Dissertações

Dissertação: Uma vida em palavras: memória, escrita e loucura
Mestrado 2010
Mestrando: Leonardo Martins Costa Garavelo
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
A presente dissertação busca problematizar a escrita de uma vida, para tanto, se vale de uma imersão metodológica própria das intercorrências vividas no processo de pesquisa. Tomando como principal vertente conceitual as noções de biografema –e cartografia, a pesquisa parte do encontro e da amizade com a obra de Frontino Vieira dos Santos, participante da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, espaço-tempo em que ele também morou entre os anos 1938 e 1993, ano de seu falecimento. O texto desenha uma espécie de enseada delirante onde se encontram gestos  metodológicos diferentes e afirmativos. A pesquisa procura compor uma dimensão arquivista, biográfica e cartográfica. Variações que afirmam a problemática trabalhada no sentido de efetuar uma linguagem sensível e potente que componha criação, escrita e psicologia. Podemos dizer que a pesquisa se encontra entre três linhas intensivas e de produção de subjetividade: potência de uma vida infame para problematizar a sanidade e noções de verdade; potência da literatura para dizer  indizíveis e nos fazer pensar entre as sutilezas e crueldades imanentes à vida; e potência da própria escrita como expressão destes encontros.

Dissertação: Mergulhos de uma psicologia no acompanhamento juvenil: uma clínica porvir?
Mestrado 2010
Mestranda: Julia Dutra De Carvalho
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Os afetos e efeitos gerados nos encontros com os jovens que cumprem medidas socioeducativas enunciam, no contemporâneo, algo por se fazer. Mergulhados nas curiosidades de um mundo ainda desconhecido para a psicologia, seguimos entre falas e gestos de jovens que carregam as marcas de uma violenta história brasileira. O medo que se cola ao corpo juvenil indica que nossa história, marcada pelo acolhimento e pelo abandono, é carregada nesses corpos que morrem tão cedo. Na tênue linha, entre controle e cuidado, desenhamos estratégias clínicas para acompanhar os percursos juvenis tomando suas vidas como expressão de nossa história. Em uma interlocução entre o projeto de extensão ESTAÇÃO PSI e o grupo de pesquisa Corpo, Arte e Clínica nos lançamos nesses mergulhos para criar superfícies na cidade. O Acompanhamento Juvenil (AJ) emerge como proposta no âmbito da prática da psicologia em extensão acadêmica no contexto de políticas públicas. Configura-se como uma prática, inspirada no Acompanhamento Terapêutico (AT), que busca estar com jovens para pensar a infração e o abandono nos processos de institucionalização vividos em medidas socioeducativas.  O exercício de construção de novas relações dos jovens com a cidade evidencia o AJ como uma prática de análise das relações juvenis na rede que compõe as políticas públicas. Para tal tarefa, o diálogo com a cartografia e a esquizoanálise indicou três ferramentas conceituais: experimentar, escrever e cartografar. Os modos de escrever, produzidos pela equipe da psicologia através de um diário coletivo, enuncia a experimentação de percursos geográficos e existenciais e a análise de acompanhados e acompanhantes.  Assim emerge o AJ como uma estratégia de intervenção clínica e institucional na intervenção juvenil.

Dissertação: Entre intensidades do trabalhar uma clínica da atividade nas tramas da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico
Mestrado 2010
Mestranda: Vera Lúcia Inácio De Souza
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Esta dissertação aborda o encontro entre fazeres intensivos que envolvem o trabalhar, o pesquisar e o ativar-se, buscando ser, sob cada instante presente, uma linha delicada entre fazer e pensar a atividade que fazemos. Por essa via, nosso problema de pesquisa percorre as expressividades que surgem co-implicadas nos mais imperceptíveis gestos e palavras que compõem os fazeres que realizam e desrealizam, através de um real da atividade capaz de incitar o pensar e o agir, sobretudo, pelas intensidades que advém de um território. Acerca deste, situamos a pesquisa junto aos trabalhadores da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, o que se faz em indissociabilidade entre usuário, pesquisadora e o agenciamento que os produz. Nesse percurso, tomamos a atividade, a partir dos campos da Clínica da Atividade e da Ergologia, como uma intercessora para compor e desdobrar as expressividades dos modos de trabalhar. Para tanto também discorremos, sobretudo, através do conceito de territorialização, advindo da Filosofia da Diferença, em que se engendra um tempo que se repete, passível de ser amplificado em sua potência de diferir. Como procedimentos metodológicos, propomos um Dispositivo Clínico-Institucional de Análise da Atividade, em que suas linhas desdobram-se através da escrita da pesquisa, do acompanhamento das situações de trabalho e da análise coletiva da atividade. Pinçamos movimentos em desterritorialização, vislumbrando um plano comum de análise da atividade, através do qual se tornam visíveis algumas de nossas problemáticas, entre as quais, a indiscernibilidade da imagem, da loucura, dos enunciados e gestos que se contraem e se expandem sob os modos de trabalhar; as territorializações de um gênero (multi)profissional e suas estilizações – entre cuidado, expressão e clínica- no encontro com usuários, componentes arquitetônicos e, sobretudo, com os movimentos da reforma psiquiátrica; e, as análises da atividade coletiva como instrumento sutil e amplificador das ações do coletivo de trabalho. Por essas vias, tramamos essa escrita com vistas a fazer proliferar a potência clínica de uma memória coletiva do trabalho e, também, apostando no que segue diferindo, sob cada instante móvel, no cotidiano das vidas que se produzem nesse território.

