{"id":2958,"date":"2022-08-18T16:13:47","date_gmt":"2022-08-18T19:13:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/?p=2958"},"modified":"2022-12-18T16:05:32","modified_gmt":"2022-12-18T19:05:32","slug":"um-olhar-poetico-sobre-a-ti-arte-com-dados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/um-olhar-poetico-sobre-a-ti-arte-com-dados\/","title":{"rendered":"Um olhar po\u00e9tico sobre a TI: Arte com Dados"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nossas vidas s\u00e3o cada vez mais atravessadas pela tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI) em um movimento que parece n\u00e3o ser mais poss\u00edvel evitar, e a arte toma seus caminhos neste novo ambiente. Interessados em entender e vislumbrar o que transforma ci\u00eancia e tecnologia em arte, assim como aconteceu em outros momentos da humanidade, buscamos encontrar obras, artistas e ideias que estejam desbravando esses novos espa\u00e7os, mesmo que virtuais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da separa\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias \u201chumanas\u201d das \u201cexatas\u201d, durante o Iluminismo, em que o pensamento cartesiano foi retirando o sentimento da raz\u00e3o, tornando os humanos cada vez mais funcionais, chegamos hoje nesse ponto de inflex\u00e3o na hist\u00f3ria em que n\u00e3o s\u00f3 as tarefas manuais, mas tamb\u00e9m as racionais, agora podem ser executadas por computadores utilizando\u00a0 toda a informa\u00e7\u00e3o existente produzida pelo c\u00e9rebro humano, que est\u00e1 dispon\u00edvel atrav\u00e9s da Internet. Surge uma sensa\u00e7\u00e3o de finitude do pensar racional e come\u00e7am a surgir contesta\u00e7\u00f5es ao l\u00f3gico, como se 2+2 deixasse de ser 4, a p\u00f3s-verdade. Se n\u00e3o fosse a arte a devolver o humano ao exato, a sublimar nossa h\u00edbrida vida cotidiana, acabar\u00edamos por imaginar um cen\u00e1rio apocal\u00edptico, por isso, o papel decisivo nesse momento dos artistas, cr\u00edticos e historiadores da arte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A TI trabalha com os dados como mat\u00e9ria, impulsos eletr\u00f4nicos armazenados na forma de bits em computadores, ainda que a ind\u00fastria tenha se aproveitado da licen\u00e7a po\u00e9tica ao cham\u00e1-los de \u201cnuvem\u201d. Poderia se comparar essa nova mat\u00e9ria com o novo barro ou terracota dos escultores, com a tinta dos pintores, ou as pel\u00edculas da fotografia e cinema. Os diferentes <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">softwares<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> utilizados para manipular esses dados tamb\u00e9m podem ser comparados com os meios de produ\u00e7\u00e3o que foram apropriados pelos artistas para criar suas obras. Tal como a c\u00e2mera cinematogr\u00e1fica proporcionou ao cinema se tornar arte, come\u00e7ando com filmes rudimentares produzidos com objetivos funcionais e documentais, mas que j\u00e1 mostravam alguns arroubos art\u00edsticos, acompanhando as concep\u00e7\u00f5es e teorias sobre arte que j\u00e1 tinham alguns s\u00e9culos de reflex\u00f5es filos\u00f3ficas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Observando as informa\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas interconectadas, classificamos nosso objeto de pesquisa como \u201carte com dados\u201d, direcionando nosso olhar para obras criadas usando dados, como mat\u00e9ria ou inspira\u00e7\u00e3o, ou que utilizem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">softwares<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que produzam obras, como uma nova t\u00e9cnica. Em ingl\u00eas, o termo \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">data art<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d vem sendo utilizado por \u00e1reas que trabalham com gr\u00e1ficos, e que tem alguma pretens\u00e3o \u00e0 beleza, tamb\u00e9m chamado de \u201cvisualiza\u00e7\u00e3o de dados\u201d, que s\u00f3 pelo nome j\u00e1 representa uma \u00f3bvia interdisciplinaridade com as artes visuais. Em recente entrevista (Fetter, 2022), o artista e professor uruguaio Luis Camnitzer alerta que a compreens\u00e3o da arte vem sendo preterida nas escolas e nas universidades, tornando-as \u201cescolas de artesanato\u201d, pois n\u00e3o abordam a arte como \u201caquisi\u00e7\u00e3o, processamento, organiza\u00e7\u00e3o, e gera\u00e7\u00e3o de conhecimento em diferentes m\u00eddias e formatos\u201d, o que \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio nessa abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es que nossas vidas cotidianas se tornaram.