana do regime militar centralizava o processo decis\u00f3rio na esfera estadual, retirando poder dos prefeitos da regi\u00e3o. A imposi\u00e7\u00e3o pelo governo ditatorial de cria\u00e7\u00e3o de sistemas metropolitanos estaduais produziu uma associa\u00e7\u00e3o entre gest\u00e3o metropolitana e medidas n\u00e3o democr\u00e1ticas de centraliza\u00e7\u00e3o de poder e de enfraquecimento da esfera municipal da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cDurante a redemocratiza\u00e7\u00e3o, muitos n\u00e3o viam com bons olhos essa quest\u00e3o, mas a origem n\u00e3o justifica. Temos um problema que \u00e9 real: a aus\u00eancia de gest\u00e3o metropolitana. Um m\u00ednimo de planejamento, organiza\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o entre os munic\u00edpios, com a presen\u00e7a do Governo do Estado, se faz necess\u00e1rio. Com raras exce\u00e7\u00f5es, n\u00f3s n\u00e3o temos uma gest\u00e3o metropolitana no Brasil\u201d, enfatiza Fedozzi.<\/p>\n<p>Segundo ele, nos \u00faltimos anos, foram observados alguns progressos na quest\u00e3o da governan\u00e7a metropolitana, mas ainda s\u00e3o insuficientes. O <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2015\/Lei\/L13089.htm\">Estatuto da Metr\u00f3pole<\/a>, institu\u00eddo em 2015, por exemplo, traz avan\u00e7os significativos e, ao mesmo tempo, grandes falhas, como a falta de previs\u00e3o de recursos espec\u00edficos para a gest\u00e3o metropolitana.<\/p>\n<p>Estre as poss\u00edveis causas para essa falta de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para as regi\u00f5es metropolitanas, est\u00e1 a forma pela qual se d\u00e3o as conex\u00f5es eleitorais e a distribui\u00e7\u00e3o dos votos nesses espa\u00e7os. A partir de dados fornecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral, os pesquisadores do Observat\u00f3rio puderam perceber que a representa\u00e7\u00e3o parlamentar na RMPA, tanto para os deputados estaduais como para os federais, ainda \u00e9 predominante de tipo paroquial. Isso quer dizer que os deputados s\u00e3o eleitos, geralmente, a partir de votos concentrados em um \u00fanico local, e n\u00e3o de votos mais universalizados, divididos entre os eleitores espalhados pelos diversos munic\u00edpios da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso significa que inexiste uma representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica metropolitana capaz de, nos parlamentos e junto aos executivos, lutar por projetos e pol\u00edticas p\u00fablicas metropolitanas. Eles v\u00e3o ter uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica voltada para suas par\u00f3quias, e n\u00e3o para o conjunto da regi\u00e3o metropolitana\u201d, comenta Fedozzi. Esse, segundo os pesquisadores, \u00e9 um dos fatores que ajuda a compreender como o sistema pol\u00edtico e a pr\u00f3pria ordem federativa n\u00e3o propiciam uma gest\u00e3o metropolitana.<\/p>\n<p>Outro fator que colabora para a aus\u00eancia dessa gest\u00e3o \u00e9 a diversidade e a desigualdade entre os munic\u00edpios que comp\u00f5em a regi\u00e3o. \u201cMesmo que a RMPA seja um pouco mais equilibrada em termos demogr\u00e1ficos e econ\u00f4micos, quando comparada a outras metr\u00f3poles, h\u00e1 uma assimetria entre os munic\u00edpios. Porto Alegre tem um peso muito acima dos outros. E isso dificulta a coopera\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Paulo. Segundo o professor, os munic\u00edpios apresentam, muitas vezes, tradi\u00e7\u00f5es e interesses pol\u00edticos conflitantes. \u201cSempre vai haver uma dificuldade de coopera\u00e7\u00e3o entre regi\u00f5es que s\u00e3o muito diversas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram, a partir de 2010, uma nova postura do governo estadual do Rio Grande do Sul, que favorecia as inst\u00e2ncias de gest\u00e3o da RMPA. Alguns exemplos s\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara T\u00e9cnica do Desenvolvimento Metropolitano, em 2011, no \u00e2mbito do rec\u00e9m-criado Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social do Governo do Estado (CDES-RS),\u00a0e a institui\u00e7\u00e3o do Conselho Metropolitano dos Munic\u00edpios (CDM), em 2012, al\u00e9m do Gabinete de Governan\u00e7a da RMPA, integrado \u00e0 Metroplan e respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es do CDM.