Dissertação: Vida por um fio de escrita
Mestrado 2009
Mestranda: Sara Hartmann
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Esta dissertação aborda a escrita enquanto experiência em que vida e pensamento se engendram mutuamente. Integra o grupo de pesquisa “Potência Clínica das Memórias da Loucura”, que se dá junto à Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, e que se ocupa, em parte, com a escrita da vida de alguns internos. Escreve-se, portanto, através da aproximação com certa vida em risco e arriscada, que lança linhas de criação e sobrevivência de si em um mundo que está, para todos os efeitos, arrematado. Assim, a escrita traça contornos no encontro com a linguagem em desrazão, a qual busca, sem encontrar, um ponto de ancoragem. É na afirmação de uma diferença que está o espaço de um percurso de experimentação.

Dissertação: Por uma clínica infinitamente minúscula: senti(n)do por entre o corpos no hospital
Mestrado 2009
Mestranda: Luciana Rodríguez Barone
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Nesta pesquisa, temos o objetivo de problematizar a clínica e o corpo no hospital, especificamente na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. A partir da experiência clínica como psicóloga em um hospital da mulher, fomos percorrendo as instituições e afetos presentes nesse espaço. Primeiramente, resgatamos a história do hospital, e da clínica, em sua configuração moderna e contemporânea enquanto tecnologia de cura, guiada pela medicina e permeada pela organização disciplinar. Neste espaço, vemos emergir um corpo orgânico e individualizado, a ser olhado e manipulado. Também retomamos as constituições da infância e da família neste período, no qual o bebê se torna alvo de cuidados e a família, instrumento de aperfeiçoamento do biopoder. Surgem, neste contexto, os sentimentos de infância e familiais, assim como a maternidade como forma de cuidado primeira e única, reafirmando as subjetividades privatizadas e intimistas. A partir da interface entre essas duas instituições, hospital e família, vamos percebendo esses aperfeiçoamentos da biopolítica nos modos de cuidar e curar na UTI Neonatal. No encontro com as tecnologias avançadas e as políticas de humanização, evidenciamos o paradoxo que se coloca no ato de produzir padrões de saúde e, concomitantemente, acolher as singularidades dos encontros cotidianos num espaço que se dedica a salvar vidas recém-chegadas e já atravessadas pelo risco de dissolução, prematuras. Assim, o que nos interroga nesta pesquisa é como se dão as linhas de fuga, rupturas desses modos homogeneizantes e generalizantes de produzir saúde no hospital. A pergunta é sobre a potência do corpo e da clínica diante das institucionalizações e significações estabelecidas. Apesar do apacientamento e das modelizações, constroem-se estratégias microscópicas singulares de escapar, de questionar e de produzir outros modos de vida, a partir das inquietações sentidas no corpo. Para tanto, afirmamos uma metodologia que toma o corpo e seus afetos como impulsionadores da produção de conhecimento. Corpo e pensamento se juntam para construir uma cartografia dos processos clínicos na UTI Neonatal, resgatando a sensibilidade higienizada pela racionalidade e o plano da expressão, da produção de sentidos. Através de fragmentos de diários de campo, colocamos em análise o modo como se dão os encontros neste espaço, tentando acompanhar e criar linhas de fuga e diferenciação. Neste trajeto, fomos percebendo que os encontros com o bebê prematuro, fragilizado e miniaturizado despertava em nós profissionais e familiares um sentimento de infância, resgate do plano de sensibilidade apacientado na forma adulto-homem. Assim, abriam-se brechas para o inesperado, não calculado, mesmo que muitos investimentos de salvar e expectativas de formar um adulto promissor se voltassem para esse bebê. A partir, então, destes afetos, nos conectávamos com nossas próprias fragilidades enquanto clínicos não sabedores, pais insuficientes ou bebês não funcionais, adentrando um plano comum de composição múltiplo e impessoal, e resgatando nossa própria infinitude e coletividade constitutivas. Deixando passar tais intensidades advindas desses encontros fissurados, fomos acompanhando algumas possibilidades minúsculas de reinvenção e composição de uma clínica que não busca se afirmar como uma nova identidade e se quer minúscula em contraposição às grandezas do hospital, da ciência e das políticas. Logo, afirmamos uma ética que se faz a cada novo encontro, singular e imanente. Tal ética da vida e da clínica abre espaço para valorização de uma vida intensiva, e não somente orgânica, a ser preservada, potencializada e expandida.

