Livros

PERGUNTAR, REGISTRAR, ESCREVER: inquietações metodológicas

Autora: Andréa Vieira Zanella

Editora: Sulina / UFRGS

Este livro transversaliza em sete capítulos a problematização do pesquisar como processo de criação, sendo o relato da pesquisa considerado objetivação de uma atividade criadora constituída dialogicamente. Uma vez publicizado, total ou parcialmente, em condições e formatos variados, esse relato se apresenta como obra a ser lida, degustada, devorada, deglutida. É, por conseguinte, obra que reinventa a própria vida, em vez de somente explicá-la ou compreendê-la, e que se apresenta como contrapalavra a fecundar palavras outras. É testemunho de um fazer ciência para o qual não há álibi, e em assim sendo não se apresenta o discurso do método singular como seu fundamento, mas as escolhas éticas e estéticas do pesquisador que se reinventa, bem como a realidade investigada no próprio processo de pesquisar e nas produções decorrentes, sejam estas escritas, imagéticas, orais…

Destacando-se a dimensão inventiva do pesquisar, a ciência, na perspectiva apresentada neste livro, também é arte, já que ao compreender/explicar a vida, o/a pesquisador/a a reinventa através das teorizações produzidas e tecnologias que desta derivam. Teorias e tecnologias são, pois, ferramentas que, divulgadas e apropriadas por diferentes pessoas, em contextos e condições diversas, transfiguram os olhares sobre a própria realidade investigada.

Inquietações metodológicas é a expressão que anuncia ao leitor a tônica das discussões apresentadas neste livro, juntamente com o perguntar, registrar, escrever, comunicar…


ESTÉTICAS DO ESGOTAMENTO: extratos para uma política em Beckett e Deleuze

Autor: Alexande de Oliveira Henz

Editora: Sulina/UFRGS

 

 

 

 

 

 

 

 

 


PESQUISAR NA DIFERENÇA: UM ABECEDÁRIO

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autora: NASCIMENTO, MARIA LÍVIA
Autora: MARASCHIN, CLECI
Editora: SULINA

Inspirado no Abecedário de Gilles Deleuze, este livro se propõe a criar um abecedário a partir de palavras propostas pelo processo de pesquisar.  A proposta é afirmar um modo especial de pesquisar, relacionando-o a um processo de produzir fissuras no duro gelo das subjetivações instituídas, um quebra-cabeça por cujas fendas possíveis se deixe entrever aquilo que é denominado de pensamento. Para tanto, se buscou o encontro de parcerias no território nacional na busca constituir o livro como obra de um coletivo, tecido por uma pequena multidão de amigos e colegas pesquisadores.

Os verbetes foram escolhidos como emergentes dos atos de pesquisar, traduzidos em verbos no infinitivo, a serem conjugados nos “usos” e na pragmática da pesquisa científica.

Eis o Abecedário, resultado da construção de ideias que abrem potências e caminhos para a pesquisa por trilhas de insurgência contra os percursos dominantes e tradicionais. A proposta de construí-lo emerge de debates feitos no coletivo “Subjetividade, conhecimento e práticas sociais”, um dos GTs da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), grupo que se afirma pela produção do conhecimento como prática conectada à vida, guiada pela possibilidade do devir e pela potência da diferença.


EU SOU VOCÊ

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autora: BRITES, BLANCA
Editora: UFRGS

O livro EU SOU VOCÊ nos fala de vidas afetadas pela desrazão, mas, sobretudo, aponta para a capacidade de invenção que habita qualquer sujeito, dentro ou fora dos muros hospitalares. Apresenta obras de artistas-loucos e aponta para a arte como um terreno livre para enunciar mensagens de aberturas para outras possibilidades existenciais.

As imagens apresentadas representam um recorte ínfimo realizado no âmbito do Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro que conta, atualmente, com aproximadamente cem mil obras em processo de ordenamento e catalogação visando a criação de um banco de imagens a ser acessível para pesquisas.

O conjunto da obra concerne ao olhar curatorial das professoras Tania Mara Galli Fonseca e Blanca Luz Brites da UFRGS que, tomando o Acervo como campo de pesquisa e extensão para a Psicologia e para as Artes, também o consideram como um significativo patrimônio cultural do Estado, propiciando um importante material para problematizações referentes às relações entre arte, loucura e sociedade. O recorte realizado apresenta um conjunto de pinturas, desenhos e escrituras realizados por quatro artistas-loucos que, mesmo tendo vivido o regime da longa internação psiquiátrica, são capazes de uma sistemática capacidade expressiva que insiste, subsiste e resiste em suas vidas loucas e esquecidas. Aponta para a potência da arte no sentido da produção de um possível diálogo entre normalidade e patologia, do qual emerge uma linguagem que se encontra distante dos diagnósticos e do costumeiro apartheid sócio-afetivo instituído pela sociedade em relação à desrazão.  As obras destes artistas fizeram parte da Exposição Eu Sou Você, promovida pelo Museu da UFRGS nas dependências do Hospital Psiquiátrico São Pedro em 2010. O título deste livro – Eu sou Você -, retirado de uma das obras encontradas no Acervo, propõe-se como uma espécie de sopro capaz de gerar oscilações nos arraigados modos sociais de conceber e sentir aqueles que são considerados como o nosso outro devido a serem portadores de sofrimento mental. Através da aliança entre as Pró-Reitorias de Pesquisa e de Extensão, do Museu da UFRGS e do HPSP, acrescida da participação de artistas, profissionais Psi, docentes e estudantes, estamos celebrando, através do livro EU SOU VOCÊ, a experiência de um contágio intensivo que nos aponta para aquilo que sabíamos desde o início: somente num coletivo de forças é que se efetuam as práticas cujos efeitos merecem ser lembrados. Mais do que os resultados, melhores ou piores, o que conta é a experiência do devir que ali se apresenta fazendo-nos sempre artistas da vida e artesãos de nosso mundo. Da experiência criativa de pacientes situados no campo da loucura, também aprendemos sobre uma estética e uma ética do viver que não existirá a não ser pelo que fizermos acontecer.


