{"id":2745,"date":"2021-10-30T15:29:01","date_gmt":"2021-10-30T18:29:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/?p=2745"},"modified":"2021-11-29T17:27:16","modified_gmt":"2021-11-29T20:27:16","slug":"a-atuacao-do-mercado-de-arte-no-instagram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/a-atuacao-do-mercado-de-arte-no-instagram\/","title":{"rendered":"A atua\u00e7\u00e3o do mercado de arte no instagram"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os anos de 2020-2021 (em decorr\u00eancia da pandemia de COVID-19) trouxeram, especificamente as plataformas digitais, significativas reflex\u00f5es sobre o modelo comportamental da sociedade, seja no consumo de informa\u00e7\u00e3o, relacionamentos, entretenimento, que por fim, tamb\u00e9m afetou de certa maneira, o modo de consumir e comercializar arte. Em virtude do confinamento, o cen\u00e1rio art\u00edstico do pa\u00eds se viu sem grandes perspectivas de um contato direto com o p\u00fablico, sem conte\u00fado art\u00edstico e cultural criado para a web, aderiram aos \u00fanicos campos da vida on-line que conhecem: redes sociais, e-commerce e sa\u00eddas de emerg\u00eancia apontadas para o Google Arts Institute (BEIGUELMAN, 2020, p. 21)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em vista disso, a pesquisa\u00a0 se inicia a fim de compreender a influ\u00eancia que as plataformas digitais, em especial o Instagram, tem enquanto \u201cagente\u201d de circula\u00e7\u00e3o\/movimento do mercado de arte de Porto Alegre, que por ser um dos principais canais de intera\u00e7\u00e3o, \u00e9 capaz de gerar uma forte inclina\u00e7\u00e3o de jovens colecionadores em busca da ferramenta digital para venda e compra de obras de arte. Al\u00e9m de pensar na pr\u00f3pria plataforma como suporte para a cria\u00e7\u00e3o de novas narrativas est\u00e9ticas auxiliando na cria\u00e7\u00e3o de linguagens visuais a partir das redes sociais como uma pr\u00f3pria vis\u00e3o do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tema surgiu a partir da leitura do texto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Notes on Instagrammism and mechanisms of contemporary cultural identity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2016) do pesquisador Lev Manovich, no qual ele apresenta o termo Instagramismo sendo uma combina\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de forma, m\u00eddia e conte\u00fado que seguem caracter\u00edsticas similares. Entre elas, o cen\u00e1rio escolhido, objetos e filtros que saturam as cores, que por fim s\u00e3o postados por jovens (mais conhecidos hoje como influenciadores\/instagramers) e empresas na plataforma do Instagram a fim n\u00e3o de contar uma hist\u00f3ria ou criar uma narrativa, mas sim de mostrar um estilo de vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Instagrammism does not care about \u201ctelling a story,\u201d and it does not feature proper \u201csubjects\u201d (in the sense of \u201csubject of a photo\u201d). Certainly, Kinfolk and Instagram video and photos show very concrete things: textured walls, human hands, flowers, bodies moving along designed trajectories, people looking into the landscape from a corner of a frame, etc. But at the same time they blur, so to speak, the semantic function of a representation. They are not about showing, or signifying, or registering, or narrating, or convincing. And they are not about conveying a \u201cfeeling\u201d either, this would be too simplistic. Really, what is the \u201cfeeling\u201d expressed by a close-up view of textured objects arranged on a table, or a hand holding a cappuccino cup in morning light? Can you name these \u201cfeelings\u201d? And finally, they are not even about \u201cstyle.\u201d Well-dressed people and design hotel rooms do have \u201cstyles.\u201d Not photographs or videos. (MANOVICH, 2016, p. 10)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apresentando a cultura da imagem da plataforma, o autor insere o Instagram em um contexto hist\u00f3rico e cultural ao lado da fotografia, cinema e design, para assim como a fotografia foi no final do S\u00e9culo XIX, o Instagram tamb\u00e9m seja uma moldura para as primeiras identidades dessa \u00e9poca, que nesse caso, conectadas \u00e0s m\u00eddias digitais. Mesmo encontrando alguns pontos datados nas palavras de Manovich, o texto se torna importante para pesquisa justamente por mostrar as evolu\u00e7\u00f5es constantes que as plataformas virtuais sofrem e como a sociedade vem se adaptando a elas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Partindo dessa cultura da imagem que a plataforma disponibiliza, pensamos nas imagens que as institui\u00e7\u00f5es brasileiras, em especial as do sul do pa\u00eds, pelo meu recorte, oferecem ao seu p\u00fablico a partir dos conte\u00fados publicados em seu perfil no Instagram como uma estrat\u00e9gia comunicacional. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Projetos curatoriais, programas educativos, desenhos expositivos, protocolos de conserva\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias de marketing, pol\u00edticas editoriais e de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas n\u00e3o podem ser mais subtra\u00eddos do modo como acessamos e compreendemos a obra de arte, dentro e fora do museu (GROYS, 2015). E ainda hoje n\u00e3o me parece que \u00e9 de interesse de grande parte de historiadores e pesquisadores a ideia de que o ambiente f\u00edsico de institui\u00e7\u00f5es culturais possa ser expandido para o cen\u00e1rio virtual, como um novo membro corpo, o que seria um atraso por parte das institui\u00e7\u00f5es pois o Instagram atende necessidades visuais que muitas institui\u00e7\u00f5es hoje necessitam:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">A sele\u00e7\u00e3o desta rede social digital online \u00e9 condicionada por sua l\u00f3gica operativa inicial: o uso massivo da imagem visual como condi\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o entre seus usu\u00e1rios, estabelecendo o valor est\u00e9tico e experiencial como parte de um sistema de cria\u00e7\u00e3o, consumo e circula\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es, prazeres e conhecimento. (OLIVEIRA, 2020, p. 3)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente pertencendo ao grupo Facebook a rede social j\u00e1 possui mais de um bilh\u00e3o de usu\u00e1rios ao redor do mundo, sendo a quinta plataforma mais usada globalmente, e tendo o Brasil como terceiro maior p\u00fablico consumidor<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. O ve\u00edculo tamb\u00e9m possui ferramentas de marketing e de neg\u00f3cios que funcionam a partir da imagem como ponto focal,\u00a0 permitindo que o usu\u00e1rio tenha acesso a dados de intera\u00e7\u00e3o e engajamento do seu p\u00fablico-alvo contribuindo para a identifica\u00e7\u00e3o do anunciante (institui\u00e7\u00e3o)\u00a0 com o receptor do produto (p\u00fablico que consome arte).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguindo ent\u00e3o por essa linha tem\u00e1tica, a pesquisa busca compreender as din\u00e2micas do mercado de arte de Porto Alegre a partir do Instagram, explorando as plataformas digitais como agentes de difus\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o (apto a alcan\u00e7ar as tr\u00eas dimens\u00f5es sistem\u00e1tica, sendo elas a simb\u00f3lica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica) dentro do sistema da arte, capaz de indicar os deslocamentos das ofertas culturais para outros espa\u00e7os, possibilitando conquistar contato com outros p\u00fablicos que al\u00e9m o especializado pois a<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">intera\u00e7\u00e3o proporcionada pelas plataformas estimulam n\u00e3o s\u00f3 mercado propriamente dito, mas o restante das institui\u00e7\u00f5es a ter contato com um p\u00fablico jovem direcionado \u00e0 cultura online.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2750\" aria-describedby=\"caption-attachment-2750\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2750 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3.png\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3.png 522w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-300x203.png 300w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2750\" class=\"wp-caption-text\">Printscreem do feed do Instagram da Galeria Mamute. Uma das galerias analisadas na pesquisa. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/galeriamamute\/\">Link<\/a> para acesso.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como j\u00e1 comentado, por muito tempo as institui\u00e7\u00f5es parecem n\u00e3o querer entrar no mundo digital, seja por ser um universo novo, por falta de conhecimento e profissionais que soubessem trabalhar com essas ferramentas de maneira institucional, ou at\u00e9 mesmo um certo preconceito\/medo com a amplitude que a internet oferece aos usu\u00e1rios, em vista disso. Meu problema de pesquisa se d\u00e1 na procura por respostas que compreendem como os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos cercam as institui\u00e7\u00f5es e<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">agentes que comp\u00f5em o mercado de arte de Porto Alegre, considerando esses ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o (por exemplo, o Instagram) como criadoras de tend\u00eancias no mundo da arte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a pesquisa Setorial realizada pela plataforma Latitude, as vendas online em 2018 no Brasil n\u00e3o passam de 08%, enquanto outras pesquisas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> no resto do mundo e no mesmo ano, mostram que 63% dos colecionadores entrevistados citam o pr\u00f3prio Instagram como plataforma de escolha, fechando em 74% o total de vendas online. Contudo, para concluir algum posicionamento precisamos levar em conta o cen\u00e1rio econ\u00f4mico de cada pa\u00eds, suas movimenta\u00e7\u00f5es de mercado, e qual p\u00fablico foi consultado para a pesquisa, mas observando o