Dissertação: Musicalidade: o som e o sensível
Mestrado 2009
Mestrando: Felipe Nunes Vargas
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Este projeto pretende abordar a musicalidade como modo de experimentação e metáfora da gênese do sentido, buscando articular práticas do âmbito da clínica psi e da criação/performance musical no que tange à exploração de um ethos terapêutico que habita ambas, discutindo as variações éticas nos modos de viver e de “tratar” que decorrem da estetização do real.

Dissertação: Vida e obra em imagem-tempo
Mestrado 2008
Mestranda: Andresa Ribeiro Thomazoni
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Em nossa pesquisa cartográfica nos propomos a lançar um olhar para as forças que são capazes de atravessar um corpo, o corpo de Luiz Guides, uma tentativa precária de captar o rumor expressivo de uma vida. Não queremos aqui falar de uma história pessoal, de um sujeito psicológico, de um ego ou uma identidade, mas visibilizar a potência do tempo, de sua cisão, de outras temporalizações possíveis. A partir do conceito de imagem-tempo, cartografamos vida e obra, lançamo-nos à vertigem em que os planos coexistem e não se sucedem. Das variações expressivas desse corpo, cintilam acontecimentos que sobrevoam os encontros experienciados. A Oficina de Criatividade, tal qual um dispositivo maquínico, possibilitou a sustentação para a poiesis de si e de mundos. Sua pintura, capaz de ultrapassar o caos-catástrofe eclode em planos expressivos que germinam, o diagrama nasce apontando-nos os agenciamentos que ali operam. A pintura como um território existencial possível em meio à adversidade do Hospital Psiquiátrico. No paradoxo em que o corpo torna-se passagem para forças, quanto mais se exalta o impessoal mais se afirma a produção de uma singularidade. Pintura-dobra que nos faz ver a potência de um corpo, nos faz pensar nos outros corpos que também habitam o manicômio silenciados pelo discurso da razão. Vida e obra em imagem-tempo, que nos lançam a vertigem de um intempestivo, que nos visibiliza a resistência e criação.

