{"id":1791,"date":"2017-09-18T12:00:41","date_gmt":"2017-09-18T12:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1791"},"modified":"2017-09-18T12:00:41","modified_gmt":"2017-09-18T12:00:41","slug":"corpos-animados-na-teledramaturgia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/corpos-animados-na-teledramaturgia-brasileira\/","title":{"rendered":"Corpos Animados na Teledramaturgia Brasileira"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Anima\u00e7\u00e3o na fic\u00e7\u00e3o seriada e teledramaturgia animada s\u00e3o textos televisuais distintos, a primeira \u00e9 o uso da t\u00e9cnica de anima\u00e7\u00e3o nas narrativas ficcionais de TV, j\u00e1 as s\u00e9ries de anima\u00e7\u00e3o produzidas para televis\u00e3o s\u00e3o, como exemplo, as s\u00e9ries: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Uma fam\u00edlia da pesada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Family Guy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">)<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">(1999 \u2013 2002 \/ 2005 \u2013 at\u00e9 hoje, imagem a seguir)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">, Os Simpsons <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(1989 \u2013 at\u00e9 hoje) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">El Chavo Animado <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(2006 \u2013 2016).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1793 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a1.jpg\" alt=\"a1\" width=\"405\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a1.jpg 405w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a1-300x237.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Geralmente na fic\u00e7\u00e3o seriada as t\u00e9cnicas de anima\u00e7\u00e3o s\u00e3o pouco utilizadas em intera\u00e7\u00e3o com atores reais, uma vez que a maior parte do que \u00e9 produzido na teledramaturgia prima pela busca do realismo, ent\u00e3o quando essas t\u00e9cnicas s\u00e3o usadas est\u00e3o a servi\u00e7o dessa premissa e funcionam como um recurso em busca da impress\u00e3o da realidade e, em geral, s\u00e3o produzidas para serem invis\u00edveis. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um fato que comprova que esse modo de uso da anima\u00e7\u00e3o se tornou uma regularidade foi presen\u00e7a da personagem da canguru Flor na telenovela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pega pega<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2017\/TV Globo\/ exibida na faixa das 19h, imagens abaixo), essa boneca animada (por meio de manipula\u00e7\u00e3o em algumas cenas (2D) e em outras com o recurso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica (3D) interagia com uma adolescente que sofre de alucina\u00e7\u00f5es na trama. Desde o primeiro cap\u00edtulo, a menina conversava com a boneca, que n\u00e3o falava, mas respondia com o olhar e com gestos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1797 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a11.jpg\" alt=\"a11\" width=\"462\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a11.jpg 462w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a11-252x300.jpg 252w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, com menos de vinte cap\u00edtulos no ar a anima\u00e7\u00e3o foi tirada da novela, a autora Claudia Souto diz que isso j\u00e1 estava programado para acontecer, o que nos parece coerente, porque manter uma personagem animada no ritmo de grava\u00e7\u00e3o de uma telenovela, sobretudo com apari\u00e7\u00f5es frequentes, demanda tempo e um custo elevado. Uma cena em que a personagem de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pega-pega<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> contracenava com a anima\u00e7\u00e3o da canguru Flor chegava a levar uma semana para ser finalizada. O que nos chama mais a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a personagem animada teve uma rejei\u00e7\u00e3o grande por parte do p\u00fablico que se manifestou com veem\u00eancia nas redes sociais, alguns espectadores alegavam que n\u00e3o conseguiam compreender o papel dela, outros que era interessante, mas ainda assim, Flor causava estranhamento\u00b9<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Parafraseando Bakhtin (1986), esse \u201cdiscurso estranho\u201d desencadeou uma ruptura de sentidos, porque esse di\u00e1logo anima\u00e7\u00e3o\/atores n\u00e3o \u00e9 recorrente no sistema de signos, que \u00e9 a teledramaturgia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sob essas