VIDAS DO FORA: HABITANTES DO SILÊNCIO

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autor: COSTA, LUCIANO BEDIN
Editora: UFRGS

VIDAS DO FORA: HABITANTES DO SILÊNCIO é uma coletânea de textos divididos em 3 grandes seções: vidas, lugares e silêncios. Tem como eixo central o tema da vida e suas possibilidades. As trinta e setes vozes dos autores que compõem o livro provém de diversas áreas e falam línguas nas quais podemos situar os códigos da psicologia, da história, da literatura, da educação, das artes e da filosofia. Na seção I – VIDAS -, encontram-se reunidos 13 textos que além de serem provocadores acerca do que se pode  ou não dizer de uma vida, revelam-se como exercícios biografemáticos acerca de algumas vidas loucas. A seção II- LUGARES -, comporta  sete textos que assinalam para uma espécie de geografia que carrega consigo os rastros do tempo, debruçando-se sobre o tempo do fora na cidade, nos serviços da rede de saúde mental, no contexto manicomial e no próprio exercício de pesquisa. Na seção III – SILÊNCIOS -, sete textos nos provocam a escutar silêncios: do corpo, das obras, do tempo, das peles, das impressões, dos rostos. Dentro desta pluralidade de vozes assumidas pelo livro, VIDAS DO FORA: HABITANTES DO SILÊNCIO norteia-se por ter ao menos uma grande ética em comum: a de acreditar na vida  que há mesmo (e sobretudo) nas vidas ditas minúsculas.


A VIDA EM CENA

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autor: PELBART, PETER PÁL
Autora: ENGELMAN, SELDA
Editora: UFRGS

Estamos às voltas, hoje em dia, com um estranho paradoxo. Cada vez mais capturados pela espetacularização da existência, ao mesmo tempo reivindicamos mais “naturalidade’, “autenticidade”, em suma: “a vida como ela é”. Já ninguém sabe do que se fala quando se diz “vida”, tantos os clichês que a expropriaram, inclusive o da espontaneidade. Talvez daí nossa dificuldade atual com as artes que pretendem espelhar a vida “tal como ela é”,  mas que só nos devolvem os clichês que já não suportamos. No fundo, a verdade é que ninguém mais acredita, nem no teatro nem na vida. Deleuze dizia que não acreditamos mais no mundo, que nos desapossaram dele, e que caberia  ao cinema (mas também ao teatro, à literatura, às artes..) devolver-nos a crença no mundo, com a condição que perfurem o clichê, e dêem espaço ao “acontecimento”.

A Vida em Cena trata, das maneiras mais diversas, desses acontecimentos em que se reinventam as relações entre arte e vida no contexto contemporâneo, mas sobre uma linha vulcânica. Não se trata, pois, de dar a ver “a vida tal como ela é”, empacotada na gorda saúde dominante dos Big Brothers, ou nas academias do corpo ou da alma que proliferam à nossa volta. Trata-se, isto sim, no diálogo com certas práticas estéticas menores, de sondar aquela região em que a vida  experimenta seus limites, sacudida por tremores fortes demais, rupturas devastadoras, intensidades que transbordam toda forma ou representação. Ao tangenciar tais estados alterados, é fatal que se extrapole as palavras e  os códigos disponíveis, ou o repertório gestual comum. É a vida quando ela está às voltas com o irrepresentável, ou com o inominável, ou com o indizível, ou com o invisível, ou com o inaudível, ou com o impalpável – com o invivível, enfim.

Claro que toda a geografia da alteridade, em que tais estados faziam sentido, foi inteiramente redesenhada nas últimas décadas. A própria idéia de confim ou de margem, tributária ainda de uma exterioridade salvadora, foi reincorporada numa totalidade sem exterior. Não significa que a diferença foi abolida, mas que seus modos de produção e expressão obedecem hoje a outra lógica, e pedem, talvez, outras modalidades de manifestação – longe, sobretudo, dos clichês da alteridade ou da margem.
Em todo caso, num contexto marcado pelo controle da vida (biopoder), as modalidades de resistência vital proliferam de maneiras as mais inusitadas.

