{"id":76,"date":"2026-08-12T22:53:25","date_gmt":"2026-08-13T01:53:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/?p=76"},"modified":"2026-08-12T23:38:16","modified_gmt":"2026-08-13T02:38:16","slug":"a-terceira-coisa-entre-o-professor-e-a-enchente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/2026\/08\/12\/a-terceira-coisa-entre-o-professor-e-a-enchente\/","title":{"rendered":"A terceira coisa entre o professor e a enchente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color wp-block-paragraph\" style=\"color:#5A6B61;font-size:clamp(0.875rem, 0.875rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.12), 0.95rem);letter-spacing:0.02em\">Por <strong>Tatiane Braga dos Reis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-4b762544 wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"border-radius:16px;background-color:#F5F7F3;padding-top:1.6rem;padding-right:1.6rem;padding-bottom:1.6rem;padding-left:1.6rem\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.875rem, 0.875rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.44), 1.15rem);line-height:1.6\">Em mar\u00e7o de 2026 o Brasil ganhou seu primeiro referencial nacional de IA na educa\u00e7\u00e3o; a UNESCO j\u00e1 havia publicado o seu. Nascido nos bairros alagados do Rio Grande do Sul, o Climate AI-SBN l\u00ea como resposta situada ao que esses documentos pedem no abstrato e, em alguns pontos, ousa ir al\u00e9m deles.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maio de 2024 n\u00e3o foi uma abstra\u00e7\u00e3o curricular. Em Porto Alegre, a \u00e1gua entrou em 46 dos 94 bairros e afetou diretamente cerca de 157 mil pessoas, perto de 12% da capital. Em Pelotas, banhada pela Lagoa dos Patos, a previs\u00e3o era de que a cheia atingisse um ter\u00e7o dos moradores, e o Laranjal inteiro foi evacuado. Dois munic\u00edpios em calamidade p\u00fablica, e um n\u00famero muito maior de escolas onde a crise clim\u00e1tica deixou de ser tema de prova para virar experi\u00eancia de quem senta na carteira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 desse ch\u00e3o, e n\u00e3o de um laborat\u00f3rio, que parte o Climate AI-SBN, projeto de pesquisa-interven\u00e7\u00e3o do PPGIE\/CINTED\u2013UFRGS, em cons\u00f3rcio com UFPel, UNIPAMPA e UEPG, financiado pela FAPERGS\u2013Funda\u00e7\u00e3o Arauc\u00e1ria. Sua aposta \u00e9 precisa: uma plataforma de IA local, privada e curada para ajudar professores da rede p\u00fablica a conceber projetos pedag\u00f3gicos territorializados de letramento ambiental e digital cr\u00edticos, ancorados em Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza (SBN). Os estudantes n\u00e3o acessam o sistema. Nenhuma sa\u00edda da m\u00e1quina vale sem a revis\u00e3o de um docente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase ao mesmo tempo, dois documentos de peso chegaram para dizer, no plano das diretrizes, o que uma iniciativa dessas deveria ser. A UNESCO publicou seu primeiro guia global para IA generativa na educa\u00e7\u00e3o e na pesquisa. E o MEC lan\u00e7ou, em mar\u00e7o de 2026, o <em>Referencial para o Uso e Desenvolvimento Respons\u00e1veis de Intelig\u00eancia Artificial na Educa\u00e7\u00e3o<\/em>. Ler os tr\u00eas lado a lado \u00e9 um exerc\u00edcio revelador: em boa medida, o projeto faz no territ\u00f3rio o que os referenciais recomendam no papel. Em outros pontos, ele responde a uma inquieta\u00e7\u00e3o que os pr\u00f3prios documentos confessam n\u00e3o saber resolver.