{"id":1218,"date":"2015-06-15T01:54:11","date_gmt":"2015-06-15T01:54:11","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1216"},"modified":"2015-06-15T01:54:11","modified_gmt":"2015-06-15T01:54:11","slug":"pluralidade-binaria-dos-corpos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/pluralidade-binaria-dos-corpos\/","title":{"rendered":"Pluralidade (bin\u00e1ria?) dos corpos"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 da minha recente leitura da obra Breve hist\u00f3ria do corpo e seus monstros (1999) de Ieda Tucherman que extraio o seguinte pensamento para nossa discuss\u00e3o: <\/p>\n<p>Assim, se na modernidade as fronteiras demarcadas permitiam que o freak fosse percebido como \u201cum outro\u201d, na nossa atual experi\u00eancia parece ter-se configurado uma forma que afirma direito \u00e0 diferen\u00e7a e \u00e0 individualidade calcado fora do par\u00e2metro bin\u00e1rio, mas na ideia de uma pluralidade de diferen\u00e7as irredut\u00edveis \u00e0 binaridade. Em princ\u00edpio, dever\u00edamos assumir como salutar esta nova proposta de culto \u00e0 diferen\u00e7a, pois ela deveria gerar pluralidades correspondentes de cria\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o. O que, no entanto, parece fazer-se presente, \u00e9 que o atual processo de diferencia\u00e7\u00e3o tem, paradoxalmente, conduzido a uma profunda homogeneiza\u00e7\u00e3o, onde as condi\u00e7\u00f5es efetivas de criar e inventar parecem dissolver-se numa sociedade voltada para o consumo e para o mercado (TUCHERMAN, 1999, p.155). <\/p>\n<p>A autora faz um breve hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es de identidade e alteridade do corpo humano e um dos exemplos not\u00f3rios \u00e9 o processo de diferencia\u00e7\u00e3o do sujeito na era moderna com o \u201cfreak\u201d, pessoas que nasceram com alguma defici\u00eancia ou mesmo as que teriam optado por se inserirem nesta categoria \u201cfreak\u201d por alguma caracter\u00edstica especial (como eram vistos os tatuados na \u00e9poca) e como esses indiv\u00edduos eram tratados como \u201cos outros\u201d, geralmente pessoas mostradas em shows e performances espec\u00edficas para voyeurs curiosos. Dos anos 60 em diante, a no\u00e7\u00e3o de \u201cfreak\u201d passa a ser digna de reapropria\u00e7\u00e3o para a l\u00f3gica do consumo; os corpos reivindicantes da contracultura (corpos feministas, corpos gays, corpos hippies, corpos punks) s\u00e3o incorporados ao sistema cultural vigente num movimento em que \u201cobtinham-se duas excepcionais vantagens, j\u00e1 que, incorporando-os como produto, anulava-se a critica que eles representavam e, de outro lado, realimentava-se a juventude, ao mesmo tempo, como categoria e p\u00fablico para o consumo\u201d (TUCHERMAN, 1999, p. 147). <\/p>\n<p>Este caminho te\u00f3rico apresentado por Ieda Tucherman abre espa\u00e7o para uma reflex\u00e3o t\u00e3o iminente quanto transbordada: h\u00e1 uma pluralidade de corpos e suas respectivas representa\u00e7\u00f5es no mundo mercadol\u00f3gico e midi\u00e1tico? Ou seria a pr\u00f3pria logica do mercado e do consumo um arcabou\u00e7o universal onde s\u00f3 se fazem poss\u00edveis as corporalidades que respiram em suas fronteiras? A pluralidade de corpos e representa\u00e7\u00f5es (que incorporaram os \u201cfreaks\u201d, as \u201cminorias\u201d, as apologias controversas, as drogas \u2013 visto o visual heroin chic dos anos 1990 ) que permeiam a m\u00eddia e a moda, por exemplo, a qual Tucherman questiona, talvez n\u00e3o tenham exclu\u00eddo os par\u00e2metros bin\u00e1rios e sim os colocado em extrema tens\u00e3o para o proveito das l\u00f3gicas de consumo. Como esp\u00e9cie de um torneio de gladiadores contempor\u00e2neos, o que observo \u00e9 uma retroalimenta\u00e7\u00e3o das potenciais corporalidades dispon\u00edveis em posi\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas de nega\u00e7\u00e3o\/afirma\u00e7\u00e3o, em que a diferen\u00e7a e a pluralidade s\u00e3o vari\u00e1veis previamente determinadas e hierarquizadas por inst\u00e2ncias que exercem o controle social como a pol\u00edtica, a m\u00eddia e o pr\u00f3prio influxo dos indiv\u00edduos que emanam seus desejos \u2013 tabelados &#8211; sobre seus corpos e os corpos dos outros. As diferen\u00e7as podem ser poss\u00edveis, mas n\u00e3o atuam com valores na l\u00f3gica da cultura. Vide a capa da revista Vogue Brasil do m\u00eas de junho, que traz a socialite e modelo norte-americana Kim Kardashian; a chamada n\u00e3o omite o sistema de repeti\u00e7\u00e3o da moda, mas retoca o \u00edntimo das rela\u00e7\u00f5es de afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o que temos com nossos corpos: \u201ccurvas dominam o red carpet e definem um novo corpo ideal\u201d. As p\u00e1ginas da publica\u00e7\u00e3o, no entanto, continuam majoritariamente preenchidas por corpos magros e longil\u00edneos. Parece a pluralidade, neste contempor\u00e2neo, uma grande roleta, onde as potenciais escolhas est\u00e3o sempre a espera de onde se estabilizar\u00e1 a esfera, pontuando qual aposta foi a mais bem-aventurada. Para os outros \u201cposs\u00edveis plurais\u201d, os poss\u00edveis novos corpos ideais, os poss\u00edveis novos corpos postulados ao establishment, resta a sorte de uma nova rodada \u2013 do mesmo jogo &#8211; que contemple suas ilus\u00f3rias diferen\u00e7as. <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/capa-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/capa-1.jpg\" alt=\"capa-1\" width=\"660\" height=\"888\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1217\" \/><\/a><\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>TUCHERMAN, Ieda. Breve hist\u00f3ria do corpo e de seus monstros. Lisboa: Vega, 1999. (Passagens).<\/p>\n<p>TEXTO:<br \/>\nMaur\u00edcio Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 da minha recente leitura da obra Breve hist\u00f3ria do corpo e seus monstros (1999) de Ieda Tucherman que extraio o seguinte pensamento para nossa discuss\u00e3o: Assim, se na modernidade as fronteiras demarcadas permitiam que o freak fosse percebido como \u201cum outro\u201d, na nossa atual experi\u00eancia parece ter-se configurado uma forma que afirma direito \u00e0 diferen\u00e7a e \u00e0 individualidade calcado fora do par\u00e2metro bin\u00e1rio, mas na ideia de uma pluralidade de diferen\u00e7as irredut\u00edveis \u00e0 binaridade. Em princ\u00edpio, dever\u00edamos assumir como salutar esta nova proposta de culto \u00e0 diferen\u00e7a, pois ela deveria gerar pluralidades correspondentes de cria\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o. O que, no entanto, parece fazer-se presente, \u00e9 que o atual processo de diferencia\u00e7\u00e3o tem, paradoxalmente, conduzido a uma profunda homogeneiza\u00e7\u00e3o, onde as condi\u00e7\u00f5es efetivas de criar e inventar parecem dissolver-se numa sociedade voltada para o consumo e para o mercado (TUCHERMAN, 1999, p.155). A autora faz um breve hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es de identidade e alteridade do corpo humano e um dos exemplos not\u00f3rios \u00e9 o processo de diferencia\u00e7\u00e3o do sujeito na era moderna com o \u201cfreak\u201d, pessoas que nasceram com alguma defici\u00eancia ou mesmo as que teriam optado por se inserirem nesta categoria \u201cfreak\u201d por alguma caracter\u00edstica especial (como eram vistos os tatuados na \u00e9poca) e como esses indiv\u00edduos eram tratados como \u201cos outros\u201d, geralmente pessoas mostradas em shows e performances espec\u00edficas para voyeurs curiosos. Dos anos 60 em diante, a no\u00e7\u00e3o de \u201cfreak\u201d passa a ser digna de reapropria\u00e7\u00e3o para a l\u00f3gica do consumo; os corpos reivindicantes da contracultura (corpos feministas, corpos gays, corpos hippies, corpos punks) s\u00e3o incorporados ao sistema cultural vigente num movimento em que \u201cobtinham-se duas excepcionais vantagens, j\u00e1 que, incorporando-os como produto, anulava-se a critica que eles representavam e, de outro lado, realimentava-se a juventude, ao mesmo tempo, como categoria e p\u00fablico para o consumo\u201d (TUCHERMAN, 1999, p. 147). Este caminho te\u00f3rico apresentado por Ieda Tucherman abre espa\u00e7o para uma reflex\u00e3o t\u00e3o iminente quanto transbordada: h\u00e1 uma pluralidade de corpos e suas respectivas representa\u00e7\u00f5es no mundo mercadol\u00f3gico e midi\u00e1tico? 