{"id":1210,"date":"2015-04-05T05:02:37","date_gmt":"2015-04-05T05:02:37","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1148"},"modified":"2015-04-05T05:02:37","modified_gmt":"2015-04-05T05:02:37","slug":"brasilia-teimosa-de-barbara-wagner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/brasilia-teimosa-de-barbara-wagner\/","title":{"rendered":"\u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d de B\u00e1rbara Wagner"},"content":{"rendered":"<p>Em visita ao Museu de Arte do Rio no \u00faltimo m\u00eas de janeiro, pude apreciar a exposi\u00e7\u00e3o \u201cMuseu do Homem do Nordeste\u201d, a qual incitava o espectador a adentrar-se no universo do homem nordestino e suas rela\u00e7\u00f5es com trabalho, educa\u00e7\u00e3o, arte, sexualidade, economia al\u00e9m de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Entre os artistas expositores, me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o o trabalho da fot\u00f3grafa B\u00e1rbara Wagner, denominado \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d, datado de 2007. Em suas fotografias, B\u00e1rbara registra os encontros e costumes de indiv\u00edduos da periferia recifense nas praias da capital pernambucana, onde a tem\u00e1tica da ascens\u00e3o social da classe m\u00e9dia e a cultura da ostenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o recorrentes na grande narrativa visual que traz essa s\u00e9rie. Antes que se fa\u00e7am maiores interpreta\u00e7\u00f5es e interpela\u00e7\u00f5es visuais diante deste trabalho, trago as palavras de B\u00e1rbara sobre a s\u00e9rie \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d:<\/p>\n<p>&#8220;Durante quase dois anos, sempre aos domingos, fui a Bras\u00edlia Teimosa com a ideia de trazer luz a questo\u0303es raramente tocadas diretamente pela mi\u0301dia, que por natureza estigmatiza as questo\u0303es de gosto, de consumo e de comportamento experimentados em bairros de classes populares brasileiras. Durante o processo, o que mais me atraiu foi perceber uma sabedoria particular por tra\u0301s de toda aquela energia e vulgaridade, que tem tudo, menos pena de si pro\u0301pria&#8221; (WAGNER, 2015).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1149 size-full\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/1.jpg\" alt=\"1\" width=\"670\" height=\"447\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/25.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1153 size-full\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/25.jpg\" alt=\"2,5\" width=\"656\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/25.jpg 656w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/25-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 656px) 100vw, 656px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1152 size-full\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/4.jpg\" alt=\"4\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/4.jpg 400w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tudo que tange os intuitos narrativos e as inten\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie fotogr\u00e1fica \u00e9 muito bem resolvido, no entanto, o grande trunfo deste trabalho est\u00e1 calcado nas formas sint\u00e1ticas e nos fazeres da linguagem fotogr\u00e1fica. \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d est\u00e1 longe de, em termos visuais, se referir a uma fotografia humanit\u00e1ria, onde o homem \u00e9 v\u00edtima social do seu espa\u00e7o. H\u00e1 uma exalta\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o retratados, uma pl\u00e1stica que beira a fotografia comercial, uma vez que o uso de luzes artificiais na produ\u00e7\u00e3o deste trabalho \u00e9 percept\u00edvel em \u00e2mbitos t\u00e9cnicos. Antes que se crie um paradoxo entre texto e linguagem, h\u00e1 uma sarc\u00e1stica sincroniza\u00e7\u00e3o entre esses: os indiv\u00edduos que constam nas fotos s\u00e3o elevados \u00e0 uma pl\u00e1stica publicit\u00e1ria, s\u00e3o imagens produzidas \u00e0 luz de flashes, de alegria artificial, onde c\u00e9us hiper saturados dividem o quadro com cores fortes,\u00a0 poses robustas e em uma ir\u00f4nica simula\u00e7\u00e3o de trejeitos espetaculares vistos em fotografias de moda. B\u00e1rbara toma emprestada uma pl\u00e1stica comumente usada em fotografias publicit\u00e1rias para emanar o \u201clifestyle\u201d da periferia pernambucana e criar uma esp\u00e9cie de invers\u00e3o de valores, homenageando aquilo que \u00e9 frequentemente tratado como depredat\u00f3rio pela pr\u00f3pria publicidade e m\u00eddia.