condi\u00e7\u00f5es, animar \u00e9 dar vida a seres inanimados. Anima\u00e7\u00e3o vem do termo latino <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">anima<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que significa alma, sopro vital; tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 anima\u00e7\u00e3o o poder de transformar a realidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na teledramaturgia, segundo Sydenstricker (2012), s\u00e3o priorizados o uso de t\u00e9cnicas que garantam rapidez na produ\u00e7\u00e3o e baixo custo. \u00c9 por isso que, quando a anima\u00e7\u00e3o faz parte de uma narrativa ficcional, em geral o roteirista deve evitar solicita\u00e7\u00f5es como \u201c(&#8230;) movimentos girat\u00f3rios; muitos personagens na mesma cena e; utiliza\u00e7\u00e3o de elementos naturais (chuva, \u00e1gua, fogo). Assim, a anima\u00e7\u00e3o de vetor \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica bastante adotada para oferecer mais agilidade de produ\u00e7\u00e3o.\u201d\u00b2\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Personagens com movimentos muito elaborados e com muitos detalhes (como cabelos, dentes e olhares diversos) tamb\u00e9m representam dificuldade em uma obra televisual, porque exigem o uso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que tem como processo de finaliza\u00e7\u00e3o a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">renderiza\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, e essa etapa \u00e9 demorada mesmo quando as imagens s\u00e3o simples, motivo pelo qual o uso da anima\u00e7\u00e3o em uma rotina industrial de grava\u00e7\u00e3o \u2013 como a de telenovelas e seriados semanais \u2013 precisa ser cuidadoso e quase sempre \u00e9 evitado. Outro complicador pode ser o tempo destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">wireframes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (esqueletos das cenas animadas, imagem a seguir) e dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bodys shape<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (as modelagens dos corpos das personagens, cria\u00e7\u00f5es de texturas e cores e, como j\u00e1 dito, dos detalhes), processos que tamb\u00e9m contribuem para elevar o custo da produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1804 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a12.jpg\" alt=\"a12\" width=\"345\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a12.jpg 345w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a12-300x230.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sydenstricker (2012) \u00e9 contundente: quando a anima\u00e7\u00e3o \u00e9 associada \u00e0 teledramaturgia \u201cO roteirista poder\u00e1 enriquecer e modificar o seu roteiro desde que conte com a parceria do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">storyboardista<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00b3(&#8230;) 4\u201d <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Esse \u00e9 mais um quesito a ser considerado, visto que \u201cEnquanto o roteiro para a imagem real \u00e9 destinado \u00e0 an\u00e1lise do diretor e\/ou produtor, na anima\u00e7\u00e3o os leitores primordiais s\u00e3o o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">storyboardista<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, o ilustrador e o animador.\u201d5<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0. S\u00e3o desses profissionais a fun\u00e7\u00e3o, entre outras, de iluminar a cena com a \u201cluz digital\u201d, isto \u00e9, seguir o conceito-guia da narrativa e imprimir nas imagens animadas a mesma proposta de fotografia prevista para o est\u00fadio em que as cenas reais est\u00e3o sendo rodadas, seguindo os mesmos par\u00e2metros. Melhor dizendo, no caso de um trabalho que une anima\u00e7\u00e3o e capta\u00e7\u00e3o de cena com atores reais, a sintonia entre a equipe da cria\u00e7\u00e3o em computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e o diretor art\u00edstico precisa ser afinada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por tais motivos \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o seriada na TV Globo realizada pelo autor e diretor Luiz Fernando Carvalho se destaca por sua inser\u00e7\u00e3o recorrente da anima\u00e7\u00e3o, artesanal (2D) ou digital (3D) e muitas vezes elaborada, como \u00e9 o caso dos corpos animados das narrativas das s\u00e9ries <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje \u00e9 dia de Maria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2005) (imagem abaixo) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Afinal, o que querem as mulheres?