{"id":1207,"date":"2015-03-13T14:47:43","date_gmt":"2015-03-13T14:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1117"},"modified":"2015-03-13T14:47:43","modified_gmt":"2015-03-13T14:47:43","slug":"tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\/","title":{"rendered":"TECENDO RUPTURAS &#8211; O PROCESSO DA RECRIA\u00c7\u00c3O TELEVISUAL DE DOM CASMURRO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tecendo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-1118 aligncenter\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tecendo.jpg?w=199\" alt=\"tecendo\" width=\"199\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Este, caro leitor, n\u00e3o \u00e9 um livro sobre a micross\u00e9rie <em>Capitu<\/em>. \u00c9 mais. Adriana Pierre Coca realiza um trabalho sobre o processo de ressignifica\u00e7\u00e3o televisiva do cl\u00e1ssico machadiano, considerando as suas sobreposi\u00e7\u00f5es, fus\u00f5es e fric\u00e7\u00f5es com a literatura, o cinema, o v\u00eddeo, as artes pl\u00e1sticas, a m\u00fasica, o teatro e a \u00f3pera. Com isso, essa promissora pesquisadora das linguagens midi\u00e1ticas oferece novas possibilidades para o estudo das diversas formas de converg\u00eancia da televis\u00e3o com as outras artes. Muito al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o, Adriana faz um estudo que, felizmente, transcende \u00e0 l\u00f3gica da fidelidade da \u201cc\u00f3pia\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao \u201coriginal\u201d.<\/p>\n<p>Como estudar produtos derivados de processos de adapta\u00e7\u00e3o sem remeter \u00e0 especificidade de cada linguagem e ao ressentimento pr\u00f3prio da ret\u00f3rica vazia da perda do sentido original no adaptado? A autora responde a essa quest\u00e3o, neste livro, de duas formas. A primeira diz respeito \u00e0 cr\u00edtica \u00e0 vis\u00e3o tradicional dos estudos de adapta\u00e7\u00e3o. A ret\u00f3rica da fidelidade imp\u00f5e ao analista uma vis\u00e3o extremamente reduzida, buscando averiguar se a adapta\u00e7\u00e3o cumpriu a sua fun\u00e7\u00e3o: a transposi\u00e7\u00e3o e nunca a transcria\u00e7\u00e3o. \u00a0Adaptar seria somente v\u00e1lido se pudesse manter intacto o \u201cesp\u00edrito\u201d da obra-fonte. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que todo produto audiovisual teria de se submeter \u00e0 exig\u00eancia de ser fiel n\u00e3o apenas \u00e0 obra liter\u00e1ria, mas ao sentido dado pelo autor da obra tomada como fonte. Adaptar, sem o reconhecimento desse zelo, \u00e9 comumente visto como um processo de perda e, portanto, como um desservi\u00e7o \u00e0 literatura. O que se conquista, com esse dem\u00e9rito da adapta\u00e7\u00e3o como processo de produ\u00e7\u00e3o de sentidos e cria\u00e7\u00e3o de formas e conte\u00fados, \u00e9 o estabelecimento de uma hierarquia normativa entre a literatura e o audiovisual, entre a obra original e a obra adaptada, entre a autenticidade e o simulacro, entre a cultura erudita e a cultura de massa, entre o autor e o adaptador. Adriana observa que, sob esse vi\u00e9s, \u00e9 imposs\u00edvel reconhecer que as diferentes materialidades e sistemas semi\u00f3ticos das formas art\u00edsticas e midi\u00e1ticas s\u00e3o ativas, limitam e possibilitam processos de produ\u00e7\u00e3o de significa\u00e7\u00e3o. Aqui, a autora inova.<\/p>\n<p>A segunda resposta \u2013 ainda mais interessante \u2013 corresponde ao fato de que este n\u00e3o \u00e9 um estudo de adapta\u00e7\u00e3o. Adriana est\u00e1 ciente de que nas intera\u00e7\u00f5es entre televis\u00e3o, cinema, literatura e outras artes h\u00e1 muitas mais temas, problemas e objetos de pesquisa do que aqueles que insistem na bizantina f\u00f3rmula de comparar o texto-fonte ao baseado, avaliando perdas e ganhos de um em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Mais do que comparar <em>Capitu<\/em> a <em>Dom Casmurro<\/em>, este livro examina o resultado das fric\u00e7\u00f5es e dos cont\u00e1gios entre as diferentes linguagens art\u00edsticas e matrizes culturais existentes no produto televisivo em quest\u00e3o. Desde a introdu\u00e7\u00e3o, Adriana combina, com vigor, a teoria bakhtiniana da linguagem com o estudo da intermidialidade, como proposto por Claus Gl\u00fcver. A no\u00e7\u00e3o de intermidialidade orienta e estrutura a delimita\u00e7\u00e3o do objeto investigado, enquanto as no\u00e7\u00f5es de cronotopo e de carnavaliza\u00e7\u00e3o, ambas formuladas por Mikhail Bakhtin, s\u00e3o importantes para a an\u00e1lise da constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os-tempo da narrativa da micross\u00e9rie. <em>Capitu<\/em>, portanto, de acordo com a autora, carnavaliza os cronotopos e as intera\u00e7\u00f5es art\u00edstico-midi\u00e1ticas de <em>Dom Casmurro<\/em>. Dessa maneira, o livro trabalha a intermidialidade como uma intera\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica de meios de express\u00e3o de diferentes artes na micross\u00e9rie.