UFRGS e a Covid-19

Estação Experimental Agronômica mantém em operação sala de extração de mel para uso dos apicultores

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Foto: Divulgação

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O Laboratório de Apicultura da Faculdade de Agronomia e o Centro Integrado de Pesquisa e Extensão em Apicultura (Cipea) da Estação Experimental Agronômica (EEA) da UFRGS continuam em plena atividade mesmo durante o período de distanciamento social imposto pela pandemia de Covid-19. Adotando as medidas de segurança para evitar a transmissão do vírus, o Cipea mantém em operação a sala de extração de mel, localizada na EEA, em Eldorado do Sul, onde os apicultores fazem a extração do mel produzido nos bosques de eucaliptos da empresa CMPC Celulose Rio-Grandense.

O professor Aroni Sattler, do Laboratório de Apicultura, explica que a manutenção dessa atividade é fundamental nessa época do ano, em que ocorre a florada dos eucaliptos. Os apicultores fazem a migração de seus apiários para os bosques de eucaliptos localizados próximos à EEA em meados de fevereiro, quando tem início o período de grande produção das abelhas. Quando as colmeias dos apiários ficam cheias, é preciso levá-las para extrair o mel e colocá-las novamente nos apiários para a produção de mais mel. A vantagem de poder contar com a sala de extração da UFRGS é que esses apicultores economizam tempo e recursos financeiros evitando grandes deslocamentos para extrair o mel. Cerca de 20 produtores associados à Cooperativa Apícola do Sul (Cooapisul) usam o espaço e os equipamentos disponíveis na Estação Experimental Agronômica e contam com o apoio dos servidores da UFRGS. Os apicultores pagam apenas uma pequena taxa para cobrir custos de água e de manutenção de equipamentos. A sala ganhou equipamentos e passou por melhorias em 2017 para poder continuar prestando o serviço. Conforme Sattler, a interrupção do trabalho nesse momento seria crítica para os apicultores, pois haveria uma perda muito grande de produtividade. Somente no mês de março, foram extraídas cerca de 15 toneladas de mel no local.

Após a extração, o mel é levado para entrepostos de processamento para posterior comercialização. Alguns apicultores também deixam quantidades de produto em tambores na EEA para venda a exportadores, que buscam o mel diretamente na Estação Experimental, para posterior processamento e venda a vários países.

A parceria entre oCipea e a Cooapisul rende resultados importantes também em pesquisas. Sattler informa que de cada extração realizada na EEA é coletado meio quilo de mel para uso em pesquisas. Além de análise de qualidade, são realizadas pesquisas sobre a origem botânica do produto, a presença de contaminantes e de micro-organismos, o manejo dos apiários, as propriedades antioxidantes do mel de eucalipto, entre outros projetos. “Podemos identificar a ocorrência de doenças nas abelhas identificando a presença de micro-organismos no mel, e imediatamente informar os apicultores”, explica o professor.

Sattler também realiza pesquisas sobre a poluição ambiental a partir da análise do mel e das abelhas. Uma dessas pesquisas é a investigação da causa da grande mortandade de abelhas no estado, em 2019, que foi tema de matéria publicada no Jornal da Universidade, apontando a relação com agrotóxicos usados nas lavouras.

Sobre a EEA – Localizada no município de Eldorado do Sul, a Estação Experimental Agronômica é uma área de mais de 1,5 mil hectares onde ocorrem atividades de ensino, pesquisa e extensão para diferentes cursos da UFRGS. A relação de atividades lá desenvolvidas pode ser conferida no site da Faculdade de Agronomia. Confira também neste link a notícia sobre a colheita solidária de bergamotas realizada na Estação na última semana.

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