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0No jornalismo, publica\u00e7\u00f5es chamadas de infogr\u00e1ficos tem uma premia\u00e7\u00e3o anual, Pr\u00eamio Malofiej<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, em homenagem ao infografista argentino Alejandro Malofiej, conhecido como o \u201cPullitzer da Infografia\u201d, que est\u00e1 na sua 26\u00aa edi\u00e7\u00e3o, criado pela Sociedade Espanhola para o Novo Design, outra \u00e1rea que claramente tem intersec\u00e7\u00f5es com a Hist\u00f3ria da Arte. Entretanto, a premia\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de design n\u00e3o necessariamente transforma a infografia em arte, apesar de muitas publica\u00e7\u00f5es merecerem o t\u00edtulo. Segundo Pierre Bourdieu (2010) e Maria Am\u00e9lia Bulh\u00f5es (2014), o sistema da arte precisa legitimar a obra atrav\u00e9s de complexos processos que envolvem indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Numa primeira aproxima\u00e7\u00e3o destas pr\u00e1ticas a uma institui\u00e7\u00e3o legitimadora, encontramos a obra \u201cMillions Dollars Blocks\u201d(2006)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">2<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, de Laura Kurgan e Eric Cadora. Adquirida e reiteradamente exposta no Moma, atualmente no segundo andar na exposi\u00e7\u00e3o \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Collection 1970s &#8211; Present<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">3<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, dividida em 15 galerias <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">organizadas em ordem cronol\u00f3gica, cada uma explorando um t\u00f3pico individual. Concebidas por equipes de curadores das diversas \u00e1reas, compartilhando conhecimentos e pontos de vista, em um programa cont\u00ednuo de frequentes reinstala\u00e7\u00f5es e novas combina\u00e7\u00f5es, lembram que in\u00fameras ideias e hist\u00f3rias podem ser exploradas atrav\u00e9s da rica cole\u00e7\u00e3o do Museu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chegando ao presente, no que h\u00e1 de mais recente na hist\u00f3ria da arte do Moma, a obra est\u00e1 exposta na galeria \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Systems<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">4<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, em que a instala\u00e7\u00e3o explora as <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">cadeias entrela\u00e7adas de extra\u00e7\u00e3o de recursos, trabalho humano e processamento algor\u00edtmico, em que as obras em exibi\u00e7\u00e3o usam as ferramentas do design para visualizar e responder aos ciclos de produ\u00e7\u00e3o e \u00e0s complexas redes globais que eles formam. Elas tamb\u00e9m analisam criticamente como esses ciclos facilitam a explora\u00e7\u00e3o de materiais, pessoas e outras formas de vida na Terra.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2961\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma.png\" alt=\"\" width=\"849\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma.png 849w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma-300x167.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma-768x428.png 768w\" sizes=\"(max-width: 849px) 100vw, 849px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Vista da instala\u00e7\u00e3o na galeria <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Systems<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, no segundo andar do Moma<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2960\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma1.png\" alt=\"\" width=\"845\" height=\"478\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma1.png 845w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma1-300x170.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/systemsmoma1-768x434.png 768w\" sizes=\"(max-width: 845px) 100vw, 845px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Posi\u00e7\u00e3o da obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Million Dollar Blocks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> na instala\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2964\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/milliondollar.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/milliondollar.jpg 640w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/milliondollar-250x300.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Architecture and Justice from the Million Dollar Blocks project<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 2006. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Laura Kurgan<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eric Cadora<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">David Reinfurt<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sarah Williams<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Spatial Information Design Lab<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Graduate School of Architecture, Planning and Preservation, Columbia University<\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Usando dados do sistema da justi\u00e7a criminal estadunidense, a obra apresenta mapas dos quarteir\u00f5es com grande n\u00famero de encarcerados do Brooklin, NY, expondo o custo milion\u00e1rio do sistema prisional pago pela sociedade por aqueles locais.\u00a0 Satiriza os \u201cquarteir\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d do bairro financeiro de Chicago, como se fosse uma paisagem de dados, que <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">apresenta informa\u00e7\u00f5es sobre o mundo, mas nunca diz exatamente o que fazer com essa informa\u00e7\u00e3o ou como pensar sobre ela. As artes visuais ajudam o c\u00e9rebro humano a compreender as complicadas rela\u00e7\u00f5es entre as vari\u00e1veis &#8211; pessoas, coisas, dinheiro, poder &#8211; no espa\u00e7o e como variam no tempo e afetam umas \u00e0s outras, sendo um desafio para a criatividade de artistas, designers gr\u00e1ficos e outros pensadores visuais.