{"id":466,"date":"2020-12-18T10:30:00","date_gmt":"2020-12-18T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/?p=466"},"modified":"2020-12-17T20:54:23","modified_gmt":"2020-12-17T23:54:23","slug":"saude-mental-e-socioeducacao-entrevista-com-wesley-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/saude-mental-e-socioeducacao-entrevista-com-wesley-carvalho\/","title":{"rendered":"SA\u00daDE MENTAL E SOCIOEDUCA\u00c7\u00c3O: ENTREVISTA COM WESLEY CARVALHO"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-02-938x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-467\" width=\"224\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-02-938x1024.jpg 938w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-02-275x300.jpg 275w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-02-768x838.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-02-1407x1536.jpg 1407w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-02-1876x2048.jpg 1876w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><figcaption>Wesley Carvalho | Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wesley Ferreira de Carvalho \u00e9 Assistente Social Especialista em Sa\u00fade Mental Coletiva, Mestre em Educa\u00e7\u00e3o e em 2021 iniciar\u00e1 o Doutorado do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de Psicologia da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como residente no programa de Resid\u00eancia Integrada Multiprofissional em Sa\u00fade Mental Coletiva da UFRGS, atuou no Programa de Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os \u00e0 Comunidade da UFRGS (PPSC) e no projeto Gest\u00e3o da Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua em Porto Alegre e ainda no Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial Infanto Juvenil (CAPSi) e no Projeto Tipo Assim! em Novo Hamburgo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wesley realizou seu Trabalho de Conclus\u00e3o da Resid\u00eancia (TCR), baseado nas suas viv\u00eancias no trabalho com as adolesc\u00eancias e juventudes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira a entrevista:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Wesley, um trabalho de conclus\u00e3o da resid\u00eancia (TCR) , escrito do lugar de quem h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada se dedica a trabalhar com as adolesc\u00eancias e juventudes. O que a pol\u00edtica de sa\u00fade mental ainda deve para as e os jovens brasileirxs?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredito que a sociedade como um todo carrega uma parcela pela criminaliza\u00e7\u00e3o dos adolescentes e jovens na atualidade e pelo tratamento a esses sujeitos. As institui\u00e7\u00f5es que atuam com as adolesc\u00eancias e as juventudes, os servi\u00e7os e as redes de prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o acolhedoras em sua maioria, e reafirmam a marginaliza\u00e7\u00e3o de certos adolescentes e jovens. Acho que essa \u00e9 a d\u00edvida social com esse p\u00fablico, principalmente, ao pensar em sujeitos emaranhados nas tramas do Estado, da Justi\u00e7a, do sistema socioeducativo que tensiona ainda mais as rela\u00e7\u00f5es, ampliam as viol\u00eancias e a falta de acesso aos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o adolescente em conflito com a lei e para aquele em sofrimento ps\u00edquico, ou ainda, para um adolescente em conflito com a lei em sofrimento ps\u00edquico, a condi\u00e7\u00e3o de ser ainda est\u00e1 em suspei\u00e7\u00e3o, sob vig\u00edlia das c\u00e2meras de seguran\u00e7a, das grades da justi\u00e7a a da pol\u00edcia e dos olhos dos vigias do supermercado. S\u00e3o presen\u00e7as inquietantemente estranhas, talvez por tensionarem pol\u00edticas, pr\u00e1ticas e ideais t\u00e3o caros \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A d\u00edvida \u00e9 hist\u00f3rica na verdade, e trata das (neg)a\u00e7\u00f5es frente \u00e0 essas vidas.&nbsp;&nbsp; Vivemos tempos de crise &#8211; governamental, econ\u00f4mica, cultural e civilizat\u00f3ria &#8211; e os direitos fundamentais sofrem sucessivos ataques, e, na pol\u00edtica de sa\u00fade mental n\u00e3o seria diferente. Assistimos ao desmonte das Redes de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial, do cuidado em liberdade e regredimos a um modelo que viola, segrega e violenta as vidas. O discurso ultra neoliberal e conservador bolsonarista ganha for\u00e7a numa sociedade desigual, marcada pelo preconceito contra as vidas jovens, sobretudo aquelas nas encruzilhadas de avenidas identit\u00e1rias: as pretas e pardas, pobres e putas, piradas e perif\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tu mencionas no trabalho a tua pesquisa de mestrado como sendo um estudo in\u00e9dito que articulou os campos da educa\u00e7\u00e3o especial e da socioeduca\u00e7\u00e3o. Pensando na tua trajet\u00f3ria enquanto pesquisador:&nbsp; o que aquela pesquisa tem a ver \u2013 e se tem &#8211; com a escolha por uma resid\u00eancia em sa\u00fade mental? Existe alguma rela\u00e7\u00e3o de continuidade entre \u201cos litorais do mestrado\u201d e os \u201crestos do cuidado em sa\u00fade mental coletiva\u201d partilhados nesse TCR?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim&#8230; h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o, e acredito que sempre haver\u00e1 essa conflu\u00eancia em minha trajet\u00f3ria. Como pesquisador na academia, enquanto trabalhador t\u00e9cnico na ponta das pol\u00edticas p\u00fablicas, meu corpo tamb\u00e9m carrega os atravessamentos na vida de um sujeito racializado, ent\u00e3o, aqui se fazem potentes as rela\u00e7\u00f5es ao acompanhar outras pessoas negras, sobretudo, em contextos de viol\u00eancia, opress\u00e3o, vulnerabilidade e sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade, pensar sobre esses corpos jovens em sistemas de aprisionamento e encarceramento das vidas j\u00e1 fazem parte de minha trajet\u00f3ria desde a gradua\u00e7\u00e3o, quando foi realizado o trabalho de conclus\u00e3o de curso intitulado \u201cPrograma de Egresso do Sistema Socioeducativo: uma an\u00e1lise nacional em 2011\u201d, que visou conhecer a exist\u00eancia dos programas de egressos do sistema socioeducativo em \u00e2mbito nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atuei na articula\u00e7\u00e3o da rede social do sistema socioeducativo mineiro, orientando as equipes dos centros provis\u00f3rios e de interna\u00e7\u00e3o e das casas de semiliberdade no fortalecimento da rede social dos adolescentes em cumprimento de medidas e tamb\u00e9m egressos do sistema. Momentos em que o indiv\u00edduo vive entre direitos e deveres, entre a liberdade e a responsabiliza\u00e7\u00e3o, o dentro e o fora, na dif\u00edcil e complexa tarefa em que se v\u00ea afastado das rela\u00e7\u00f5es, dos afetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das montanhas mineiras aos pampas ga\u00fachos, outras paisagens. De um (belo) horizonte a um outro porto (alegre) outra casa. Chego ao sul e desaguo na rua da praia. A beira das \u00e1guas, nas corridas di\u00e1rias pela orla partindo da antiga usina, me levavam at\u00e9 a FASE e a paisagem do meu destino final era o pr\u00e9dio herdado da FEBEM. Novas mem\u00f3rias e alguns pontos de encontro na minha trajet\u00f3ria, como a necessidade de estar pr\u00f3ximo \u00e0 \u00e1gua e as cruzadas com as vidas encarceradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o foi realizada investiga\u00e7\u00e3o acerca da escolariza\u00e7\u00e3o de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de interna\u00e7\u00e3o na Funda\u00e7\u00e3o de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul (FASE\/RS) e, de outro lado, a reflex\u00e3o aprofundada sobre a escolariza\u00e7\u00e3o para aqueles com defici\u00eancia, especialmente os que apresentavam impasses em sua estrutura\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, no estudo que tem por nome \u201cTERRA-MAR: litorais entre a Socioeduca\u00e7\u00e3o e a