<\/p>\n<p>Nesse sentido, s\u00e3o os corpos os grandes protagonistas que permitem visualizar tamanha trucagem da artista; s\u00e3o corpos banais, reais, inflados em seus costumes; corpos esses que cada vez v\u00eam ganhando mais espa\u00e7o em obras documentais que v\u00eam contestar o corpo midi\u00e1tico (principalmente da moda), mas que aqui se sobressaem por justamente comportarem-se ironicamente como corpos midiatizados, perform\u00e1ticos, corpos sem vergonha de suas satura\u00e7\u00f5es, de suas car\u00edcias em p\u00fablico, de suas vestimentas e bandeiras. O corpo midi\u00e1tico da moda entendido aqui \u00e9 aquele trazido por Ana MerySehbe De Carli, capaz de intensificar sensa\u00e7\u00f5es a fim de uma est\u00e9tica da sedu\u00e7\u00e3o, onde o artif\u00edcio t\u00e9cnico \u00e9 usado para ultrapassar os limites do natural (DE CARLI, 2002, p.117). S\u00e3o esses corpos da periferia traduzidos na pl\u00e1stica publicit\u00e1ria (a qual muitas vezes lembra o trabalho do fot\u00f3grafo norte americano David LaChapelle, conhecido pela ironia er\u00f3tica de suas imagens) queservem de passagem e artif\u00edcio para um modo de ser, aqui ainda mais em voga em fun\u00e7\u00e3o dos recursos est\u00e9ticos utilizados (MARRA, 2008, p.65). B\u00e1rbara quis mostrar por meio da linguagem fotogr\u00e1fica que faz expl\u00edcita refer\u00eancia \u00e0 linguagem publicit\u00e1ria de pl\u00e1stica artificial aquilo que essa pr\u00f3pria linguagem estigmatiza: o gosto pelo vulgar, o costume popular, o er\u00f3tico no kitsch, isto \u00e9, o modo de ser dos retratados, e que de maneira alguma \u00e9 digno de desvaloriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1155 size-full\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/5.jpg\" alt=\"5\" width=\"315\" height=\"411\" \/><\/a><\/p>\n<p>Deste modo, s\u00e3o os corpos bronzeados e banhados a \u00f3leo em cores e sedu\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da publicidade de protetores solares que rompem os sentidos por emanciparem-se em tamanho artif\u00edcio, deixando em evid\u00eancia a perman\u00eancia e protuber\u00e2ncia dos costumes da periferia recifense; perman\u00eancia que a linguagem fotogr\u00e1fica n\u00e3o deixa de cessar para criar narrativas t\u00e3o dignas da contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica quanto da aprecia\u00e7\u00e3o em forma de fazer art\u00edstico.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>DE CARLI, Ana MerySehbe. <strong>O sensacional da moda<\/strong>. Caxias do Sul: EDUCS, 2002.<\/p>\n<p>MARRA, Claudio. <strong>Nas sombras de um sonho: <\/strong>hist\u00f3ria e linguagens da fotografia de moda. S\u00e3o Paulo: Senac, 2008.<\/p>\n<p>WAGNER, B\u00e1rbara.\u00a0<strong>Bras\u00edlia Teimosa.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cargocollective.com\/barbarawagner\/Brasilia-Teimosa-Stubborn-Brasilia&gt;. Acesso em: 30 mar. 2015.<\/p>\n<p>TEXTO<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em visita ao Museu de Arte do Rio no \u00faltimo m\u00eas de janeiro, pude apreciar a exposi\u00e7\u00e3o \u201cMuseu do Homem do Nordeste\u201d, a qual incitava o espectador a adentrar-se no universo do homem nordestino e suas rela\u00e7\u00f5es com trabalho, educa\u00e7\u00e3o, arte, sexualidade, economia al\u00e9m de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Entre os artistas expositores, me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o o trabalho da fot\u00f3grafa B\u00e1rbara Wagner, denominado \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d, datado de 2007. Em suas fotografias, B\u00e1rbara registra os encontros e costumes de indiv\u00edduos da periferia recifense nas praias da capital