{"id":3122,"date":"2023-12-08T11:41:30","date_gmt":"2023-12-08T14:41:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/?p=3122"},"modified":"2024-02-22T10:43:18","modified_gmt":"2024-02-22T13:43:18","slug":"infraetica-decolonial-identidade-e-pertencimento-nos-processos-criativos-sob-a-otica-de-luciano-floridi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/infraetica-decolonial-identidade-e-pertencimento-nos-processos-criativos-sob-a-otica-de-luciano-floridi\/","title":{"rendered":"Infra\u00e9tica Decolonial: Identidade e Pertencimento Nos Processos Criativos Sob a \u00d3tica de Floridi."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A humanidade n\u00e3o mais oscila entre os extremos do offline e do online; agora navegamos no vasto oceano do &#8216;onlife&#8217;, onde todas as dimens\u00f5es de experi\u00eancias se fundem: esta \u00e9 uma reflex\u00e3o trazida na obra \u201cThe Fourth Revolution: How the Infosphere Is Reshaping Human Reality\u201d de Luciano Floridi, onde o autor aborda a dissolu\u00e7\u00e3o da vida anal\u00f3gica para uma vida digital, onde o indiv\u00edduo atrela-se em uma simbiose intr\u00ednseca \u00e0 infosfera, em um novo processo de constru\u00e7\u00e3o de identidade e, at\u00e9 mesmo, cultura.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3130\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/PEK6F4N7-origin-550-scaled-2-182x300.jpg\" alt=\"\" width=\"712\" height=\"1174\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/PEK6F4N7-origin-550-scaled-2-182x300.jpg 182w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/PEK6F4N7-origin-550-scaled-2-768x1265.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/PEK6F4N7-origin-550-scaled-2-932x1536.jpg 932w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/PEK6F4N7-origin-550-scaled-2-1243x2048.jpg 1243w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/PEK6F4N7-origin-550-scaled-2.jpg 1554w\" sizes=\"(max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>\u201cFundo do Mar\u201d, 2021, obra de Jo\u00e3o Moxca, exibida na exposi\u00e7\u00e3o digital \u201cTelas Pretas\u201d.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 ineg\u00e1vel que a metamorfose da fronteira do ciberespa\u00e7o pela interface humano\/m\u00e1quina traz consigo novas descobertas dentro do campo art\u00edstico e processos de cria\u00e7\u00e3o, no entanto, essas descobertas carregam tamb\u00e9m as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas do uso de dados e reproduzem problemas sociais estruturais que afetam grupos minorizados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em primeiro lugar, \u00e9 essencial compreender o potencial das I.A nas artes, tendo em vista que j\u00e1 estamos em um caminho sem volta: a cada dia o uso de intelig\u00eancias artificiais se torna mais corriqueiro ao dia-a-dia e de f\u00e1cil acesso ao p\u00fablico geral. A capacidade algor\u00edtmica em emular estilos art\u00edsticos, compor m\u00fasicas ou at\u00e9 mesmo criar obras visuais \u00e9 intrigante. No entanto, \u00e9 crucial refletir sobre como essa automa\u00e7\u00e3o pode influenciar e at\u00e9 mesmo moldar a narrativa cultural e a identidade de determinados grupos ou, at\u00e9 mesmo, contribuir ainda mais para o seu apagamento sist\u00eamico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 necess\u00e1rio questionar quem s\u00e3o os agentes que moldam e treinam esses algoritmos. Os vieses culturais e hist\u00f3ricos presentes nos conjuntos de dados usados para treinar as I.A podem perpetuar desigualdades e distorcer certos pontos de vista. Isso pode resultar na amplifica\u00e7\u00e3o de narrativas dominantes e na supress\u00e3o das vozes sub-representadas ou marginalizadas na sociedade.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3127\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/captura-de-tela-2023-10-26-160732-300x193.webp\" alt=\"\" width=\"706\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/captura-de-tela-2023-10-26-160732-300x193.webp 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/captura-de-tela-2023-10-26-160732-768x495.webp 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/captura-de-tela-2023-10-26-160732.webp 984w\" sizes=\"(max-width: 706px) 100vw, 706px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-weight: 400\">Imagem criada atrav\u00e9s do algor\u00edtmo de uma I.A pela deputada Renata Souza, do PSOL, que pediu para a ferramenta gerar uma ilustra\u00e7\u00e3o de uma mulher negra com trajes t\u00edpicos em uma favela. Fonte:\u00a0G1 \/ Instagram &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao adotar uma abordagem decolonial, \u00e9 imperativo questionar as estruturas de poder subjacentes \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o da IA dentro do campo art\u00edstico. Isso demanda uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre quem est\u00e1 no controle do desenvolvimento desses sistemas, quem define os padr\u00f5es est\u00e9ticos e como s\u00e3o representadas as m\u00faltiplas perspectivas culturais. A aus\u00eancia de diversidade nos processos de concep\u00e7\u00e3o e treinamento dos algoritmos de IA resulta em uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica que reflete, em grande parte, apenas uma vis\u00e3o limitada do mundo.