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Vide a capa da revista Vogue Brasil do m\u00eas de junho, que traz a socialite e modelo norte-americana Kim Kardashian; a chamada n\u00e3o omite o sistema de repeti\u00e7\u00e3o da moda, mas retoca o \u00edntimo das rela\u00e7\u00f5es de afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o que temos com nossos corpos: \u201ccurvas dominam o red carpet e definem um novo corpo ideal\u201d. As p\u00e1ginas da publica\u00e7\u00e3o, no entanto, continuam majoritariamente preenchidas por corpos magros e longil\u00edneos. Parece a pluralidade, neste contempor\u00e2neo, uma grande roleta, onde as potenciais escolhas est\u00e3o sempre a espera de onde se estabilizar\u00e1 a esfera, pontuando qual aposta foi a mais bem-aventurada. Para os outros \u201cposs\u00edveis plurais\u201d, os poss\u00edveis novos corpos ideais, os poss\u00edveis novos corpos postulados ao establishment, resta a sorte de uma nova rodada \u2013 do mesmo jogo &#8211; que contemple suas ilus\u00f3rias diferen\u00e7as. Refer\u00eancias: TUCHERMAN, Ieda. Breve hist\u00f3ria do corpo e de seus monstros. Lisboa: Vega, 1999. (Passagens). TEXTO: Maur\u00edcio Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1582,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1218","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Pluralidade (bin\u00e1ria?) dos corpos - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/pluralidade-binaria-dos-corpos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pluralidade (bin\u00e1ria?) dos corpos - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00c9 da minha recente leitura da obra Breve hist\u00f3ria do corpo e seus monstros (1999) de Ieda Tucherman que extraio o seguinte pensamento para nossa discuss\u00e3o: Assim, se na modernidade as fronteiras demarcadas permitiam que o freak fosse percebido como \u201cum outro\u201d, na nossa atual experi\u00eancia parece ter-se configurado uma forma que afirma direito \u00e0 diferen\u00e7a e \u00e0 individualidade calcado fora do par\u00e2metro bin\u00e1rio, mas na ideia de uma pluralidade de diferen\u00e7as irredut\u00edveis \u00e0 binaridade. 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A autora faz um breve hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es de identidade e alteridade do corpo humano e um dos exemplos not\u00f3rios \u00e9 o processo de diferencia\u00e7\u00e3o do sujeito na era moderna com o \u201cfreak\u201d, pessoas que nasceram com alguma defici\u00eancia ou mesmo as que teriam optado por se inserirem nesta categoria \u201cfreak\u201d por alguma caracter\u00edstica especial (como eram vistos os tatuados na \u00e9poca) e como esses indiv\u00edduos eram tratados como \u201cos outros\u201d, geralmente pessoas mostradas em shows e performances espec\u00edficas para voyeurs curiosos. Dos anos 60 em diante, a no\u00e7\u00e3o de \u201cfreak\u201d passa a ser digna de reapropria\u00e7\u00e3o para a l\u00f3gica do consumo; os corpos reivindicantes da contracultura (corpos feministas, corpos gays, corpos hippies, corpos punks) s\u00e3o incorporados ao sistema cultural vigente num movimento em que \u201cobtinham-se duas excepcionais vantagens, j\u00e1 que, incorporando-os como produto, anulava-se a critica que eles representavam e, de outro lado, realimentava-se a juventude, ao mesmo tempo, como categoria e p\u00fablico para o consumo\u201d (TUCHERMAN, 1999, p. 147). Este caminho te\u00f3rico apresentado por Ieda Tucherman abre espa\u00e7o para uma reflex\u00e3o t\u00e3o iminente quanto transbordada: h\u00e1 uma pluralidade de corpos e suas respectivas representa\u00e7\u00f5es no mundo mercadol\u00f3gico e midi\u00e1tico? 