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> A aquisi\u00e7\u00e3o da obra pelo Moma, a repercuss\u00e3o nas publica\u00e7\u00f5es de arte, e as an\u00e1lises est\u00e9ticas, parecem ter trazido a obra para uma nova fronteira art\u00edstica do sistema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Dessa obra pode se enfatizar alguns aspectos que s\u00e3o recorrentes em outras que utilizam dados, como a cartografia, o artivismo e o coletivo art\u00edstico. Mapas s\u00e3o frequentemente utilizados nas obras para atribuir territorialidade aos dados, que podem ser abordados de uma forma local, nacional, mundial ou at\u00e9 mesmo universal, com coletas no espa\u00e7o celeste. Ao mesmo tempo, existe um mapeamento de dispositivos e computadores que produzem e acessam esses dados, mas que tamb\u00e9m podem ser considerados virtuais por n\u00e3o possu\u00edrem territorialidade fixa, podendo ser migrados dentro da \u201cnuvem\u201d, causando uma esp\u00e9cie de mapa disforme ca\u00f3tico, mutante e crescente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo a capacidade de revelar realidades sociais atrav\u00e9s desses dados, o car\u00e1ter contestador e subversivo da arte utiliza essas informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do que hoje \u00e9 conhecido por \u201cartivismo\u201d, revelando e denunciando desigualdades e injusti\u00e7as em uma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No Brasil, selecionamos a obra \u201cO Apagar das Luzes\u201d, de La\u00eds Bodansky, que atrav\u00e9s de uma escultura luminosa propaga no ambiente o reflexo cada vez menor do investimento do governo brasileiro em ci\u00eancia e tecnologia durante os \u00faltimos 18 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2963\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/oapagardasluzesbook.png\" alt=\"\" width=\"748\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/oapagardasluzesbook.png 748w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/oapagardasluzesbook-300x244.png 300w\" sizes=\"(max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/><\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>O Apagar das Luzes<\/em>, 2017. La\u00eds Bodansky<\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A obra foi apresentada no Oi Futuro<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">5<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, na exposi\u00e7\u00e3o coletiva \u201cExist\u00eancia Num\u00e9rica\u201d (2017), em que <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">artistas do Brasil e do exterior se utilizam de n\u00fameros e estat\u00edsticas para desenvolver sistemas criativos, mensurando realidades como, por exemplo, o uso de bicicletas urbanas e\u00a0 fluxos migrat\u00f3rios. Elas buscam responder de maneira singular ao desafio que nos impomos diariamente: o de atender \u00e0s demandas n\u00e3o s\u00f3 da arte contempor\u00e2nea como da sociedade e dos cidad\u00e3os, numa \u00e1rea de conhecimento ainda pouco discutida e disseminada no Brasil, que comp\u00f5e a textura da nossa vida cotidiana e que pode ser transformada em po\u00e9tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda no cen\u00e1rio brasileiro da pandemia de Covid19, que limitou o campo da arte ao mundo digital, analisamos a obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">InMemoriam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">6<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> do Grupo Realidades<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">7<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, criada em 2021:<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2962\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1302\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-300x153.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-1024x521.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-768x391.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-1536x781.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/InMemoriam-06-07-2021-01-2048x1042.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">InMemorian<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 2021. Grupo Realidades (ECA\/USP) \u2013 Bruna Mayer, Clayton Policarpo, Dario Vargas, Felipe Mamone, L\u00edvia Gabbai, Let\u00edcia Brasil, Loren Bergantini, Luca Ribeiro, Miguel Alonso, Paula Perissinotto, Sergio Venancio, Silvia Laurentiz<\/span><\/h5>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apresentando trechos dos direitos e garantias fundamentais da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira, a obra permite que o usu\u00e1rio deslize o marcador do n\u00famero de mortos durante a pandemia e a medida em que o n\u00famero aumenta os pixels das letras v\u00e3o desaparecendo, levando a reflex\u00e3o sobre a perda do direito \u00e0 sa\u00fade entre a popula\u00e7\u00e3o brasileira.Para a produ\u00e7\u00e3o desse tipo de obra, na maioria das vezes, diversos profissionais s\u00e3o necess\u00e1rios: programadores, cientistas de dados, analistas, artistas, designers, estat\u00edsticos, especialistas em diferentes <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">softwares, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">formando quase que um coletivo, devido a grande quantidade de tarefas complexas necess\u00e1rias para sua cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o. Pode-se fazer uma analogia com as constru\u00e7\u00f5es de catedrais medievais numa era em que o artista ainda n\u00e3o tinha sido inventado (Shiner, 2001).