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os documentos pedem<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma frase que atravessa o Referencial do MEC como espinha dorsal: a integra\u00e7\u00e3o da IA na educa\u00e7\u00e3o depende, de forma decisiva, da centralidade dos educadores. N\u00e3o como acess\u00f3rio desej\u00e1vel, mas como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel, presente da formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da ferramenta. O documento alerta contra a ado\u00e7\u00e3o precipitada de solu\u00e7\u00f5es por press\u00e3o externa de inova\u00e7\u00e3o, insiste em supervis\u00e3o humana efetiva, em transpar\u00eancia e explicabilidade dos sistemas, em governan\u00e7a de dados. E dedica um de seus oito desafios \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da aprendizagem ativa e da autoria acad\u00eamica diante da automa\u00e7\u00e3o excessiva. \u00c9 o risco de a m\u00e1quina fazer pelo estudante o pensamento que era, justamente, o objetivo de aprender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A UNESCO parte de um lugar semelhante e o radicaliza. Seu guia \u00e9 assumidamente human\u00edstico: a IA generativa s\u00f3 se justifica se proteger a ag\u00eancia humana, a inclus\u00e3o, a equidade, a diversidade cultural e lingu\u00edstica. Exige que as institui\u00e7\u00f5es de ensino validem essas ferramentas quanto \u00e0 sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e9tica e pedag\u00f3gica antes de adot\u00e1-las, e n\u00e3o depois. E faz duas advert\u00eancias que a maioria dos entusiastas prefere n\u00e3o ouvir. A primeira: a IA generativa aprofunda a pobreza digital, porque o poder de criar e controlar esses modelos est\u00e1 concentrado no Norte Global, e sistemas treinados com dados que refletem seus valores tendem a \u201ccolonizar\u201d comunidades do Sul carentes de dados pr\u00f3prios. A segunda: ao devolver sempre a resposta mais prov\u00e1vel, esses modelos homogene\u00edzam o conhecimento e estreitam o pensamento plural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guarde esses dois alertas. \u00c9 neles que o projeto deixa de apenas cumprir a recomenda\u00e7\u00e3o e come\u00e7a a discutir com ela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde o projeto responde<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de converg\u00eancia mais limpo \u00e9 tamb\u00e9m o mais estrutural. Quando o MEC coloca o educador no centro e a UNESCO exige valida\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica humana, est\u00e3o nomeando, em vocabul\u00e1rio de pol\u00edtica p\u00fablica, o que o projeto chama de <em>human-in-the-loop<\/em>: a plataforma \u00e9 professor-only, e a rubrica que avalia cada sa\u00edda rejeita automaticamente qualquer produto gerado sem revis\u00e3o docente. N\u00e3o \u00e9 um recurso de interface: \u00e9 uma decis\u00e3o de arquitetura. A IA prop\u00f5e; o professor decide. Aqui o projeto encontra Freire sem precisar cit\u00e1-lo em cada linha: o conhecimento parte de um problema real do territ\u00f3rio e a ele retorna como a\u00e7\u00e3o, e a autoria (do professor e do estudante) \u00e9 o horizonte pol\u00edtico do processo, n\u00e3o um efeito colateral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exig\u00eancia de transpar\u00eancia e explicabilidade do MEC, somada ao Desafio da confiabilidade e dos erros factuais, encontra resposta t\u00e9cnica na escolha de uma arquitetura RAG com fontes rastre\u00e1veis: cada afirma\u00e7\u00e3o do sistema pode ser reconduzida \u00e0 passagem que a originou, da fonte ao trecho e \u00e0 cita\u00e7\u00e3o na sa\u00edda. \u00c9 o que torna o letramento digital cr\u00edtico pratic\u00e1vel, e n\u00e3o ret\u00f3rico: s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel \u201cavaliar o avaliador\u201d quando se pode perguntar de onde veio cada frase. Nesse ponto o projeto conversa com Andy Clark e a mente estendida (a IA curada como extens\u00e3o cognitiva leg\u00edtima do professor, desde que ele mantenha a soberania sobre o pr\u00f3prio pensamento) e com Selwyn, cuja cr\u00edtica ao otimismo tecnol\u00f3gico o projeto absorve como princ\u00edpio de desenho, n\u00e3o como ressalva de rodap\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E h\u00e1 a converg\u00eancia mais fina, quase invis\u00edvel: o Desafio do MEC sobre proteger a autoria diante da automa\u00e7\u00e3o excessiva \u00e9 exatamente a hip\u00f3tese que o projeto se prop\u00f5e a testar. A rubrica penaliza o \u201cplano de aula isolado\u201d, exige cocriabilidade, mede