{"id":962,"date":"2020-11-17T11:40:02","date_gmt":"2020-11-17T14:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/?p=962"},"modified":"2022-05-17T16:43:20","modified_gmt":"2022-05-17T19:43:20","slug":"feiras-de-arte-em-meio-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/conectartbr\/feiras-de-arte-em-meio-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Feiras de arte em meio \u00e0 pandemia"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u00a0Apesar de existirem desde cerca dos anos 60, as feiras de arte s\u00f3 come\u00e7aram a ganhar popularidade &#8211; e relev\u00e2ncia no mercado de arte &#8211; a partir de 2000. O seu crescimento, contudo, foi r\u00e1pido e constante, e elas agora s\u00e3o parte quase essencial da economia e do mercado no campo das artes. No Brasil, as feiras de arte mais populares se encontram no eixo Rio-S\u00e3o Paulo, com nomes como a SP-Arte e a ArtRio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Dado o car\u00e1ter presencial deste tipo de evento, \u00e9 de se questionar como as feiras de arte reagiriam em frente ao ao isolamento social e \u00e0 quarentena, perante \u00e0 pandemia do Covid-19. Muitas, como a FIAC de Paris e a Frieze London, na Inglaterra<a href=\"https:\/\/www.artnews.com\/art-news\/news\/fiac-2020-art-fair-canceled-coronavirus-1234570777\/\"> cancelaram as suas edi\u00e7\u00f5es em 2020<\/a>; outras, como a Frieze New York, a SP-Arte e a Art Basel optaram por realizar os eventos completamente online, mantendo o com\u00e9rcio e implementando tecnologias como a <a href=\"https:\/\/www.artbasel.com\/ovr\">OVR (<em>Online Viewing Room<\/em>)<\/a>. Nesse artigo, busquei analisar o cen\u00e1rio das feiras de arte no Brasil: o que mudou, o que segue igual, o que sumiu e o que surgiu.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/eH6bIr4vXg_ykL-Aaxgy__ZShwlzZyrtVfsnwvSmgmRLAYTx6_w0geVsS1WctqWXoh9lBTLY7KZDTJHGeCMOO0td2jaX3e9Vu30e3Aibl98zoC-B8XgTX2TjoNcFpWWGxC1HQxzs\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Pavilh\u00e3o da Bienal, onde h\u00e1 quinze anos se realiza a SP-Arte <a href=\"https:\/\/www.sp-arte.com\/\">(Foto: J\u00e9ssica Mangaba)<\/a><\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As feiras tradicionais<\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>J\u00e1 familiares com a tecnologia e o <em>e-commerce<\/em>, as principais feiras do pa\u00eds tiveram esse ponto de vantagem na hora de decidir como proceder em meio \u00e0 essa situa\u00e7\u00e3o inesperada: em 2019, tanto a SP-Arte quanto a ArtRio lan\u00e7aram suas propostas de presen\u00e7a online: a ArtRio inaugurou o seu <em>marketplace<\/em>, que conecta diretamente os colecionadores com as galerias e conta com mais de 600 obras dispon\u00edveis; J\u00e1 a SP-Arte apostou na SP-ARTE 365, que divulga suas galerias parceiras, trazendo uma maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 elas, mas n\u00e3o possui servi\u00e7o de compras pr\u00f3prio. Ambas as plataformas tamb\u00e9m publicam not\u00edcias, artigos, entrevistas e outros conte\u00fados como podcasts e v\u00eddeos. Nenhuma das feiras \u201ctradicionais\u201d foi, portanto, cancelada.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Realizada em agosto deste ano, a SP-Arte ocorreu completamente online, atrav\u00e9s da plataforma digital<em> SP-Arte Viewing Room<\/em>. De acordo com a organizadora do evento, Fernanda Feitosa em entrevista \u00e0 Veja-SP: \u201cUsamos a SP-Arte 365 como arcabou\u00e7o da plataforma. Uma das funcionalidades, que teremos l\u00e1, permite mostrar uma exposi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de uma galeria, com um n\u00famero bom de obras, cerca de 30. Tamb\u00e9m ser\u00e1 poss\u00edvel ver detalhes dos trabalhos, contactar galerias, tanto por e-mail quanto por WhatsApp.