{"id":1251,"date":"2015-09-14T23:01:23","date_gmt":"2015-09-14T23:01:23","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1251"},"modified":"2015-09-14T23:01:23","modified_gmt":"2015-09-14T23:01:23","slug":"sobre-outras-configuracoes-do-corpo-robotico-na-fotografia-de-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/sobre-outras-configuracoes-do-corpo-robotico-na-fotografia-de-moda\/","title":{"rendered":"Sobre outras configura\u00e7\u00f5es do corpo rob\u00f3tico na fotografia de moda"},"content":{"rendered":"<p>A figura dos rob\u00f4s (\u00e0s vezes chamados de andr\u00f3ides, outras de ciborgues, al\u00e9m de outras nomenclaturas) sempre teve grande espa\u00e7o reservado nos mais diversos produtos midi\u00e1ticos. Foram muitos os romances, filmes e seriados que exploraram os efeitos destes seres tecnol\u00f3gicos e de natureza maqu\u00ednica; principalmente quando se tratam de rob\u00f4s corporificados enquanto humanoides que se colocam em rela\u00e7\u00e3o com o humano, alimentando uma t\u00e3o radicada binariedade entre homem e m\u00e1quina. N\u00e3o \u00e9 diferente quando se trata da fotografia de moda: em seus ciclos de altern\u00e2ncia, de tempos em tempos vemos cria\u00e7\u00f5es que voltam a introduzir a narrativa do ciborgue em confronto com modelos humanos, ou a pr\u00f3pria m\u00e1quina fazendo jus ao corpo que veste a moda, ou ainda cria\u00e7\u00f5es que induzem \u00e0 tem\u00e1tica da hibridiza\u00e7\u00e3o entre o ser org\u00e2nico e o inorg\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1252 size-full\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein2.jpg\" alt=\"stevenklein2\" width=\"1000\" height=\"1300\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein2.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein2-231x300.jpg 231w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein2-788x1024.jpg 788w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein2-768x998.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a imagem do rob\u00f4 foi e continua sendo muito fetichizada por todos esses setores midi\u00e1ticos anteriormente citados. Como um ser emblem\u00e1tico e tecnol\u00f3gico que \u00e9 tratado com tamanha potencialidade em suas fun\u00e7\u00f5es, foi, por vezes, romantizado na m\u00eddia a fim de despertar curiosidades, conflitos e sonhos futur\u00edsticos em que o homem teria o seu pr\u00f3prio rob\u00f4, por exemplo.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, mais do que tentar entender o complexo emaranhado de rela\u00e7\u00f5es que fotografias de moda que apresentam rob\u00f4s v\u00eam a suscitar, queremos fazer um vislumbre inicial sobre algo que talvez esteja atualizando a forma como essas imagens v\u00eam sendo apresentadas. Na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o deste ano da revista inglesa \u201c<em>W<\/em>\u201d, o fot\u00f3grafo Steven Klein apresenta o editorial denominado \u201c<em>Love Machine<\/em>\u201d. Nas imagens \u00e9 poss\u00edvel ver modelos humanos em uma estreita rela\u00e7\u00e3o er\u00f3tica com rob\u00f4s, parecendo, em um primeiro momento, refor\u00e7ar a antiga tem\u00e1tica do confronto homem-m\u00e1quina. No entanto, ao olhar atentamente, n\u00e3o parece ser o rob\u00f4 uma corporeidade tratada com tamanho entusiasmo como outrora fora, nem parece estar refor\u00e7ando toda sua gl\u00f3ria tecnol\u00f3gica. O rob\u00f4, assim como o \u00e9 a figura humana, parece t\u00e3o naturalizado entre as coisas do mundo. Uma figura, portanto, absorvida e j\u00e1 pertencente \u00e0 cultura dessas imagens. Mas ent\u00e3o qual o seu prop\u00f3sito? Somente tomar a mesma posi\u00e7\u00e3o que poderia ser de outro corpo humano, uma simples substitui\u00e7\u00e3o e equaliza\u00e7\u00e3o dos seres?