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2010). Carvalho chegou a fazer o uso da anima\u00e7\u00e3o com desenvoltura, inclusive no formato telenovela em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Meu pedacinho de ch\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2014). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devemos levar em conta que o diretor \u00e9 visto como um profissional que navega pela experimenta\u00e7\u00e3o e que esse di\u00e1logo como ele produz n\u00e3o pode ser considerado uma regularidade na teledramaturgia brasileira, sobretudo, na TV aberta. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1810 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a13.jpg\" alt=\"a13\" width=\"381\" height=\"572\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a13.jpg 381w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/a13-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b9 Informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/telinha\/pega-pega-canguru-flor-deixa-novela-bebeth-faz-tratamento-medico-21468447.html%3e%20\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/telinha\/pega-pega-canguru-flor-deixa-novela-bebeth-faz-tratamento-medico-21468447.html&gt;<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> ; \u00a0&lt;<\/span><a href=\"http:\/\/portalovertube.com\/2017\/06\/13\/canguru-animado-de-pega-pega-saira-de-cena-em-breve\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/portalovertube.com\/2017\/06\/13\/canguru-animado-de-pega-pega-saira-de-cena-em-breve\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt; ; &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/e10blog.blogspot.com.br\/2017\/06\/o-pior-da-semana-canguru-de-animacao-em.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/e10blog.blogspot.com.br\/2017\/06\/o-pior-da-semana-canguru-de-animacao-em.html<\/span><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">&gt; e<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">&lt;<\/span><a href=\"https:\/\/rd1.com.br\/questionada-pelo-publico-canguru-flor-deixa-pega-pega-na-proxima-semana\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/rd1.com.br\/questionada-pelo-publico-canguru-flor-deixa-pega-pega-na-proxima-semana\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Acesso em: 23 jun. 2017, 14:21.<\/span><\/p>\n<p>\u00b2\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50. (SYDENSTRICKER, 2013, p.s\/n).<\/span><\/p>\n<p>\u00b3\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Profissional respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">storyboard<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que \u00e9 um guia visual, o roteiro da cena, filme ou an\u00fancio publicit\u00e1rio traduzido em desenhos. O <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">storyboard<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> pode ser detalhado, indicando plano a plano da a\u00e7\u00e3o, mas em geral revela as principais cenas do roteiro e reproduz com fidelidade como foram pensados os planos e movimentos de c\u00e2mera que devem ser realizados e ou produzidos em uma anima\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o ou filmagem.<\/span><\/p>\n<p>4 <span style=\"font-weight: 400;\"> Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animaca%20o-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animaca o-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50.<\/span><\/p>\n<p>5 <em>Idem<\/em> a anterior<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>TEXTO <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Adriana Pierre Coca<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BAKHTIN, Mikhail. <\/span><b>Marxismo e filosofia da linguagem<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1986.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SYDENSTRICKER, Iara.\u202f<\/span><b>Dramaturgia audiovisual:\u202f<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">notas sobre t\u00e9cnicas de anima\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de narrativas\u00a0transmidi\u00e1ticas. [2010]. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">________. Teledramaturgia de anima\u00e7\u00e3o para roteiristas.