Integrantes da CMV UFRGS participam de agenda sobre os 62 anos do golpe de 1964

Eventos realizados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul refletiram sobre efeitos da ditadura nas universidades

Na semana dos 62 anos do golpe de 1964, a Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós participou de uma série de atividades alusivas à reflexão sobre o período da ditadura militar e seu impacto nas universidades. A agenda envolveu atividades culturais com debates e a participação de membros da UFRGS, além da comunidade externa.

Ato de greve da ASSUFRGS relembra perseguição aos servidores da UFRGS durante a ditadura

Foto: Márcia Turcato

Na manhã do dia 1º de abril, quarta-feira, Fernanda Feltes, técnica administrativa em Educação e integrante da Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós/UFRGS, participou do ato de greve organizado pela Assufrgs- Sindicato dos Técnicos Administrativos da UFRGS, UFCSPA e IFRS. 

O evento referendou a luta em defesa da democracia, discorreu sobre o trabalho da Comissão e os processos de investigação sobre perseguição aos técnicos da universidade durante o período da ditadura, de 1964 a 1985. Na ocasião, Fernanda explicou que a CMV UFRGS atua nos eixos documental e de testemunhos, investigando documentos e buscando o depoimento de quem viveu aquele período dentro da universidade.

“Queremos preencher o espaço de um vazio documental que encontramos em relação aos técnicos. Por isso, a atividade de hoje também é um chamamento para que aqueles que trabalharam na universidade nos procurem”, destacou a integrante da Comissão. Fernanda também salientou a história da rápida organização do aparelho repressivo na Universidade, que já em 1964 constituiu uma Comissão Especial de Investigação Sumária (CEIS) para investigar trabalhadores e estudantes. Para ela, a “cultura institucional do período incentivava a invisibilidade da categoria”.

Debate sobre o filme “Jango” foi seguido de debate 

Na noite de 1º de abril, Lorena Holzmann, professora aposentada da Universidade e integrante da CMV UFRGS, participou do debate sobre o documentário “Jango – Como, quando e porque se derruba um presidente”, exibido na Sala Redenção. A conversa sobre o filme contou também com a presença do professor Nilo Piana de Castro, docente do curso de História na UFRGS. 

A sessão compôs a mostra “Cinema & Política”, com entrada gratuita e aberta à comunidade em geral. O filme “Jango – Como, quando e porque se derruba um presidente” (1984), dirigido por Silvio Tendler, refaz a trajetória política de João Goulart, presidente brasileiro deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. A reconstituição da trajetória de Goulart é feita através da utilização de imagens de arquivo e de entrevistas com importantes personalidades políticas como Afonso Arinos, Leonel Brizola, Celso Furtado, Frei Betto e Magalhães Pinto, entre outros.

Mesa redonda refletiu sobre impactos da ditadura nas universidades

No dia 02/04, a experiência da CMV/UFRGS foi apresentada na mesa redonda Comissões da Verdade e as Memórias do Autoritarismo, promovida pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS. A atividade aconteceu no Pantheon do IFCH e contou com a participação da Comissão, representada pela professora Carla Simone Rodeghero. Carla apresentou as componentes da CMV, equipe envolvida, metodologia de trabalho, desafios enfrentados e as dinâmicas da repressão que começam a ser vislumbradas na pesquisa já realizada.

O professor Jorge Fernandez, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, caracterizou, na ocasião, a experiência da ditadura em uma região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai, no Mato Grosso do Sul.

De acordo com Carla, “As falas dos docentes coincidiram, entre outros pontos, na compreensão das formas particulares que a ditadura assumiu nos espaços analisados e na ideia de como os ambientes universitários foram atingidos pela repressão”.

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