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1253 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1.jpg?w=660\" alt=\"timwalker1\" width=\"660\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1.jpg 1538w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker1-1536x1152.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1254 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker3.jpg?w=660\" alt=\"timwalker3\" width=\"660\" height=\"988\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker3.jpg 772w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker3-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker3-684x1024.jpg 684w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/timwalker3-768x1150.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ao visualizarmos o editorial clicado por Tim Walker para a <em>Vogue<\/em> It\u00e1lia de Mar\u00e7o de 2014 temos a mesma sensa\u00e7\u00e3o: o romance l\u00fadico entre o rob\u00f4 e a modelo prop\u00f5e gestos, performances e express\u00f5es que complementam o estranhamento\u00a0 dessa rela\u00e7\u00e3o com uma familiar sensa\u00e7\u00e3o cotidiana. Isto \u00e9, embora os motes criativos fossem alterados, o rob\u00f4, se assim\u00a0 fosse substitu\u00eddo por um modelo humano, dificilmente alteraria o complexo narrativo dessas imagens.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a antiga premissa de inter-rela\u00e7\u00e3o humano-rob\u00f4 est\u00e1 presente, a retroalimenta\u00e7\u00e3o da figura humanoide dessas m\u00e1quinas\u00a0ainda \u00e9 constante e\u00a0 que toda a discuss\u00e3o filos\u00f3fica e acad\u00eamica\u00a0 contempor\u00e2nea que tenta dissolver (ao exemplo de Donna Haraway) essa binariedade ainda se faz extremamente presente. O que queremos \u00e9 lan\u00e7ar um olhar sobre poss\u00edveis outras configura\u00e7\u00f5es. Tantos nas imagens de Klein como de Walker, o rob\u00f4 n\u00e3o esta a\u00a0 reivindicar a sua natureza, mas sim servindo de artif\u00edcio para se pensar a natureza do homem\u00a0 com o seu mundo contempor\u00e2neo. Parecem essas m\u00e1quinas refor\u00e7arem seu pr\u00f3prio rebaixamento para trazer \u00e0 tona a solid\u00e3o humana. S\u00e3o <em>corpos-objeto<\/em> tornados naturalizados para que o que prevale\u00e7a seja o sentimento humano escancarado, as novas formas de frui\u00e7\u00e3o sexual e os novos paradigmas de relacionamento amoroso; mais do que estarem presentes para mostrarem seus efeitos sobre o humano, essas figuras talvez sugiram refletir sobre o que de mais maqu\u00ednico esteja acontecendo com o homem contempor\u00e2neo, ironicamente, inclusive, o homem que \u00e9 cercado e t\u00e3o familiarizado com a tecnologia. Ou ainda por estarem destinadas aos prop\u00f3sitos da moda, n\u00e3o seriam esses <em>corpos-m\u00e1quinas<\/em> um excesso de presen\u00e7a que vem a refor\u00e7ar a pr\u00f3pria mecaniza\u00e7\u00e3o de um homem sujeito (mas n\u00e3o necessariamente passivo) a um regime de consumo como o \u00e9 a alta moda ali apresentada? Esses s\u00e3o apenas outros questionamentos e ideias para refletirmos sobre imagens que trazem essa tem\u00e1tica para suas concep\u00e7\u00f5es criativas. Os rob\u00f4s sa\u00edram da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de filmes como <em>Blade Runner<\/em> de Ridley Scott (1982) para povoarem imagens de cunho comportamentista e narrativo da moda contempor\u00e2nea. Talvez um rob\u00f4, e com ele seu corpo por n\u00f3s j\u00e1 t\u00e3o naturalizado e absorvido, tenha a premissa de desnaturalizar o que sabemos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. E nenhum lugar melhor que a moda para romper nossas antigas ideias.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1255 size-large\" src=\"http:\/\/corporalidades.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/stevenklein4.jpg?w=660\" alt=\"stevenklein4\" width=\"660\" height=\"429\" \/><\/a><\/p>\n<p>TEXTO<\/p>\n<p>Mauricio Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A figura dos rob\u00f4s (\u00e0s vezes chamados de andr\u00f3ides, outras de ciborgues, al\u00e9m de outras nomenclaturas) sempre teve grande espa\u00e7o reservado nos mais diversos produtos midi\u00e1ticos. Foram muitos os romances, filmes e seriados que exploraram os efeitos destes seres tecnol\u00f3gicos e de natureza maqu\u00ednica; principalmente quando se tratam de rob\u00f4s corporificados enquanto humanoides que se colocam em rela\u00e7\u00e3o com o humano, alimentando uma t\u00e3o radicada binariedade entre homem e m\u00e1quina. N\u00e3o \u00e9 diferente quando se trata da fotografia de moda: em seus ciclos de altern\u00e2ncia, de tempos em tempos vemos cria\u00e7\u00f5es que voltam a introduzir a narrativa do ciborgue em confronto com modelos humanos, ou a pr\u00f3pria m\u00e1quina fazendo jus ao corpo que veste a moda, ou ainda cria\u00e7\u00f5es que induzem \u00e0 tem\u00e1tica da hibridiza\u00e7\u00e3o entre o ser org\u00e2nico e o inorg\u00e2nico. \u00c9 verdade que a imagem do rob\u00f4 foi e continua sendo muito fetichizada por todos esses setores midi\u00e1ticos anteriormente citados. Como um ser emblem\u00e1tico e tecnol\u00f3gico que \u00e9 tratado com tamanha potencialidade em suas fun\u00e7\u00f5es, foi, por vezes, romantizado na m\u00eddia a fim de despertar curiosidades, conflitos e sonhos futur\u00edsticos em que o homem teria o seu pr\u00f3prio rob\u00f4, por exemplo. Nessa perspectiva, mais do que tentar entender o complexo emaranhado de rela\u00e7\u00f5es que fotografias de moda que apresentam rob\u00f4s v\u00eam a suscitar, queremos fazer um vislumbre inicial sobre algo que talvez esteja atualizando a forma como essas imagens v\u00eam sendo apresentadas. Na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o deste ano da revista inglesa \u201cW\u201d, o fot\u00f3grafo Steven Klein apresenta o editorial denominado \u201cLove Machine\u201d. Nas imagens \u00e9 poss\u00edvel ver modelos humanos em uma estreita rela\u00e7\u00e3o er\u00f3tica com rob\u00f4s, parecendo, em um primeiro momento, refor\u00e7ar a antiga tem\u00e1tica do confronto homem-m\u00e1quina. No entanto, ao olhar atentamente, n\u00e3o parece ser o rob\u00f4 uma corporeidade tratada com tamanho entusiasmo como outrora fora, nem parece estar refor\u00e7ando toda sua gl\u00f3ria tecnol\u00f3gica. O rob\u00f4, assim como o \u00e9 a figura humana, parece t\u00e3o naturalizado entre as coisas do mundo. Uma figura, portanto, absorvida e j\u00e1 pertencente \u00e0 cultura dessas imagens. Mas ent\u00e3o qual o seu prop\u00f3sito? Somente tomar a mesma posi\u00e7\u00e3o que poderia ser de outro corpo humano, uma simples substitui\u00e7\u00e3o e equaliza\u00e7\u00e3o dos seres? Ao visualizarmos o editorial clicado por Tim Walker para a Vogue It\u00e1lia de Mar\u00e7o de 2014 temos a mesma sensa\u00e7\u00e3o: o romance l\u00fadico entre o rob\u00f4 e a modelo prop\u00f5e gestos, performances e express\u00f5es que complementam o estranhamento\u00a0 dessa rela\u00e7\u00e3o com uma familiar sensa\u00e7\u00e3o cotidiana. Isto \u00e9, embora os motes criativos fossem alterados, o rob\u00f4, se assim\u00a0 fosse substitu\u00eddo por um modelo humano, dificilmente alteraria o complexo narrativo dessas imagens. \u00c9 claro que a antiga premissa de inter-rela\u00e7\u00e3o humano-rob\u00f4 est\u00e1 presente, a retroalimenta\u00e7\u00e3o da figura humanoide dessas m\u00e1quinas\u00a0ainda \u00e9 constante e\u00a0 que toda a discuss\u00e3o filos\u00f3fica e acad\u00eamica\u00a0 contempor\u00e2nea que tenta dissolver (ao exemplo de Donna Haraway) essa binariedade ainda se faz extremamente presente. O que queremos \u00e9 lan\u00e7ar um olhar sobre poss\u00edveis outras configura\u00e7\u00f5es. Tantos nas imagens de Klein como de Walker, o rob\u00f4 n\u00e3o