{"id":1200,"date":"2025-04-17T14:05:47","date_gmt":"2025-04-17T17:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cisade\/?p=1200"},"modified":"2025-04-22T14:29:18","modified_gmt":"2025-04-22T17:29:18","slug":"alimentos-da-sociobiodiversidade-cultura-sustentabilidade-e-territorios-na-cozinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cisade\/2025\/04\/17\/alimentos-da-sociobiodiversidade-cultura-sustentabilidade-e-territorios-na-cozinha\/","title":{"rendered":"Alimentos da sociobiodiversidade: cultura, sustentabilidade e territ\u00f3rios na cozinha"},"content":{"rendered":"<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica cotidiana que carrega escolhas e intencionalidades. No entanto, nem sempre nos damos conta de que, ao escolher o que colocamos no prato, tamb\u00e9m estamos tomando decis\u00f5es pol\u00edticas, ambientais e culturais. \u00c9 nesse contexto que surgem os alimentos da sociobiodiversidade \u2013 um conceito que vai al\u00e9m do valor nutricional dos ingredientes, considerando suas origens, modos de produ\u00e7\u00e3o e v\u00ednculos com os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>De forma simples, alimentos da sociobiodiversidade s\u00e3o aqueles provenientes de esp\u00e9cies nativas da flora e fauna, manejadas ou cultivadas por comunidades locais, como povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores familiares, dentre outros. De uma forma mais ampla, tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas as esp\u00e9cies crioulas, que, mesmo n\u00e3o sendo nativas, foram manejadas por muitas gera\u00e7\u00f5es, integrando a agrobiodiversidade dos territ\u00f3rios. Hoje em dia, alimentos da sociobiodiversidade tamb\u00e9m s\u00e3o cultivados nos espa\u00e7os urbanos, como nas hortas escolares, comunit\u00e1rias e\/ou urbanas, em sistemas agroflorestais e regenerativos em territ\u00f3rios urbanos e rurais.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Esses alimentos s\u00e3o resultado de saberes ancestrais, de pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas de manejo e cultivo e de rela\u00e7\u00f5es mais sustent\u00e1veis com os ecossistemas. Mais do que ingredientes, s\u00e3o express\u00f5es vivas de identidade cultural e de resist\u00eancia de modos de vida.<\/p><\/blockquote>\n<p>A sociobiodiversidade aqui no Rio Grande do Sul envolve frutas nativas como o ara\u00e7\u00e1, o buti\u00e1, a goiaba-serrana e a ju\u00e7ara, entre outras; cereais como o milho crioulo; tub\u00e9rculos como batata-doce e mandioca; hortali\u00e7as tradicionais como o pissac\u00e3n; flores como capuchinha; ra\u00edzes como crem, e tamb\u00e9m produtos de origem animal, como mel de abelhas nativas e queijos e carnes cujos animais s\u00e3o criados no\u00a0 campo nativo. Ao consumir esses alimentos, fortalecemos circuitos curtos de comercializa\u00e7\u00e3o, valorizamos o trabalho de povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e coletivos rurais e urbanos e contribu\u00edmos para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>No curso de especializa\u00e7\u00e3o em Gastronomia Cultural da UFRGS e UFCSPA, a sociobiodiversidade \u00e9 tema central. Ela aparece tanto nas discuss\u00f5es em sala de aula, quanto nas cozinhas para as aulas pr\u00e1ticas. A proposta \u00e9 justamente refletir sobre como os alimentos carregam hist\u00f3rias, saberes, mem\u00f3rias e territ\u00f3rios e como podem ser os grandes protagonistas na constru\u00e7\u00e3o de sistemas alimentares mais justos, saud\u00e1veis e sustent\u00e1veis, atrav\u00e9s de um novo entendimento do que \u00e9 Gastronomia e quem habita a categoria de gastr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>Ao escolher um produto da sociobiodiversidade, n\u00e3o estamos apenas inovando o card\u00e1pio ou resgatando sabores esquecidos. Estamos tamb\u00e9m tomando parte de um movimento que reconhece a import\u00e2ncia da cultura alimentar como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social e cuidado com a natureza. Afinal, cada alimento carrega uma hist\u00f3ria, reflete uma cultura e configura um territ\u00f3rio. A cada ato de cozinhar, honramos essas ra\u00edzes e tradi\u00e7\u00f5es, revivendo mem\u00f3rias e compartilhando identidades.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-111254\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Cozinha-Biodiversa_Flavio-Dutra-5289-695x463.jpg 695w\" alt=\"Fotografia mostra horta comunit\u00e1ria localizada em viela no bairro Petr\u00f3polis, em Porto Alegre\" width=\"1500\" height=\"1000\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Horta comunit\u00e1ria em viela do bairro Petr\u00f3polis, em Porto Alegre, produz hortali\u00e7as e verduras em canto de terreno aproveitado no espa\u00e7o urbano (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/Arquivo JU)<\/figcaption><\/figure>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\" \/>\n<div class=\"wp-block-group\">\n<div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p class=\"has-accent-background-color has-background\"><strong>Sandreli Bandeira<\/strong>\u00a0\u00e9 turism\u00f3loga e jornalista, escreve sobre saberes e sabores, interligando diversas \u00e1reas.\u00a0 \u00c9 tutora e integrante do N\u00facleo de Comunica\u00e7\u00e3o do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Gastronomia Cultural.<br \/>\n<strong>Tatiana Miranda<\/strong>\u00a0\u00e9 gastr\u00f3loga e etnoec\u00f3loga e coordena o N\u00facleo de Comunica\u00e7\u00e3o do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Gastronomia Cultural. \u00c9 fundadora da Erva-doce: cozinha afetiva artesanal, que busca promover a gastronomia sociobiodiversa.<br \/>\n<strong>Gabriela Coelho-de-Souza<\/strong>\u00a0\u00e9 Diretora do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE) e coordenadora do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Gastronomia Cultural.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica cotidiana que carrega escolhas e intencionalidades. 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