<\/p>\n<p>A intermidialidade n\u00e3o \u00e9 apenas uma forma de leitura. \u00c9 o resultado de di\u00e1logos n\u00e3o s\u00f3 entre diferentes textos, mas tamb\u00e9m entre a micross\u00e9rie e o telespectador. Nesses momentos de apelo est\u00e9tico, a viola\u00e7\u00e3o da etiqueta est\u00e9tica e decoro anda de m\u00e3os dadas com uma cr\u00edtica impl\u00edcita das hierarquias sociais e culturais convencionais. A est\u00e9tica do carnaval \u00e9 inacabada, el\u00e1stica, male\u00e1vel; ela se supera, transgredi seus pr\u00f3prios limites, suspende e inverte, mesmo que provisoriamente, as rela\u00e7\u00f5es entre o alto e o baixo. \u00c9 interessante observar como Adriana argumenta que, embora Luiz Fernando Carvalho, diretor da micross\u00e9rie, tenha como projeto est\u00e9tico autoral, com tra\u00e7os modernistas e forte desejo de ruptura com as formas est\u00e9ticas tradicionais da televis\u00e3o a partir da, haja elementos das cultura popular, do melodrama, do vaudeville e do pop em sintonia com a \u00f3pera, as artes pl\u00e1sticas, o cinema e o v\u00eddeo.<\/p>\n<p>O trabalho de Adriana ganha ainda mais brilhantismo, quando ela n\u00e3o perde de vista que a produ\u00e7\u00e3o televisual se constitui de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es (sociais, culturais, tecnol\u00f3gicas, econ\u00f4micas). Ele, ent\u00e3o, analise a historicidade de <em>Capitu<\/em>. Tendo em vista a sua quest\u00e3o central (demonstrar as rupturas e continuidades dessa miniss\u00e9rie com outros produtos televisivos e suas rela\u00e7\u00f5es com outros segmentos da produ\u00e7\u00e3o cultural), ela interpreta as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da obra, suas matrizes culturais, as demandas mercadol\u00f3gicas, as configura\u00e7\u00f5es institucionais, a produ\u00e7\u00e3o autoral e a legitima\u00e7\u00e3o do estilo de Luiz Fernando Carvalho.<\/p>\n<p>A autora produziu este livro, fruto de seu disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, combinando rigor metodol\u00f3gico, coleta e sistematiza\u00e7\u00e3o de material emp\u00edrico, densidade te\u00f3rica e flu\u00eancia textual. Isto n\u00e3o \u00e9 uma tarefa trivial nem simples. \u00c9 um texto acad\u00eamico com o frescor de uma prosa liter\u00e1ria. Realiza uma vasta pesquisa documental (de imagens, not\u00edcias, memorandos, entrevistas), sem abonar os pressupostos te\u00f3ricos. Faz da an\u00e1lise do produto audiovisual muito mais do que uma descri\u00e7\u00e3o detalhada. Analisa de fato, a partir das quest\u00f5es e problemas de pesquisa que foram claramente formulados e apresentados.<\/p>\n<p>Alegra-me saber que a \u00e1rea de estudos da televis\u00e3o no Brasil ganha um livro muito bem realizado, que certamente se tornar\u00e1 refer\u00eancia para muitos estudantes e professores. Muito mais importante ainda \u00e9 o seguinte: os pesquisadores dessa m\u00eddia t\u00eam como par a doce, competente, perspicaz e inteligente Adriana Coca.<\/p>\n<p>Aproveite este livro, estimado leitor. Tenha a certeza de que, assim como eu, voc\u00ea, ao final, ficar\u00e1 ansioso pelo pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">\u00a0Prof. Dr. Igor Sacramento<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\">(UFRJ \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro)<\/p>\n<p>Link da editora:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2595&amp;promo=7\">http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2595&amp;promo=7<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este, caro leitor, n\u00e3o \u00e9 um livro sobre a micross\u00e9rie Capitu. \u00c9 mais. Adriana Pierre Coca realiza um trabalho sobre o processo de ressignifica\u00e7\u00e3o televisiva do cl\u00e1ssico machadiano, considerando as suas sobreposi\u00e7\u00f5es, fus\u00f5es e fric\u00e7\u00f5es com a literatura, o cinema, o v\u00eddeo, as artes pl\u00e1sticas, a m\u00fasica, o teatro e a \u00f3pera. 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O que se conquista, com esse dem\u00e9rito da adapta\u00e7\u00e3o como processo de produ\u00e7\u00e3o de sentidos e cria\u00e7\u00e3o de formas e conte\u00fados, \u00e9 o estabelecimento de uma hierarquia normativa entre a literatura e o audiovisual, entre a obra original e a obra adaptada, entre a autenticidade e o simulacro, entre a cultura erudita e a cultura de massa, entre o autor e o adaptador. Adriana observa que, sob esse vi\u00e9s, \u00e9 imposs\u00edvel reconhecer que as diferentes materialidades e sistemas semi\u00f3ticos das formas art\u00edsticas e midi\u00e1ticas s\u00e3o ativas, limitam e possibilitam processos de produ\u00e7\u00e3o de significa\u00e7\u00e3o. Aqui, a autora inova. A segunda resposta \u2013 ainda mais interessante \u2013 corresponde ao fato de que este n\u00e3o \u00e9 um estudo de adapta\u00e7\u00e3o. Adriana est\u00e1 ciente de que nas intera\u00e7\u00f5es entre televis\u00e3o, cinema, literatura e outras artes h\u00e1 muitas mais temas, problemas e objetos de pesquisa do que aqueles que insistem na bizantina f\u00f3rmula de comparar o texto-fonte ao baseado, avaliando perdas e ganhos de um em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Mais do que comparar Capitu a Dom Casmurro, este livro examina o resultado das fric\u00e7\u00f5es e dos cont\u00e1gios entre as diferentes linguagens art\u00edsticas e matrizes culturais existentes no produto televisivo em quest\u00e3o. Desde a introdu\u00e7\u00e3o, Adriana combina, com vigor, a teoria bakhtiniana da linguagem com o estudo da intermidialidade, como proposto por Claus Gl\u00fcver. 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O trabalho de Adriana ganha ainda mais brilhantismo, quando ela n\u00e3o perde de vista que a produ\u00e7\u00e3o televisual se constitui de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es (sociais, culturais, tecnol\u00f3gicas, econ\u00f4micas). Ele, ent\u00e3o, analise a historicidade de Capitu. Tendo em vista a sua quest\u00e3o central (demonstrar as rupturas e continuidades dessa miniss\u00e9rie com outros produtos televisivos e suas rela\u00e7\u00f5es com outros segmentos da produ\u00e7\u00e3o cultural), ela interpreta as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da obra, suas matrizes culturais, as demandas mercadol\u00f3gicas, as configura\u00e7\u00f5es institucionais, a produ\u00e7\u00e3o autoral e a legitima\u00e7\u00e3o do estilo de Luiz Fernando Carvalho. A autora produziu este livro, fruto de seu disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, combinando rigor metodol\u00f3gico, coleta e sistematiza\u00e7\u00e3o de material emp\u00edrico, densidade te\u00f3rica e flu\u00eancia textual. Isto n\u00e3o \u00e9 uma tarefa trivial nem simples. \u00c9 um texto acad\u00eamico com o frescor de uma prosa liter\u00e1ria. Realiza uma vasta pesquisa documental (de imagens, not\u00edcias, memorandos, entrevistas), sem abonar os pressupostos te\u00f3ricos. Faz da an\u00e1lise do produto audiovisual muito mais do que uma descri\u00e7\u00e3o detalhada. Analisa de fato, a partir das quest\u00f5es e problemas de pesquisa que foram claramente formulados e apresentados. Alegra-me saber que a \u00e1rea de estudos da televis\u00e3o no Brasil ganha um livro muito bem realizado, que certamente se tornar\u00e1 refer\u00eancia para muitos estudantes e professores. Muito mais importante ainda \u00e9 o seguinte: os pesquisadores dessa m\u00eddia t\u00eam como par a doce, competente, perspicaz e inteligente Adriana Coca. Aproveite este livro, estimado leitor. Tenha a certeza de que, assim como eu, voc\u00ea, ao final, ficar\u00e1 ansioso pelo pr\u00f3ximo. \u00a0Prof. Dr. Igor Sacramento (UFRJ \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro) Link da editora: http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2595&amp;promo=7<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1530,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>TECENDO RUPTURAS - O PROCESSO DA RECRIA\u00c7\u00c3O TELEVISUAL DE DOM CASMURRO - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"TECENDO RUPTURAS - O PROCESSO DA RECRIA\u00c7\u00c3O TELEVISUAL DE DOM CASMURRO - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Este, caro leitor, n\u00e3o \u00e9 um livro sobre a micross\u00e9rie Capitu. \u00c9 mais. 