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Outra quest\u00e3o proeminente \u00e9 a autoria e a autenticidade na arte gerada por IA. Enquanto admiramos a criatividade algor\u00edtmica, surge a quest\u00e3o \u00e9tica: at\u00e9 que ponto uma obra produzida por IA pode ser considerada uma express\u00e3o aut\u00eantica e original e n\u00e3o, apenas, uma mimetiza\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 fora criado? Esse questionamento nos leva a refletir sobre os limites da criatividade algor\u00edtmica em compara\u00e7\u00e3o com a criatividade humana, al\u00e9m de questionar a legitimidade e o reconhecimento de artistas tradicionais, especialmente os que historicamente foram exclu\u00eddos do c\u00e2none art\u00edstico. A presen\u00e7a da IA no meio art\u00edstico e em seus processos de cria\u00e7\u00e3o, desafia as defini\u00e7\u00f5es tradicionais de arte e autoridade art\u00edstica. Como a tecnologia est\u00e1 moldando a percep\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da arte? As obras geradas por IA devem ser consideradas como arte leg\u00edtima? Isso redefine os limites da express\u00e3o art\u00edstica e as normas estabelecidas sobre o que \u00e9 considerado &#8220;arte&#8221;?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A interse\u00e7\u00e3o entre a obra de Floridi que traz o conceito de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">inforgs<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e a aplica\u00e7\u00e3o da IA nas artes \u00e9 evidente ao considerar como a coleta e processamento massivos de dados afetam a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. As obras geradas por IA s\u00e3o alimentadas por enormes conjuntos de dados, refletindo n\u00e3o apenas o conhecimento humano acumulado, mas tamb\u00e9m os padr\u00f5es emergentes nesses dados e suas problem\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma abordagem al\u00e9m da \u00e9tica colonial, transcendendo uma vis\u00e3o de mundo dominado pelo capital, nos convida a desafiar os sistemas de poder e a considerar uma abordagem mais inclusiva e diversificada no desenvolvimento e uso da IA na fundi\u00e7\u00e3o entre homem e tecnologia. Isso implica um esfor\u00e7o consciente para promover a representatividade cultural e para garantir que a cria\u00e7\u00e3o de arte com IA n\u00e3o seja apenas uma replica\u00e7\u00e3o do status quo e uma arma de deslegitima\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do capitalismo, mas sim uma ferramenta para a reimagina\u00e7\u00e3o e a reconstru\u00e7\u00e3o de narrativas futuras na infosfera e fora dela.<\/span><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FERNANDES, Gustavo L\u00facius; RESENDE, Renato Polanczyk; VAZ-DE-MELO, Pedro O. S. <\/span><b>Al\u00e9m da est\u00e9tica: Dimens\u00f5es \u00e9ticas da gera\u00e7\u00e3o de arte por IA<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. SBC Horizontes. ISSN 2175-9235. outubro de 2023. Dispon\u00edvel em: http:\/\/horizontes.sbc.org.br\/index.php\/2023\/10\/alem-da-estetica-dimensoes-eticas-da-geracao-de-arte-por-ia\/. Acesso em: 30\/11\/2023.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FLORIDI, L. <\/span><b>The Fourth Revolution: How the Infosphere Is Reshaping Human Reality.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> New York: Oxford University Press, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">TADDEO, Mariarosaria; FLORIDI, Luciano.<\/span><b> Regulate Artificial Intelligence to Avert Cyber Arms Race<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, abril de 2018.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-018-04602-6\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-018-04602-6<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt; Acesso em 01\/12\/2023<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A humanidade n\u00e3o mais oscila entre os extremos do offline e do online; agora navegamos no vasto oceano do &#8216;onlife&#8217;, onde todas as dimens\u00f5es de experi\u00eancias se fundem: esta \u00e9 uma reflex\u00e3o trazida na obra \u201cThe Fourth Revolution: How the Infosphere Is Reshaping Human Reality\u201d de Luciano Floridi, onde o autor aborda a dissolu\u00e7\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":3124,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[197,184],"tags":[10,28,14,125],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3122"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3122"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3122\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3184,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3122\/revisions\/3184"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}