UFRGS e a Covid-19

Residentes em Fonoaudiologia realizam atendimento a pacientes pós-intubação por Covid-19

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Sumário

Atuação envolve casos de disfagia e disfonia. Profissionais também participam de pesquisas multiprofissionais em saúde

Preceptora Luana Berwig e residente Karoline Quaresma, antes do ingresso no CTI Adulto da Ala de Covid-19 do HCPA – Foto: Divulgação

Os pacientes com Covid-19, em muitos casos, têm problemas respiratórios e precisam ser intubados durante um tempo que pode chegar até 30 ou 40 dias. Como sequela desse período, os pacientes podem passar por situações como disfagia, como é conhecida a dificuldade de engolir devido ao dano causado durante a intubação. A professora do curso de Fonoaudiologia da UFRGS e coordenadora do serviço de fonoaudiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA/UFRGS) Sílvia Dornelles explica que essa alteração na função da deglutição pode até levar à morte, em casos graves. Diante da realidade, a equipe de residentes multiprofissionais da área da fonoaudiologia tem atuado no acompanhamento dos pacientes com Covid-19 do HCPA afetados pela necessária intubação. Além disso, os profissionais que se aperfeiçoam na área oferecem atendimento aos casos de disfonia, alterações na voz, que também são frutos do período de hospitalização.

E a atuação de alunos residentes também se configura como linha de frente do atendimento de Covid-19 na área multiprofissional do HCPA, já que os serviços são realizados assim que os pacientes deixam a entubação e, em muitos casos, ainda não estão curados, mas apenas saíram da respiração mecânica. As ações acontecem na emergência e no CTI no caso da área de ‘Adulto Crítico’ e UTI pediátrica, alojamento e neonatal da parte de “Saúde da Criança”. No caso do combate à disfagia, os serviços da fonoaudiologia atuam na liberação da via oral para que o paciente possa voltar a se alimentar sem riscos, pois, como explica Sílvia Dornelles, a aspiração para o pulmão pode causar uma pneumonia aspirativa. A professora aponta que há, inclusive, o risco da aspiração da própria saliva. Para evitar que isso aconteça, são realizados o acompanhamento e a terapia fonoaudiológicos, que podem se estender por vários dias, até que o paciente possa voltar a se alimentar com segurança. E isso pode se prolongar até depois da alta hospitalar do paciente, com o atendimento ambulatorial dessa sequela.

A docente da UFRGS explica que a área de atuação do fonoaudiólogo no atendimento hospitalar tem se expandido nos últimos tempos e tem se tornado um nicho para os profissionais. Segundo Sílvia Dornelles, há uma grande procura para essa integração das redes multiprofissionais, ou seja, com a inclusão de profissionais das diversas áreas da saúde. “A privação da alimentação é algo muito penoso, pois a socialização das pessoas se dá pela comida, por exemplo. Desse modo, garantir esse retorno do paciente à alimentação via oral é melhorar a qualidade de vida das pessoas” sintetiza. Assim sendo, ela aponta a necessidade do atendimento hospitalar em seu sentido completo como reconhecimento das diversas áreas profissionais da saúde. E isso pode ser exemplificado tanto nos casos atuais de Covid-19 quanto nos demais casos que envolvam sequelas da pós-intubação. Além disso, Sílvia Dornelles destaca a produção de ciência que advém dessa atuação: “Pesquisadores da fonoaudiologia integram pesquisas multi-institucionais e multiprofissionais que contam com a abordagem da área. Isso traz desenvolvimento para a Universidade e para o Hospital”, indica.

Disfonia

Além do problema mais grave que é a disfagia, situação que requer maior atenção, o atendimento fonoaudiológico envolve o tratamento da disfonia, a alteração ou o enfraquecimento da voz do paciente. “É um atendimento secundário, pois a deglutição vem em primeiro lugar. Alguns pacientes podem ficar disfônicos [no pós-intubação], pois a voz pode ficar comprometida, rouca. Isso é, na maioria das vezes, temporário”, explica Sílvia Dornelles. Nesse serviço, são oferecidos cuidados com a voz para corrigir as sequelas que também vieram do período de internação.

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