Guattari

Félix Guattari

 

    Félix Guattari é pensador, homem de movimentos e analista: brilhante e polêmico em cada uma de suas facetas, inovador em todas elas. Como analista, no início da década de 60, ainda muito marcado pelo pensamento lacaniano (chegou a ser membro da Escola Freudiana) ele inventa a “análise institucional”. Uma crítica progressiva ao lacanismo, que se radicaliza após o encontro com Gilles Deleuze, o leva daquela primeira invenção a outra: a “esquizoanálise”.

Como homem de movimento, a lista de suas aventuras é longa e variada: o anarquismo, o trotkismo, o PC (do qual, sempre na oposição, foi suspenso em 67), a Guerra da Argélia, o Vietnã, maio de 68 e, mais recentemente, o Solidariedade polonês, os Autônomos italianos, as Rádios Livres francesas e por aí vai.

Como pensador, é autor, sozinho ou em parceira com Deleuze, de uma importante obra publicada em várias línguas. Importante, sobretudo, porque instaura uma lógica que coloca questões em termos inteiramente novos, questões que atravessam e remexem os vários campos do conhecimento. A tal ponto que, segundo suas próprias palavras, se ele tivesse que ser definido como especialista de alguma coisa, essa coisa seria a “transversalidade”, “isto é, os elementos inconscientes que trabalham secretamente especialidades por vezes muito heterogêneas”. Mas não é só como teórico que Guattari é especialista de transversalidade: é seu trânsito entre os movimentos, a análise e o pensamento que lhe permite vislumbrar aquilo que ele batizou de “micropolítica”. Felix Guattari encontra-se por trás de muitas obras, muitos artistas, muitos movimentos. Aventureiro, ele inspirou inúmeras aventuras individuais e coletivas.

 

Frases
“A subjetividade, através de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes Agenciamentos sociais institucionais e, simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais íntimas esferas do indivíduo. A reconquista de um grau de autonomia criativa num campo particular invoca outras reconquistas em outros campos”. Guattari, Félix; As três ecologias, SP, Papirus, 1997.

 

Obras
No original:

Psychanalyse et transversalité. Ed. Maspero, Paris 1972;

La révolution moléculaire. 1ª ed., Ed. Recherches, Col. “Encres”, Fontenay-sous-Bois, 1977; 2ª ed., UGE, Col. 10/18, Paris 1980;

L’Inconscient machinique. Essais de schizo-analyse. Ed. Recherches, Col. “Encres”, Fontenay-sous-Bois, 1979;

Les annés d’hiver. Ed. Bernard Barrault, Paris 1985;

Em português:

Revolução Molecular. Pulsações Políticas do Desejo. Coletânea de textos de toda sua obra, publicada e inédita, organizada, traduzida e comentada por Suely Rolnik. Brasiliense, São Paulo 1981 (1ª edição), 1985 (2ª edição);

Guattari entrevista Lula. Brasiliense, São Paulo 1982;

O inconsciente maquínico (Papirus, 1988);

Em colaboração com Gilles Deleuze:
No original:

Capitalisme et schizophrénie. L’Anti-O’Edipe. Ed. Minuit, Paris 1972;

Kafka. Pour une Littérature mineure. Ed. Minuit, Paris 1975;

Rhizome. Ed. Minuit, Paris 1976;

Capitalisme et schizophrénie. Mille Plateaux. Ed. Minuit, Paris 1980;

Em português:

O Anti-Édipo. Imago, Rio 1976;

Kafka. Por uma Literatura Menor. Imago, Rio 1977;

Em colaboração com Toni Negri:

Lês Nouveaux espaces de liberte. Ed. Dominique Bedou, Paris 1985.

 

Sites

http://www.revue-chimeres.org/guattari/guattari.html

http://www.uta.edu/english/apt/d&g/d&gweb.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9lix_Guattari

http://www.campogrupal.com/Guattari.html
Livros

Micropolítica Cartografias del deseo – Félix Guattari, Suely Rolnik