se o projeto amplia a autoria docente em vez de substitu\u00ed-la. O desenho comparativo, projetos feitos solo versus cocriados, transforma uma preocupa\u00e7\u00e3o normativa em pergunta emp\u00edrica. Poucos projetos fazem isso: em vez de prometer que a IA n\u00e3o vai capturar a autoria, montam o experimento que pode provar ou refutar a promessa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde o projeto vai al\u00e9m<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 quando chegamos aos dois alertas da UNESCO que a coisa fica interessante, porque o projeto n\u00e3o apenas os acata: ele os responde com uma escolha de engenharia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 advert\u00eancia sobre <strong>pobreza digital e coloniza\u00e7\u00e3o por modelos do Norte<\/strong>, o Climate AI-SBN responde com soberania: uma LLM n\u00e3o propriet\u00e1ria, servida localmente em servidor f\u00edsico dedicado, alimentada por uma base curada dentro da pr\u00f3pria pesquisa, sem APIs comerciais em produ\u00e7\u00e3o. Os dados, as fontes e o comportamento do sistema ficam sob controle de quem faz. Onde a UNESCO diagnostica um risco geopol\u00edtico (o Sul Global consumindo padr\u00f5es alheios), o projeto ensaia uma contraproposta t\u00e9cnica de soberania cognitiva. Aqui ele encontra Arturo Escobar e o design pluriversal, situado e perif\u00e9rico: a escola p\u00fablica brasileira p\u00f3s-enchente n\u00e3o \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o a corrigir, \u00e9 a premissa do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 advert\u00eancia sobre <strong>homogeneiza\u00e7\u00e3o do conhecimento<\/strong>, o projeto op\u00f5e a ecologia de saberes de Boaventura de Sousa Santos. E o detalhe saboroso \u00e9 que o pr\u00f3prio Referencial do MEC invoca o combate ao epistemic\u00eddio e \u00e0 diversidade epist\u00eamica quando trata da centralidade dos educadores. Ou seja: a preocupa\u00e7\u00e3o com a pluralidade n\u00e3o \u00e9 uma excentricidade do projeto; \u00e9 uma exig\u00eancia que o documento nacional formula e que o projeto operacionaliza. A curadoria territorial da base, a ingest\u00e3o de documentos locais (o Referencial Curricular Ga\u00facho, o curr\u00edculo de Porto Alegre), a leitura de Milton Santos do territ\u00f3rio como resultado da a\u00e7\u00e3o de quem o habita: tudo isso \u00e9 maquinaria contra a resposta gen\u00e9rica. N\u00e3o basta recusar a homogeneiza\u00e7\u00e3o como valor; \u00e9 preciso projetar a base para que a sa\u00edda seja outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda um ponto em que o projeto se antecipa a um problema que a UNESCO n\u00e3o resolve: o limite de idade e o acesso de menores \u00e0 IA generativa. A resposta do projeto \u00e9 elegante por subtra\u00e7\u00e3o: os estudantes simplesmente n\u00e3o interagem com a plataforma. S\u00e3o observados de forma coletiva, por turma, sem identifica\u00e7\u00e3o individual, em conformidade com a LGPD e com o ECA Digital. O que na UNESCO \u00e9 um dilema regulat\u00f3rio em aberto, no projeto vira uma restri\u00e7\u00e3o inegoci\u00e1vel de arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada disso seria pens\u00e1vel sem Latour e a ag\u00eancia distribu\u00edda: o sistema \u00e9 uma rede de humanos e n\u00e3o humanos, e a pergunta deixa de ser \u201ca IA substitui o professor?\u201d para virar \u201ccomo se comp\u00f5e a rede que sustenta a autoria docente?\u201d. \u00c9 a mesma virada que Haraway prop\u00f5e com o conhecimento situado e a figura do ciborgue: a hibrida\u00e7\u00e3o humano-t\u00e9cnica pode ampliar o sujeito, em vez de anul\u00e1-lo, se o conhecimento nunca se pretender vis\u00e3o de lugar nenhum.