{"version":"1.0","provider_name":"Corporalidades","provider_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades","author_name":"gerente","author_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/author\/gerente\/","title":"O cad\u00e1ver do aceleracionismo - Corporalidades","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"t5UHrfhrQV\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/o-cadaver-do-aceleracionismo\/\">O cad\u00e1ver do aceleracionismo<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/o-cadaver-do-aceleracionismo\/embed\/#?secret=t5UHrfhrQV\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;O cad\u00e1ver do aceleracionismo&#8221; &#8212; Corporalidades\" data-secret=\"t5UHrfhrQV\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script>\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n<\/script>\n","thumbnail_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/capafabricio.jpg","thumbnail_width":1400,"thumbnail_height":861,"description":"Por Benjamin Noys: (Tradu\u00e7\u00e3o: Fabr\u00edcio Silveira) Por que chutar o cad\u00e1ver do aceleracionismo? Mais de dez anos depois de que cunhei o termo \u2014 \u201caceleracionismo\u201d \u2014 , pela primeira vez, ele parece ter desaparecido ou ter sido eclipsado por debates mais urgentes. Se o aceleracionismo pode ser definido como o movimento cultural que defende a ado\u00e7\u00e3o da tecnologia e do pensamento abstrato para abrir caminho rumo a um futuro p\u00f3s-capitalista, parece que restam poucos aceleracionistas. Mas n\u00e3o h\u00e1 o risco, especialmente para um cr\u00edtico do aceleracionismo como eu, de manter vivo algo que j\u00e1 deveria estar morto? \u00c9 verdade que as paix\u00f5es despertadas pelo momento aceleracionista se dissiparam, e o movimento que existia, especialmente \u00e0 esquerda, agora assume formas mais s\u00f3brias e contidas. Se o aceleracionismo \u00e9 um movimento de vanguarda, na mesma linha do futurismo, ent\u00e3o, como tantos desses movimentos, parece ter se esgotado. Isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente algo a ser lamentado, mesmo por aqueles que o abra\u00e7aram. Os futuristas italianos viam seu movimento pr\u00f3-velocidade como algo que deveria se tornar obsoleto pelas for\u00e7as que eles pr\u00f3prios haviam desencadeado. De um ponto de vista cultural e pol\u00edtico muito diferente, Guy Debord, l\u00edder dos situacionistas nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, achava que o papel das vanguardas era desaparecer, uma vez que seu trabalho estivesse conclu\u00eddo. Os pr\u00f3-aceleracionistas podem at\u00e9 argumentar que o aceleracionismo alcan\u00e7ou seus objetivos, colocando os debates sobre tecnologia e transforma\u00e7\u00e3o social no centro das discuss\u00f5es e, sendo assim, agora pode sair de cena com honra. Os rumores sobre o fim do aceleracionismo foram exagerados. Numa \u00e9poca muito dada a met\u00e1foras g\u00f3ticas, poder\u00edamos acrescentar que o aceleracionismo, apesar de morto, continua a ser um espectro que assombra a paisagem cultural. As quest\u00f5es relativas ao papel da tecnologia em nossa cultura e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a pol\u00edtica n\u00e3o desapareceram. Os recentes debates sobre grandes modelos de linguagem (LLMs) e intelig\u00eancia artificial (IA) sugerem o qu\u00e3o urgentes continuam sendo (e o quanto continuar\u00e3o sendo urgentes) as quest\u00f5es da substitui\u00e7\u00e3o dos seres humanos por m\u00e1quinas e do controle da tecnologia. Se o aceleracionismo foi o primeiro movimento de pensamento na era das m\u00eddias sociais, ent\u00e3o essa era n\u00e3o terminou. O aceleracionismo inicialmente prosperou no espa\u00e7o dos debates em blogs, permitindo discuss\u00f5es mais longas, e no Twitter (agora X), dando a esses debates uma forma abreviada e pungente. Hoje, as m\u00eddias sociais s\u00e3o cada vez mais dominadas por bots, memes, IA e monetiza\u00e7\u00e3o. A decad\u00eancia de v\u00e1rias plataformas online tirou parte da carga ut\u00f3pica desses espa\u00e7os virtuais, deixando para tr\u00e1s um cen\u00e1rio mais esparso e mais virulento. Isso ainda levanta a quest\u00e3o de como devemos lidar com a tecnologia, seus potenciais e seus perigos (mesmo que esses perigos n\u00e3o pare\u00e7am oferecer muitas chances de se reverterem, de encontrarmos uma salva\u00e7\u00e3o). Embora o aceleracionismo possa ter desaparecido como movimento, juntamente com as plataformas das quais dependia, esse desaparecimento em si levanta quest\u00f5es. Podemos, \u00e9 claro, observar o dom\u00ednio corporativo dos espa\u00e7os online, com uma s\u00e9rie de nomes conhecidos (Google, Amazon, Netflix, etc.). Os Zaibatsus da fic\u00e7\u00e3o cyberpunk Sprawl, de William Gibson \u2014 megaempresas vastas, possivelmente at\u00e9 inteligentes \u2014, certamente est\u00e3o entre n\u00f3s. Ao mesmo tempo, os agentes estatais continuam trabalhando e, paralelamente a isso, um espa\u00e7o cada vez mais automatizado de bots e IA emergente, na forma de grandes modelos de linguagem, prospera. \u00c9 claro que, mesmo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, estimava-se que 90% de todo o tr\u00e1fego di\u00e1rio de e-mails era spam, o precursor de algumas formas de IA contempor\u00e2nea. O espa\u00e7o da internet tem sido um espa\u00e7o de guerra e crise cont\u00ednuas, \u00e0 sua maneira. E refletir sobre isso \u00e9 uma tarefa vital. Eu diria que o fracasso do aceleracionismo em persistir at\u00e9 os dias de hoje diz respeito \u00e0 sua falta de envolvimento cr\u00edtico com a tecnologia. Embora fosse correto levantar quest\u00f5es sobre a tecnofobia de alguns elementos da esquerda e da sociedade em geral, a tecnofilia que a substituiu foi, em grande parte, apenas uma invers\u00e3o. Esse ponto seria abordado com for\u00e7a devastadora por Harrison Fluss e Landon Frim em seu livro Prometheus and Gaia (2022). Esse livro observou a coincid\u00eancia de opostos entre o aceleracionismo e seus cr\u00edticos, como Bruno Latour, que abra\u00e7ou um pensamento aparentemente alternativo de Gaia e da Terra. Fluss e Frim argumentaram que o que era comum entre essas vis\u00f5es de mundo eram compromissos irracionalistas, incluindo a aceita\u00e7\u00e3o do mito como modo constituinte do nosso pensamento. O pensamento da tecnologia permaneceu obscurecido por esse modo m\u00edtico. Pode ser que o tipo de questionamento que o aceleracionismo pelo menos come\u00e7ou a fazer precisasse ser feito e continue relevante, mesmo que as formas como essas cr\u00edticas foram feitas n\u00e3o tenham se mostrado duradouras. O que ent\u00e3o aconteceu ao aceleracionismo, de l\u00e1 at\u00e9 aqui? Se o aceleracionismo desapareceu ou sofreu uma muta\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 que uma breve reconstru\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos dez anos ajuda a nos (re)orientarmos? Entre o primeiro manifesto aceleracionista (2013), a primeira edi\u00e7\u00e3o do meu livro Malign Velocities (2014) e agora, houve uma s\u00e9rie de manifestos, muitas vezes inspirados pelo aceleracionismo. A inspira\u00e7\u00e3o original, e com argumentos para ser considerado o primeiro manifesto aceleracionista, foi o Manifesto para a Filosofia (1999), de Alain Badiou. Badiou j\u00e1 havia insistido na necessidade da filosofia, na necessidade de uma forma matem\u00e1tica abstrata para o pensamento, e j\u00e1 havia feito cr\u00edticas divertidas \u00e0s invoca\u00e7\u00f5es piegas de Heidegger aos camponeses e \u00e0 Floresta Negra. Acontece que, apesar da ades\u00e3o de Badiou \u00e0 alta tecnologia, sua maneira de pensar continuava fortemente influenciada por Heidegger. No entanto, foi a verve pol\u00eamica de Badiou, sua ades\u00e3o \u00e0 filosofia e sua postura pr\u00f3-tecnologia que se mostraram influentes. Houve uma breve era de manifestos e, \u00e9 claro, anti-manifestos, \u00e0 medida que a batalha sobre o aceleracionismo se espalhava e se intensificava. Isso n\u00e3o \u00e9 dito apenas para zombar. O manifesto n\u00e3o era apenas uma forma prop\u00edcia