esta a\u00a0 reivindicar a sua natureza, mas sim servindo de artif\u00edcio para se pensar a natureza do homem\u00a0 com o seu mundo contempor\u00e2neo. Parecem essas m\u00e1quinas refor\u00e7arem seu pr\u00f3prio rebaixamento para trazer \u00e0 tona a solid\u00e3o humana. S\u00e3o corpos-objeto tornados naturalizados para que o que prevale\u00e7a seja o sentimento humano escancarado, as novas formas de frui\u00e7\u00e3o sexual e os novos paradigmas de relacionamento amoroso; mais do que estarem presentes para mostrarem seus efeitos sobre o humano, essas figuras talvez sugiram refletir sobre o que de mais maqu\u00ednico esteja acontecendo com o homem contempor\u00e2neo, ironicamente, inclusive, o homem que \u00e9 cercado e t\u00e3o familiarizado com a tecnologia. Ou ainda por estarem destinadas aos prop\u00f3sitos da moda, n\u00e3o seriam esses corpos-m\u00e1quinas um excesso de presen\u00e7a que vem a refor\u00e7ar a pr\u00f3pria mecaniza\u00e7\u00e3o de um homem sujeito (mas n\u00e3o necessariamente passivo) a um regime de consumo como o \u00e9 a alta moda ali apresentada? Esses s\u00e3o apenas outros questionamentos e ideias para refletirmos sobre imagens que trazem essa tem\u00e1tica para suas concep\u00e7\u00f5es criativas. Os rob\u00f4s sa\u00edram da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de filmes como Blade Runner de Ridley Scott (1982) para povoarem imagens de cunho comportamentista e narrativo da moda contempor\u00e2nea. Talvez um rob\u00f4, e com ele seu corpo por n\u00f3s j\u00e1 t\u00e3o naturalizado e absorvido, tenha a premissa de desnaturalizar o que sabemos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. E nenhum lugar melhor que a moda para romper nossas antigas ideias. TEXTO Mauricio Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Sobre outras configura\u00e7\u00f5es do corpo rob\u00f3tico na fotografia de moda - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/sobre-outras-configuracoes-do-corpo-robotico-na-fotografia-de-moda\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sobre outras configura\u00e7\u00f5es do corpo rob\u00f3tico na fotografia de moda - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A figura dos rob\u00f4s (\u00e0s vezes chamados de andr\u00f3ides, outras de ciborgues, al\u00e9m de outras nomenclaturas) sempre teve grande espa\u00e7o reservado nos mais diversos produtos midi\u00e1ticos. Foram muitos os romances, filmes e seriados que exploraram os efeitos destes seres tecnol\u00f3gicos e de natureza maqu\u00ednica; principalmente quando se tratam de rob\u00f4s corporificados enquanto humanoides que se colocam em rela\u00e7\u00e3o com o humano, alimentando uma t\u00e3o radicada binariedade entre homem e m\u00e1quina. N\u00e3o \u00e9 diferente quando se trata da fotografia de moda: em seus ciclos de altern\u00e2ncia, de tempos em tempos vemos cria\u00e7\u00f5es que voltam a introduzir a narrativa do ciborgue em confronto com modelos humanos, ou a pr\u00f3pria m\u00e1quina fazendo jus ao corpo que veste a moda, ou ainda cria\u00e7\u00f5es que induzem \u00e0 tem\u00e1tica da hibridiza\u00e7\u00e3o entre o ser org\u00e2nico e o inorg\u00e2nico. \u00c9 verdade que a imagem do rob\u00f4 foi e continua sendo muito fetichizada por todos esses setores midi\u00e1ticos anteriormente citados. Como um ser emblem\u00e1tico e tecnol\u00f3gico que \u00e9 tratado com tamanha potencialidade em suas fun\u00e7\u00f5es, foi, por vezes, romantizado na m\u00eddia a fim de despertar curiosidades, conflitos e sonhos futur\u00edsticos em que o homem teria o seu pr\u00f3prio rob\u00f4, por exemplo. Nessa perspectiva, mais do que tentar entender o complexo emaranhado de rela\u00e7\u00f5es que fotografias de moda que apresentam rob\u00f4s v\u00eam a suscitar, queremos fazer um vislumbre inicial sobre algo que talvez esteja atualizando a forma