Uma delas consiste em pôr literalmente a vida em cena, não a vida nua e bruta, como diz Agamben, reduzida pelo poder ao estado de sobrevida, mas a vida em estado de variação, modos “menores” de viver que habitam nossos modos maiores e que no palco e em práticas estéticas diversas ganham visibilidade cênica, legitimidade estética e consistência existencial.

* *  *
Os textos reunidos nessa coletânea foram apresentados no Seminário intitulado justamente A Vida em Cena, promovido pela UFRGS e em sintonia com a vinda da Cia Teatral Ueinzz ao Festival de Teatro Porto Alegre em Cena em 2003.

Esse volume está dedicado à memória de Renato Cohen, diretor teatral, performer, teórico e pioneiro da performance no Brasil. Juntamente com Sérgio Penna, Renato Cohen ajudou a fundar a Cia Teatral Ueinzz e acompanhou o espetáculo “Gotham-SP” ao mencionado Festival em Porto Alegre. Poucas semanas depois, no entanto, ele desaparecia bruscamente de nosso convívio, deixando entre amigos e parceiros de trabalho sua marca indelével, e muita saudade. A criatividade febril, o estilo intempestivo, a antenagem contemporânea e sua doce anarquia  davam a sua presença uma força única. Os que tiveram o privilégio de conhecê-lo, amá-lo, empolgar-se ou até desentender-se com ele sabem a que ponto ele sempre colocava a própria vida em cena. É natural que esta coletânea renda a ele a justa homenagem, e se coloque igualmente sob o signo de sua inquietação e sensibilidade, prolongando-a em direções diversas.
Tania, Peter e Selda.


CORPO, ARTE E CLINICA

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autora: ENGELMAN, SELDA
Editora: UFRGS

Este livro resulta de um encontro. E em um encontro temos sempre algo que se passa entre os termos reunidos, algo mais do que a mera soma das partes. Porque num encontro nos afetamos mutuamente, ora nesta posição ativa de afetar, ora experimentado a ação sobre nós, atingidos em nosso corpo pela ação do outro. Afetar e ser afetado é, segundo Espinoza, a potência que nos define como realidades existentes. E se nos afetamos nos encontros é assim também que nos modulamos. A afecção é uma transformação da realidade afetada, implicando uma alteração do seu grau de perfeição. Pelo encontro, passamos de um estado a outro, transitamos de um grau de perfeição a outro, aumentamos ou diminuímos nossa potência, ficamos alegres ou tristes.

Os textos aqui reunidos foram apresentados no evento “Corpo, Arte e Clínica”, promovido pelo Programa de Pós-Gradução em Psicologia Social e Institucional Mestrado/UFRGS, em abril de 2003. Foi a aportunidade de encontro entre vários de nós que tanto expunhamos nossas idéias quanto assistíamos entusiasmados às exposições dos colegas. Criou-se uma atmosfera alegre, propícia ao pensamento, e que os ares do sul em Porto Alegre ajudaram, como sempre, a nos envolver.


CARTOGRAFIAS E DEVIRES A CONSTRUÇAO DO PRESENTE

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autora: KIRST, PATRICIA GOMES
Editora: UFRGS

Este livro é um livro no qual os autores escreveram com o corpo, arriscando seus olhares ao pulsátil, experimentaram a cartografia como modo de conhecer, como modo de inventar, como modo de viver. Para os leitores fica o convite para que eles também sejam cartógrafos no/do próprio livro.


MODOS DE TRABALHAR, MODOS DE SUBJETIVAR, TEMPOS DE REESTRUTURAÇAO PRODUTIVA: ESTUDO DE CASO

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Editora: UFRGS

Reflexões sobre aspectos das relações entre trabalho e subjetividade em tempos de reestruturação produtiva (bancária). Utilizando-se do perspectivismo, as pesquisadoras buscaram enfocar os próprios modos de trabalhar como dispositivos de agenciamento dos modos de ser, pensar, agir, perceber, existir, dos agentes sociais.


FORMAS DE SER E HABITAR A CONTEMPORANEIDADE

Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Autora: FRANCISCO, DEISE JULIANA
Editora: UFRGS

Reúne diversos trabalhos colhidos nas interações de uma rede de convivência e inteligência coletiva que se mostra capaz de responder e interrogar. Nos vários textos que este livro traz a lume, o leitor terá a oportunidade de aprender a relevância e as marcas dessa inquietação, a um só tempo contemporânea e extemporânea.


GÊNERO, SUBJETIVIDADE E TRABALHO

Coleção: PSICOLOGIA SOCIAL
Autora: FONSECA, TANIA MARA GALLI
Editora: VOZES

Obra produzida nos interstícios dos campos da educação, do trabalho e de gênero, enfoca as formas pelas quais uma empresa transforma as mulheres convocadas para o trabalho com operárias. O livro torna visível neste âmbito tanto o sujeito feminino quanto os mecanismos de sua opressão.


 Editora UFRGS 

Editora Vozes

Editora Sulina