Extensão

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ACERVO

Apresentação

Desde 2004, iniciativas de resgate e salvamento do Acervo da Oficina de Criatividade do HPSP vinham sendo feitas pela equipe do próprio Hospital reunida a um conjunto de profissionais voluntários das áreas das Historia e das Artes.

Em 2007, o grupo de pesquisa Corpo, Arte e Clinica, coordenado pela Profa. Tania Mara Galli Fonseca do Instituto de Psicologia da UFRGS, formalizou junto às instâncias de pesquisa e extensão da Universidade a proposta   denominada RIZOMAS DA LOUCURA: O ACERVO DA OFICINA DE CRIATIVIDADE DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO SÃO PEDRO. Considerando o referido Acervo como um rico patrimônio cultural do Estado, bem como um potente arquivo memorialístico da história da loucura no RS, percebeu-se nele, as potencialidades de constituição de um possível arquivo de imagens a serem disponibilizadas para a pesquisa sobre Arte e Loucura. Verificando-se as precárias condições de sua conservação e armazenamento, as atividades iniciais de pesquisa e extensão frente àquela aparentemente infindável massa de obras que vinha sendo acumulada desde 1990, e que se encontra até os dias de hoje ainda em processo de recepção por parte dos atuais freqüentadores da Oficina, deu-se início ao processo de armazenamento e catalogação exemplar de 04 Coleções de obras expressivas, identificadas dentre as mais de cem mil obras sob guarda. Para tanto, viria como necessidade estabelecer o laço interdisciplinar com o Instituto de Artes através da Profa. Blanca Luz Brites e de seus alunos cujas presenças e participação na equipe selam as condições indispensáveis para o desenvolvimento da proposta ao mesmo tempo museológica  e de pesquisa.  Psicologia e Artes realizam assim um diálogo interdisciplinar com vistas a sustentar a problemática emergente daquele arquivo de obras expressivas e das vidas que as criaram.

Nosso enfoque, privilegia assim, cuidados com as obras de quatro Coleções produzidas por quatro pacientes psiquiátricos, submetidos ao regime de longa internação e que estão ou estiveram muito presentes no cotidiano da Oficina de Criatividade. Tem-se em vista a criação de um banco eletrônico de imagens a ser destinado à pesquisa e a outras possíveis atividades extensionistas que venham se manifestar como necessárias à criação de condições para a afetuação da difícil reconciliação entre sociedade, cultura e loucura.

As obras de tais Coleções ressaltam-se, dentre às demais, pelo seu potencial expressivo e estimulam, assim, discussões múltiplas que aparecem entrecruzadas pelos domínios das ciências Psi, das Artes e da Cultura. Consideramos que as mesmas constituem-se como expressões que, tendo sido produzidas como linguagem por sujeitos-loucos, podem vir fazer falar sobre as potencialidades que ainda se encontram vivas no corpo-psicótico em meio às catástrofes de seu sofrimento mental e social. Além disso, e não menos importante, referem-se a um precioso arquivo de memória social que deve ser preservado e colocado em condições para ser disponibilizado ao público acadêmico e em geral. Pelo que entendemos, as referidas obras operam como modo de nos fazer perceber o quanto pode ainda a loucura quando colocada em condições de se expressar em seus próprios termos. Torna-se, verdadeiramente instigante pensar aquilo que, no humano, sobrevive aos abalos, aquilo que persiste e insiste em se expressar quando uma vida sofre, por quase toda a sua existência, os rigores do apartamento, do exílio, da totalização e do esquecimento social.

Os quatro-artistas-loucos e suas obras – que são o atual alvo de nossa atenção – transmutam-se em testemunhos de uma história da loucura. Suas histórias de longa internação não permitem que fiquemos isentos e seus testemunhos nos convocam a ir a contrapelo de seu esquecimento.

CATALOGAR PARA NÃO ESQUECER poderia traduzir algo de nossa busca. Procuramos produzir condições para que as intensidades que ainda persistem, mudas e silenciosas em cada daquelas obras, venham à tona, tracem uma história paralela de cada uma daquelas vidas loucas, vidas infames cujos registros não ultrapassam aqueles dos prontuários médicos e policiais.  Tomar cada vida, para além de suas individualidades, situá-los como pontos analisadores daquele mesmo processo que os apagou em nome de uma ordem social que não tolera a diferença.

Nossa produção, neste sentido, permanece orientada para reflexões próprias ao campo problemático das relações sociedade, ciência, arte e loucura, buscando fazer falar as potências de criação e resistência ainda insistentes e subsistentes em vidas e obras assujeitadas ao regime da clausura institucional psiquiátrica. Proliferações do rizoma da Reforma Psiquiátrica, então traduzidas em arte e cultura.

– Dossiê: Vidas do Fora
http://panoramacritico.com/006/


Projeto de extensão Rizomas da Loucura: o Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro (1º edição)- Tania Mara Galli Fonseca, Andresa Thomazoni, Vivian Lockmann, Vitor Butkus

Projeto de extensão Rizomas da Loucura: o Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro (2º edição 2008)- Tania Mara Galli Fonseca, Andresa Thomazoni, Vivian Lockmann, Vera Lúcia Inácio de Souza

CATALOGAR PARA NÃO ESQUECER: imagens da loucura no Acervo da Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro – Tania Mara Galli Fonseca, Andresa Thomazoni, Vitor Butkus, Vera Lúcia Inácio de Souza, Sara Hartmann