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Em princ\u00edpio, dever\u00edamos assumir como salutar esta nova proposta de culto \u00e0 diferen\u00e7a, pois ela deveria gerar pluralidades correspondentes de cria\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o. O que, no entanto, parece fazer-se presente, \u00e9 que o atual processo de diferencia\u00e7\u00e3o tem, paradoxalmente, conduzido a uma profunda homogeneiza\u00e7\u00e3o, onde as condi\u00e7\u00f5es efetivas de criar e inventar parecem dissolver-se numa sociedade voltada para o consumo e para o mercado (TUCHERMAN, 1999, p.155). A autora faz um breve hist\u00f3rico das rela\u00e7\u00f5es de identidade e alteridade do corpo humano e um dos exemplos not\u00f3rios \u00e9 o processo de diferencia\u00e7\u00e3o do sujeito na era moderna com o \u201cfreak\u201d, pessoas que nasceram com alguma defici\u00eancia ou mesmo as que teriam optado por se inserirem nesta categoria \u201cfreak\u201d por alguma caracter\u00edstica especial (como eram vistos os tatuados na \u00e9poca) e como esses indiv\u00edduos eram tratados como \u201cos outros\u201d, geralmente pessoas mostradas em shows e performances espec\u00edficas para voyeurs curiosos. 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Ou seria a pr\u00f3pria logica do mercado e do consumo um arcabou\u00e7o universal onde s\u00f3 se fazem poss\u00edveis as corporalidades que respiram em suas fronteiras? A pluralidade de corpos e representa\u00e7\u00f5es (que incorporaram os \u201cfreaks\u201d, as \u201cminorias\u201d, as apologias controversas, as drogas \u2013 visto o visual heroin chic dos anos 1990 ) que permeiam a m\u00eddia e a moda, por exemplo, a qual Tucherman questiona, talvez n\u00e3o tenham exclu\u00eddo os par\u00e2metros bin\u00e1rios e sim os colocado em extrema tens\u00e3o para o proveito das l\u00f3gicas de consumo. Como esp\u00e9cie de um torneio de gladiadores contempor\u00e2neos, o que observo \u00e9 uma retroalimenta\u00e7\u00e3o das potenciais corporalidades dispon\u00edveis em posi\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas de nega\u00e7\u00e3o\/afirma\u00e7\u00e3o, em que a diferen\u00e7a e a pluralidade s\u00e3o vari\u00e1veis previamente determinadas e hierarquizadas por inst\u00e2ncias que exercem o controle social como a pol\u00edtica, a m\u00eddia e o pr\u00f3prio influxo dos indiv\u00edduos que emanam seus desejos \u2013 tabelados &#8211; sobre seus corpos e os corpos dos outros. As diferen\u00e7as podem ser poss\u00edveis, mas n\u00e3o atuam com valores na l\u00f3gica da cultura. Vide a capa da revista Vogue Brasil do m\u00eas de junho, que traz a socialite e modelo norte-americana Kim Kardashian; a chamada n\u00e3o omite o sistema de repeti\u00e7\u00e3o da moda, mas retoca o \u00edntimo das rela\u00e7\u00f5es de afirma\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o que temos com nossos corpos: \u201ccurvas dominam o red carpet e definem um novo corpo ideal\u201d. As p\u00e1ginas da publica\u00e7\u00e3o, no entanto, continuam majoritariamente preenchidas por corpos magros e longil\u00edneos. Parece a pluralidade, neste contempor\u00e2neo, uma grande roleta, onde as potenciais escolhas est\u00e3o sempre a espera de onde se estabilizar\u00e1 a esfera, pontuando qual aposta foi a mais bem-aventurada. Para os outros \u201cposs\u00edveis plurais\u201d, os poss\u00edveis novos corpos ideais, os poss\u00edveis novos corpos postulados ao establishment, resta a sorte de uma nova rodada \u2013 do mesmo jogo &#8211; que contemple suas ilus\u00f3rias diferen\u00e7as. 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