\u00a0<\/span><b>Revista Cient\u00edfica de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Centro Universit\u00e1rio de Belo Horizonte<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, volume 9, n\u00ba1, 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/revistas.unibh.br\/index.php\/ecom\/article\/view\/802\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/revistas.unibh.br\/index.php\/ecom\/article\/view\/802<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt; Acesso em: 11 abr. 2017, 22:18.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anima\u00e7\u00e3o na fic\u00e7\u00e3o seriada e teledramaturgia animada s\u00e3o textos televisuais distintos, a primeira \u00e9 o uso da t\u00e9cnica de anima\u00e7\u00e3o nas narrativas ficcionais de TV, j\u00e1 as s\u00e9ries de anima\u00e7\u00e3o produzidas para televis\u00e3o s\u00e3o, como exemplo, as s\u00e9ries: Uma fam\u00edlia da pesada (Family Guy) (1999 \u2013 2002 \/ 2005 \u2013 at\u00e9 hoje, imagem a seguir), Os Simpsons (1989 \u2013 at\u00e9 hoje) e El Chavo Animado (2006 \u2013 2016). &nbsp; &nbsp; Geralmente na fic\u00e7\u00e3o seriada as t\u00e9cnicas de anima\u00e7\u00e3o s\u00e3o pouco utilizadas em intera\u00e7\u00e3o com atores reais, uma vez que a maior parte do que \u00e9 produzido na teledramaturgia prima pela busca do realismo, ent\u00e3o quando essas t\u00e9cnicas s\u00e3o usadas est\u00e3o a servi\u00e7o dessa premissa e funcionam como um recurso em busca da impress\u00e3o da realidade e, em geral, s\u00e3o produzidas para serem invis\u00edveis. Um fato que comprova que esse modo de uso da anima\u00e7\u00e3o se tornou uma regularidade foi presen\u00e7a da personagem da canguru Flor na telenovela Pega pega (2017\/TV Globo\/ exibida na faixa das 19h, imagens abaixo), essa boneca animada (por meio de manipula\u00e7\u00e3o em algumas cenas (2D) e em outras com o recurso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica (3D) interagia com uma adolescente que sofre de alucina\u00e7\u00f5es na trama. Desde o primeiro cap\u00edtulo, a menina conversava com a boneca, que n\u00e3o falava, mas respondia com o olhar e com gestos. &nbsp; &nbsp; No entanto, com menos de vinte cap\u00edtulos no ar a anima\u00e7\u00e3o foi tirada da novela, a autora Claudia Souto diz que isso j\u00e1 estava programado para acontecer, o que nos parece coerente, porque manter uma personagem animada no ritmo de grava\u00e7\u00e3o de uma telenovela, sobretudo com apari\u00e7\u00f5es frequentes, demanda tempo e um custo elevado. Uma cena em que a personagem de Pega-pega contracenava com a anima\u00e7\u00e3o da canguru Flor chegava a levar uma semana para ser finalizada. O que nos chama mais a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a personagem animada teve uma rejei\u00e7\u00e3o grande por parte do p\u00fablico que se manifestou com veem\u00eancia nas redes sociais, alguns espectadores alegavam que n\u00e3o conseguiam compreender o papel dela, outros que era interessante, mas ainda assim, Flor causava estranhamento\u00b9. Parafraseando Bakhtin (1986), esse \u201cdiscurso estranho\u201d desencadeou uma ruptura de sentidos, porque esse di\u00e1logo anima\u00e7\u00e3o\/atores n\u00e3o \u00e9 recorrente no sistema de signos, que \u00e9 a teledramaturgia. Sob essas condi\u00e7\u00f5es, animar \u00e9 dar vida a seres inanimados. Anima\u00e7\u00e3o vem do termo latino anima, que significa alma, sopro vital; tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 anima\u00e7\u00e3o o poder de transformar a realidade. Na teledramaturgia, segundo Sydenstricker (2012), s\u00e3o priorizados o uso de t\u00e9cnicas que garantam rapidez na produ\u00e7\u00e3o e baixo custo. \u00c9 por isso que, quando a anima\u00e7\u00e3o faz parte de uma narrativa ficcional, em geral o roteirista deve evitar solicita\u00e7\u00f5es como \u201c(&#8230;) movimentos girat\u00f3rios; muitos personagens na mesma cena e; utiliza\u00e7\u00e3o de elementos naturais (chuva, \u00e1gua, fogo). Assim, a anima\u00e7\u00e3o de vetor \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica bastante adotada para oferecer mais agilidade de produ\u00e7\u00e3o.