\u201d O evento foi extremamente bem recebido, com mais de\u00a0 56 mil visitantes brasileiros e internacionais visualizando as 3.600 obras dispon\u00edveis. Al\u00e9m disso, a programa\u00e7\u00e3o cultural do evento contou com visitas guiadas virtuais, Open Studio, conversas com artistas, screenings, lives, aulas e palestras.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/vvZbaABZ-I_JQW-3F7urBuRpDHWI1esSpfDKTXx8SWSYkIJ2vaRDD8WZ29hoGSZfGQPxlmbJb4SUNB1CFq8rMv7K3RRIw9yml8ktpU-j7urejXGgIP3E-uViCDshSm-ZRcRZHIXS\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Art-Rio 2020 (foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A Art-Rio apostou em uma abordagem diferente, propondo um modelo simultaneamente ao vivo e <em>online<\/em>. O evento, que ocorreu em outubro, teve sua vers\u00e3o presencial na Marina da Gl\u00f3ria e exp\u00f4s obras de cerca de 40 galerias. Apesar do grande enfoque nos protocolos de seguran\u00e7a, n\u00famero de visitantes e tempo limitado de perman\u00eancia, houve certa preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do evento presencial. A edi\u00e7\u00e3o online foi gratuita, e contou com palestras, mesas redondas, performances e visitas guiadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ideias novas em meio \u00e0 quarentena<\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A crise econ\u00f4mica causada pela pandemia afetou muito o mercado de arte, mas tamb\u00e9m fomentou ideias inovadoras. Uma delas foi a <em>Not Cancelled Brazil<\/em>, projeto idealizado pela ag\u00eancia TREAT que consiste em uma feira completamente online. O evento ocorreu entre junho e julho, com a coordena\u00e7\u00e3o de Karla Osorio Netto e apoio da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Galerias Contempor\u00e2neas (ABACT), e reuniu 57 galerias brasileiras de nove cidades, entre elas a galeria Gentil Carioca, Almeida e Dale Galeria de Arte, Anita Schwartz Galeria de Arte, Bergamin &amp; Gomide, Casa Tri\u00e2ngulo, com obras de 106 artistas. O evento tamb\u00e9m contou com transmiss\u00f5es ao vivo, palestras e visitas guiadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/wTuAGFyUNlxdRQ9Qb7DqbIOcqnKcNDHC11WHhbngifqA0HOPgssEJybAiLU2PBQxDExQu2c2z17_uB_uDD5qSnUAs19l6qkzVmEUU2ibqKV6NTNe4bZHxSBPTIYyTVQQF0ZRm06b\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Dada\u00a0 a resposta majoritariamente positiva aos eventos apresentados neste artigo, n\u00e3o \u00e9 absurdo pensar que esta experi\u00eancia online \u201cfor\u00e7ada\u201d pode mudar de v\u00e1rias maneiras o <em>modus operandis<\/em> das feiras de arte. A maior acessibilidade por parte do p\u00fablico, independente da sua localiza\u00e7\u00e3o, a facilidade com a comunica\u00e7\u00e3o entre colecionadores e galerias e a possibilidade de abrir as palestras, aulas, mesas redondas e visitas guiadas para uma plateia maior s\u00e3o algumas das caracter\u00edsticas extremamente positivas propiciadas pela experi\u00eancia online. \u00c9 razo\u00e1vel acreditar que pelo menos alguns dos aprendizados decorrentes delas ser\u00e3o mantidos \u00e0 medida que o mundo saia do for\u00e7ado isolamento social que nos foi imposto pelo Covid19.<\/p>\r\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<p>FETTER, B. W. <strong>A feira de arte como plataforma: seu funcionamento e algumas repercuss\u00f5es.<\/strong> In: 25\u00ba Encontro da ANPAP (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Pesquisadores de Artes Visuais), 2016. Porto Alegre: ANPAP : UFSM, PPGART : UFRGS, PPGAV, 2016. p. 756-768.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Apesar de existirem desde cerca dos anos 60, as feiras de arte s\u00f3 come\u00e7aram a ganhar popularidade &#8211; e relev\u00e2ncia no mercado de arte &#8211; a partir de 2000. O seu crescimento, contudo, foi r\u00e1pido e constante, e elas agora s\u00e3o parte quase essencial da economia e do mercado no campo das artes. 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