UFRGS e a Covid-19

Escola de Enfermagem da UFRGS completa 70 anos em meio à pandemia

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Sumário
Escola de Enfermagem UFRGS. Foto: Cadinho Andrade / Arquivo Secom.

Evento virtual nesta terça-feira, 12, debate a importância da profissão, conquistas e desafios. As principais reivindicações são EPIs adequados em tempos de pandemia, piso salarial estabelecido, jornada de 30 horas semanais e equipes de trabalho adequadas

2020 é o Ano Internacional de Profissionais de Enfermagem e Obstetrícia, declarado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda em 2019, antes da pandemia de novo coronavírus. Agora, o ano escolhido em homenagem ao bicentenário de nascimento de Florence Nightingale, precursora da Enfermagem Moderna, em campanha coordenada pelo Conselho Internacional de Enfermeiros e pela *Nursing Now, assume um papel ainda mais forte diante da importância dessa profissão no enfrentamento à Covid-19.

Na UFRGS, a Escola de Enfermagem (EENF) completa sete décadas este ano, com início das atividades em 4 de dezembro de 1950 (Lei nº 1.254/50) junto à Faculdade de Medicina. É a mais antiga Escola de Enfermagem da Região Sul do Brasil e conquistou a sua sede própria em 1985. As reflexões sobre a profissão, desafios, oportunidades e conquistas serão debatidas nesta terça-feira, 12 de maio, comemorado anualmente como o Dia do Enfermeiro. O evento virtual de extensão da Escola de Enfermagem ‘Ano Internacional da Enfermagem: atuação dos profissionais no combate à Covid-19’, promovido pela Escola de Enfermagem, inicia às 8 horas na página do Laboratório de Ensino Virtual (LEVi), disponível em https://www.ufrgs.br/levi/. A programação vai discutir a história da enfermagem, atuação em diferentes contextos, prática avançada na Atenção Primária à Saúde (APS), atuação em teleatendimento e teleconsultoria no enfrentamento à Covid-19, entre outros aspectos.

A campanha mundial surge de um movimento a partir de 2019 que busca, por meio da atuação de Florence Nightingale na profissão, resgatar o impacto e a importância desse profissional nos tempos atuais. Segundo Gisela Maria Schebella Souto de Moura, diretora da Escola de Enfermagem, esse ponto está diretamente relacionado à relevância da enfermagem no enfrentamento à pandemia. “O trabalho da Florence no cuidado aos doentes na Guerra da Crimeia foi impactante porque implantou vários princípios de higiene, ventilação e luz do sol nos locais em que estavam os doentes, coisas que nos lembram o contexto atual de pandemia em que cuidados de higiene e ventilação são fundamentais”.

A celebração do Dia do Enfermeiro, do Ano Internacional de Profissionais de Enfermagem e Obstetrícia, e dos 70 anos da EENF da UFRGS estão atrelados à pandemia de Covid-19. Esse fator adicional, imprevisível e cruel, faz com que a reflexão sobre a relevância da profissão seja ainda mais profunda. “Esse momento em que os profissionais de enfermagem estão na linha de frente do atendimento aos doentes nos reporta a esse enfrentamento que a Florence fez na sua época. Nesses 70 anos de atuação no Rio Grande Sul, nos dedicamos à formação de um profissional comprometido com o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde coletiva, no gerenciamento dos serviços de saúde”, revela Gisela, referindo-se aos dois cursos superiores da EENF: Enfermagem e Saúde Coletiva.

A Escola de Enfermagem da UFRGS formou 3.350 enfermeiros, de 1979 até 2020, e 540 na pós-graduação em enfermagem, sendo 390 mestres e 150 doutores. Esses números impactam diretamente na oferta de um profissional qualificado e preparado para atender às demandas de saúde local, estadual e nacional. “A Escola está presente no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) desde o seu planejamento inicial até os dias atuais, com a contribuição de professores e estudantes nas áreas de ensino, pesquisa e extensão”, enumera Gisela, complementando que o modelo da atuação da enfermagem no HCPA tem servido de exemplo para outros hospitais.