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As tens\u00f5es que valem admitir<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um artigo honesto, e um projeto que leva a s\u00e9rio o <em>human-in-the-loop<\/em>, n\u00e3o termina no elogio. As converg\u00eancias acima s\u00f3 t\u00eam valor se resistirem \u00e0s perguntas dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira \u00e9 de <strong>sustentabilidade<\/strong>. A UNESCO diz, com todas as letras, que criar e controlar IA generativa est\u00e1 fora do alcance da maioria dos pa\u00edses do Sul Global. O projeto responde com um servidor dedicado numa universidade federal. \u00c9 uma resposta corajosa, mas \u00e9 uma resposta de pesquisa. A pergunta que fica para a fase de dissemina\u00e7\u00e3o \u00e9 se a soberania cognitiva demonstrada em algumas escolas-piloto \u00e9 uma trilha replic\u00e1vel de pol\u00edtica p\u00fablica ou uma exce\u00e7\u00e3o artesanal que depende de um arranjo institucional raro. A resposta n\u00e3o est\u00e1 no projeto; est\u00e1 no que se faz depois dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda \u00e9 mais inc\u00f4moda, e toca o cora\u00e7\u00e3o do instrumento. Se a IA generativa homogene\u00edza porque devolve o mais prov\u00e1vel, o que impede que a pr\u00f3pria rubrica se torne um filtro homogeneizador? Uma escala que l\u00ea \u201cintencionalidade transformadora\u201d de 1 a 4 corre o risco de premiar um certo modelo de projeto \u201cbom\u201d, e de rebaixar, sem querer, formas de saber comunit\u00e1rio que n\u00e3o cabem na grade. O projeto tem ant\u00eddotos declarados (a base local, a ecologia de saberes, a valida\u00e7\u00e3o situada de cada docente sobre seu territ\u00f3rio), mas a vigil\u00e2ncia precisa ser permanente: a rubrica \u00e9 a terceira coisa, e objetos-fronteira coordenam sem homogeneizar apenas enquanto permanecem abertos \u00e0 revis\u00e3o de quem os usa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira \u00e9 de <strong>carga<\/strong>. O MEC alerta que o receio de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente \u00e9 uma das principais fontes de resist\u00eancia \u00e0 IA na escola. O <em>human-in-the-loop<\/em> \u00e9 a maior virtude do projeto, mas revisar toda sa\u00edda da m\u00e1quina \u00e9, tamb\u00e9m, trabalho. A cocria\u00e7\u00e3o amplia a autoria; ela n\u00e3o pode, no caminho, ampliar a exaust\u00e3o. \u00c9 uma tens\u00e3o a monitorar em campo, n\u00e3o a resolver no papel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A terceira coisa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ezio Manzini tem uma ideia que organiza tudo isto: num mundo em que todos projetam, o papel do designer \u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es para que os outros projetem bem. Nessa leitura, o Climate AI-SBN n\u00e3o \u00e9 a plataforma, nem \u00e9 o professor. Ele \u00e9 a terceira coisa: o espa\u00e7o de media\u00e7\u00e3o entre o docente e o territ\u00f3rio alagado, que nenhum dos dois ocuparia sozinho. A rubrica, os di\u00e1rios reflexivos, o plano de projeto interdisciplinar s\u00e3o objetos-fronteira (Star &amp; Griesemer) que sustentam esse entre-lugar e permitem que educa\u00e7\u00e3o, computa\u00e7\u00e3o e SBN leiam a mesma coisa sem se dissolverem umas nas outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por isso que a compara\u00e7\u00e3o com os referenciais n\u00e3o \u00e9 uma presta\u00e7\u00e3o de contas, \u00e9 um di\u00e1logo. O MEC e a UNESCO dizem o que fazer. O projeto arrisca o como, num territ\u00f3rio espec\u00edfico, com uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, com professores espec\u00edficos que atravessaram maio de 2024. E ao arriscar o \u201ccomo\u201d, ele devolve \u00e0s diretrizes uma pergunta que elas n\u00e3o fizeram: e se a resposta \u00e0 IA que homogene\u00edza e coloniza n\u00e3o for regular melhor a IA dos outros, mas construir, soberana, curada, situada, uma IA nossa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A enchente j\u00e1 baixou nos mapas. Nas escolas, n\u00e3o. \u00c9 ali, e n\u00e3o na nuvem, que o projeto decidiu pensar.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.875rem, 0.875rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.12), 0.95rem);\"><strong>Para seguir os fios.<\/strong> A IA como extens\u00e3o cognitiva leg\u00edtima (Clark) \u00b7 O territ\u00f3rio como a\u00e7\u00e3o de quem o habita (Milton Santos) \u00b7 A ecologia de saberes contra o epistemic\u00eddio (B. de Sousa Santos, e o pr\u00f3prio MEC) \u00b7 O design perif\u00e9rico e pluriversal (Escobar) \u00b7 O conhecimento situado e o ciborgue (Haraway) \u00b7 A ag\u00eancia distribu\u00edda na rede sociot\u00e9cnica (Latour) \u00b7 A educa\u00e7\u00e3o problematizadora e a autoria (Freire) \u00b7 A cr\u00edtica ao otimismo tecnol\u00f3gico (Selwyn) \u00b7 E, no centro, a terceira coisa e os objetos-fronteira (Manzini; Star &amp; Griesemer).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-76532a2b wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"border-radius:16px;background-color:#F5F7F3;margin-top:2.5rem;padding:1.6rem\"><div class=\"wp-block-columns are-vertically-aligned-top is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-dfc17b00 wp-block-columns-is-layout-flex\"><div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-top is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:120px\"><figure class=\"wp-block-image size-thumbnail is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tatiane-braga-dos-reis.jpg\" alt=\"Retrato de Tatiane Braga dos Reis\" class=\"wp-image-86\" style=\"border-radius:50%;width:120px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tatiane-braga-dos-reis.jpg 512w, https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tatiane-braga-dos-reis-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tatiane-braga-dos-reis-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure><\/div><div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-top is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"color:#5A6B61;margin-bottom:0.3rem;font-size:0.85rem;letter-spacing:0.08em;text-transform:uppercase\">Sobre a autora<\/p><p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.875rem, 0.875rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.168), 0.98rem);\">Tatiane Braga dos Reis \u00e9 educadora p\u00fablica e atua h\u00e1 mais de 15 anos na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre. Licenciada em Letras, Especialista em M\u00eddias e Mestre em Design Estrat\u00e9gico. Da sala de aula, passou \u00e0 articula\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o. Integrou o coletivo de articuladores do Porto Alegre Cidade Educadora, coordenando o GT Educa\u00e7\u00e3o Fora da Caixa; foi assessora do eixo Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia na Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o, contribuindo na constru\u00e7\u00e3o do Documento Curricular do Ensino Fundamental de Porto Alegre (DCMPA). No Climate AI-SBN, \u00e9 designer educacional e pesquisadora, contribuindo para a jornada pedag\u00f3gica do projeto e para a metodologia RPG das oficinas formativas, extens\u00e3o natural do seu trabalho como contadora de hist\u00f3rias, mediadora de leitura e escritora para as inf\u00e2ncias. Tamb\u00e9m integra o Comit\u00ea de \u00c9tica em Pesquisa da Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Porto Alegre.<\/p><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2026 o Brasil ganhou seu primeiro referencial nacional de IA na educa\u00e7\u00e3o; a UNESCO j\u00e1 havia publicado o seu. Nascido nos bairros alagados do Rio Grande do Sul, o Climate AI-SBN l\u00ea como resposta situada ao que esses documentos pedem no abstrato.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"slim_seo":{"title":"A terceira coisa entre o professor e a enchente - Climate AI-SBN","description":"Em mar\u00e7o de 2026 o Brasil ganhou seu primeiro referencial nacional de IA na educa\u00e7\u00e3o; a UNESCO j\u00e1 havia publicado o seu. Nascido nos bairros alagados do Rio Gra"},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-76","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76\/revisions\/87"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/climateaisbn-cinted\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}