UFRGS e a Covid-19

Carta de Conjuntura do Núcleo de Análise de Política Econômica prevê grandes mudanças no cenário econômico para os próximos meses

< Voltar
Sumário

Núcleo de Análise de Política Econômica da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS (Nape) divulgou uma nova edição da sua Carta de Conjuntura. A mais recente publicação do grupo se refere ao primeiro trimestre de 2020, abordando questões sobre o desempenho da economia brasileira e mundial nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano.

Desta vez, a Carta de Conjuntura do Nape retoma o contexto econômico do final de 2019, momento em que, de acordo com a publicação, o mundo inteiro passava por um lento crescimento, para alertar sobre a tendência de que, nos próximos meses, ocorra um processo recessivo que certamente não será leve, o que deve agravar o cenário. Os textos da Carta também preveem nova recessão com reflexos importantes quanto a emprego e saúde financeira das empresas – sobretudo, as de pequeno porte – no Brasil, que vinha tendo um crescimento ainda menor do que o do cenário mundial no ano passado, não tendo sequer recuperado os níveis de produção anteriores à recessão de 2015 e 2016.

A publicação aponta que a taxa básica de juros está em seu ponto mínimo no Brasil e que existe a possibilidade de uma baixa ainda maior, devido à crise e ao fato de a inflação estar controlada. Por outro lado, a taxa de câmbio sofreu uma disparada no mês de março, atingindo historicamente o seu ponto máximo, com a fuga de capital estrangeiro e a busca por segurança representada pelo dólar.

Outro ponto levantado pela Carta dá destaque à Indústria brasileira, que segue com fraco desempenho desde a Greve dos Transportadores, do primeiro semestre de 2018. Já o Comércio, tem apresentado uma performance um pouco melhor, tendo fechado o ano de 2019 com um crescimento de 3,9%, com destaque para a atividade de veículos, motocicletas e peças, com taxa de 10%.

A Carta de Conjuntura do primeiro trimestre de 2020 enfatiza que os próximos meses, com os efeitos do necessário isolamento sanitário sobre a economia brasileira, devem ser acompanhados por grandes mudanças nos indicadores típicos da análise de conjuntura. Os autores esperam uma piora generalizada, de dimensões ainda difíceis de definir, desses indicadores.

Desde 1994, quando o Nape surgiu, são publicadas regularmente as Cartas de Conjuntura, que analisam os principais acontecimentos da conjuntura econômica nacional e internacional e fazem uma avaliação crítica da política econômica do país. A publicação, de periodicidade trimestral, aborda vários aspectos, como a política monetária, a política fiscal, a inflação, o crescimento do PIB e a evolução do mercado de trabalho.

O professor Flávio Fligenspan, coordenador do Nape, defende o papel que as Cartas de Conjuntura exercem ao estabelecerem diálogo entre o que é produzido no ambiente acadêmico e a sociedade em geral. “Cada Carta se constitui como um documento amplo que oferece um panorama geral para a sociedade, sendo usada por jornalistas, estudantes e empresas, facilitando seu entendimento sobre o que está acontecendo na economia, para que possam se posicionar diante da realidade”, enfatiza o docente.

A Carta de Conjuntura do Nape que discute o cenário do quarto trimestre de 2019 pode ser lida na íntegra aqui. As Cartas anteriores também estão disponíveis na página da publicação.

Mais informações pelo e-mail fli@ufrgs.br.

Tags: