{"id":1392,"date":"2017-04-21T10:00:51","date_gmt":"2017-04-21T10:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1392"},"modified":"2017-04-21T10:00:51","modified_gmt":"2017-04-21T10:00:51","slug":"na-torcida-corpos-subversivos-no-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/na-torcida-corpos-subversivos-no-futebol\/","title":{"rendered":"Na torcida! Corpos subversivos no futebol."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight:400;\">A Coligay, torcida organizada gay do Gr\u00eamio, a primeira do Brasil, comemora seus 40 anos de nascimento e n\u00e3o tinha como n\u00e3o falar deles aqui no Corporalidades, em se tratando da representatividade, da import\u00e2ncia desse ato de desconstru\u00e7\u00e3o da normatividade e a ocupa\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o em que LGBT tamb\u00e9m podem ocupar, que \u00e9 o futebol. Em um contexto hist\u00f3rico de ditadura militar &#8211; o Brasil de 1977, vigorava leis de morais e bons costumes, que vigiava e controlava os corpos de uma forma muita mais coercitiva (FOUCAULT, 1999) &#8211; e um ambiente extremamente machista (ainda hoje \u00e9!), um grupo de frequentadores da boate gay Coliseu, que eram torcedores do Gr\u00eamio, decidiram formar essa organizada para ir assistir aos jogos e torcer juntos no est\u00e1dio. Seus corpos subversivos (BUTLER, 2003) estavam l\u00e1 perform\u00e1ticos, pol\u00edticos, tensionando toda a heteronormatividade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1398 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-5.jpg\" alt=\"coligay - foto 5\" width=\"620\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-5.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-5-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:400;\">Sem d\u00favida, em est\u00e1dio de futebol cerca de 60 torcedores assumirem sua sexualidade e marcarem o seu espa\u00e7o dentro de um ambiente extremamente machista causou uma explos\u00e3o dos sentidos (LOTMAN, 1999), j\u00e1 que esse esporte \u00e9 normalizado pelo discurso cultural de que \u00e9 um \u201cesporte de macho\u201d. Resist\u00eancia e falta de apoio dos dirigentes do clube, de outras torcidas do gr\u00eamio, destaque nos cadernos de esportes, eles conseguiram <\/span><i><span style=\"font-weight:400;\">lacrar<\/span><\/i><span style=\"font-weight:400;\"> e se consolidar como a organizada que fazia muita festa e incentivava o time em todos os jogos. Por\u00e9m, com o risco de agress\u00f5es, as quais teriam o objetivo de punir e normalizar estes corpos (BUTLER, FOUCAULT), os membros da Coligay aprenderam artes marciais para se defender de poss\u00edveis tentativas de hostilidade f\u00edsica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  wp-image-1418 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay1.png\" alt=\"coligay\" width=\"471\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay1.png 640w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay1-233x300.png 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 471px) 100vw, 471px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:400;\">\u00c9 compreens\u00edvel que muitos LGBT n\u00e3o gostem de futebol, pois no Brasil \u00e9 um esporte culturalmente masculino e, portanto, imposto como uma pr\u00e1tica obrigat\u00f3ria para homens e com restri\u00e7\u00f5es, pouca visibilidade, para mulheres. \u00c9 um dispositivo de normaliza\u00e7\u00e3o dos corpos quanto sexo\/g\u00eanero. Por\u00e9m, n\u00e3o deve haver imposi\u00e7\u00f5es vindas do discurso heteronormativo ou o recha\u00e7o dos\/aos LGBT. Devemos sim, lembrar que ao ocuparmos esse espa\u00e7o com nossos corpos subversivos, com nossas performatividades trata-se, tamb\u00e9m, de um ato pol\u00edtico, que mostra a diversidade que existe, consome e, penso que, atrav\u00e9s das nossas pr\u00e1ticas podemos diminuir os preconceitos, sempre observando as a\u00e7\u00f5es para n\u00e3o refor\u00e7armos discursos machistas ou LGBTf\u00f3bicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight:400;\">Se faz necess\u00e1rio desconstruir a ideia de que Futebol \u00e9 exclusividade de macho. Da\u00ed a import\u00e2ncia da Coligay, assumir que o Futebol tamb\u00e9m \u00e9 das bichas, das l\u00e9sbicas, das bi, das travesti e das pessoas transsexuais!<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  wp-image-1397 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-4.jpg\" alt=\"coligay - foto 4\" width=\"497\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-4.jpg 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-foto-4-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<br \/>\n<\/strong><span style=\"font-weight:400;\">BUTLER: <strong>Problema de G\u00eanero<\/strong>. Feminismo e subvers\u00e3o da identidade. (2003)<br \/>\n______ .\u00a0<\/span><span style=\"font-weight:400;\"><strong>Corpos que pensam<\/strong>: sobre os limites discursivos do &#8220;sexo&#8221;. in: LOURO, Guacira Lopes. O Corpo Educado Pedagogias da Sexualidade (2000)<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight:400;\">FOUCAULT: <strong>Vigiar e punir<\/strong> (1999)<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight:400;\">LOTMAN: <strong>Cultura e Explos\u00e3o<\/strong> (1999)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>TEXTO<br \/>\n<\/strong>Felipe Andr\u00e9 Sch\u00fctz Santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Coligay, torcida organizada gay do Gr\u00eamio, a primeira do Brasil, comemora seus 40 anos de nascimento e n\u00e3o tinha como n\u00e3o falar deles aqui no Corporalidades, em se tratando da representatividade, da import\u00e2ncia desse ato de desconstru\u00e7\u00e3o da normatividade e a ocupa\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o em que LGBT tamb\u00e9m podem ocupar, que \u00e9 o futebol. Em um contexto hist\u00f3rico de ditadura militar &#8211; o Brasil de 1977, vigorava leis de morais e bons costumes, que vigiava e controlava os corpos de uma forma muita mais coercitiva (FOUCAULT, 1999) &#8211; e um ambiente extremamente machista (ainda hoje \u00e9!), um grupo de frequentadores da boate gay Coliseu, que eram torcedores do Gr\u00eamio, decidiram formar essa organizada para ir assistir aos jogos e torcer juntos no est\u00e1dio. Seus corpos subversivos (BUTLER, 2003) estavam l\u00e1 perform\u00e1ticos, pol\u00edticos, tensionando toda a heteronormatividade. &nbsp; &nbsp; Sem d\u00favida, em est\u00e1dio de futebol cerca de 60 torcedores assumirem sua sexualidade e marcarem o seu espa\u00e7o dentro de um ambiente extremamente machista causou uma explos\u00e3o dos sentidos (LOTMAN, 1999), j\u00e1 que esse esporte \u00e9 normalizado pelo discurso cultural de que \u00e9 um \u201cesporte de macho\u201d. 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Devemos sim, lembrar que ao ocuparmos esse espa\u00e7o com nossos corpos subversivos, com nossas performatividades trata-se, tamb\u00e9m, de um ato pol\u00edtico, que mostra a diversidade que existe, consome e, penso que, atrav\u00e9s das nossas pr\u00e1ticas podemos diminuir os preconceitos, sempre observando as a\u00e7\u00f5es para n\u00e3o refor\u00e7armos discursos machistas ou LGBTf\u00f3bicos. Se faz necess\u00e1rio desconstruir a ideia de que Futebol \u00e9 exclusividade de macho. Da\u00ed a import\u00e2ncia da Coligay, assumir que o Futebol tamb\u00e9m \u00e9 das bichas, das l\u00e9sbicas, das bi, das travesti e das pessoas transsexuais! &nbsp; REFER\u00caNCIAS BUTLER: Problema de G\u00eanero. Feminismo e subvers\u00e3o da identidade. (2003) ______ .\u00a0Corpos que pensam: sobre os limites discursivos do &#8220;sexo&#8221;. in: LOURO, Guacira Lopes. O Corpo Educado Pedagogias da Sexualidade (2000) FOUCAULT: Vigiar e punir (1999) LOTMAN: Cultura e Explos\u00e3o (1999) &nbsp; TEXTO Felipe Andr\u00e9 Sch\u00fctz Santos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1399,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[37,49,61,87,94],"class_list":["post-1392","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-corpos-subversivos","tag-ditadura","tag-futebol","tag-lgbt","tag-machismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Na torcida! 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Em um contexto hist\u00f3rico de ditadura militar &#8211; o Brasil de 1977, vigorava leis de morais e bons costumes, que vigiava e controlava os corpos de uma forma muita mais coercitiva (FOUCAULT, 1999) &#8211; e um ambiente extremamente machista (ainda hoje \u00e9!), um grupo de frequentadores da boate gay Coliseu, que eram torcedores do Gr\u00eamio, decidiram formar essa organizada para ir assistir aos jogos e torcer juntos no est\u00e1dio. Seus corpos subversivos (BUTLER, 2003) estavam l\u00e1 perform\u00e1ticos, pol\u00edticos, tensionando toda a heteronormatividade. &nbsp; &nbsp; Sem d\u00favida, em est\u00e1dio de futebol cerca de 60 torcedores assumirem sua sexualidade e marcarem o seu espa\u00e7o dentro de um ambiente extremamente machista causou uma explos\u00e3o dos sentidos (LOTMAN, 1999), j\u00e1 que esse esporte \u00e9 normalizado pelo discurso cultural de que \u00e9 um \u201cesporte de macho\u201d. Resist\u00eancia e falta de apoio dos dirigentes do clube, de outras torcidas do gr\u00eamio, destaque nos cadernos de esportes, eles conseguiram lacrar e se consolidar como a organizada que fazia muita festa e incentivava o time em todos os jogos. Por\u00e9m, com o risco de agress\u00f5es, as quais teriam o objetivo de punir e normalizar estes corpos (BUTLER, FOUCAULT), os membros da Coligay aprenderam artes marciais para se defender de poss\u00edveis tentativas de hostilidade f\u00edsica. &nbsp; &nbsp; &nbsp; \u00c9 compreens\u00edvel que muitos LGBT n\u00e3o gostem de futebol, pois no Brasil \u00e9 um esporte culturalmente masculino e, portanto, imposto como uma pr\u00e1tica obrigat\u00f3ria para homens e com restri\u00e7\u00f5es, pouca visibilidade, para mulheres. \u00c9 um dispositivo de normaliza\u00e7\u00e3o dos corpos quanto sexo\/g\u00eanero. Por\u00e9m, n\u00e3o deve haver imposi\u00e7\u00f5es vindas do discurso heteronormativo ou o recha\u00e7o dos\/aos LGBT. Devemos sim, lembrar que ao ocuparmos esse espa\u00e7o com nossos corpos subversivos, com nossas performatividades trata-se, tamb\u00e9m, de um ato pol\u00edtico, que mostra a diversidade que existe, consome e, penso que, atrav\u00e9s das nossas pr\u00e1ticas podemos diminuir os preconceitos, sempre observando as a\u00e7\u00f5es para n\u00e3o refor\u00e7armos discursos machistas ou LGBTf\u00f3bicos. Se faz necess\u00e1rio desconstruir a ideia de que Futebol \u00e9 exclusividade de macho. Da\u00ed a import\u00e2ncia da Coligay, assumir que o Futebol tamb\u00e9m \u00e9 das bichas, das l\u00e9sbicas, das bi, das travesti e das pessoas transsexuais! &nbsp; REFER\u00caNCIAS BUTLER: Problema de G\u00eanero. Feminismo e subvers\u00e3o da identidade. (2003) ______ .\u00a0Corpos que pensam: sobre os limites discursivos do &#8220;sexo&#8221;. in: LOURO, Guacira Lopes. O Corpo Educado Pedagogias da Sexualidade (2000) FOUCAULT: Vigiar e punir (1999) LOTMAN: Cultura e Explos\u00e3o (1999) &nbsp; TEXTO Felipe Andr\u00e9 Sch\u00fctz Santos","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/na-torcida-corpos-subversivos-no-futebol\/","og_site_name":"Corporalidades","article_published_time":"2017-04-21T10:00:51+00:00","og_image":[{"width":640,"height":360,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/coligay-e1492476105265.png","type":"image\/png"}],"author":"gerente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"gerente","Est. reading time":"2 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/na-torcida-corpos-subversivos-no-futebol\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/na-torcida-corpos-subversivos-no-futebol\/"},"author":{"name":"gerente","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"headline":"Na torcida! 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