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais do que retroceder para antes do Renascimento, o momento atual sugere a substitui\u00e7\u00e3o do artista por m\u00e1quinas atrav\u00e9s da intelig\u00eancia artificial (IA), que apesar de incipiente, j\u00e1 parece ser capaz de produzir obras com o estilo de determinado artista, como o \u201cProjeto Rembrandt\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">12<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Com o aumento constante no processamento de imagens e dados a IA poder\u00e1 analisar, propor e criar obras que durante o seu processo de cria\u00e7\u00e3o pesquisem uma grande quantidade de imagens de obras j\u00e1 produzidas, relacionando com textos publicados por cr\u00edticos e especialistas, com a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e a circula\u00e7\u00e3o no mercado. Com isso, o impacto na pesquisa para os historiadores de arte mostra-se imenso, apesar de ainda existir um distanciamento entre as duas \u00e1reas. Listar instantaneamente todas as obras de um artista, identificando padr\u00f5es de cores, formas, \u00edcones utilizados em obras anteriores ou posteriores, j\u00e1 d\u00e1 uma ideia do que pode ser poss\u00edvel ser feito com IA, apesar de ainda precisar do comando humano, de algu\u00e9m que entenda, conhe\u00e7a e pense arte, para definir o algoritmo e apertar no bot\u00e3o para iniciar o processo.\u00a0 Talvez o futuro reserve, ainda, ao artista e ao historiador da arte a tarefa de garantir a perman\u00eancia da emo\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o humana, ao inv\u00e9s de apenas ser uma pe\u00e7a de engrenagem mec\u00e2nica em uma sociedade tecnol\u00f3gica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BOURDIEU, Pierre. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">As regras da arte<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. S\u00e3o Paulo: CIA. das Letras, 2010<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BULH\u00d5ES, Maria Am\u00e9lia. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">As novas regras do jogo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: o Sistema da Arte no Brasil. Porto Alegre: Zouk, 2014<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">FETTER, B. W.; GON\u00c7ALVES, M. H. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Imaginaci\u00f3n infinita: la administraci\u00f3n del absurdo, los agentes perturbadores y la hipocres\u00eda institucional<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Entrevista con Luis Camnitzer. MODOS: Revista de Hist\u00f3ria da Arte Campinas, SP,\u00a0 v.\u00a0 6,\u00a0 n.\u00a0 2,\u00a0 p.\u00a0 552-570,\u00a0 mai.\u00a0 2022.\u00a0 DOI:\u00a0 10.20396\/modos.v6i2.8669283. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/mod\/article\/view\/8669283\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/mod\/article\/view\/8669283<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SHINER, Larry. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">A Inven\u00e7\u00e3o da Arte: Uma Hist\u00f3ria Cultural<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Paidos Iberica Ediciones S A, 2004.<\/span><\/p>\n<p><b>Notas<\/b><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"http:\/\/snd-e.com\/en\/malofiej\/premios\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/snd-e.com\/en\/malofiej\/premios<\/span><\/a><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"https:\/\/www.moma.org\/collection\/works\/110423?artist_id=33289&amp;page=1&amp;sov_referrer=artist\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.moma.org\/collection\/works\/110423?artist_id=33289&amp;page=1&amp;sov_referrer=artist<\/span><\/a><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"https:\/\/www.moma.org\/calendar\/floors\/2\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.moma.org\/calendar\/floors\/2<\/span><\/a><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"https:\/\/www.moma.org\/calendar\/galleries\/5472\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.moma.org\/calendar\/galleries\/5472<\/span><\/a><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"https:\/\/www.existencianumerica.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.existencianumerica.com.br\/<\/span><\/a><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"http:\/\/www2.eca.usp.br\/realidades\/pt\/obras\/in-memoriam\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www2.eca.usp.br\/realidades\/pt\/obras\/in-memoriam\/<\/span><\/a><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a href=\"http:\/\/www2.eca.usp.br\/realidades\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www2.eca.usp.br\/realidades\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossas vidas s\u00e3o cada vez mais atravessadas pela tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI) em um movimento que parece n\u00e3o ser mais poss\u00edvel evitar, e a arte toma seus caminhos neste novo ambiente. 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