UFRGS e a Covid-19

Projetos com proposição de atividades a distância para idosos mostram resultados positivos

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Sumário
Aula em vídeo do projeto Dança e Parkinson – Foto: Reprodução

“Em casa, estipulamos um horário para fazer os exercícios, uma caminhada de 25 minutos e mais as atividades que os professores nos mandam semanalmente. E fazemos todos os dias, de segunda a segunda, no mesmo horário. Dessa forma, nós estamos conseguindo realizar os nossos afazeres de casa normalmente. E conseguimos uma qualidade de vida melhor.” O depoimento do Ernani Feil e da Vera Lúcia Feil sintetiza o sentimento de muitas pessoas que estão conseguindo fazer em casa algumas atividades de projetos de extensão da UFRGS enquanto é necessário manter o distanciamento social. O casal participa há dois anos do grupo Dança e Parkinson, projeto de extensão e de pesquisa coordenado pela professora Aline Nogueira Haas, da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (Esefid), voltado a pessoas com Parkinson. Além deles, mais 10 participantes, de um grupo de 20, optaram por dançar em casa, acompanhando as aulas em vídeos enviados semanalmente pelo whatsapp. Carmelinda Johann , que participa do grupo há cinco anos, também demonstra sua satisfação em conseguir manter a atividade mesmo durante a pandemia: “Faço exercícios normalmente em casa, no aconchego do lar. A única coisa que a gente sente falta é do contato físico, do abraço, das aulas e da dança em duplas. Estou muito feliz com o resultado”.

A professora Aline e os demais extensionistas e pesquisadores do Programa de Pesquisa e Tratamento do Parkinson também estão enviando atividades para os participantes do projeto Caminhada Nórdica. Para esse grupo, são propostos exercícios de alongamento e em cadeiras, já que não é possível fazer a caminhada com o bastão usado nesse tipo de atividade. Segundo a coordenadora, os participantes enviam vídeos e fotos com depoimentos agradecendo a iniciativa e relatando os benefícios obtidos com a continuidade do projeto mesmo a distância. A partir dessas experiências, informa Aline, serão realizadas pesquisas para investigar como a dança e atividades físicas propostas por vídeo impactam na qualidade de vida da pessoa com Parkinson.

Os participantes do Centro de Estudos de Lazer e Atividade Física do Idoso (Celari), da Esefid, também estão aproveitando a oportunidade de manter os exercícios durante o distanciamento social. Segundo a professora Andréa Kruger Gonçalves, uma das coordenadoras do Celari, as aulas realizadas por meio de lives dirigidas aos integrantes do grupo privado no Facebook têm tido cerca de 120 participantes. Ela explica que as lives ocorrem três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, às 17h, e também ficam gravadas. Junto com alunos de graduação e de pós-graduação, a professora define os objetivos, é feito o planejamento das atividades, e as aulas são ministradas em sistema de rodízio entre ela e os estudantes. Atualmente, está em desenvolvimento o segundo modelo de aula. Os primeiros exercícios foram de adaptação e depois, durante um mês, foi executado o primeiro modelo. Andréa adianta que as atividades devem ser mantidas nesse formato ainda por um longo período, uma vez que os participantes do Celari integram o grupo de risco da Covid-19 e deverão permanecer por mais tempo em casa. Jorge Luís Possamai, de 64 anos, diz que está muito satisfeito com as aulas via Facebook e que vai continuar participando, porque as aulas presenciais já haviam “cativado ele”, devido à paciência e à dedicação do grupo de professores. Suzel Souza, aluna de 70 anos do Celari, dá um depoimento que mostra a gratidão pelo que vem sendo feito: “acima dos cuidados com o corpo, o acolhimento que recebemos na casa dos professores não tem preço. Eles abrem as casas e os corações”.

As aulas do Celari também são realizadas por alguns participantes da Universidade Aberta para a Pessoa Idosa (Unapi/UFRGS). A ideia é oferecer a este público diversas atividades durante a pandemia, dando continuidade à programação da Unapi, mas de forma adaptada ao atual momento. Além dos exercícios físicos propostos pelo Celari, estão ocorrendo várias ações a distância, como grupos de confecções de máscaras de proteção, de desenhos, de filmes e séries, de confecção de meias de lã para doação a pessoas vulneráveis e clube de leitura, entre outras. A professora Adriane Ribeiro Teixeira, uma das coordenadoras da Unapi, adianta que estão sendo planejadas palestras a distância via Mconf (sistema de webconferência da UFRGS) e também um projeto de educação a distância. Os participantes da Universidade Aberta para a Pessoa Idosa agradecem as iniciativas. Neiva Virgínia Laedens, que está na Unapi desde 2017 e enfrentou o desafio de fazer máscaras mesmo não tendo experiência em costuras, revela: “talvez eu não consiga expressar o quanto me dá satisfação participar desse projeto. Eu estava me sentindo ociosa em casa, querendo fazer algo solidário e não tinha ideia de como fazer”, diz ela.

Joyeuse Ribeiro de Souza, na Unapi desde 2011, é viúva, mora sozinha e não se sente isolada: “não gosto da expressão isolamento social. O distanciamento é somente físico. Eu mantenho as interações sociais participando dos grupos da Universidade”. Jô, como é chamada, participa dos grupos de escrita criativa e de confecção de máscaras e afirma sentir-se ativa e inserida na sociedade, podendo ajudar quem precisa. “Participar dessas atividades aquece o coração, porque ao fazer o bem a gente se sente melhor”, explica. Acreditando que o dia pode ser preenchido de múltiplas formas, Jô, aos 82 anos, dá uma sugestão para todos nós que estamos vivendo diferentes experiências por conta da pandemia: “é um momento para aproveitar e fazer reflexões sobre a vida, ver o que erramos, o que acertamos, o que ainda é possível consertar. Uma vez por ano, no mínimo, devemos olhar para dentro de nós mesmos e ver o que é possível transformar para depois externar”.

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