Dissertação: A alegria é a prova dos nove: o devir-ameríndio no encontro com o urbano e a psicologia
Mestrado 2008
Mestranda: Bianca Sordi Stock
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
O presente trabalho problematiza a Psicologia Social e suas práticas clínicas no encontro com os grupos indígenas. A luta por políticas públicas que atendam as comunidades em suas especificidades, sobretudo as que vivem no espaço urbano, vem galgando formas de diálogo com campos de saber que por muito tempo silenciaram frente à alteridade indígena. Em Porto Alegre/RS, acompanhamos, de diversas maneiras, desde o ano 2000, a etnia Kaingáng. Uma cartografia que afirma a potência criativa coletiva dos vários momentos de uma pesquisa, como por exemplo, o de uma pesquisa-intervenção junto à comunidade, realizada em 2003. Naquele momento, em escuta e diálogo com as demandas dos indígenas que solicitavam a intervenção, trabalhamos com a ferramenta do grupo dispositivo e da fotografia. A alteridade deu o tom da experimentação, a Psicologia Social tendo que ser pensada para aquele acontecimento, naquele acontecimento. Atualmente, compomos o Projeto Piloto em Saúde Mental Indígena VIGISUS II / FUNASA, com o objetivo de criar alternativas de enfrentamentos à elevação dos índices de alcoolismo e a dependência a substâncias psicoativas entre os grupos indígenas. Em âmbito de mestrado, desenvolvemos pesquisa sobre estes percursos, agenciando novas questões e caminhos que auxiliem-nos a contribuir com a construção de políticas públicas de atendimento à saúde mental indígena, a partir das especificidades e com o protagonismo de cada etnia. Analisando os estudos e raras experiências da Psicologia no campo da saúde indígena, constatamos que estivemos por muito tempo operando em uma lógica binária-identitária, a mesma que sempre fundamentou as discussões sobre a questão, seja em documentos legais, no âmbito acadêmicas ou mesmo no senso comum. Um mal estar que nos leva a constituir falsos problemas: ou os índios vivem na mata, ou em lugar nenhum (pois o urbano não lhes é adequado). Ou vale o saber ocidental, ou o saber ancestral. Ou os índios devem ser como aqueles de 500 anos atrás (e viverem como tais), ou não são nada. Nesta lógica do “ou, ou”, cria-se uma sensação de insolubilidade das questões, pois são tomadas como verdades dadas e duras. Os grupos indígenas têm resistido de várias maneiras a estas capturas. A Psicologia é convocada pelos indígenas a compor junto e problematizar: O que pode o corpo índio no contemporâneo? Como estamos podendo diferir a vida? E a Psicologia, como pode ser inventiva, produzir-se nos acontecimentos, com uma escuta para a alteridade e a produção coletiva de modos de subjetivação? A Psicologia fundada na perspectiva do indivíduo moderno é posta em crise e forçada a ser outra, outrem, no encontro com os povos indígenas. Frente a este estranhamento, Suely Rolnik nos fala de uma Subjetividade Antropofágica, que, em alusão à arte política de Oswald Andrade, apresenta-se como um dos importantes vetores de subjetivação do brasileiro, também por nós observado na etnia Kaingáng. Ainda, compomos com a idéia de Perspectivismo Ameríndio, desenvolvida pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. Este, imagina como seria uma antropologia feita do lado de cá, pelo ponto de vista indígena. O autor analisa por que nunca de fato fomos catequizados, uma resistência antropofágica de criação da vida, uma micropolítica dos encontros, nos termos de Espinoza. Michel Melamed, artista contemporâneo, nos força o pensamento convidando-nos para nos apropriarmos da proposta estética da Regurgitofagia. Abarrotados de toda a sorte de informações do mercado capitalístico, somos instigados a construir espaços de produção coletiva e diálogo, espaços para podermos expelir os excessos e escolhermos, a partir do critério antropofágico – “a alegria é a prova dos nove”, aquilo que de fato queremos redeglutir. Linhas de fuga, possibilidades de vida experimentadas na cartografia, tanto para os índios Kaingáng, quanto para a Psicologia Social hoje.

Dissertação: O phatos filosófico da vulgaridade: entrelinhas com Nietzsche e Deleuze
Mestrado 2007
Mestrando: Daniel Dutra Trindade
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
O trabalho ensaia a escrita, a crítica, e as paixões do pensamento. Ensaia a vulgaridade nas entrelinhas das filosofias de Nietzsche e Deleuze. Vulgaridade: quando a criação de si e do mundo – a vida comum – sucumbe à identidade de um ego que se quer hegemônico. E também sucumbe aos seus malditos frutos: a moral do ressentimento; a prepotência pensante do senso-comum; as armadilhas neuróticas do capitalismo. O trabalho ensaia o combate, as saídas, os encalços, os limites. Ensaia o escritor, o pensador, o espírito apaixonado. Eis que segue um ensaio da vida, por que não?

Dissertação: Desertação
Mestrado 2007
Mestranda: Juliane Tagliari Farina
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Esta dissertação acompanha o movimento de desterritorialização realizado pela Psicologia, a partir de um encontro com a Filosofia da Diferença. Através de cenas protagonizadas pelo personagem Ela, assistimos a um processo de rachadura dos territórios aprisionantes da subjetividade contemporânea, das grandes categorias molares e das micropolíticas que os sustentam. A escrita, lugar de intensificação absoluto da imaginação, revela-se a linha de fuga que nos leva ao encontro das intensidades perversas e anômalas, produtoras dos desertos que guardam a potência de começar um novo mundo.