Em meio à pandemia e ao isolamento social, esse profissional tem na sua essência o cuidado humanizado que faz uma enorme diferença no dia a dia do paciente. A barreira de vestimentas, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), os medos e as angústias são superados pela vocação de trabalhar na área mesmo em tempos de pandemia. “O profissional de enfermagem tem um trabalho que se caracteriza pela intensa interação humana, que está do lado do paciente 24 horas por dia prestando cuidados. Neste momento de pandemia, as pessoas não têm as visitas habituais nos hospitais, tornando ainda mais necessária a presença acolhedora do profissional de enfermagem”, diz a diretora da EENF. Essa interação humana era intensa antes, e agora, diante da pandemia, precisa encontrar outras estratégias para assegurar que o paciente tenha o contato e o acolhimento com profissional da saúde. Um exemplo é o mecanismo usado pelos profissionais do HCPA:  um crachá ampliado que permite mostrar o rosto do profissional.

O diferencial deste profissional que vai se formar em meio à Covid-19 está justamente nas experiências que a pandemia provocará. Do ponto de vista curricular, os enfermeiros terão a mesma formação das turmas anteriores, porém eles vão sair com uma experiência adicional. “Essa é uma experiência que poucas pessoas têm, esses alunos vão sair com uma bagagem muito rica. Se a nossa profissão começou em situações muito semelhantes a essa, eles têm a oportunidade de retomar muitos aspectos. Mesmo com o apoio tecnológico e científico que temos hoje em dia, ainda vivemos um paradoxo: se, por um lado, eu tenho um arsenal de equipamentos que dão suporte à vida, como aparelhos de ventilação mecânica por exemplo, por outro lado, eu ainda estou falando de higiene, de água e sabão”, frisa Gisela.

Esse é o cerne do cuidado de enfermagem: respeitar as questões técnicas e científicas e, ao mesmo tempo, contemplar aspectos importantes da interação humana. Entretanto, há muitos fatores a serem debatidos no que se refere aos desafios da profissão:

  • conquistar um piso salarial estabelecido;
  • definir a jornada de 30 horas semanais;
  • ter equipes adequadas de trabalho;
  • ter o adequado dimensionamento de equipes de enfermagem para trabalhar em CTIs;
  • desenvolver o cuidado humanizado e direcionado ao paciente;
  • enfrentar o medo do próprio contágio e de transmitir para a família;
  • ter EPIs necessários para todos os profissionais estarem protegidos;
  • conquistar pensão especial para familiares de profissionais da saúde que morreram em virtude da Covid-19.

São lutas que remetem ao início da profissão em que mulheres se dispunham a fazer grandes jornadas de trabalho por baixos salários. “Parece que ainda estamos lutando pelas mesmas coisas e que, neste momento, retomamos fatos que fazem parte da história da profissão. Que essa visibilidade em torno da importância da profissão durante a pandemia, de estarmos no Ano Internacional de Profissionais de Enfermagem e Obstetrícia, da campanha Nursing Now e de celebrarmos os 70 anos da Escola de Enfermagem da UFRGS sejam fatores que auxiliem no reconhecimento do trabalho das enfermeiras, dos enfermeiros, dos técnicos de enfermagem, dos auxiliares e das parteiras e que conduzam a melhores condições de trabalho, investimentos em educação e em pesquisa científica como um todo”, finaliza a diretora da Escola.

Confira o vídeo da UFRGS TV sobre o evento virtual ‘Ano Internacional da Enfermagem: atuação dos profissionais no combate à Covid-19’.

Mais sobre a Escola de Enfermagem

Nos primeiros anos de funcionamento, a Escola de Enfermagem contava apenas com o curso de Bacharelado em Enfermagem. Em 1976, iniciou um curso de Licenciatura na mesma área, articulado em parceria com a Faculdade de Educação. Em 1998 é criado o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Enfermagem com o curso de Mestrado Acadêmico, complementado, em 2006, com a abertura do Doutorado.

Atualmente, a EENF oferece ainda o curso de graduação em Saúde Coletiva, primeiro da área na Região Sul do País, criado em 2006. Em 2012, foi criado o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu nesta área, que oferece o curso de Mestrado Acadêmico em Saúde Coletiva e Residência em Saúde Coletiva.

A EENF possui, também, desde 1976, a Revista Gaúcha de Enfermagem, editada e publicada ininterruptamente pela própria Escola, com periodicidade trimestral e voltada para a divulgação da produção científica sobre Enfermagem e áreas relacionadas.

Saiba mais sobre a Escola de Enfermagem acessando o site http://www.ufrgs.br/eenf.

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*A campanha Nursing Now é uma ação internacional que tem como objetivo elevar o status e o perfil da Enfermagem em todo o mundo. No Brasil, é realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em parceria com o Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, vinculado à USP/Ribeirão Preto, e tem como objetivo apresentar os profissionais da categoria como os verdadeiros protagonistas da saúde.

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