UFRGS e a Covid-19

Distanciamento social implantado devido à Covid-19 reduz a poluição do ar em Porto Alegre

< Voltar
Sumário

Aparelho desenvolvido por doutorando da UFRGS tem baixo custo e permite monitoramento em tempo real

Estações estão dispostas em cinco locais da cidade

A redução das atividades em Porto Alegre a partir do início do período de distanciamento social decorrente da pandemia de Covid-19 resultou na melhora da qualidade do ar na cidade. Foi possível constatar a diminuição da poluição do ar da capital graças às cinco estações de monitoramento instaladas, em outubro de 2019, em áreas externas de unidades de saúde em diferentes bairros, decorrentes do projeto Porto Ar Alegre, que integra o Pacto Alegre. Os aparelhos coletam e enviam as medições em tempo real por wi-fi a computadores onde são feitas as análises. Os dados ficam à disposição de pesquisadores de diferentes áreas e também da comunidade, que pode consultá-los numa interface aberta neste link.

Quem fez a primeira análise dos dados gerados pelos sensores foi a coordenadora do laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Claudia Ramos Rhoden. Ela explica que foram comparados dados coletados entre os dias 16 de fevereiro e 15 de março com dados coletados após a implantação de medidas de distanciamento social em Porto Alegre, entre 16 de março e 14 de abril, para verificar se a redução das atividades na cidade resultaria em diminuição da poluição do ar. O resultado mostrou uma redução geral de 22% (média das cinco estações). Os sensores captam a concentração de determinados poluentes no ar. A análise da professora Claudia focou na concentração de material particulado 2,5, um tipo de poeira muito pequena que é capaz de chegar aos pulmões e circular no organismo das pessoas, podendo ocasionar vários problemas de saúde. Segundo a pesquisadora, os principais são as alterações respiratórias e cardiovasculares e já há estudos mostrando que a cognição também pode ser afetada.

A tecnologia usada no monitoramento foi desenvolvida por Ivan Boesing, aluno de doutorado da UFRGS, pesquisador do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (CINTED) da Universidade. Por intermédio docoordenador do Pacto Alegre e diretor da Escola de Engenharia da UFRGS, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, Boesing, que havia desenvolvido um sensor de monitoramento do ar para uso em salas de aula, foi convidado a participar do projeto Porto Ar Alegre. Ele adaptou o aparelho para locais externos e desenvolveu o software necessário e a interface de apresentação, contando com sugestões de pesquisadores de outras áreas. Ele explica que os equipamentos são de baixo custo e de fácil manutenção e com uma acurácia de cerca de 80% na comparação com estações de monitoramento de referência, que são bem mais caras e que poucos municípios têm condições de adquirir e manter.

Claudia Rhoden destaca que o monitoramento da qualidade do ar é de fundamental importância não só para pesquisas e para a saúde pública, mas também para que a comunidade se conscientize sobre o problema da poluição. “É um ganho enorme para a comunidade contar com essas estações”, diz. A professora, ao destacar a importância de ter um sistema de acesso aberto que gera dados em tempo real, dá um exemplo de uso pela população em geral: durante a prática de atividade física aumenta-se a inalação de poluentes, então, a pessoa pode consultar no sistema a qualidade do ar na sua região e verificar se é um momento adequado para se exercitar ao ar livre. A interface disponível para consulta apresenta orientações para a leitura dos dados e informa sobre os riscos de cada faixa de percentuais de concentração de poluentes no ar.

Os três pesquisadores concordam que a análise dos dados coletados no período de distanciamento social em Porto Alegre confirma que os veículos automotores são grandes poluentes e que é necessário buscar alternativas de mobilidade nas cidades. Luiz Carlos afirma: “a análise mostrou como a redução do fluxo de veículos pode impactar na qualidade do ar que respiramos. Estão aí os dados que mostram que se deve promover outras soluções de transporte, como carros elétricos e outros, que causem menor impacto na saúde das pessoas”.

Tags: