{"id":873,"date":"2020-05-11T16:51:07","date_gmt":"2020-05-11T19:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/?page_id=873"},"modified":"2020-05-12T14:09:31","modified_gmt":"2020-05-12T17:09:31","slug":"covid-19-evidencias-cientificas-da-eficacia-do-distanciamento-social","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/covid-19-evidencias-cientificas-da-eficacia-do-distanciamento-social\/","title":{"rendered":"COVID-19: Evid\u00eancias cient\u00edficas da efic\u00e1cia do distanciamento social"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Prof. Ng Haig They <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Departamento Interdisciplinar\/CECLIMAR\/UFRGS Litoral <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Muito tem se discutido no Brasil a respeito da melhor maneira de lidar com a pandemia do v\u00edrus SARS-CoV-2. Embora haja muitos estudos em andamento, a doen\u00e7a, chamada COVID-19, ainda carece de vacina e medicamentos comprovadamente eficazes no seu tratamento at\u00e9 o momento. Nestas circunst\u00e2ncias, o que a ci\u00eancia nos diz sobre a melhor abordagem para conter a pandemia?<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiramente, \u00e9 preciso entender que estamos tratando de uma doen\u00e7a totalmente nova e, portanto, todas as pessoas s\u00e3o potencialmente suscet\u00edveis (sem imunidade) ao v\u00edrus. Nestas circunst\u00e2ncias uma grande parcela da humanidade ser\u00e1 infectada e uma parte desta parcela poder\u00e1 vir a \u00f3bito. Conforme ser\u00e1 mais detalhado adiante, os dados que temos at\u00e9 o momento sobre a COVID-19 indicam que as taxas de mortalidade n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o altas quanto as de outras doen\u00e7as causadas por outros coronav\u00edrus como o MERS-CoV e o SARS-CoV. Ent\u00e3o, por que a grande preocupa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>O maior impacto que a COVID-19 pode apresentar est\u00e1 relacionado a algumas caracter\u00edsticas peculiares:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Alta transmissibilidade<\/span><\/strong>: cada pessoa infectada transmite em m\u00e9dia para 2 a 3 pessoas; <\/li><li><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">A transmiss\u00e3o ocorre por got\u00edculas de<\/span> <span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">saliva<\/span><\/strong>, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da fala ou respira\u00e7\u00e3o (via a\u00e9rea);<\/li><li><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Pessoas assintom\u00e1ticas e pr\u00e9-sintom\u00e1ticas transmitem o v\u00edrus<\/span><\/strong> (no caso das pr\u00e9-sintom\u00e1ticas antes do aparecimento dos sintomas), o que dificulta a identifica\u00e7\u00e3o de infectados e seu isolamento;<\/li><li><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">Um percentual importante das pessoas necessita de interna\u00e7\u00e3o e de cuidados intensivos<\/span><\/strong> (leitos de UTI e respiradores);<\/li><li><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">N\u00e3o h\u00e1 vacina ou tratamento com efic\u00e1cia comprovada<\/span><\/strong> at\u00e9 o momento.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a COVID-19 tem o potencial de infectar simultaneamente um grande n\u00famero de pessoas, muitas das quais necessitam de leitos de UTIs e respiradores, que \u00e9 um recurso bastante limitado pelo seu alto custo. Neste sentido que se fala tanto do tal \u201cachatamento\u201d da curva, que significa na pr\u00e1tica o seguinte: ao inv\u00e9s de termos muitas pessoas doentes ao mesmo tempo (pico agudo de n\u00famero de casos), adotam-se medidas para \u201cespalhar\u201d o n\u00famero de infectados ao longo do tempo de modo a n\u00e3o sobrecarregar o sistema de sa\u00fade. \u00c9 importante lembrar que todas as demais necessidades de atendimento m\u00e9dico continuar\u00e3o a ocorrer, e a indisponibilidade de leitos, por exemplo, pode causar uma s\u00e9rie de \u00f3bitos indiretos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entendermos o tamanho do problema, vamos analisar os aspectos que seguem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o dos leitos no Brasil e potenciais impactos no sistema de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo publicado pelo Instituto de Estudos para Pol\u00edticas de Sa\u00fade em mar\u00e7o de 2020<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> levantou um total de 32.757 leitos de UTI (14.873 SUS e 17.884 privados) a partir de dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Sa\u00fade (CNES) de 2017. Observou-se, portanto, uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de leitos de UTI no Brasil, sendo atualmente 31.868 (16.850 SUS e 15.018 privados) segundo o Painel SUS<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. Estes n\u00fameros indicam que para a popula\u00e7\u00e3o total brasileira de 211.463.794 habitantes (Censo IBGE: 03\/05\/2020<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>), h\u00e1 cerca de 15 leitos para cada 100.000 habitantes. Vale ressaltar que n\u00e3o est\u00e3o contabilizados aqui os leitos locados ou oriundos de hospitais de campanha recentemente disponibilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os leitos, no entanto, n\u00e3o est\u00e3o distribu\u00eddos de maneira uniforme no pa\u00eds. Roraima, por exemplo, \u00e9 o Estado com menos leitos, sendo 25 no total (17 SUS e 8 privados) enquanto que S\u00e3o Paulo \u00e9 o Estado com mais leitos, com 8.256 no total (3.516 SUS e 4.740 privados). Cerca de 72% (316 de 436) das regi\u00f5es de sa\u00fade<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a> possuem menos de 10 leitos por 100.000 habitantes, considerado um limiar m\u00ednimo aceit\u00e1vel <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-admin\/post.php?post=873&amp;action=edit#_ftn1\">[1]<\/a>. Em cerca de 15% das regi\u00f5es de sa\u00fade (principalmente nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste) n\u00e3o h\u00e1 um leito sequer.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio de aus\u00eancia total de controle e com livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas, podemos ter uma ideia do potencial impacto no sistema de sa\u00fade. Realizando uma conta simples de que, de cada 100.000 habitantes, cerca de 70% ser\u00e1 infectado e que destes, cerca de 5% ficam em estado cr\u00edtico e necessitam de interna\u00e7\u00e3o em Unidade de Terapia Intensiva, chegamos ao n\u00famero de 100.000 \u00d7 70% \u00d7 5% = 3.500 pessoas a cada 100.000 habitantes necessitando de interna\u00e7\u00e3o hospitalar. Isso significa que o impacto pode ser mais de 200 vezes a capacidade de suporte do sistema de sa\u00fade como um todo (SUS + Rede particular).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Tabela 01 s\u00e3o mostrados os cen\u00e1rios por n\u00fameros de casos, sintomatologia e \u00f3bitos em rela\u00e7\u00e3o ao total de casos na China e It\u00e1lia e s\u00e3o apresentadas proje\u00e7\u00f5es para o Brasil considerando estes dois cen\u00e1rios. Cabe ressaltar que os trabalhos foram publicados em momentos anteriores ao controle da pandemia nestes dois pa\u00edses e, portanto, com um n\u00famero bem menor de casos ao que realmente ocorreu. As taxas de mortalidade tamb\u00e9m variam de pa\u00eds para pa\u00eds em fun\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas espec\u00edficas. No entanto, servem de base de c\u00e1lculo para os n\u00fameros esperados de interna\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois cen\u00e1rios considerados, o total de hospitaliza\u00e7\u00f5es poderia variar entre cerca de 28 milh\u00f5es e 69 milh\u00f5es e o n\u00famero de \u00f3bitos entre cerca de 3 a 11 milh\u00f5es (Tabela 01).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 01<\/strong>: N\u00famero de casos, sintomatologia e n\u00famero de \u00f3bitos em rela\u00e7\u00e3o ao total do n\u00famero de casos para a China e a It\u00e1lia em levantamentos publicados e proje\u00e7\u00f5es para o Brasil considerando estes dois cen\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\"><table><tbody><tr><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td><strong>Sem hospitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td><strong>\u00a0Com Hospitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td><\/td><td><strong>\u00d3bitos<\/strong><sup>A<\/sup><\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td><strong>Sintomas<\/strong><\/td><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td><strong>Casos<\/strong><\/td><td><strong>Leves<\/strong><\/td><td><strong>Moderados<\/strong><\/td><td><strong>Cr\u00edticos<\/strong><\/td><td>\u00a0<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>China<a href=\"#_ftn1\">[5]<\/a><\/td><td>44.415<\/td><td>36.160 (81%)<\/td><td>6.168 (14%)<\/td><td>2.087 (5%)<\/td><td>1.023<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>It\u00e1lia<a href=\"#_ftn2\">[6]<\/a><\/td><td>27.980<\/td><td>15.004 (53,6%)<\/td><td>11.125 (39,8%)<\/td><td>1.851 (6,6%)<\/td><td>2.158<\/td><\/tr><tr><td>Brasil<\/td><td>&nbsp;cen\u00e1rio China<\/td><td>148.024.656<sup>B<\/sup><\/td><td>119.899.971<\/td><td>20.723.452<\/td><td>7.401.233<\/td><td>3.404.567<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>cen\u00e1rio It\u00e1lia<\/td><td>148.024.656<sup>B<\/sup><\/td><td>79.341.215<\/td><td>58.913.813<\/td><td>9.769.627<\/td><td>11.397.898<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>A \u2013 N\u00famero de \u00f3bitos refere-se ao total de casos e n\u00e3o deve ser somado \u00e0s colunas \u201cSintomas\u201d. Para a China a CFR (Case Fatality Rate) = 1.023\/44.415 = 2,3%, enquanto que para a It\u00e1lia o CFR = 2.158\/27.980 = 7,7%.<\/p>\n\n\n\n<p>B &#8211; A estimativa considera a \u201cimunidade de rebanho\u201d, com estimativas de infec\u00e7\u00e3o de cerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o total (211.463.794 habitantes segundo o IBGE em 03\/05\/2020<a href=\"#_ftn1\"><sup>[7]<\/sup><\/a>)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Subnotifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A subnotifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema que vem sendo enfrentado por todos os pa\u00edses, pois decorre da impossibilidade de testar todos os indiv\u00edduos da popula\u00e7\u00e3o. A testagem \u00e9 necess\u00e1ria inclusive mais de uma vez, pois nada garante que uma pessoa com testagem negativa em determinado momento n\u00e3o venha a ter uma testagem positiva no futuro. As amostragens, quando realizadas, s\u00e3o estimativas dif\u00edceis, pois demandam a testagem de um grande n\u00famero de pessoas selecionadas de maneira aleat\u00f3ria em regi\u00f5es representativas. Um dos impactos mais importantes da subnotifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a dificuldade de isolar todas as pessoas infectadas e seus poss\u00edveis contatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo <a href=\"#_ftn8\">[8]<\/a> pioneiro coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e encomendado pelo governo do Estado aplicou testes sorol\u00f3gicos (que detectam anticorpos para a COVID-19) em 4.500 pessoas aleatoriamente selecionadas em 9 munic\u00edpios (Pelotas, Uruguaiana, Iju\u00ed, Caxias do Sul, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Porto Alegre) estimou que a subnotifica\u00e7\u00e3o pode ser da ordem de 12 vezes em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de casos. No entanto, uma limita\u00e7\u00e3o importante do trabalho \u00e9 que o teste sorol\u00f3gico utilizado (WONDFO SARS-CoV-2 Antibody Test) somente identifica pacientes que ou j\u00e1 tiveram a doen\u00e7a ou est\u00e3o em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados, do que decorre que a subnotifica\u00e7\u00e3o pode ser ainda maior do que a estimada.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados de \u00f3bito (notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, parte observada) podem ser utilizados tamb\u00e9m para estimar a subnotifica\u00e7\u00e3o (parte n\u00e3o observada). No RS, a taxa de letalidade est\u00e1 estimada em 3,9% (Dados<a href=\"#_ftn9\">[9]<\/a> de 02\/05\/2020), enquanto que os dados do estudo da UFPEL indicam um valor de 0,33%, indicando um \u00edndice de subnotifica\u00e7\u00e3o de 3,9%\/0,33% = 11,8 vezes, uma estimativa muito pr\u00f3xima da obtida pelo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros pa\u00edses tamb\u00e9m t\u00eam empreendido esfor\u00e7os em estimar a taxa de subnotifica\u00e7\u00e3o. Em um total de 15.000 testes aleat\u00f3rios, o Estado de Nova Iorque realizou a maior testagem em massa at\u00e9 o momento e chegou \u00e0 estimativa<a href=\"#_ftn10\">[10]<\/a> de cerca de 12,3% de infectados na popula\u00e7\u00e3o geral. Considerando a popula\u00e7\u00e3o total do Estado de Nova Iorque igual a 19,45 milh\u00f5es de pessoas, temos um total de infectados estimados em aproximadamente 19.450.000 pessoas \u00d7 12,3% = 2.392.350 pessoas. Tomando-se em conta o n\u00famero de \u00f3bitos e este total de infectados (03\/05\/2020<a href=\"#_ftn11\">[11]<\/a>), podemos fazer uma estimativa de 23.826 mortes \/ 4.473.500 infectados = taxa de letalidade de 0,99%. Considerando este cen\u00e1rio, no Brasil ter\u00edamos 26.010.046 infectados e 257.499 mortes. \u00c9 importante destacar que Nova Iorque realizou um lockdown severo, muito embora tardio, o que n\u00e3o vem sendo observado no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras evid\u00eancias da subnotifica\u00e7\u00e3o podem ser observadas a partir do aumento do n\u00famero de notifica\u00e7\u00f5es de s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave (SRAG). No Brasil, houve um aumento nos casos de SRAG da ordem de 10 vezes maior do que no mesmo per\u00edodo no ano de 2019 (https:\/\/covid.saude.gov.br\/). Este aumento incomum est\u00e1 diretamente relacionado com a pandemia, uma vez que segundo o relat\u00f3rio InfoGripe (http:\/\/info.gripe.fiocruz.br) da FIOCRUZ no Boletim da semana 16 de 2020, dentre todos os testes j\u00e1 realizados em pacientes com SRAG, 73% deram positivos para COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas e quais as evid\u00eancias cient\u00edficas da efetividade do isolamento social?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que h\u00e1 necessidade de evitar o colapso do sistema de sa\u00fade atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero concomitante de infectados e que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo atrav\u00e9s de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/covid-19-conceitos-basicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">quarentena<\/span><\/strong><\/a><a> <\/a>por causa do custo, da grande demanda operacional e da subnotifica\u00e7\u00e3o, qual seria a melhor forma de lidar com a pandemia? Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, as recomenda\u00e7\u00f5es incluem, dentre outros, os cuidados b\u00e1sicos de higiene pessoal e as medidas de distanciamento social. Mas quais s\u00e3o as evid\u00eancias cient\u00edficas de efetividade do distanciamento social?<\/p>\n\n\n\n<p>Em 19 de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/uma-breve-linha-do-tempo\/\"><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">mar\u00e7o<\/span><\/strong><\/a> de 2020 a China anunciou ao mundo seu primeiro dia sem nenhum caso de transmiss\u00e3o local, marco que foi conquistado ap\u00f3s cerca de 2 meses de um <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/covid-19-conceitos-basicos\/\" target=\"_blank\"><strong><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">lockdown<\/span><\/strong> <\/a>severo iniciado em 23 de janeiro com muitas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de pessoas. Isto gerou uma oportunidade \u00edmpar para realizar pesquisas sobre o efeito destas medidas. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Kraemer e colaboradores (2020) publicaram um artigo na revista Science<a href=\"#_ftn12\">[12]<\/a> utilizando dados de mobilidade gerados a partir de geolocaliza\u00e7\u00e3o em telefones celulares e hist\u00f3rico de viagens combinados a dados epidemiol\u00f3gicos para testar se a redu\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do v\u00edrus p\u00f4de ser atribu\u00edda \u00e0s medidas adotadas. Neste trabalho eles constataram que a maioria (57%) dos casos que ocorreram fora de Wuhan antes de 23 de janeiro tinham hist\u00f3rico de viagem conhecido recente para Wuhan, demonstrando que Wuhan foi de fato o epicentro inicial da doen\u00e7a. Outro resultado interessante foi que a magnitude (n\u00famero de casos) do in\u00edcio da epidemia p\u00f4de ser predita (R<sup>2<\/sup> = 0,89) pelo volume (quantidade total de viagens) de sa\u00eddas de Wuhan. Foi poss\u00edvel tamb\u00e9m estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de casos novos di\u00e1rios e o n\u00famero de pessoas viajando para fora de Wuhan, correla\u00e7\u00e3o esta que desapareceu ap\u00f3s o estabelecimento de um cord\u00e3o sanit\u00e1rio em 1\u00ba de fevereiro de 2020. As implementa\u00e7\u00f5es das medidas dr\u00e1sticas de mobilidade levaram a taxas de crescimento negativas de novos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra evid\u00eancia forte encontrada no trabalho de Kraemer e colaboradores (2020) foi com rela\u00e7\u00e3o ao perfil de raz\u00e3o sexual e estrutura et\u00e1ria de pessoas infectadas com COVID-19 fora de Wuhan. Comparando pessoas que tinham hist\u00f3rico de viagem recente para Wuhan com aquelas que n\u00e3o tinham, o perfil dos viajantes possu\u00eda um vi\u00e9s para maior quantidade de indiv\u00edduos do sexo masculino e de pessoas mais jovens, enquanto que aquelas que se infectaram fora de Wuhan tinham perfil de idade mais avan\u00e7ada e com raz\u00e3o sexual mais equ\u00e2nime, sugerindo que estas j\u00e1 adquiriram a doen\u00e7a por transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo foi uma situa\u00e7\u00e3o ocorrida a bordo do Cruzeiro <em>Diamond Princess<\/em>, em que em um \u201cexperimento natural\u201d p\u00f4de ser observado o efeito da doen\u00e7a em uma situa\u00e7\u00e3o de alta aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas, conforme relatado no trabalho publicado por Mizumoto e colaboradores (2020)<a href=\"#_ftn13\">[13]<\/a>. &nbsp;Um dos passageiros que havia rec\u00e9m desembarcado em Hong Kong testou positivo para COVID-19. Isto fez com que com que os 3.711 tripulantes fossem proibidos de desembarcar logo que chegaram \u00e0 costa de Yokohama no Jap\u00e3o e obrigados a cumprir uma quarentena a bordo de 05 a 20 de fevereiro de 2020. Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de 3.063 testes, foi constatado que haviam 634 infectados (17%), sendo destes 17,9% assintom\u00e1ticos. Os autores conclu\u00edram que a maioria dos casos de infec\u00e7\u00e3o ocorreram antes da quarentena (isto \u00e9, em situa\u00e7\u00e3o de livre circula\u00e7\u00e3o) e que a alta propor\u00e7\u00e3o de assintom\u00e1ticos causa preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao controle da pandemia. Eles tamb\u00e9m ressaltaram a import\u00e2ncia da minimiza\u00e7\u00e3o de aglomera\u00e7\u00f5es na dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>As medidas adotadas de distanciamento social est\u00e3o dentro de um espectro de medidas chamadas coletivamente de interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas (INFs), pois s\u00e3o medidas que n\u00e3o envolvem vacinas e nem medicamentos. Muito tem sido estudado a respeito da efetividade destas medidas a partir de outras pandemias do passado. Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 a pandemia de influenza (gripe espanhola) de 1918\/1919 que dizimou 40 milh\u00f5es de pessoas no mundo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois trabalhos analisaram o comportamento epidemiol\u00f3gico da influenza em cidades norte americanas de acordo com o n\u00famero de medidas tomadas e com a rapidez com que foram implementadas. No trabalho de Markel et al (2007)<a href=\"#_ftn14\">[14]<\/a>, foram coletados dados de boletins epidemiol\u00f3gicos, obitu\u00e1rios, hist\u00f3ricos e registros da imprensa de 43 cidades com mais de 100 mil habitantes. Dentre as INFs principais estavam inclusos: i) isolamento ou quarentena, ii) fechamento de escolas e iii) proibi\u00e7\u00e3o de aglomera\u00e7\u00f5es, dentre outras medidas mais brandas. \u00c9 importante lembrar que, como n\u00e3o haviam testes moleculares e imunol\u00f3gicos como temos atualmente e os diagn\u00f3sticos eram feitos de maneira cl\u00ednica, os autores analisaram uma vari\u00e1vel chamada de \u201cmortalidade em excesso\u201d (<em>Excess Death Rates, EDR<\/em>), ou seja, quantas mortes devido \u00e0 pneumonia e influenza combinadas tinham a mais do que seria esperado nas mesmas semanas baseado em anos anteriores (1910-1916). Os resultados mostraram que a combina\u00e7\u00e3o de INFs tiveram os efeitos mais pronunciados na redu\u00e7\u00e3o da EDR e que cidades que implementaram estas medidas mais cedo tiveram menores picos de EDR. Cidades que demoraram mais tempo para implementar INFs chegaram mais r\u00e1pido em picos de EDR e tiveram maior quantidade de \u00f3bitos. Por outro lado, cidades que sustentaram as interven\u00e7\u00f5es mais tempo tiveram menos \u00f3bitos no total. Os autores conclu\u00edram que interven\u00e7\u00f5es tardias, ainda que duradouras ou combinadas, resultaram invariavelmente em mais mortes e picos mais acentuados de EDR.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro trabalho de Hatchett e colaboradores (2007)<a href=\"#_ftn15\">[15]<\/a> debru\u00e7ou-se sobre a mesma pandemia de influenza analisando 17 cidades norte americanas e encontrou resultados bastante semelhantes: quanto maior o n\u00famero de INFs antes de atingir determinada taxa de mortalidade (EDR), menor o pico e total de \u00f3bitos. Tamb\u00e9m encontraram que quanto mais as cidades esperaram pra tomar medidas (quanto maior a EDR), maior foi o pico de EDR. Os efeitos encontrados foram mais pronunciados sobre o tamanho do pico de EDR do que sobre o total de \u00f3bitos, embora este \u00faltimo tenha sido tamb\u00e9m importante. Outro ponto importante foi que eles encontraram uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre o tamanho do primeiro pico de EDR e o segundo, ou seja, quanto maior o primeiro pico, menor o segundo e vice versa. Isto aconteceu porque uma cidade que teve um primeiro pico pequeno ainda tinha muitas pessoas suscet\u00edveis que foram infectadas numa segunda onda. No entanto, as cidades que sustentaram as INFs de maneira prolongada nunca tiveram uma segunda onda; esta s\u00f3 foi observada em cidades que, embora tenham tomado medidas, acabaram relaxando as interven\u00e7\u00f5es e acabaram invariavelmente experienciando um segundo pico de mortalidade. A conclus\u00e3o dos autores foi de que a combina\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es e a ado\u00e7\u00e3o de medidas antecipadas e sustentadas por longos per\u00edodos foram primordiais na redu\u00e7\u00e3o dos picos de mortalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E o isolamento vertical? Tem sido proposto como alternativa ao isolamento horizontal por autoridades brasileiras e tem como princ\u00edpio o isolamento social preventivo de pessoas vulner\u00e1veis e a identifica\u00e7\u00e3o e isolamento de infectados. No entanto, este procedimento s\u00f3 \u00e9 eficaz quando h\u00e1 baixos n\u00edveis de subnotifica\u00e7\u00e3o e em popula\u00e7\u00f5es em que potenciais vetores do agente infeccioso (tais como crian\u00e7as) n\u00e3o convivam com pessoas vulner\u00e1veis (tais como idosos).<\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo de modelagem matem\u00e1tica (Hellewell et al., 2020<a href=\"#_ftn16\">[16]<\/a>) analisou as probabilidades de erradica\u00e7\u00e3o de uma pandemia considerando a estrat\u00e9gia de isolamento de casos infectados e pessoas com quem os infectados tiveram contato. Eles analisaram cen\u00e1rios diferentes de tempo entre come\u00e7o dos sintomas e isolamento, tempo de incuba\u00e7\u00e3o, n\u00famero de casos iniciais, percentual de contatos tra\u00e7ados, n\u00famero de pessoas infectadas por cada infectado, dentre outros, e conclu\u00edram que em todos os cen\u00e1rios o sucesso no controle da pandemia num per\u00edodo de 3 meses \u00e9 bastante improv\u00e1vel apenas tomando como medida estas estrat\u00e9gias. Em alguns cen\u00e1rios seria necess\u00e1rio identificar e isolar at\u00e9 90% dos contatos potenciais de infectados e esta a\u00e7\u00e3o deveria ser r\u00e1pida, o que na pr\u00e1tica seria inviabilizado por quest\u00f5es log\u00edsticas. Al\u00e9m deste esfor\u00e7o, ainda seriam necess\u00e1rios esfor\u00e7os no sentido de vencer a subnotifica\u00e7\u00e3o para identificar infectados assintom\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos estes elementos permitem concluir que, na aus\u00eancia de medicamentos e vacinas, experi\u00eancias recentes com a COVID-19 e pr\u00e9vias com outras pandemias mostram que as \u00fanicas medidas efetivamente comprovadas para o achatamento da curva de cont\u00e1gio \u00e9 o distanciamento social. Estas medidas visam n\u00e3o sobrecarregar o sistema de sa\u00fade e propiciar atendimento m\u00e9dico a todos que necessitarem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00cdndices de isolamento social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;E o isolamento social no Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0O grau de isolamento social tem sido calculado em muitos pa\u00edses atrav\u00e9s dos dados oriundos de telefones celulares. No Brasil, a startup Inloco<a href=\"#_ftn17\">[17]<\/a> \u00e9 uma empresa de intelig\u00eancia que utiliza dados de geolocaliza\u00e7\u00e3o de celulares de cerca de 60 milh\u00f5es de brasileiros de maneira an\u00f4nima<a href=\"#_ftn18\">[18]<\/a> e calcula o \u00cdndice de Isolamento Social (IIS) para os estados Brasileiros e alguns munic\u00edpios\u00a0 considerando o n\u00famero de celulares parados num mesmo local (sem realizar deslocamentos di\u00e1rios) em rela\u00e7\u00e3o ao total de celulares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com estes dados, o Brasil chegou a um m\u00e1ximo de isolamento de 62,2% em 22 de mar\u00e7o de 2020, mas vem decaindo desde ent\u00e3o at\u00e9 o patamar atual de 43,1% (10\/05\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E a \u201cimunidade de rebanho\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tem se aventado como alternativa ao isolamento social o relaxamento das medidas de controle de isolamento e mobilidade de modo que as pessoas venham a se contaminar livremente, visando o aumento da imuniza\u00e7\u00e3o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o, a chamada imunidade de rebanho. O princ\u00edpio disto \u00e9 que, quando uma alta propor\u00e7\u00e3o de pessoas se torna imune a um agente infeccioso, a probabilidade de um indiv\u00edduo interagir com indiv\u00edduos suscet\u00edveis diminui, resultando em redu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas nas taxas de cont\u00e1gio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a COVID-19 tem sido sugerido o limiar de 70% de pessoas imunes como o valor m\u00ednimo para o controle da pandemia. No entanto, \u00e9 importante considerar o seguinte: as taxas de infectados at\u00e9 o momento tem sido baixas. Como anteriormente citado para o Estado de Nova Iorque, cerca de 12,3% da popula\u00e7\u00e3o foi contaminada at\u00e9 o momento, o que significa que um segundo pico teria o potencial de ser do tamanho de at\u00e9 87,7% da popula\u00e7\u00e3o. Considerando este ritmo de cont\u00e1gio, certamente n\u00e3o atingir\u00edamos 70% de imunidade ainda em 2020 e ainda assim ter\u00edamos um alto custo em vidas humanas, conforme apontado por David Dowdy e Gypsyamber D\u2019Souza da Universidade Johns Hopkins<a href=\"#_ftn19\">[19]<\/a>. Estes mesmos pesquisadores levantaram que algumas estimativas mundiais apontam que menos de 5% da popula\u00e7\u00e3o foi infectada at\u00e9 o momento. No passo que estamos, a tal imunidade de rebanho n\u00e3o seria atingida antes de 2021 e ainda assim ter\u00edamos perdas de milh\u00f5es de vidas no caminho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PARA SABER MAIS, CONSULTE AS REFER\u00caNCIAS A SEGUIR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> B. Rache, Rocha, R., Nunes, L., Spinola, P., Malik, A. M. e A. Massuda (2020). Necessidades de Infraestrutura do SUS em Preparo \u00e0 COVID-19: Leitos de UTI, Respiradores e Ocupa\u00e7\u00e3o Hospitalar. Nota T\u00e9cnica n.3. IEPS: S\u00e3o Paulo<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> https:\/\/covid-insumos.saude.gov.br\/paineis\/insumos\/painel_leitos.php<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> https:\/\/www.ibge.gov.br\/apps\/populacao\/projecao\/box_popclock.php<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Regi\u00f5es de sa\u00fade: um n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o para o planejamento e execu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade que agrupa munic\u00edpios lim\u00edtrofes em fun\u00e7\u00e3o de similaridades. Regulamentado pela Resolu\u00e7\u00e3o Normativa 259 de 2011 da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANSS)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Wu Z, McGoogan JM (2020) Characteristics of and important lessons from the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) outbreak in China. JAMA 323(13):1239-1242. DOI: .10.1001\/jama.2020.2648 &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Lazzerini M, Putoto G (2020) COVID-19 in Italy: momentous decisions and many uncertainties. The Lancet 8(e641) DOI: 10.1016\/S2214-109X(20)30110-8.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> https:\/\/www.ibge.gov.br\/apps\/populacao\/projecao\/box_popclock.php<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> http:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/2020\/04\/29\/resultado-da-2a-etapa-da-pesquisa-sobre-covid-19\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> http:\/\/ti.saude.rs.gov.br\/covid19\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> https:\/\/www.governor.ny.gov\/news\/amid-ongoing-covid-19-pandemic-governor-cuomo-announces-results-completed-antibody-testing<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> https:\/\/www.cdc.gov\/coronavirus\/2019-ncov\/cases-updates\/cases-in-us.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> Kraemer et al. (2020) The effect of human mobility and control measures on the COVID-19 epidemic in China. Science DOI: 10.1126\/science.abb4218<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> Mizumoto et al. (2020) Estimating the asymptomatic proportion of coronavirus disease 2019 (COVID-19) cases on board the Diamond Princess cruise ship, Yokohama, Japan, 2020. Euro Surveillance 25(10) DOI: 10.2807\/1560-7917.ES.2020.25.10.2000180<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> Markel et al (2007) Nonpharmaceutical interventions implemented by US cities during the 1918-1919 influenza pandemic. JAMA 298(6): 644-654.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> Hatchett et al. (2007) Public Health interventions and epidemic intensity during the 1918 influenza pandemic. PNAS 104(18):7582-7587 DOI: 10.1073pnas.0610941104<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a> Hellewell et al. (2020) Feasibility controlling COVID-19 outbreaks by isolation of cases and contacts. The Lancet e488 DOI: 10.1016\/S2214-109X(20)30074-7<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a> https:\/\/mapabrasileirodacovid.inloco.com.br\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a> https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/reportagens-especiais\/indice-de-isolamento-o-que-revelam-os-dados-de-celular-sobre-a-quarentena\/#tematico-1<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a> https:\/\/coronavirus.jhu.edu\/from-our-experts\/early-herd-immunity-against-covid-19-a-dangerous-misconception<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Ng Haig They Departamento Interdisciplinar\/CECLIMAR\/UFRGS Litoral Muito tem se discutido no Brasil a respeito<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":877,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"class_list":["post-873","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/873"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=873"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":896,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/873\/revisions\/896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/media\/877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronaviruslitoral\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}