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam, entretanto, que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiveram continuidade. \u201cAo contr\u00e1rio, minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que foram praticamente abandonadas. N\u00e3o h\u00e1 uma impress\u00e3o de continuidade ou de aprofundamento daquele espa\u00e7o. Foi um espa\u00e7o com baixo n\u00edvel de institucionaliza\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Fedozzi, que aponta tamb\u00e9m o enfraquecimento, tanto do ponto de vista t\u00e9cnico quanto do pol\u00edtico, da Metroplan, \u00f3rg\u00e3o que faz a interface entre o Governo do Estado e a RMPA. \u00a0Segundo ele, \u00e9 preciso investir em institui\u00e7\u00f5es permanentes, para al\u00e9m dos mandatos dos prefeitos e governadores, que deem continuidade \u00e0s a\u00e7\u00f5es, sem submiss\u00e3o aos fatores pol\u00edtico-partid\u00e1rios. \u201cClaro, a crise \u00e9 geral. Mas isso n\u00e3o justifica. \u00c9 em momentos de crise que se poderia pensar em alternativas para otimizar os recursos e somar for\u00e7as\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles<\/h5>\n<p>O Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles \u00e9 um programa pluri-institucional e pluridisciplinar que re\u00fane 159 pesquisadores de 59 institui\u00e7\u00f5es dos campos universit\u00e1rio, governamental e n\u00e3o governamental, sob a coordena\u00e7\u00e3o geral do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR\/UFRJ).<\/p>\n<p>O grupo vem produzindo trabalhos de maneira sistem\u00e1tica sobre 14 metr\u00f3poles e uma aglomera\u00e7\u00e3o urbana: Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goi\u00e2nia, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, Bel\u00e9m, Santos, Vit\u00f3ria, Bras\u00edlia e a aglomera\u00e7\u00e3o urbana de Maring\u00e1.<\/p>\n<p>Com coordena\u00e7\u00e3o na UFRGS e um comit\u00ea gestor formado por pesquisadores dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia, Geografia e Medicina Social da UFRGS, do Departamento de Ci\u00eancias Sociais da PUCRS e da FEE, o N\u00facleo Porto Alegre conta com cerca de 20 pesquisadores e, al\u00e9m de realizar pesquisas, promove cursos de forma\u00e7\u00e3o, encontros, semin\u00e1rios, discuss\u00f5es e debates com setores da sociedade civil. \u201cN\u00e3o fazemos somente investiga\u00e7\u00f5es, mas procuramos manter la\u00e7os com setores sociais. \u00c9 importante que esse conhecimento produzido na Universidade tenha formas de chegar e interagir com setores da sociedade\u201d, explica Fedozzi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Publica\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p><strong>T\u00edtulo: <\/strong><a href=\"http:\/\/observatoriodasmetropoles.net\/index.php?option=com_abook&amp;view=book&amp;catid=1%3Alivros&amp;id=147%3Aporto-alegre&amp;Itemid=123&amp;lang=pt\">Porto Alegre: transforma\u00e7\u00f5es na ordem urbana<br \/>\n<\/a><strong>Autores: <\/strong>Paulo Roberto Rodrigues Soares, Luciano Fedozzi (organizadores)<br \/>\n<strong>Ano: <\/strong>2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a sua institucionaliza\u00e7\u00e3o, em 1973, a Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) passou por mudan\u00e7as profundas em sua organiza\u00e7\u00e3o socioespacial e econ\u00f4mica. 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