avan\u00e7o dessas pesquisas conseguimos ter uma breve ideia de como o Brasil vem se colocando no mercado digital e de como as galerias est\u00e3o se instrumentalizando com essas ferramentas de neg\u00f3cios no campo das artes para alcan\u00e7ar novos p\u00fablicos com potencial consumidor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa diferen\u00e7a do Brasil para o resto do mundo foi revisitada pela pandemia de COVID-19, propondo mudan\u00e7as no momento quando as feiras, exposi\u00e7\u00f5es e vendas voltaram para o cen\u00e1rio digital, incentivando o sistema presencial migrar, em partes, para o digital, a fim de superar a crise sanit\u00e1ria. Importantes mudan\u00e7as que hoje, o mercado j\u00e1 se v\u00ea inserido nesse cen\u00e1rio, sendo muito prop\u00edcio a continuar com esses novos h\u00e1bitos de vendas como consta na pesquisa publicada por Ana Let\u00edcia Fialho:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Many of them declared to have the intention of balancing out the participation in-presence international art fairs and online art fairs and to keep investing in their digital presence to reach international audiences. Another aspect that we would like to draw attention to is that the transposition of face-to-face activities into the digital environment allowed the galleries to remain conected with the international circuit and opened new business opportunities for some agentes. (DUARTE, FIALHO, P\u00c9REZ-IB\u00c1\u00d1EZ, 2020. P 21)\u00a0<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas ainda h\u00e1 ressalvas sobre esse novo m\u00e9todo de consumir e vender arte, apenas ter presen\u00e7a online ainda n\u00e3o \u00e9 o bastante para uma estabilidade no mercado, seja ele nacional ou internacional. No entanto s\u00e3o movimenta\u00e7\u00f5es que acredito serem importantes estarem no radar de galeristas e institui\u00e7\u00f5es, pois o mundo est\u00e1 mudando, e junto o mercado, apenas ainda n\u00e3o temos dimens\u00f5es concretas do quanto ele j\u00e1 foi transformado, sendo assim s\u00e3o algumas dessas quest\u00f5es que pretendo responder nesta pesquisa.<\/span><\/p>\n<p>Acesse o v\u00eddeo de apresenta\u00e7\u00e3o no Sal\u00e3o de Inicia\u00e7\u00e3o Cientifica da UFRGS <a href=\"https:\/\/youtu.be\/mX2QG11XeOM\">aqui.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">___________________________________________________________<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ARTTATIC, Hiscox. <strong>Online Art Trade Report 2019 Art Market Research &amp; Analysis For The Art World.<\/strong> Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/arttactic.com\/product\/49173\/#:~:text=The%207th%20annual%20Hiscox%20Online,a mong%20online%20art%20platforms%20likely..&gt;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BEIGUELMAN, Giselle. <strong>Coronavida: pandemia, cidade e cultura urbana.<\/strong> Cole\u00e7\u00e3o Outras Palavras vol.8. Associa\u00e7\u00e3o Escola Cidade. S\u00e3o Paulo, 2020<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">DE OLIVEIRA, Emerson Dion\u00edsio Gomes. <strong>Museu no Instagram. Museologia &amp; Interdisciplinaridade<\/strong>, v. 9, n. Especial, p. 103\u2013131, 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/museologia\/article\/view\/31740&gt;. Acesso em: 15 set. 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">DUARTE, Adelaide; FIALHO, Ana Let\u00edcia ; P\u00c9REZ-IB\u00c1\u00d1EZ, Marta. <strong>External Shocks in the Art Markets: How Did the Portuguese, the Spanish and the Brazilian Art Markets React to COVID-19 Global Pandemic? Data Analysis and Strategies to Overcome the Crisis.<\/strong> Arts, v. 10, n. 3, p. 47, 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/independent.academia.edu\/AnaLet%C3%ADciaFialho&gt;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Guia do artista visual: inser\u00e7\u00e3o e internacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> Rio de Janeiro : Funarte, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MANOVICH, Lev. <strong>Instagrammismo e identidade cultural contempor\u00e2nea.<\/strong> Dispon\u00edvel em:http:\/\/manovich.net\/index.php\/projects\/notes-on-instagrammism-and-mechanisms-of-cont emporary-cultural-identity&gt;. Acesso em: 14 set. 2021.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">PLATAFORMA LATITUDE. <strong>Pesquisa Setorial &#8211; Latitude &#8211; platform for Brazilian art galleries abroad.<\/strong> Latitudebrasil.org. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.latitudebrasil.org\/pesquisa-setorial\/&gt;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anos de 2020-2021 (em decorr\u00eancia da pandemia de COVID-19) trouxeram, especificamente as plataformas digitais, significativas reflex\u00f5es sobre o modelo comportamental da sociedade, seja no consumo de informa\u00e7\u00e3o, relacionamentos, entretenimento, que por fim, tamb\u00e9m afetou de certa maneira, o modo de consumir e comercializar arte. 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