Educa\u00e7\u00e3o Especial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os anos de 2018 e 2020 transitei pela Resid\u00eancia em \u00c1rea Profissional da Sa\u00fade da UFRGS, e, novamente, as adolesc\u00eancias e juventudes se fazem presentes em minhas escritas. Dos Restos do Cuidado em S\u00e1ude Mental Coletiva conto de hist\u00f3rias e mem\u00f3rias de dois anos intensos de reflex\u00f5es e trabalho. Os fios que comp\u00f5em a trama s\u00e3o cenas dos processos pessoais, profissionais e formativos vivenciados nos espa\u00e7os-institui\u00e7\u00f5es-lugares para o trabalho e s\u00e3o narradas quatro hist\u00f3rias-mem\u00f3rias, advindas de cada cen\u00e1rio de pr\u00e1tica em que pude realizar o cuidado em Sa\u00fade Mental Coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Wesley, como foi \u2013 e \u00e9 \u2013 trabalhar com o sofrimento ps\u00edquico na adolesc\u00eancia? Que desafios s\u00e3o pr\u00f3prios desse contexto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma inst\u00e2ncia de viol\u00eancia institucional na sociedade brasileira contra pessoas que vivam algum tipo de defici\u00eancia ou que estejam em sofrimento ps\u00edquico. Estar nessas condi\u00e7\u00f5es pode produzir encarceramento dos corpos, causar sofrimento e impactar nas subjetividades. Principalmente ao pensar nesses corpos sob olhares e leituras outras. Que n\u00e3o operam &#8211; ou superam &#8211; diagn\u00f3sticos fechados, patologizantes, carregados de classifica\u00e7\u00f5es, estigmas e discursos hegem\u00f4nicos, que fazem uso de doen\u00e7as e CID\u2019s para a partida da constru\u00e7\u00e3o dos casos e planos de a\u00e7\u00e3o, acompanhamentos e atendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os desafios s\u00e3o essas formas simb\u00f3licas de conten\u00e7\u00e3o &#8211; manicomiais &#8211; que desconsideram outras narrativas enquanto possibilidades de leitura de mundo e produ\u00e7\u00e3o de sentidos. Os impasses na caminhada destas vidas jovens s\u00e3o muitos, como ter acesso \u00e0 sa\u00fade, ao trabalho, ou estudar, por exemplo, e ter garantido o direito \u00e0 cr\u00edtica do patrim\u00f4nio cultural e humano s\u00e3o possibilidades reiteradamente suspensas. Muitas vezes, lhes restam a falta de escolariza\u00e7\u00e3o, o adoecimento, as neglig\u00eancias e viol\u00eancias, ou, at\u00e9 mesmo inser\u00e7\u00f5es sob os ausp\u00edcios da desconfian\u00e7a, da normatiza\u00e7\u00e3o e do empobrecimento na rela\u00e7\u00e3o com o outro. Manuten\u00e7\u00e3o de um conhecido e j\u00e1 marcado lugar marginal, entre as negativas e o c\u00e1rcere, quando n\u00e3o, com o corpo jogado na latrina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A passagem por um CAPS, um projeto com adolescentes e jovens e uma unidade de execu\u00e7\u00e3o de medida socioeducativa. O que esses adolescentes\/jovens tinham\/t\u00eam em comum da perspectiva do Wesley, residente em sa\u00fade mental?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os caminhos nas escolhas de cen\u00e1rios da Resid\u00eancia (consciente ou inconsciente) foram muito pessoais durante o percurso e convergiram para o trabalho que abarcasse o atendimento de jovens durante os dois anos de pr\u00e1tica e educa\u00e7\u00e3o em trabalho. Tive a oportunidade de participar de oficinas, realizar visitas domiciliares, atendimentos individuais, estive nos espa\u00e7os institucionais e perambulei pelas ruas das cidades quebrando paredes manicomiais. Participei de matriciamentos e partilha de casos, de semin\u00e1rios e de reuni\u00f5es de equipe, e o comum, nesses espa\u00e7os, eram as m\u00faltiplas semelhan\u00e7as, em hist\u00f3rias que se entrecruzam, se parecem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-01-1024x362.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-468\" width=\"459\" height=\"162\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-01-1024x362.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-01-300x106.