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A primeira diz respeito \u00e0 cr\u00edtica \u00e0 vis\u00e3o tradicional dos estudos de adapta\u00e7\u00e3o. A ret\u00f3rica da fidelidade imp\u00f5e ao analista uma vis\u00e3o extremamente reduzida, buscando averiguar se a adapta\u00e7\u00e3o cumpriu a sua fun\u00e7\u00e3o: a transposi\u00e7\u00e3o e nunca a transcria\u00e7\u00e3o. \u00a0Adaptar seria somente v\u00e1lido se pudesse manter intacto o \u201cesp\u00edrito\u201d da obra-fonte. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que todo produto audiovisual teria de se submeter \u00e0 exig\u00eancia de ser fiel n\u00e3o apenas \u00e0 obra liter\u00e1ria, mas ao sentido dado pelo autor da obra tomada como fonte. Adaptar, sem o reconhecimento desse zelo, \u00e9 comumente visto como um processo de perda e, portanto, como um desservi\u00e7o \u00e0 literatura. 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Nesses momentos de apelo est\u00e9tico, a viola\u00e7\u00e3o da etiqueta est\u00e9tica e decoro anda de m\u00e3os dadas com uma cr\u00edtica impl\u00edcita das hierarquias sociais e culturais convencionais. A est\u00e9tica do carnaval \u00e9 inacabada, el\u00e1stica, male\u00e1vel; ela se supera, transgredi seus pr\u00f3prios limites, suspende e inverte, mesmo que provisoriamente, as rela\u00e7\u00f5es entre o alto e o baixo. \u00c9 interessante observar como Adriana argumenta que, embora Luiz Fernando Carvalho, diretor da micross\u00e9rie, tenha como projeto est\u00e9tico autoral, com tra\u00e7os modernistas e forte desejo de ruptura com as formas est\u00e9ticas tradicionais da televis\u00e3o a partir da, haja elementos das cultura popular, do melodrama, do vaudeville e do pop em sintonia com a \u00f3pera, as artes pl\u00e1sticas, o cinema e o v\u00eddeo. O trabalho de Adriana ganha ainda mais brilhantismo, quando ela n\u00e3o perde de vista que a produ\u00e7\u00e3o televisual se constitui de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es (sociais, culturais, tecnol\u00f3gicas, econ\u00f4micas). Ele, ent\u00e3o, analise a historicidade de Capitu. Tendo em vista a sua quest\u00e3o central (demonstrar as rupturas e continuidades dessa miniss\u00e9rie com outros produtos televisivos e suas rela\u00e7\u00f5es com outros segmentos da produ\u00e7\u00e3o cultural), ela interpreta as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da obra, suas matrizes culturais, as demandas mercadol\u00f3gicas, as configura\u00e7\u00f5es institucionais, a produ\u00e7\u00e3o autoral e a legitima\u00e7\u00e3o do estilo de Luiz Fernando Carvalho. A autora produziu este livro, fruto de seu disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, combinando rigor metodol\u00f3gico, coleta e sistematiza\u00e7\u00e3o de material emp\u00edrico, densidade te\u00f3rica e flu\u00eancia textual. 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Tenha a certeza de que, assim como eu, voc\u00ea, ao final, ficar\u00e1 ansioso pelo pr\u00f3ximo. \u00a0Prof. Dr. Igor Sacramento (UFRJ \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro) Link da editora: http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2595&amp;promo=7\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-03-13T14:47:43+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tecendo.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"203\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"306\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"gerente\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"gerente\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"5 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"gerente\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43\"},\"headline\":\"TECENDO RUPTURAS &#8211; 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Adriana Pierre Coca realiza um trabalho sobre o processo de ressignifica\u00e7\u00e3o televisiva do cl\u00e1ssico machadiano, considerando as suas sobreposi\u00e7\u00f5es, fus\u00f5es e fric\u00e7\u00f5es com a literatura, o cinema, o v\u00eddeo, as artes