{"id":1163,"date":"2015-05-05T22:24:41","date_gmt":"2015-05-05T22:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1163"},"modified":"2015-05-05T22:24:41","modified_gmt":"2015-05-05T22:24:41","slug":"transexuais-no-oriente-re-conhecendo-outros-corpos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/transexuais-no-oriente-re-conhecendo-outros-corpos\/","title":{"rendered":"Transexuais no oriente: (re) conhecendo outros corpos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Corpo. Filosofia.<\/strong> Um objeto f\u00edsico que possui caracter\u00edsticas sens\u00edveis ou que possui propriedades tais que causam nos seres humanos e, em geral, nos organismos biol\u00f3gicos, impress\u00f5es ou est\u00edmulos, ou ambas as coisas; [&#8230;] <strong>Psicologia<\/strong>. O corpo \u00e9 instrumento das condutas e suporte da identidade. (COSTA, 2009, p. 81)<\/p>\n<p>A captura da \u201cess\u00eancia\u201d dos corpos tem sido o trabalho (e o desafio) de diferentes profissionais do campo das artes, da fotografia, da televis\u00e3o. Podemos observar que algumas tem\u00e1ticas ganham espa\u00e7o nessas diferentes formas de retratar as configura\u00e7\u00f5es do corpo humano, como as quest\u00f5es sobre g\u00eanero e sexualidade (homossexuais, transexuais, transg\u00eaneros, feminismo) e sobre padr\u00f5es de beleza e obesidade.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, a jovem fot\u00f3grafa de Bangladesh, Shahria Sharmin, ao propor o ensaio fotogr\u00e1fico <strong>\u201cCall Me Heena\u201d<\/strong>, contribui com os estudos sobre as corporalidades, buscando diferentes manifesta\u00e7\u00f5es e textualidades corporais que, nas suas singularidades, comunicam realidades de uma cultura que est\u00e1 \u00e0 margem da sociedade e dos indiv\u00edduos aceitos como \u201cnormais\u201d.<\/p>\n<p>Shahria Sharmin fotografou as pessoas que comp\u00f5em a comunidade <strong>Hijra <\/strong><strong>(transexuais, transg\u00eaneros e eunucos),<\/strong> <strong>presente em pa\u00edses como<\/strong> <strong>\u00cdndia, Paquist\u00e3o e Bangladesh, vivendo e aceitando a sua apar\u00eancia de mulher. <\/strong>No entanto, essas pessoas s\u00e3o vistas pela lente do preconceito pelo restante da sociedade, excluindo-as muitas vezes do conv\u00edvio social de sua fam\u00edlia, amigos.\u00a0 Elas enfrentam a rejei\u00e7\u00e3o, guiadas pelos sonhos de aceita\u00e7\u00e3o, constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia e inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1164 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1.jpg?w=660\" alt=\"1\" width=\"660\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1.jpg 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1-300x257.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1165 size-large aligncenter\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/2.jpg?w=660\" alt=\"2\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1166 size-large aligncenter\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/3.jpg?w=660\" alt=\"3\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em fotos preto e branco, Shahria Sharmin tentou mostrar momentos do cotidiano dos membros dessa comunidade Hijras, buscando retratar a profundidade e a peculiaridade de cada hist\u00f3ria ali envolvida.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1167 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/4.jpg?w=660\" alt=\"4\" width=\"660\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/4.jpg 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/4-300x257.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1168 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/5.jpg?w=660\" alt=\"5\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1169 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/6.jpg?w=660\" alt=\"6\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em seu site, Shahria Sharmin relata que tamb\u00e9m alimentava preconceito contra os <strong>Hijra, mas depois do seu trabalho e do contato\/viv\u00eancia com os membros dessa comunidade, ela conseguiu senti-los de outra forma:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Eu, como quase todos os outros em minha sociedade, cresci vendo-os como menos que humanos. Seus