como essas imagens v\u00eam sendo apresentadas. Na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o deste ano da revista inglesa \u201cW\u201d, o fot\u00f3grafo Steven Klein apresenta o editorial denominado \u201cLove Machine\u201d. Nas imagens \u00e9 poss\u00edvel ver modelos humanos em uma estreita rela\u00e7\u00e3o er\u00f3tica com rob\u00f4s, parecendo, em um primeiro momento, refor\u00e7ar a antiga tem\u00e1tica do confronto homem-m\u00e1quina. No entanto, ao olhar atentamente, n\u00e3o parece ser o rob\u00f4 uma corporeidade tratada com tamanho entusiasmo como outrora fora, nem parece estar refor\u00e7ando toda sua gl\u00f3ria tecnol\u00f3gica. O rob\u00f4, assim como o \u00e9 a figura humana, parece t\u00e3o naturalizado entre as coisas do mundo. Uma figura, portanto, absorvida e j\u00e1 pertencente \u00e0 cultura dessas imagens. Mas ent\u00e3o qual o seu prop\u00f3sito? Somente tomar a mesma posi\u00e7\u00e3o que poderia ser de outro corpo humano, uma simples substitui\u00e7\u00e3o e equaliza\u00e7\u00e3o dos seres? Ao visualizarmos o editorial clicado por Tim Walker para a Vogue It\u00e1lia de Mar\u00e7o de 2014 temos a mesma sensa\u00e7\u00e3o: o romance l\u00fadico entre o rob\u00f4 e a modelo prop\u00f5e gestos, performances e express\u00f5es que complementam o estranhamento\u00a0 dessa rela\u00e7\u00e3o com uma familiar sensa\u00e7\u00e3o cotidiana. Isto \u00e9, embora os motes criativos fossem alterados, o rob\u00f4, se assim\u00a0 fosse substitu\u00eddo por um modelo humano, dificilmente alteraria o complexo narrativo dessas imagens. \u00c9 claro que a antiga premissa de inter-rela\u00e7\u00e3o humano-rob\u00f4 est\u00e1 presente, a retroalimenta\u00e7\u00e3o da figura humanoide dessas m\u00e1quinas\u00a0ainda \u00e9 constante e\u00a0 que toda a discuss\u00e3o filos\u00f3fica e acad\u00eamica\u00a0 contempor\u00e2nea que tenta dissolver (ao exemplo de Donna Haraway) essa binariedade ainda se faz extremamente presente. O que queremos \u00e9 lan\u00e7ar um olhar sobre poss\u00edveis outras configura\u00e7\u00f5es. Tantos nas imagens de Klein como de Walker, o rob\u00f4 n\u00e3o esta a\u00a0 reivindicar a sua natureza, mas sim servindo de artif\u00edcio para se pensar a natureza do homem\u00a0 com o seu mundo contempor\u00e2neo. Parecem essas m\u00e1quinas refor\u00e7arem seu pr\u00f3prio rebaixamento para trazer \u00e0 tona a solid\u00e3o humana. S\u00e3o corpos-objeto tornados naturalizados para que o que prevale\u00e7a seja o sentimento humano escancarado, as novas formas de frui\u00e7\u00e3o sexual e os novos paradigmas de relacionamento amoroso; mais do que estarem presentes para mostrarem seus efeitos sobre o humano, essas figuras talvez sugiram refletir sobre o que de mais maqu\u00ednico esteja acontecendo com o homem contempor\u00e2neo, ironicamente, inclusive, o homem que \u00e9 cercado e t\u00e3o familiarizado com a tecnologia. Ou ainda por estarem destinadas aos prop\u00f3sitos da moda, n\u00e3o seriam esses corpos-m\u00e1quinas um excesso de presen\u00e7a que vem a refor\u00e7ar a pr\u00f3pria mecaniza\u00e7\u00e3o de um homem sujeito (mas n\u00e3o necessariamente passivo) a um regime de consumo como o \u00e9 a alta moda ali apresentada? Esses s\u00e3o apenas outros questionamentos e ideias para refletirmos sobre imagens que trazem essa tem\u00e1tica para suas concep\u00e7\u00f5es criativas. Os rob\u00f4s sa\u00edram da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de filmes como Blade Runner de Ridley Scott (1982) para povoarem imagens de cunho comportamentista e narrativo da moda contempor\u00e2nea. Talvez um rob\u00f4, e com ele seu corpo por n\u00f3s j\u00e1 t\u00e3o naturalizado e absorvido, tenha a premissa de desnaturalizar o que sabemos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. E nenhum lugar melhor que a moda para romper nossas antigas ideias. 