pl\u00e1sticas, a m\u00fasica, o teatro e a \u00f3pera. Com isso, essa promissora pesquisadora das linguagens midi\u00e1ticas oferece novas possibilidades para o estudo das diversas formas de converg\u00eancia da televis\u00e3o com as outras artes. Muito al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o, Adriana faz um estudo que, felizmente, transcende \u00e0 l\u00f3gica da fidelidade da \u201cc\u00f3pia\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao \u201coriginal\u201d. Como estudar produtos derivados de processos de adapta\u00e7\u00e3o sem remeter \u00e0 especificidade de cada linguagem e ao ressentimento pr\u00f3prio da ret\u00f3rica vazia da perda do sentido original no adaptado? A autora responde a essa quest\u00e3o, neste livro, de duas formas. A primeira diz respeito \u00e0 cr\u00edtica \u00e0 vis\u00e3o tradicional dos estudos de adapta\u00e7\u00e3o. A ret\u00f3rica da fidelidade imp\u00f5e ao analista uma vis\u00e3o extremamente reduzida, buscando averiguar se a adapta\u00e7\u00e3o cumpriu a sua fun\u00e7\u00e3o: a transposi\u00e7\u00e3o e nunca a transcria\u00e7\u00e3o. \u00a0Adaptar seria somente v\u00e1lido se pudesse manter intacto o \u201cesp\u00edrito\u201d da obra-fonte. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que todo produto audiovisual teria de se submeter \u00e0 exig\u00eancia de ser fiel n\u00e3o apenas \u00e0 obra liter\u00e1ria, mas ao sentido dado pelo autor da obra tomada como fonte. Adaptar, sem o reconhecimento desse zelo, \u00e9 comumente visto como um processo de perda e, portanto, como um desservi\u00e7o \u00e0 literatura. O que se conquista, com esse dem\u00e9rito da adapta\u00e7\u00e3o como processo de produ\u00e7\u00e3o de sentidos e cria\u00e7\u00e3o de formas e conte\u00fados, \u00e9 o estabelecimento de uma hierarquia normativa entre a literatura e o audiovisual, entre a obra original e a obra adaptada, entre a autenticidade e o simulacro, entre a cultura erudita e a cultura de massa, entre o autor e o adaptador. Adriana observa que, sob esse vi\u00e9s, \u00e9 imposs\u00edvel reconhecer que as diferentes materialidades e sistemas semi\u00f3ticos das formas art\u00edsticas e midi\u00e1ticas s\u00e3o ativas, limitam e possibilitam processos de produ\u00e7\u00e3o de significa\u00e7\u00e3o. Aqui, a autora inova. A segunda resposta \u2013 ainda mais interessante \u2013 corresponde ao fato de que este n\u00e3o \u00e9 um estudo de adapta\u00e7\u00e3o. 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Isto n\u00e3o \u00e9 uma tarefa trivial nem simples. \u00c9 um texto acad\u00eamico com o frescor de uma prosa liter\u00e1ria. Realiza uma vasta pesquisa documental (de imagens, not\u00edcias, memorandos, entrevistas), sem abonar os pressupostos te\u00f3ricos. Faz da an\u00e1lise do produto audiovisual muito mais do que uma descri\u00e7\u00e3o detalhada. Analisa de fato, a partir das quest\u00f5es e problemas de pesquisa que foram claramente formulados e apresentados. Alegra-me saber que a \u00e1rea de estudos da televis\u00e3o no Brasil ganha um livro muito bem realizado, que certamente se tornar\u00e1 refer\u00eancia para muitos estudantes e professores. Muito mais importante ainda \u00e9 o seguinte: os pesquisadores dessa m\u00eddia t\u00eam como par a doce, competente, perspicaz e inteligente Adriana Coca. Aproveite este livro, estimado leitor. Tenha a certeza de que, assim como eu, voc\u00ea, ao final, ficar\u00e1 ansioso pelo pr\u00f3ximo. \u00a0Prof. Dr. Igor Sacramento (UFRJ \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro) Link da editora: http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2595&amp;promo=7","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\/","og_site_name":"Corporalidades","article_published_time":"2015-03-13T14:47:43+00:00","og_image":[{"width":203,"height":306,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tecendo.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"gerente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"gerente","Est. reading time":"5 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/tecendo-rupturas-o-processo-da-recriacao-televisual-de-dom-casmurro\/"},"author":{"name":"gerente","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"headline":"TECENDO RUPTURAS &#8211; 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