para a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de aten\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m refletia um desejo de romper com a linguagem hier\u00e1tica, dilat\u00f3ria e muitas vezes mistificadora da teoria anterior (especialmente a teoria conhecida como p\u00f3s-estruturalismo). A pr\u00f3pria reviravolta de Badiou contra a linguagem e a insist\u00eancia na matem\u00e1tica tamb\u00e9m influenciaram esse desejo de realmente dizer e fazer coisas, em vez de falar sobre dizer e sobre fazer coisas. A tend\u00eancia derridiana de come\u00e7ar toda discuss\u00e3o com uma medita\u00e7\u00e3o sobre come\u00e7os e t\u00edtulos come\u00e7ou a parecer a mais arcaica das t\u00e1ticas de adiamento. Dito isso, a forma breve e agressiva do manifesto poderia deixar muito a cargo do leitor. Parte do objetivo original de Malign Velocities era buscar a hist\u00f3ria e o contexto de v\u00e1rias formas do gesto aceleracionista. As ideias, como disse Mao, n\u00e3o caem do c\u00e9u, mas emergem da pr\u00e1tica social. Os raios dos manifestos lan\u00e7ados do Monte Olimpo das m\u00eddias sociais podiam ser energizantes, mas tamb\u00e9m enervantes. O terreno inst\u00e1vel, as suposi\u00e7\u00f5es sobre a autoria, os v\u00e1rios coletivos que podiam ou n\u00e3o ser coletivos, e as an\u00e1temas e den\u00fancias levaram a um cen\u00e1rio agitado e muitas vezes confuso. Uma caracter\u00edstica desse per\u00edodo foi a impaci\u00eancia com os modos de pensamento anteriores e existentes, com algumas exce\u00e7\u00f5es (tal como Badiou). Isso n\u00e3o se aplicava apenas \u00e0 den\u00fancia aceleracionista da pol\u00edtica popular, que afirmava que a pol\u00edtica de esquerda existente estava ligada ao humano, \u00e0 comunidade, \u00e0 natureza e aos seus limites. Tamb\u00e9m tivemos, por parte do realismo especulativo, a rejei\u00e7\u00e3o do correlacionismo, em que todo o pensamento anterior estava fixado na rela\u00e7\u00e3o do humano com o n\u00e3o humano e, portanto, n\u00e3o podia acessar a grande realidade exterior. Argumentava-se que a pol\u00edtica de esquerda era dominada pelo \u201cprogramatismo\u201d, em que a esquerda tentava desenvolver programas para liderar os trabalhadores, em vez de seguir a dissolu\u00e7\u00e3o da identidade do trabalhador. Outro exemplo mais recente \u00e9 o ataque afro-pessimista aos radicalismos anteriores por serem anti- negros, por ignorarem o papel estruturante da escravid\u00e3o na sociedade e no pensamento. A ironia era que esse pensamento se assemelhava muito \u00e0 tentativa heideggeriana (e derridiana) de pensar al\u00e9m do fechamento da metaf\u00edsica. Embora Heidegger pudesse estar errado sobre a tecnologia, que ele afirmava ser a \u00faltima forma de metaf\u00edsica, ele aparentemente estava certo ao descartar vastas \u00e1reas do pensamento como metaf\u00edsicas. O jogo poderia ser jogado: quem foi o \u00faltimo metaf\u00edsico? Foi Nietzsche, com sua vontade de poder, como disse Heidegger? Ou Antonin Artaud e seu esgotamento da presen\u00e7a em sua pr\u00f3pria loucura, como sugeriria Derrida? Derrida tamb\u00e9m poderia sugerir que o pr\u00f3prio Heidegger havia sido v\u00edtima desse modo de pensar. Embora os movimentos da d\u00e9cada de 2010 tivessem como objetivo se livrar do que consideravam debates est\u00e9reis, a ironia \u00e9 que eles os repetiram, dando-lhes novas formas. Nesta fogueira do passado, houve alguns sobreviventes importantes, nomeadamente Nietzsche e Deleuze. Embora tenha referido a influ\u00eancia de ambos em Malign Velocities, subestimei a influ\u00eancia de Nietzsche em particular. Nietzsche n\u00e3o apenas proporcionou aos aceleracionistas um tom agressivo, mas tamb\u00e9m uma pol\u00edtica cultural antiburguesa, um antagonismo \u00e0 metaf\u00edsica e uma aceita\u00e7\u00e3o do mito e da est\u00e9tica. Desde a publica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de Nietzsche, the Aristocratic Rebel (2020), de Domenico Losurdo, e a reedi\u00e7\u00e3o de The Destruction of Reason (2021), de Georg