UFRGS e a Covid-19

Rede de assessoria empresarial apresenta resultados das primeiras ações e comemora engajamento de voluntários

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Sumário
Mais de 200 voluntários aderiram à iniciativa

Projeto SOS-PME atende a pequenos empresários que enfrentam dificuldades em consequência dos impactos da Covid-19. Empreendedores de todos os ramos de negócios podem encaminhar demandas

Um grupo de mais de 200 pessoas, integrado por professores, estudantes, servidores técnico-administrativos e ex-alunos da UFRGS e ainda por consultores e profissionais não ligados à Universidade, forma o Projeto de Extensão SOS-PME – Rede de Assessoria Empresarial, voltado ao atendimento de pequenos empreendedores que estão enfrentando dificuldades em seus negócios devido à pandemia de Covid-19. Lançado em março por professoras da Escola de Administração e parceiros, com apoio do Centro de Estudos e Pesquisa em Administração da UFRGS (CEPA) e do Parque Científico e Tecnológico Zenit, o projeto já apresenta os primeiros resultados, demonstrados no relatório parcial que contempla os atendimentos entre 6 e 30 de abril. Mais de 80 empresas buscaram ajuda. O documento mostra que 87% das empresas tiveram impacto com redução no faturamento, sendo que 49,4% delas relatam reduções de faturamento acima de 50%. Em relação ao futuro próximo, 35,8% dos empresários afirmaram que irão reduzir muito a operação, 24,7% dizem que esperam crescer um pouco e 16% que irão reduzir um pouco a operação. O relatório está disponível na página do projeto.

A professora Daniela Brauner, coordenadora do CEPA e uma das responsáveis pelo lançamento da Rede, informa que os voluntários são divididos em grupos com 3 ou 4 pessoas, responsáveis pelos atendimentos. Todo o processo é realizado a distância, com o uso de diferentes ferramentas. Em linhas gerais, o grupo busca entender quais são as dificuldades do negócio e, a partir daí, sai em busca de alternativas junto com o empresário, que, por fim, é quem vai decidir quais aplicar no seu empreendimento. O nível de satisfação, medido por uma pesquisa ao final de todo o processo, tem sido positivo, revela Daniela. Os relatos mostram que as alternativas oferecidas são adequadas e capazes de atenuar as dificuldades. Conforme o depoimento de uma empreendedora do ramo de e-commerce de roupas, que estava parada por conta do distanciamento social e com medo de tomar decisões, o SOS-PME deu a ela confiança para retomar as atividades, aproveitando “as dicas simples e práticas de como ver uma nova forma de trabalho durante a pandemia”. O depoimento do responsável por uma empresa de consultoria ambiental revela que as alternativas oferecidas no atendimento têm validade também para momentos futuros: “o trabalho abriu várias possibilidades para atuarmos no cenário pós-Covid”, afirma.

A Rede pretende continuar atuando mesmo após o fim do período de distanciamento social não só porque se revelou um serviço de extrema importância para pequenos e micro empresários afetados pelas consequências econômicas da pandemia, mas também por ser uma forma de ter sempre novos cases de negócios para trabalho em sala de aula com os alunos. Segundo Daniela, os estudantes já realizam atividades de ensino a partir de casos de empresas que usam os serviços do CEPA ou de startups do Parque Zenit, mas a rede atrai uma diversidade maior de negócios, em relação ao segmento de atuação, ao porte e à idade do empreendimento. “Transformamos nossas aulas durante a quarentena nesse atendimento, com a participação de alunos. Virou um laboratório. O espírito inicial era ajudar, mas aos poucos fomos entendendo que esse é um processo que precisa ficar na Universidade”, diz a professora. Daniela ressalta ainda que os resultados são bons para todos: empresários, alunos, professores, universidade e sociedade.

Agradecimento

Entusiasmada com os primeiros resultados, a professora Daniela revela que o engajamento de tantas pessoas que se ofereceram para colaborar foi uma surpresa. “É uma alegria contar com tantos voluntários”, comemora. “Inicialmente, pensamos em desenvolver uma atividade para que os estudantes, que estão sem aulas durante o isolamento social, pudessem participar. Em pouco tempo tivemos a adesão de muita gente, não só da Escola de Administração e do Parque Científico e Tecnológico Zenit. Temos voluntários também da Faculdade de Ciências Econômicas, da Escola de Engenharia, dos cursos de Design e de Psicologia e até mesmo de fora da UFRGS”, acrescenta Daniela.

O projeto também está começando a receber a adesão das empresas juniores da UFRGS. A primeira a unir-se à rede é a PS Júnior, da Escola de Administração, prestando seus serviços de forma gratuita aos empresários cadastrados.

Motivações muito parecidas impulsionam os voluntários. A professora aposentada Marisa Rhoden, ex-diretora da Escola de Administração, explica que aderiu ao SOS-PME primeiramente por ser uma oportunidade de contribuir com os pequenos empresários, uma categoria sofrida, que enfrentam mais dificuldades nesse momento delicado. Marisa, que no mestrado e no doutorado pesquisou sobre pequenas empresas, acrescenta ainda que o segundo elemento motivador é a possibilidade de integração entre teoria e prática. “Sempre tive uma preocupação e um gosto por essa aplicação prática na sociedade”, afirma a professora que desde a década de 1990 atua em programas de apoio a empreendedores, integrando diferentes expertises dentro da área da Administração, como esta acontecendo no SOS-PME. Marisa não deixa de elencar também outra importante motivação: “poder focar em atividades positivas de auxílio à comunidade dentro da nossa área de conhecimento nos gera muito mais conforto para enfrentar a situação de pandemia que estamos vivendo”.

Graduado em Administração pela UFRGS, o empresário Sérgio Finger é um dos voluntários que também entende ser importante a conexão entre a universidade e o mercado, pois muito do conhecimento acadêmico não chega ao pequeno empresário. Finger salienta ainda a oportunidade de aprendizado e de desenvolvimento pessoal e profissional e acrescenta: “foi também uma forma que eu encontrei de retornar para a sociedade parte do que foi investido em mim por meio do ensino gratuito e de qualidade. Dessa forma, compartilho meus aprendizados e experiências com empresários que podem estar passando por situação mais delicada que a minha neste momento”.

Da Itália, onde realiza parte de seu doutorado, Diego Alex Gazaro dos Santos integra a rede por entender que os pequenos negócios são os que mais sofrem com a crise. Segundo ele, especialmente no Brasil, esses empreendimentos dispõem de poucos recursos e dependem das vendas do dia a dia para sobreviver. “Vejo o SOS-PME como uma oportunidade de ajudar essa importante parcela da população brasileira que está sofrendo as dores de ter seu negócio paralisado”, diz o pesquisador.

O agradecimento das idealizadoras do projeto a esse grupo tão grande, diverso e comprometido de voluntários e aos empresários que confiaram no SOS-PME veio na forma de um vídeo. Confira em https://youtu.be/gzV8dLBOm9A

Novas demandas

O projeto SOS-PME está aberto para novas demandas. Basta preencher o formulário disponível em http://abre.ai/sospme. Também está disponível um mural colaborativo com dicas de ideias de transformação aberto à visualização e à participação da comunidade em https://padlet.com/sospmeea/dicasempresas.

É possível acompanhar as atividades e dicas do SOS-PME nas redes sociais e no site:

https://www.facebook.com/sospme.ufrgshttps://www.instagram.com/sospme.ufrgs e https://www.ufrgs.br/escoladeadministracao/sospme/

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