h\u00e1bitos, modo de vida, e at\u00e9 mesmo a sua apar\u00eancia identificava-os como diferentes e desviantes, como se fosse um depoimento vivo da aberra\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Ent\u00e3o, eu conheci a Heena, que me mostrou como eu estava errada. Ela abriu sua vida para mim, me fez uma parte do seu mundo e me ajudou a ver algo al\u00e9m da palavra Hijra. Ela me fez entend\u00ea-la e aos outros membros da sua comunidade, como as m\u00e3es, filhas, amigos e amantes, como eles s\u00e3o realmente. No mundo de hoje, Hijras dificilmente t\u00eam a oportunidade de ter uma vida normal&#8221;. (SHARMIN, 2015, tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1170 size-large aligncenter\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/7.jpg?w=660\" alt=\"7\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1171 size-large aligncenter\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/8.jpg?w=660\" alt=\"8\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1172 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/9.jpg?w=660\" alt=\"9\" width=\"660\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/9.jpg 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/9-300x257.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pela delicadeza e, ao mesmo tempo, realidade demonstrada nas fotos, pode-se fazer um exerc\u00edcio de percep\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o de cada sujeito com seus corpos, sexualidade e aceita\u00e7\u00e3o. O ensaio permite que o observador se entrelace nos sorrisos, movimentos, gestos e h\u00e1bitos de uma cultura. Dessa forma, a fot\u00f3grafa nos possibilita perceber que:<\/p>\n<p>&#8220;O corpo \u00e9 um ponto de vista sobre o mundo, que por sua vez lhe confere subst\u00e2ncia, pois a forma como se percebe o mundo e seus fen\u00f4menos tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 cultura e a sociedade. Assim, o corpo \u00e9 operante e atual, n\u00e3o apenas um peda\u00e7o de espa\u00e7o ou um feixe de fun\u00e7\u00f5es, mas vis\u00e3o e movimento. O corpo n\u00e3o \u00e9 coisa, nem ideia, o corpo \u00e9 movimento, sensibilidade e express\u00e3o criadora&#8221;. (COSTA, 2009, p. 82)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1173 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/10.jpg?w=660\" alt=\"10\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1174 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/11.jpg?w=660\" alt=\"11\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1175 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/12.jpg?w=660\" alt=\"12\" width=\"660\" height=\"565\" \/><\/a><\/p>\n<p>O depoimento de Heena, personagem que inspirou e encorajou esse ensaio, esclarece a rela\u00e7\u00e3o e o sentimento que os transexuais t\u00eam com o seu corpo, e que ainda precisa ser respeitada e admirada: &#8220;Eu me sinto como uma sereia. Meu corpo me diz que eu sou um homem, mas a minha alma me diz que eu sou uma mulher\u201d (HEENA, <strong>IN SHARMIN , 2015 <\/strong>tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>TEXTO<\/p>\n<p>Jamille Almeida da Silva<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>COSTA, Josimey. Verbete Corpo. In: MARCONDES FILHO, Ciro (org.). Dicion\u00e1rio da Comunica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2009.<\/p>\n<p>SHARMIN, Shahria. Call Me Heena. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.shahriasharmin.com\/main\/portfolio-detail\/8. Aceso em: 28 abr. 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corpo. Filosofia. Um objeto f\u00edsico que possui caracter\u00edsticas sens\u00edveis ou que possui propriedades tais que causam nos seres humanos e, em geral, nos organismos biol\u00f3gicos, impress\u00f5es ou est\u00edmulos, ou ambas as coisas; [&#8230;] Psicologia. O corpo \u00e9 instrumento das condutas e suporte da identidade. (COSTA, 2009, p. 81) A captura da \u201cess\u00eancia\u201d dos corpos tem sido o trabalho (e o desafio) de diferentes profissionais do campo das artes, da fotografia, da televis\u00e3o. Podemos observar que algumas tem\u00e1ticas ganham espa\u00e7o nessas diferentes formas de retratar as configura\u00e7\u00f5es do corpo humano, como as quest\u00f5es sobre g\u00eanero e sexualidade (homossexuais, transexuais, transg\u00eaneros, feminismo) e sobre padr\u00f5es de beleza e obesidade. Nessa perspectiva, a jovem fot\u00f3grafa de Bangladesh, Shahria Sharmin, ao propor o ensaio fotogr\u00e1fico \u201cCall Me Heena\u201d, contribui com os estudos sobre as corporalidades, buscando diferentes manifesta\u00e7\u00f5es e textualidades corporais que, nas suas singularidades, comunicam realidades de uma cultura que est\u00e1 \u00e0 margem da sociedade e dos indiv\u00edduos aceitos como \u201cnormais\u201d. Shahria Sharmin fotografou as pessoas que comp\u00f5em a comunidade Hijra (transexuais, transg\u00eaneros e eunucos), presente em pa\u00edses como \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Bangladesh, vivendo e aceitando a sua apar\u00eancia de mulher. No entanto, essas pessoas s\u00e3o vistas pela lente do preconceito pelo restante da sociedade, excluindo-as muitas vezes do conv\u00edvio social de sua fam\u00edlia, amigos.\u00a0 Elas enfrentam a rejei\u00e7\u00e3o, guiadas pelos sonhos de aceita\u00e7\u00e3o, constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia e inclus\u00e3o social. Em fotos preto e branco, Shahria Sharmin tentou mostrar momentos do cotidiano dos membros dessa comunidade Hijras, buscando retratar a profundidade e a peculiaridade de cada hist\u00f3ria ali envolvida. Em seu site, Shahria Sharmin relata que tamb\u00e9m alimentava preconceito contra os Hijra, mas depois do seu trabalho e do contato\/viv\u00eancia com os membros dessa comunidade, ela conseguiu senti-los de outra forma: &#8220;Eu, como quase todos os outros em minha sociedade, cresci vendo-os como menos que humanos. Seus h\u00e1bitos, modo de vida, e at\u00e9 mesmo a sua apar\u00eancia identificava-os como diferentes e desviantes, como se fosse um depoimento vivo da aberra\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Ent\u00e3o, eu conheci a Heena, que me mostrou como eu estava errada. Ela abriu sua vida para mim, me fez uma parte do seu mundo e me ajudou a ver algo al\u00e9m da palavra Hijra. Ela me fez entend\u00ea-la e aos outros membros da sua comunidade, como as m\u00e3es, filhas, amigos e amantes, como eles s\u00e3o realmente. No mundo de hoje, Hijras dificilmente t\u00eam a oportunidade de ter uma vida normal&#8221;. (SHARMIN, 2015, tradu\u00e7\u00e3o livre) Pela delicadeza e, ao mesmo tempo, realidade demonstrada nas fotos, pode-se fazer um exerc\u00edcio de percep\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o de cada sujeito com seus corpos, sexualidade e aceita\u00e7\u00e3o. O ensaio permite que o observador se entrelace nos sorrisos, movimentos, gestos e h\u00e1bitos de uma cultura. Dessa forma, a fot\u00f3grafa nos possibilita perceber que: &#8220;O corpo \u00e9 um ponto de vista sobre o mundo, que por sua vez lhe confere subst\u00e2ncia, pois a forma como se percebe o mundo e seus fen\u00f4menos tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 cultura e a sociedade. Assim, o corpo \u00e9 operante e atual, n\u00e3o apenas um peda\u00e7o de espa\u00e7o ou um feixe de fun\u00e7\u00f5es, mas vis\u00e3o e movimento. O corpo n\u00e3o \u00e9 coisa, nem ideia, o corpo \u00e9 movimento, sensibilidade e express\u00e3o criadora&#8221;. (COSTA, 2009, p. 82) O depoimento de Heena, personagem que inspirou e encorajou esse ensaio, esclarece a rela\u00e7\u00e3o e o sentimento que os transexuais t\u00eam com o seu corpo, e que ainda precisa ser respeitada e admirada: &#8220;Eu me sinto como uma sereia. Meu corpo me diz que eu sou um homem, mas a minha alma me diz que eu sou uma mulher\u201d (HEENA, IN SHARMIN , 2015 tradu\u00e7\u00e3o livre). TEXTO Jamille Almeida da Silva REFER\u00caNCIAS COSTA, Josimey. Verbete Corpo. In: MARCONDES FILHO, Ciro (org.). Dicion\u00e1rio da Comunica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2009. SHARMIN, Shahria. Call Me Heena. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.shahriasharmin.com\/main\/portfolio-detail\/8. Aceso em: 28 abr. 2015.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1563,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1163","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Transexuais no oriente: (re) conhecendo outros corpos - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/transexuais-no-oriente-re-conhecendo-outros-corpos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Transexuais no oriente: (re) conhecendo outros corpos - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Corpo. 