É com orgulho que anunciamos a contribuição de Larissa Costa Duarte para Platybus, blog do Comitê de Antropologia da Ciência, Tecnologia e Computação (CASTAC) da Associação Americana de Antropologia (AAA).

Em seu texto, Duarte aproxima sua pesquisa de doutorado sobre HIV com o atual contexto da pandemia da COVI-19, pautada pelos paralelos entre o AZT e a Cloroquina.

 O AZT não foi projetado para combater a infecção pelo HIV; ele foi criado décadas antes disso para o tratamento do câncer, mas foi considerado “tóxico demais” para esse uso. O hype sobre o AZT começou assim que o laboratório mostrou os maravilhosos resultados que o composto teve no combate ao HIV in vitro, o primeiro passo de uma enorme lista de procedimentos projetados para testar a eficácia e a segurança de novos medicamentos. Sob imensa pressão do governo, médicos, pacientes e ativistas, o medicamento foi aprovado em tempo recorde pela Food and Drug Administration (agência reguladora dos EUA) tendo como base estudos que, em pouco tempo, se mostraram não apenas profundamente falhos, mas cujo duplo-cego foi desvendado por médicos e pacientes ainda nas primeiras semanas dos testes (Epstein 1997, 202). Então, em 2020, quando ficou evidente que a nova doença causada por um coronavírus desconhecido se tornaria uma grande crise de saúde, comecei a observar as empresas farmacêuticas vasculhando suas prateleiras em busca de um medicamento “milagroso” para combatê-la e curá-la. Meu primeiro pensamento foi: isso é muito familiar.

O texto está disponível em inglês e em português na Platybus.