Dissertação: Excluir é sinônimo de expulsar?:Por uma expressão menor dos estranhos poemas
Mestrado 2006
Mestranda: Regina Longaray Jaeger
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Este projeto de pesquisa propõe-se a problematizar a escrita a partir dos arranjos da loucura enclausurada, nas dimensões da desrazão e do pensamento, seguindo suas linhas de força que se expressam no cotidiano do hospital e ganham consistência na palavra. Busca captar nos interstícios, nos rompimentos dos processos esperados, a diferença, a descontinuidade, transformando aquilo que é comum, conhecido e esperado em estrangeiro. É com esta língua estrangeira, minoritária e persistente, invenção e transformação da paisagem manicomial, que buscamos conversar.
A arte e a loucura, na sua dimensão desarrazoada, estranha e criativa, têm-se tangenciado ao longo dos séculos, mas foi nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, que esta relação passa a ser teorizada. Apesar destes trabalhos pioneiros, ainda são escassos os registros e a pesquisa das marcas expressivas deixadas pelos loucos ao longo destes longos anos de asilamento.
Escrevo porque eu preciso…
Buscamos nos aproximar da escrita e da loucura, a partir da perspectiva de uma paciente-escritora do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Divergindo a esta condição, precisou  transformar em escrituras sua existência. “Escrevo porque eu preciso, se não faria qualquer outra coisa” disse ela em conversa informal.
Suas poesias são sonoras, ressoantes de afetos, que falam de si e possivelmente falam pelos loucos. Como disse Deleuze(Abecedário,1996), fala  pelos analfabetos, no lugar deles. Por que continua a escrever? Para que precisa escrever? Queremos conhecer esta mulher que escreve poemas com a agudeza e a lucidez de quem sente que a vida é multiplicidade, movimentos de encontros e desencontros entre razão, desrazão e loucura. Problematizar o estudo do ato poético dentro do círculo poder-saber do conhecimento médico-hospitalar é procurar rastrear os movimentos das diferentes linhas de força, com suas formas e tonalidades. Isto é, verificar o sentido do ato poético dentro da instituição que mantém as forças de poder da psiquiatria clássica juntamente com outras formas de relação de poder nascidas a partir do movimento manicomial brasileiro fortalecido a partir da década de 80.
A escrita e a loucura, o pensamento e a desrazão, aproximações e distanciamentos, como se relacionam estes diferentes potenciais dentro de um manicômio? Como esta escrita singularizante, emissora de signos, possibilita novas aberturas, mais luz, maior mobilidade e fluidez no pensamento e nas formas de agir com a loucura? Será que a loucura tem algo a mostrar hoje, que não seja a conseqüência das bases alienistas e paralisantes que fundamentaram a psicologia e as instituições psiquiátricas ocidentais durante os últimos 200 anos?

Dissertação: O acontecimento patchwork: um modo de aprender a vida
Mestrado 2006
Mestranda: Luisa Rizzo
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Este anteprojeto de mestrado visa realizar uma pesquisa sobre os modos de trabalhar e de subjetivar observados em um grupo de mulheres que trabalham com patchwork. Através desta pesquisa pensamos conhecer mais profundamente as formas de subjetivação possíveis em um contexto particular, dentro de um universo feminino,  e buscamos refletir sobre o modo como as dimensões criativas podem reinventar o individual e o social.

Dissertação: Brutas cidades sutis: espaço-tempo da diferença na contemporaneidade
Mestrado 2005
Mestrando: Luis Artur Costa
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Esta pesquisa adentra o território do urbano, questionando sua atual configuração enquanto plano de composição de subjetividades, concebendo, portanto, o espaço não enquanto entidade abstrata e homogênea a qual é povoada por objetos, corpos e gestos, mas antes considerando o espaço enquanto um dispositivo que produz estilísticas e organizações diversas de objetos, corpos, gestos e singularidades. Tendo a cidade enquanto um laboratório produtor de existências específicas a uma determinada rede de contingencialidades as quais determinam as condições de possibilidade do ser no contemporâneo, este trabalho busca um acontecimento nesta trama que possa ser utilizado enquanto ferramenta visibilizadora dos estatutos espaciais da mesma, os quais encontram-se na penumbra da obviedade e naturalização do dia-a-dia. Para problematizar diversas questões do urbano no contemporâneo como os matizes e governabilidades da interface publica-privado, a constituição de locais de convivência e segregação, as possibilidades de encontros e os modos destes, etc; se finda por eleger um processo que habita as bordas de dois modelos de urbanidade distintos: a retirada de internos de instituições psiquiátricas de fechamento para casas de passagem espargidas pelo território da cidade. O deslocamento de um espaço estriado segundo o fechamento disciplinar da modernidade, para um espaço de estrias não tão claras do espaço aberto e seus sutis dispositivos de captura que seguem normalizações flexíveis, é aqui visto como um momento privilegiado para tornar mais visíveis estes últimos dispositivos que permeiam nosso cotidiano micropolítico.