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Nessa perspectiva, a jovem fot\u00f3grafa de Bangladesh, Shahria Sharmin, ao propor o ensaio fotogr\u00e1fico \u201cCall Me Heena\u201d, contribui com os estudos sobre as corporalidades, buscando diferentes manifesta\u00e7\u00f5es e textualidades corporais que, nas suas singularidades, comunicam realidades de uma cultura que est\u00e1 \u00e0 margem da sociedade e dos indiv\u00edduos aceitos como \u201cnormais\u201d. Shahria Sharmin fotografou as pessoas que comp\u00f5em a comunidade Hijra (transexuais, transg\u00eaneros e eunucos), presente em pa\u00edses como \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Bangladesh, vivendo e aceitando a sua apar\u00eancia de mulher. No entanto, essas pessoas s\u00e3o vistas pela lente do preconceito pelo restante da sociedade, excluindo-as muitas vezes do conv\u00edvio social de sua fam\u00edlia, amigos.\u00a0 Elas enfrentam a rejei\u00e7\u00e3o, guiadas pelos sonhos de aceita\u00e7\u00e3o, constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia e inclus\u00e3o social. Em fotos preto e branco, Shahria Sharmin tentou mostrar momentos do cotidiano dos membros dessa comunidade Hijras, buscando retratar a profundidade e a peculiaridade de cada hist\u00f3ria ali envolvida. Em seu site, Shahria Sharmin relata que tamb\u00e9m alimentava preconceito contra os Hijra, mas depois do seu trabalho e do contato\/viv\u00eancia com os membros dessa comunidade, ela conseguiu senti-los de outra forma: &#8220;Eu, como quase todos os outros em minha sociedade, cresci vendo-os como menos que humanos. Seus h\u00e1bitos, modo de vida, e at\u00e9 mesmo a sua apar\u00eancia identificava-os como diferentes e desviantes, como se fosse um depoimento vivo da aberra\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Ent\u00e3o, eu conheci a Heena, que me mostrou como eu estava errada. Ela abriu sua vida para mim, me fez uma parte do seu mundo e me ajudou a ver algo al\u00e9m da palavra Hijra. Ela me fez entend\u00ea-la e aos outros membros da sua comunidade, como as m\u00e3es, filhas, amigos e amantes, como eles s\u00e3o realmente. No mundo de hoje, Hijras dificilmente t\u00eam a oportunidade de ter uma vida normal&#8221;. (SHARMIN, 2015, tradu\u00e7\u00e3o livre) Pela delicadeza e, ao mesmo tempo, realidade demonstrada nas fotos, pode-se fazer um exerc\u00edcio de percep\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o de cada sujeito com seus corpos, sexualidade e aceita\u00e7\u00e3o. O ensaio permite que o observador se entrelace nos sorrisos, movimentos, gestos e h\u00e1bitos de uma cultura. Dessa forma, a fot\u00f3grafa nos possibilita perceber que: &#8220;O corpo \u00e9 um ponto de vista sobre o mundo, que por sua vez lhe confere subst\u00e2ncia, pois a forma como se percebe o mundo e seus fen\u00f4menos tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 cultura e a sociedade. 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Nessa perspectiva, a jovem fot\u00f3grafa de Bangladesh, Shahria Sharmin, ao propor o ensaio fotogr\u00e1fico \u201cCall Me Heena\u201d, contribui com os estudos sobre as corporalidades, buscando diferentes manifesta\u00e7\u00f5es e textualidades corporais que, nas suas singularidades, comunicam realidades de uma cultura que est\u00e1 \u00e0 margem da sociedade e dos indiv\u00edduos aceitos como \u201cnormais\u201d. Shahria Sharmin fotografou as pessoas que comp\u00f5em a comunidade Hijra (transexuais, transg\u00eaneros e eunucos), presente em pa\u00edses como \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Bangladesh, vivendo e aceitando a sua apar\u00eancia de mulher. No entanto, essas pessoas s\u00e3o vistas pela lente do preconceito pelo restante da sociedade, excluindo-as muitas vezes do conv\u00edvio social de sua fam\u00edlia, amigos.\u00a0 Elas enfrentam a rejei\u00e7\u00e3o, guiadas pelos sonhos de aceita\u00e7\u00e3o, constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia e inclus\u00e3o social. 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