Luk\u00e1cs, ganhamos recursos valiosos para uma cr\u00edtica a Nietzsche. O problema n\u00e3o \u00e9 simplesmente a pol\u00edtica declarada de Nietzsche, que \u00e9 a de um rebelde aristocr\u00e1tico, mas tamb\u00e9m como seu pensamento \u00e9 dominado pela pol\u00edtica e por uma fragmenta\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o em nome da conting\u00eancia. \u00c9 esse ataque metaf\u00edsico \u00e0 raz\u00e3o que precisa ser considerado e respondido. Em termos de aceleracionismo, este n\u00e3o \u00e9 apenas o problema do aceleracionismo de direita e reacion\u00e1rio, personificado na figura de Nick Land \u2014 \u201cnosso Nietzsche\u201d, segundo Mark Fisher. O aceleracionismo de direita e reacion\u00e1rio adota com satisfa\u00e7\u00e3o o radicalismo aristocr\u00e1tico nietzschiano e sua pol\u00edtica de castas, sele\u00e7\u00e3o e aniquila\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que as posi\u00e7\u00f5es aceleracionistas de esquerda tamb\u00e9m s\u00e3o comprometidas pelos mesmos compromissos irracionalistas nietzschianos. Essa \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o indesej\u00e1vel, como disse Luk\u00e1cs, da \u00e9tica de esquerda com a epistemologia de direita. Devo acrescentar que essa cr\u00edtica a Nietzsche tamb\u00e9m impactou meu pr\u00f3prio trabalho, que era vulner\u00e1vel em sua ado\u00e7\u00e3o da politiza\u00e7\u00e3o nietzschiana que dependia da vontade e da escolha. Algumas figuras associadas ao aceleracionismo, embora de forma marginal, seguiram uma dire\u00e7\u00e3o diferente \u2014 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o e a Hegel. Isso parece contradizer minha an\u00e1lise. Essa tend\u00eancia, no entanto, ainda \u00e9 existencial, ao enfatizar a escolha, e nietzschiana, ao enfatizar a vontade. Sua refer\u00eancia preferida \u00e9 a um Hegel supostamente n\u00e3o metaf\u00edsico, e uma de suas principais refer\u00eancias hegelianas, Robert B. Pippin, recentemente redirecionou-se para Heidegger. Talvez tudo isso signifique que os \u00faltimos dez anos n\u00e3o tenham sido t\u00e3o estranhos quanto podem parecer \u00e0 primeira vista. Por tr\u00e1s da apar\u00eancia de mudan\u00e7as radicais e da renova\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es e ideias, houve mais continuidade do que imagin\u00e1vamos. Como sugeri, Deleuze, um dos formuladores mais influentes do aceleracionismo (junto com Guattari), continua altamente influente, e Nietzsche tamb\u00e9m persiste (em seu poder e) em sua influ\u00eancia. A \u00eanfase dos pensadores p\u00f3s-estruturalistas na linguagem e na media\u00e7\u00e3o pode ter diminu\u00eddo, mas o compromisso com uma materialidade fragmentada de alteridade ca\u00f3tica e inst\u00e1vel permanece. O que poder\u00edamos dizer \u00e9 que os compromissos filos\u00f3ficos ou metaf\u00edsicos centrais (mesmo sendo considerados antimetaf\u00edsicos) n\u00e3o mudaram significativamente. As apar\u00eancias, \u00e9 claro, sempre contam. O aceleracionismo \u00e9 cada vez menos reivindicado como posi\u00e7\u00e3o nos debates. Suas raras apari\u00e7\u00f5es agora parecem surgir entre aqueles da extrema direita que realizam a\u00e7\u00f5es violentas. Eles usam o aceleracionismo para se referir \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do conflito, visando atacar espa\u00e7os de hibridismo e cren\u00e7as que v\u00e3o contra os desejos racistas de purifica\u00e7\u00e3o. Nesse caso, o aceleracionismo se assemelha mais \u00e0 estrat\u00e9gia da tens\u00e3o na It\u00e1lia dos anos 1970, na qual atores de extrema direita tentavam realizar atos violentos que desestabilizassem a ordem existente e incentivassem solu\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias. Essas tamb\u00e9m s\u00e3o a\u00e7\u00f5es isoladas, nas quais a ideologia funciona mais como um r\u00f3tulo ou at\u00e9 mesmo um meme com o qual um indiv\u00edduo se identifica. Podemos ver novamente a influ\u00eancia das m\u00eddias sociais, com esses atores de extrema direita adotando o manifesto, o v\u00eddeo ao..."}