Dissertação: Dançando com Pina Bausch: experimentações contemporâneas
Mestrado 2005
Mestranda: Patricia Spindler
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Através desta pesquisa realizou-se um encontro entre a Filosofia da Diferença e a dança de Pina Bausch, recortando e problematizando na cena contemporânea este modo de dançar, para pensar modos de subjetivar e a experiência do corpo. A partir destes dois eixos, mapeou-se três analisadores que foram retirados de uma leitura singular da dança-teatro e do processo criativo de Bausch, aproximando-os dos cenários contemporâneos para assim problematizar esta conexão, propondo-se a enxergar e traçar alguns efeitos deste acoplamento.
No entanto, é necessário ficar claro que a dança não é o campo empírico da pesquisa. Ou seja, não se objetivou pensar a dança propriamente dita, mas pensá-la como intercessora para problematizar a experiência do corpo e da subjetividade no contemporâneo. Experiência esta, onde o corporal e o subjetivo não estão separados e desvinculados, mas encontram-se num regime de coexistência, um sendo constituinte do outro e, ao mesmo tempo, se constituindo.
Assim, objetivou-se conhecer mais a obra e o processo de criação da coreógrafa em questão, para buscar o fio de Ariadne e pensar o seu jeito de dançar como um modo que nos força a pensar a experiência contemporânea. Isto significa caçar a linha que perpassa o autor e a obra como força instituinte e que pode manter seu devir auxiliando a pensar um diagnóstico do presente.

Dissertação: Pensar e Inventar-se – terapia ocupacional como clínica dos afectos
Mestrado 2004
Mestranda: Christiane Siegmann
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Esse trabalho nasce da percepção de um campo de trabalho e de produção de subjetividade permeado por diferentes problemáticas da vida contemporânea e da própria formação histórica da profissão. Procura dar visibilidade a um modo de trabalhar na Terapia Ocupacional próximo a uma concepção de saúde que pressupõe a justaposição dos conceitos de complexidade e transdisciplinaridade, bem como a superação das certezas e verdades universais. Aproxima-se da problematização dos corpos e dos modos de subjetivação no processo terapêutico e, conseqüentemente, no campo político-social do qual emergem, potencializando a construção de uma prática voltada às diferenças e às singularidades dos sujeitos atendidos. Busca o entendimento do campo molecular pelo qual circula a ação do terapeuta ocupacional e da capacidade de invenção que transversaliza as ações do sujeito no mundo. Neste sentido, propõe um modo poético e singular de criar um processo de investigação e, simultaneamente, de atuação profissional que procura romper com o método de investigação mecanicista e dicotômico. Uma estratégia metodológica que prevê uma reflexão crítica sobre as experiências profissionais do terapeuta ocupacional através da análise de casos-pensamento. Um procedimento que emerge na zona de indiscernibilidade entre terapeuta e pesquisador e que tem como teia-conceitual os referenciais da Filosofia da Diferença, da Terapia Ocupacional, da Psicologia e da Literatura. Neste caminho, descortina-se a aliança da Terapia Ocupacional a uma clínica dos afectos. Encontro que aproxima arte e vida, clínica e poïética, cotidiano e invenção. Espaço entre corpos. Lugar de experimentação de si, produção de novos sentidos e expressão do pensamento, ou seja, um campo de problematização e criação da própria vida. Uma vida com intenso potencial de fazer variar os modos de estar no mundo, libertando os corpos de seus engessamentos e empobrecimentos.

Dissertação: Por uma clínica do impessoal: articulações entre o corpo e o tempo
Mestrado 2004
Mestranda: Carmen Ines Debenetti
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Este trabalho tem o objetivo de ampliar conceitualmente a clínica, não para formular um modelo clínico, mas para promover uma forma de pensar sobre a intervenção clínica. Diz de um ponto de vista, que corresponde a substituição da noção de origem e de retorno à origem, que seria a valorização da representação, para dar relevância à expressão do corpo, como apreensão das forças existentes. Sustenta-se na linguagem corporal como constitutiva, que contrapõe o corpo como afecção ao corpo dos afetos e dos sentimentos, trazendo à tona a comunicação, que está associada ao originário, ao impessoal, onde o corpo é mudo, onde ele ainda não é; operando, portanto, uma fundação primeira.
Nesse concepção, o corpo ganha um novo sentido. É o grande personagem conceitual, com função de ferramenta que opera como um heterônimo. Recoloca-se o corpo no plano da impessoalidade do ser; tratar-se-ia de esquecer a história do eu para dar passagem ao pré-individual e ao impessoal que já está e se potencializa no encontro dos afectos.
Priviligia a região do pré-representativo, como um fundo indeterminado, que funciona como tendências, marcas, traços dos sujeitos; o tempo como duração que potencializa virtualidades no encontro. A produção de sentido desliza da origem para o entre os sujeitos. É na relação que se engendra o sujeito. No entre, onde há apenas o vazio, o não-ser, emergirá o sujeito na sua singularidade.
A escuta clínica sustentar-se-ia nesse linguagem do corpo, um inconsciente que não conhece palavras, porque é corporal, indizível e invisível. Aquilo que não remete a nenhum significado, requer uma outra relação com a clínica, que se daria naquilo que não temos para pensar, mas antes, dando passagem ao que não tem nome, ao impensável, ao inominável, e que, ao fazê-lo produz o sentido.