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Foram muitos os romances, filmes e seriados que exploraram os efeitos destes seres tecnol\u00f3gicos e de natureza maqu\u00ednica; principalmente quando se tratam de rob\u00f4s corporificados enquanto humanoides que se colocam em rela\u00e7\u00e3o com o humano, alimentando uma t\u00e3o radicada binariedade entre homem e m\u00e1quina. N\u00e3o \u00e9 diferente quando se trata da fotografia de moda: em seus ciclos de altern\u00e2ncia, de tempos em tempos vemos cria\u00e7\u00f5es que voltam a introduzir a narrativa do ciborgue em confronto com modelos humanos, ou a pr\u00f3pria m\u00e1quina fazendo jus ao corpo que veste a moda, ou ainda cria\u00e7\u00f5es que induzem \u00e0 tem\u00e1tica da hibridiza\u00e7\u00e3o entre o ser org\u00e2nico e o inorg\u00e2nico. \u00c9 verdade que a imagem do rob\u00f4 foi e continua sendo muito fetichizada por todos esses setores midi\u00e1ticos anteriormente citados. Como um ser emblem\u00e1tico e tecnol\u00f3gico que \u00e9 tratado com tamanha potencialidade em suas fun\u00e7\u00f5es, foi, por vezes, romantizado na m\u00eddia a fim de despertar curiosidades, conflitos e sonhos futur\u00edsticos em que o homem teria o seu pr\u00f3prio rob\u00f4, por exemplo. Nessa perspectiva, mais do que tentar entender o complexo emaranhado de rela\u00e7\u00f5es que fotografias de moda que apresentam rob\u00f4s v\u00eam a suscitar, queremos fazer um vislumbre inicial sobre algo que talvez esteja atualizando a forma como essas imagens v\u00eam sendo apresentadas. Na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o deste ano da revista inglesa \u201cW\u201d, o fot\u00f3grafo Steven Klein apresenta o editorial denominado \u201cLove Machine\u201d. Nas imagens \u00e9 poss\u00edvel ver modelos humanos em uma estreita rela\u00e7\u00e3o er\u00f3tica com rob\u00f4s, parecendo, em um primeiro momento, refor\u00e7ar a antiga tem\u00e1tica do confronto homem-m\u00e1quina. No entanto, ao olhar atentamente, n\u00e3o parece ser o rob\u00f4 uma corporeidade tratada com tamanho entusiasmo como outrora fora, nem parece estar refor\u00e7ando toda sua gl\u00f3ria tecnol\u00f3gica. O rob\u00f4, assim como o \u00e9 a figura humana, parece t\u00e3o naturalizado entre as coisas do mundo. Uma figura, portanto, absorvida e j\u00e1 pertencente \u00e0 cultura dessas imagens. Mas ent\u00e3o qual o seu prop\u00f3sito? Somente tomar a mesma posi\u00e7\u00e3o que poderia ser de outro corpo humano, uma simples substitui\u00e7\u00e3o e equaliza\u00e7\u00e3o dos seres? Ao visualizarmos o editorial clicado por Tim Walker para a Vogue It\u00e1lia de Mar\u00e7o de 2014 temos a mesma sensa\u00e7\u00e3o: o romance l\u00fadico entre o rob\u00f4 e a modelo prop\u00f5e gestos, performances e express\u00f5es que complementam o estranhamento\u00a0 dessa rela\u00e7\u00e3o com uma familiar sensa\u00e7\u00e3o cotidiana. Isto \u00e9, embora os motes criativos fossem alterados, o rob\u00f4, se assim\u00a0 fosse substitu\u00eddo por um modelo humano, dificilmente alteraria o complexo narrativo dessas imagens. \u00c9 claro que a antiga premissa de inter-rela\u00e7\u00e3o humano-rob\u00f4 est\u00e1 presente, a retroalimenta\u00e7\u00e3o da figura humanoide dessas m\u00e1quinas\u00a0ainda \u00e9 constante e\u00a0 que toda a discuss\u00e3o filos\u00f3fica e acad\u00eamica\u00a0 contempor\u00e2nea que tenta dissolver (ao exemplo de Donna Haraway) essa binariedade ainda se faz extremamente presente. O que queremos \u00e9 lan\u00e7ar um olhar sobre poss\u00edveis outras configura\u00e7\u00f5es. Tantos nas imagens de Klein como de Walker, o rob\u00f4 n\u00e3o esta a\u00a0 reivindicar a sua natureza, mas sim servindo de artif\u00edcio para se pensar a natureza do homem\u00a0 com o seu mundo contempor\u00e2neo. 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