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-01-768x272.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-01-1536x543.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/ciess\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Entrevista-Wesley-01-2048x724.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o muitas as semelhan\u00e7as no que se refere \u00e0s hist\u00f3rias de abandono, de vulnerabilidade, de nega\u00e7\u00e3o. Brigas, amea\u00e7as, uso de for\u00e7a e viol\u00eancias, eram constantes. A cor desses jovens tamb\u00e9m sempre foi uma constante. Trajet\u00f3rias ordin\u00e1rias. Atuar em contextos com adolescentes e jovens que t\u00eam a cor da pele preta me constitui \u2013 pessoal, profissional e academicamente \u2013 e meu olhar nunca desvia. Auto evidente, talvez, por n\u00e3o ter a pele branca ou por ter re-conhecido e reafirmado meus tra\u00e7os racializados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os negros s\u00e3o predominantes nos abrigos, no sistema socioeducativo ou no sistema prisional, nos neo-manic\u00f4mios (interna\u00e7\u00f5es para desintoxica\u00e7\u00e3o, alas de Hospitais Psiqui\u00e1tricos, Comunidades Terap\u00eauticas ou Institutos Forenses, como exemplos). O trabalho com e no social traz circunscrita a marca do racismo estrutural que, h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas a voz de Elza Soares (2003) nos lembra ao cantar, que a carne mais barata do mercado \u00e9 a carne negra. Reafirmando que s\u00e3o os pretos e as pretas que superlotam os sistemas de justi\u00e7a, os n\u00fameros de v\u00edtimas de feminic\u00eddios, de viol\u00eancias policiais, e, majoritariamente, as estat\u00edsticas letais com suas vidas descart\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nos escritos finais do texto tu faz refer\u00eancia \u00e0s \u201ccorpas e corpos jovens, atravessadas\/dos pelo racismo, pela pobreza e pela viola\u00e7\u00e3o de direitos\u201d, acompanhadas\/dos ao longo da resid\u00eancia. Como o conflito com a lei aparece nessa trama? A infra\u00e7\u00e3o est\u00e1 de algum modo relacionada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social desses e dessas adolescentes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se percebe \u00e9 que muitas vezes os adolescentes e jovens abandonam (muito cedo) a escola e n\u00e3o s\u00e3o resgatados e acompanhados pelos \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia &#8211; Conselhos Tutelares, Escola, fam\u00edlia, servi\u00e7os da sa\u00fade e a sociedade, como exemplos. A partir da\u00ed, a vizinhan\u00e7a com a criminalidade, o preconceito contra os materialmente pobres, a segrega\u00e7\u00e3o e a falta de perspectivas e de oportunidades podem produzir tal trajet\u00f3ria infracional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o que as possibilidades de estar no mundo se equacionem de forma determin\u00edstica. N\u00e3o se trata de um jogo de cartas marcadas, contudo, n\u00e3o se nega o impacto dessas conting\u00eancias na constru\u00e7\u00e3o das impossibilidades da vida. Da\u00ed, o ato infracional pode ser uma solu\u00e7\u00e3o encontrada pelo adolescente frente ao mal-estar produzido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando aprofundamos na realidade desses brasileiros, o que se percebe \u00e9 que as vidas se assemelham: milhares de pobres, em sua maioria pretos ou pardos, posicionados em uma situa\u00e7\u00e3o extrema, caracterizada pela aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos. S\u00e3o corpos desde cedo marcados por vidas de negativas que desconsideram o social na produ\u00e7\u00e3o das infra\u00e7\u00f5es, que negam marcadores sociais nas desigualdades e privil\u00e9gios em seus modos de existir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wesley realizou seu Trabalho de Conclus\u00e3o da Resid\u00eancia (TCR), baseado nas suas viv\u00eancias no trabalho com as adolesc\u00eancias e juventudes. 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