Dissertação: Um olhar sobre o invisível: o duplo cognição e criação no território-escola
Mestrado 2004
Mestranda: Andréia Machado Oliveira
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
O presente trabalho propõe uma análise sobre a escola a partir de um paradigma ético-estético sobre a Educação. Tal abordagem concebe a escola como multiplicidade, uma vez que se constitui por uma trama rizomática de olhares e paisagens.  A imagem da escola-paisagens perpassa o trabalho em um percurso que se inicia nos conceitos de plano, território e paisagem, formulados por Deleuze e Guattari, até a noção de individuação proposta por Simondon. O plano, como superfície imanente, possibilita a desconstrução de uma representação a priori da escola, que já não se define pelos seus contornos fixos, mas sim pelas contingências de onde emerge uma escola como território e paisagens. Seus contornos mutantes se delineiam nos movimentos do ritornelo entre os planos estriados, perceptíveis e os planos lisos, imperceptíveis. Ainda, foca-se os processos de cognição e criação como efeitos produzidos pela multiplicidade das paisagens. Uma escola constituída por experiências que colocam em tensão inteligência e intuição, segundo Bergson; e vontade de verdade e de poder, segundo Nietzsche. Conceitos extraídos dos trajetos da própria escola e, especificamente, de uma experiência realizada no campo da arte. Deste modo, busca-se a visibilidade de vivências regidas por outras potencialidades provindas do plano de criação da arte, como os afectos. A arte, não restrita a uma disciplina, desacelera o cotidiano introduzindo o tempo e mostrando outros modos de viver. A escola, como obra de arte, torna-se um posicionamento político calcado em experiências que desacomodam e abrem aos devires da Educação.

Dissertação: Do esgotamento à ultrapassagem de si: desafios clínicos
Mestrado: 2004
Mestranda: Débora De Moraes Coelho
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Este trabalho apresenta uma cartografia das intensidades afetivas na clínica, tomando como ponto de partida a angústia frente às maneiras que o sujeito contemporâneo encontra para delinear sua tessitura frágil e complexa. Problematizamos o cenário contemporâneo, em suas políticas de subjetivação referentes às práticas de saúde vigentes, através do conceito deulezeano de “gorda saúde dominante”. Tal modo de exercitar a saúde mostra-se limitado,  por não permitir a coexistência do adoecer e do sofrimento, impedindo o corpo de experimentar as mil saúdes de que somos capazes, de acordo com os princípios da criação e da singularidade. Acreditamos que a angústia pode ativar uma saúde frágil, que escapa ao padrão, rompendo com a forma identitária mantida pela saúde dominante. Lidar com tal dimensão subjetiva e ultrapassá-la torna-se fundamental para que o sujeito potencialize sua envergadura subjetiva.Escolhemos trabalhar com a clínica como ação de saúde num plano intenso, desenvolvendo ferramentas de intervenção, como a escuta que se amplia em narrativas imagéticas e a produção de um inconsciente através da máquina de pensar. É com este instrumental que pretendemos enfrentar  a experiência do vazio que toma o sujeito angustiado. Tal cenário solicitará um terapeuta aberto às variações da atmosfera clínica, que venha a desenvolver um olhar sensibilizado e continente às dores próprias do humano em seu desafio de enfrentar o ilimitado do mundo.

Dissertação: O sentido resistência da oficina de criatividade em um contexto manicomial
Mestrado 2004
Mestranda: Maria De Fátima Lima Ávila
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
Trata-se de mostrar a Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro como um espaço da heterotopia e da resistência, onde há a possibilidade e a permissão ao louco para o contato com o mundo, através de sua produção plástica. A Oficina se desloca da posição em que a clínica se propõe como mera suplência institucional proporcionada à loucura, para um outro contexto,  buscando criar vínculos de amizade em seu sentido guerreiro e libertador.

Dissertação: Reciclando modos de trabalhar, modos de subjetivar no hospital psiquiátrico São Pedro
Mestrado 2002
Mestranda: Selda Engelman
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
O trabalho de Selda Engelman não só registrou como foi constitutivo de uma experiência que certamente passará a ser descrita como uma das exemplares dessa discussão no Brasil. Esse livro registra os movimentos do mundo que se desvanece do manicômio e o religamento da suspensão com a vida, com a cidade, com um coletivo. Podemos pensá-lo como a montagem de pequenas peças e engrenagens de uma máquina, imagem tão afeita ao mundo do trabalho. São máquinas minúsculas, no entanto, pequenas engrenagens desordenadas, que subvertem e resistem a tempos, horários, diagnósticos, amizades, encontros e criam grandes máquinas de guerra, de desejo e de análise.