pernambucana, onde a tem\u00e1tica da ascens\u00e3o social da classe m\u00e9dia e a cultura da ostenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o recorrentes na grande narrativa visual que traz essa s\u00e9rie. Antes que se fa\u00e7am maiores interpreta\u00e7\u00f5es e interpela\u00e7\u00f5es visuais diante deste trabalho, trago as palavras de B\u00e1rbara sobre a s\u00e9rie \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d: &#8220;Durante quase dois anos, sempre aos domingos, fui a Bras\u00edlia Teimosa com a ideia de trazer luz a questo\u0303es raramente tocadas diretamente pela mi\u0301dia, que por natureza estigmatiza as questo\u0303es de gosto, de consumo e de comportamento experimentados em bairros de classes populares brasileiras. Durante o processo, o que mais me atraiu foi perceber uma sabedoria particular por tra\u0301s de toda aquela energia e vulgaridade, que tem tudo, menos pena de si pro\u0301pria&#8221; (WAGNER, 2015). Tudo que tange os intuitos narrativos e as inten\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie fotogr\u00e1fica \u00e9 muito bem resolvido, no entanto, o grande trunfo deste trabalho est\u00e1 calcado nas formas sint\u00e1ticas e nos fazeres da linguagem fotogr\u00e1fica. \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d est\u00e1 longe de, em termos visuais, se referir a uma fotografia humanit\u00e1ria, onde o homem \u00e9 v\u00edtima social do seu espa\u00e7o. H\u00e1 uma exalta\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o retratados, uma pl\u00e1stica que beira a fotografia comercial, uma vez que o uso de luzes artificiais na produ\u00e7\u00e3o deste trabalho \u00e9 percept\u00edvel em \u00e2mbitos t\u00e9cnicos. Antes que se crie um paradoxo entre texto e linguagem, h\u00e1 uma sarc\u00e1stica sincroniza\u00e7\u00e3o entre esses: os indiv\u00edduos que constam nas fotos s\u00e3o elevados \u00e0 uma pl\u00e1stica publicit\u00e1ria, s\u00e3o imagens produzidas \u00e0 luz de flashes, de alegria artificial, onde c\u00e9us hiper saturados dividem o quadro com cores fortes,\u00a0 poses robustas e em uma ir\u00f4nica simula\u00e7\u00e3o de trejeitos espetaculares vistos em fotografias de moda. B\u00e1rbara toma emprestada uma pl\u00e1stica comumente usada em fotografias publicit\u00e1rias para emanar o \u201clifestyle\u201d da periferia pernambucana e criar uma esp\u00e9cie de invers\u00e3o de valores, homenageando aquilo que \u00e9 frequentemente tratado como depredat\u00f3rio pela pr\u00f3pria publicidade e m\u00eddia. Nesse sentido, s\u00e3o os corpos os grandes protagonistas que permitem visualizar tamanha trucagem da artista; s\u00e3o corpos banais, reais, inflados em seus costumes; corpos esses que cada vez v\u00eam ganhando mais espa\u00e7o em obras documentais que v\u00eam contestar o corpo midi\u00e1tico (principalmente da moda), mas que aqui se sobressaem por justamente comportarem-se ironicamente como corpos midiatizados, perform\u00e1ticos, corpos sem vergonha de suas satura\u00e7\u00f5es, de suas car\u00edcias em p\u00fablico, de suas vestimentas e bandeiras. O corpo midi\u00e1tico da moda entendido aqui \u00e9 aquele trazido por Ana MerySehbe De Carli, capaz de intensificar sensa\u00e7\u00f5es a fim de uma est\u00e9tica da sedu\u00e7\u00e3o, onde o artif\u00edcio t\u00e9cnico \u00e9 usado para ultrapassar os limites do natural (DE CARLI, 2002, p.117). S\u00e3o esses corpos da periferia traduzidos na pl\u00e1stica publicit\u00e1ria (a qual muitas vezes lembra o trabalho do fot\u00f3grafo norte americano David LaChapelle, conhecido pela ironia er\u00f3tica de suas imagens) queservem de passagem e artif\u00edcio para um modo de ser, aqui ainda mais em voga em fun\u00e7\u00e3o dos recursos est\u00e9ticos utilizados (MARRA, 2008, p.65). B\u00e1rbara quis mostrar por meio da linguagem fotogr\u00e1fica que faz expl\u00edcita refer\u00eancia \u00e0 linguagem publicit\u00e1ria de pl\u00e1stica artificial aquilo que essa pr\u00f3pria linguagem estigmatiza: o gosto pelo vulgar, o costume popular, o er\u00f3tico no kitsch, isto \u00e9, o modo de ser dos retratados, e que de maneira alguma \u00e9 digno de desvaloriza\u00e7\u00e3o. Deste modo, s\u00e3o os corpos bronzeados e banhados a \u00f3leo em cores e sedu\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da publicidade de protetores solares que rompem os sentidos por emanciparem-se em tamanho artif\u00edcio, deixando em evid\u00eancia a perman\u00eancia e protuber\u00e2ncia dos costumes da periferia recifense; perman\u00eancia que a linguagem fotogr\u00e1fica n\u00e3o deixa de cessar para criar narrativas t\u00e3o dignas da contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica quanto da aprecia\u00e7\u00e3o em forma de fazer art\u00edstico. Refer\u00eancias DE CARLI, Ana MerySehbe. O sensacional da moda. Caxias do Sul: EDUCS, 2002. MARRA, Claudio. Nas sombras de um sonho: hist\u00f3ria e linguagens da fotografia de moda. S\u00e3o Paulo: Senac, 2008. WAGNER, B\u00e1rbara.\u00a0Bras\u00edlia Teimosa.\u00a0Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cargocollective.com\/barbarawagner\/Brasilia-Teimosa-Stubborn-Brasilia&gt;. Acesso em: 30 mar. 2015. TEXTO Maur\u00edcio Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d de B\u00e1rbara Wagner - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/brasilia-teimosa-de-barbara-wagner\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d de B\u00e1rbara Wagner - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Em visita ao Museu de Arte do Rio no \u00faltimo m\u00eas de janeiro, pude apreciar a exposi\u00e7\u00e3o \u201cMuseu do Homem do Nordeste\u201d, a qual incitava o espectador a adentrar-se no universo do homem nordestino e suas rela\u00e7\u00f5es com trabalho, educa\u00e7\u00e3o, arte, sexualidade, economia al\u00e9m de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. 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Tudo que tange os intuitos narrativos e as inten\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie fotogr\u00e1fica \u00e9 muito bem resolvido, no entanto, o grande trunfo deste trabalho est\u00e1 calcado nas formas sint\u00e1ticas e nos fazeres da linguagem fotogr\u00e1fica. \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d est\u00e1 longe de, em termos visuais, se referir a uma fotografia humanit\u00e1ria, onde o homem \u00e9 v\u00edtima social do seu espa\u00e7o. H\u00e1 uma exalta\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o retratados, uma pl\u00e1stica que beira a fotografia comercial, uma vez que o uso de luzes artificiais na produ\u00e7\u00e3o deste trabalho \u00e9 percept\u00edvel em \u00e2mbitos t\u00e9cnicos. Antes que se crie um paradoxo entre texto e linguagem, h\u00e1 uma sarc\u00e1stica sincroniza\u00e7\u00e3o entre esses: os indiv\u00edduos que constam nas fotos s\u00e3o elevados \u00e0 uma pl\u00e1stica publicit\u00e1ria, s\u00e3o imagens produzidas \u00e0 luz de flashes, de alegria artificial, onde c\u00e9us hiper saturados dividem o quadro com cores fortes,\u00a0 poses robustas e em uma ir\u00f4nica simula\u00e7\u00e3o de trejeitos espetaculares vistos em fotografias de moda. B\u00e1rbara toma emprestada uma pl\u00e1stica comumente usada em fotografias publicit\u00e1rias para emanar o \u201clifestyle\u201d da periferia pernambucana e criar uma esp\u00e9cie de invers\u00e3o de valores, homenageando aquilo que \u00e9 frequentemente tratado como depredat\u00f3rio pela pr\u00f3pria publicidade e m\u00eddia. Nesse sentido, s\u00e3o os corpos os grandes protagonistas que permitem visualizar tamanha trucagem da artista; s\u00e3o corpos banais, reais, inflados em seus costumes; corpos esses que cada vez v\u00eam ganhando mais espa\u00e7o em obras documentais que v\u00eam contestar o corpo midi\u00e1tico (principalmente da moda), mas que aqui se sobressaem por justamente comportarem-se ironicamente como corpos midiatizados, perform\u00e1ticos, corpos sem vergonha de suas satura\u00e7\u00f5es, de suas car\u00edcias em p\u00fablico, de suas vestimentas e bandeiras. O corpo midi\u00e1tico da moda entendido aqui \u00e9 aquele trazido por Ana MerySehbe De Carli, capaz de intensificar sensa\u00e7\u00f5es a fim de uma est\u00e9tica da sedu\u00e7\u00e3o, onde o artif\u00edcio t\u00e9cnico \u00e9 usado para ultrapassar os limites do natural (DE CARLI, 2002, p.117). S\u00e3o esses corpos da periferia traduzidos na pl\u00e1stica publicit\u00e1ria (a qual muitas vezes lembra o trabalho do fot\u00f3grafo norte americano David LaChapelle, conhecido pela ironia er\u00f3tica de suas imagens) queservem de passagem e artif\u00edcio para um modo de ser, aqui ainda mais em voga em fun\u00e7\u00e3o dos recursos est\u00e9ticos utilizados (MARRA, 2008, p.65). B\u00e1rbara quis mostrar por meio da linguagem fotogr\u00e1fica que faz expl\u00edcita refer\u00eancia \u00e0 linguagem publicit\u00e1ria de pl\u00e1stica artificial aquilo que essa pr\u00f3pria linguagem estigmatiza: o gosto pelo vulgar, o costume popular, o er\u00f3tico no kitsch, isto \u00e9, o modo de ser dos retratados, e que de maneira alguma \u00e9 digno de desvaloriza\u00e7\u00e3o. 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Tudo que tange os intuitos narrativos e as inten\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie fotogr\u00e1fica \u00e9 muito bem resolvido, no entanto, o grande trunfo deste trabalho est\u00e1 calcado nas formas sint\u00e1ticas e nos fazeres da linguagem fotogr\u00e1fica. \u201cBras\u00edlia Teimosa\u201d est\u00e1 longe de, em termos visuais, se referir a uma fotografia humanit\u00e1ria, onde o homem \u00e9 v\u00edtima social do seu espa\u00e7o. H\u00e1 uma exalta\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o retratados, uma pl\u00e1stica que beira a fotografia comercial, uma vez que o uso de luzes artificiais na produ\u00e7\u00e3o deste trabalho \u00e9 percept\u00edvel em \u00e2mbitos t\u00e9cnicos. Antes que se crie um paradoxo entre texto e linguagem, h\u00e1 uma sarc\u00e1stica sincroniza\u00e7\u00e3o entre esses: os indiv\u00edduos que constam nas fotos s\u00e3o elevados \u00e0 uma pl\u00e1stica publicit\u00e1ria, s\u00e3o imagens produzidas \u00e0 luz de flashes, de alegria artificial, onde c\u00e9us hiper saturados dividem o quadro com cores fortes,\u00a0 poses robustas e em uma ir\u00f4nica simula\u00e7\u00e3o de trejeitos espetaculares vistos em fotografias de moda. B\u00e1rbara toma emprestada uma pl\u00e1stica comumente usada em fotografias publicit\u00e1rias para emanar o \u201clifestyle\u201d da periferia pernambucana e criar uma esp\u00e9cie de invers\u00e3o de valores, homenageando aquilo que \u00e9 frequentemente tratado como depredat\u00f3rio pela pr\u00f3pria publicidade e m\u00eddia. Nesse sentido, s\u00e3o os corpos os grandes protagonistas que permitem visualizar tamanha trucagem da artista; s\u00e3o corpos banais, reais, inflados em seus costumes; corpos esses que cada vez v\u00eam ganhando mais espa\u00e7o em obras documentais que v\u00eam contestar o corpo midi\u00e1tico (principalmente da moda), mas que aqui se sobressaem por justamente comportarem-se ironicamente como corpos midiatizados, perform\u00e1ticos, corpos sem vergonha de suas satura\u00e7\u00f5es, de suas car\u00edcias em p\u00fablico, de suas vestimentas e bandeiras. O corpo midi\u00e1tico da moda entendido aqui \u00e9 aquele trazido por Ana MerySehbe De Carli, capaz de intensificar sensa\u00e7\u00f5es a fim de uma est\u00e9tica da sedu\u00e7\u00e3o, onde o artif\u00edcio t\u00e9cnico \u00e9 usado para ultrapassar os limites do natural (DE CARLI, 2002, p.117). S\u00e3o esses corpos da periferia traduzidos na pl\u00e1stica publicit\u00e1ria (a qual muitas vezes lembra o trabalho do fot\u00f3grafo norte americano David LaChapelle, conhecido pela ironia er\u00f3tica de suas imagens) queservem de passagem e artif\u00edcio para um modo de ser, aqui ainda mais em voga em fun\u00e7\u00e3o dos recursos est\u00e9ticos utilizados (MARRA, 2008, p.65). B\u00e1rbara quis mostrar por meio da linguagem fotogr\u00e1fica que faz expl\u00edcita refer\u00eancia \u00e0 linguagem publicit\u00e1ria de pl\u00e1stica artificial aquilo que essa pr\u00f3pria linguagem estigmatiza: o gosto pelo vulgar, o costume popular, o er\u00f3tico no kitsch, isto \u00e9, o modo de ser dos retratados, e que de maneira alguma \u00e9 digno de desvaloriza\u00e7\u00e3o. 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