Dissertação: Clown, O Avesso de Si: Uma Análise do Clowesci na Pós- Modernidade
Mestrado 2001
Mestranda: Juliana Dorneles
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
A partir das novas configurações da sociedade contemporânea, esta dissertação tem como objetivo principal analisar como o clown (ou palhaço) habita a cultura pós-moderna, fazendo ver e reverberar o seu potencial de clínica e a inseparabilidade entre palco e vida. Tratamos o clown como caso-pensamento e como figura que foi apropriada pelo imaginário social, com uma história de transgressões, o que permite que se diga ser ele produtor dos “avessos” a partir da perspectiva do humorismo. Além disso, é considerado como um devir que se espalha no cotidiano da cidade. A sociedade pós-moderna (e a cultura) é percebida como dada pelas transformações do capitalismo mundial, onde há uma multiplicidade de escolhas e achatamento da experiência subjetiva. Baseados na experiência da pesquisadora, entrevistas com profissionais e análise de espetáculos clownescos, passamos a entender como pode estar atuando o clown hoje (que se faz na exposição dos ridículos de si mesmo) e sua importância clínica numa cultura onde o glamour de um espetáculo serve cada vez mais para vender sabonetes.

Dissertação: Fotográfico e subjetivação: hibridização, multiplicidade e diferenças
Mestrado 1999
Mestranda: Patrícia Gomes Kirst
Prof. Orientadora: DRA. TANIA MARA GALLI FONSECA
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul – Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional

Resumo:
“Fotográfico e Subjetivação: Hibridização, Multiplicidade e Diferença” trata de relacionar o conceito de subjetivação tendo a fotografia como objeto e instrumento de pesquisa.
Essa pesquisa pode ser caracterizada como transdisciplinar na medida em que promove a interface da Psicologia Social com o fotográfico e utiliza seus conceitos para o exercício de “leitura” de imagens, visando uma produção de valor científico.
Tal transposição de conceitos requereu um importante investimento nos aspectos metodológicos de forma que fosse possível certa “harmonia” na “hibridização” desses dois universos. Devido isso, os procedimentos metodológicos escolhidos foram inspirados na esquizo-análise e seu método cartográfico. A cartografia aqui é entendida como o ato de registrar algo, seja em uma cena ou em uma idéia, pela escrita ou pela imagem, podendo-se marcar o próprio ponto de vista e inspirar outros bem como a possibilidade de alcançar tanto as capturas do fotógrafo quanto o delicado momento no qual pesquisador dá conta de seus dados. Assim, a parte empírica dessa pesquisa é uma cartografia de fotografias do ambiente de trabalho bancário realizada pelos trabalhadores (através de entrevistas sobre as fotografias) e pela fotógrafa (através das próprias fotografias e pelo ordenamento dado as entrevistas) configurando uma sobreposição de olhares.
Ainda dentro do tema fotografia e subjetivação esse estudo aponta “os modos de trabalhar” do fotógrafo e seu desejo de trazer algum detalhe mais “incandescente” das cenas e que promova algo ligado ao auto-(re)conhecimento do espectador. O fotógrafo também é pensado na sua relação com o tempo, como um nostálgico, em seu oficio de congelamento das cenas.
O quadro teórico utilizado neste estudo toma referências e conceitos provenientes de diferentes campos teóricos que pensam a produção de sentidos e os processos de subjetivação. A fotografia é concebida como “nó rizomático” (Deleuze e Guattari, 1995) por envolver virtualidades, multiplicidades e intensidades, definidas e dispostas no processo de cartografar o território imagético. Para além de “nó rizomático”, a fotografia é tomada como tecnologia da inteligência (Pierre Lévy, 1993), sendo considerada como elemento subjetivado e subjetivante, potencializador tanto do olhar do fotógrafo quanto daqueles que a examinem.
Finalmente, na rede dessa dissertação diversas interfaces se encontram configuradas, tais como: Psicologia Social e fotografia, desta com a entrevista, da imagem com a palavra, dos sujeitos bancários com imagens de seu cotidiano de trabalho, da imagem e da produção de subjetividade, do fotógrafo e do mundo fotografado e quantas mais surgirem dependendo daqueles que lerão este conteúdo.