\u201d\u00b2\u00a0. Personagens com movimentos muito elaborados e com muitos detalhes (como cabelos, dentes e olhares diversos) tamb\u00e9m representam dificuldade em uma obra televisual, porque exigem o uso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que tem como processo de finaliza\u00e7\u00e3o a renderiza\u00e7\u00e3o, e essa etapa \u00e9 demorada mesmo quando as imagens s\u00e3o simples, motivo pelo qual o uso da anima\u00e7\u00e3o em uma rotina industrial de grava\u00e7\u00e3o \u2013 como a de telenovelas e seriados semanais \u2013 precisa ser cuidadoso e quase sempre \u00e9 evitado. Outro complicador pode ser o tempo destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos wireframes (esqueletos das cenas animadas, imagem a seguir) e dos bodys shape (as modelagens dos corpos das personagens, cria\u00e7\u00f5es de texturas e cores e, como j\u00e1 dito, dos detalhes), processos que tamb\u00e9m contribuem para elevar o custo da produ\u00e7\u00e3o. &nbsp; &nbsp; Sydenstricker (2012) \u00e9 contundente: quando a anima\u00e7\u00e3o \u00e9 associada \u00e0 teledramaturgia \u201cO roteirista poder\u00e1 enriquecer e modificar o seu roteiro desde que conte com a parceria do storyboardista\u00a0\u00b3(&#8230;) 4\u201d . Esse \u00e9 mais um quesito a ser considerado, visto que \u201cEnquanto o roteiro para a imagem real \u00e9 destinado \u00e0 an\u00e1lise do diretor e\/ou produtor, na anima\u00e7\u00e3o os leitores primordiais s\u00e3o o storyboardista, o ilustrador e o animador.\u201d5\u00a0. S\u00e3o desses profissionais a fun\u00e7\u00e3o, entre outras, de iluminar a cena com a \u201cluz digital\u201d, isto \u00e9, seguir o conceito-guia da narrativa e imprimir nas imagens animadas a mesma proposta de fotografia prevista para o est\u00fadio em que as cenas reais est\u00e3o sendo rodadas, seguindo os mesmos par\u00e2metros. Melhor dizendo, no caso de um trabalho que une anima\u00e7\u00e3o e capta\u00e7\u00e3o de cena com atores reais, a sintonia entre a equipe da cria\u00e7\u00e3o em computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e o diretor art\u00edstico precisa ser afinada. Por tais motivos \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o seriada na TV Globo realizada pelo autor e diretor Luiz Fernando Carvalho se destaca por sua inser\u00e7\u00e3o recorrente da anima\u00e7\u00e3o, artesanal (2D) ou digital (3D) e muitas vezes elaborada, como \u00e9 o caso dos corpos animados das narrativas das s\u00e9ries Hoje \u00e9 dia de Maria (2005) (imagem abaixo) e Afinal, o que querem as mulheres? (2010). Carvalho chegou a fazer o uso da anima\u00e7\u00e3o com desenvoltura, inclusive no formato telenovela em Meu pedacinho de ch\u00e3o (2014). Devemos levar em conta que o diretor \u00e9 visto como um profissional que navega pela experimenta\u00e7\u00e3o e que esse di\u00e1logo como ele produz n\u00e3o pode ser considerado uma regularidade na teledramaturgia brasileira, sobretudo, na TV aberta. &nbsp; &nbsp; \u00b9 Informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em: &lt;https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/telinha\/pega-pega-canguru-flor-deixa-novela-bebeth-faz-tratamento-medico-21468447.html&gt; ; \u00a0&lt;http:\/\/portalovertube.com\/2017\/06\/13\/canguru-animado-de-pega-pega-saira-de-cena-em-breve\/&gt; ; &lt;http:\/\/e10blog.blogspot.com.br\/2017\/06\/o-pior-da-semana-canguru-de-animacao-em.html &gt; e &lt;https:\/\/rd1.com.br\/questionada-pelo-publico-canguru-flor-deixa-pega-pega-na-proxima-semana\/&gt; Acesso em: 23 jun. 2017, 14:21. \u00b2\u00a0Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50. (SYDENSTRICKER, 2013, p.s\/n). \u00b3\u00a0Profissional respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do storyboard, que \u00e9 um guia visual, o roteiro da cena, filme ou an\u00fancio publicit\u00e1rio traduzido em desenhos. O storyboard pode ser detalhado, indicando plano a plano da a\u00e7\u00e3o, mas em geral revela as principais cenas do roteiro e reproduz com fidelidade como foram pensados os planos e movimentos de c\u00e2mera que devem ser realizados e ou produzidos em uma anima\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o ou filmagem. 4 Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animaca o-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50. 5 Idem a anterior &nbsp; &nbsp; TEXTO Adriana Pierre Coca &nbsp; REFER\u00caNCIAS BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1986. &nbsp; SYDENSTRICKER, Iara.\u202fDramaturgia audiovisual:\u202fnotas sobre t\u00e9cnicas de anima\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de narrativas\u00a0transmidi\u00e1ticas. [2010]. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50.\u00a0 \u00a0 ________. Teledramaturgia de anima\u00e7\u00e3o para roteiristas.\u00a0Revista Cient\u00edfica de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Centro Universit\u00e1rio de Belo Horizonte, volume 9, n\u00ba1, 2012. 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Um fato que comprova que esse modo de uso da anima\u00e7\u00e3o se tornou uma regularidade foi presen\u00e7a da personagem da canguru Flor na telenovela Pega pega (2017\/TV Globo\/ exibida na faixa das 19h, imagens abaixo), essa boneca animada (por meio de manipula\u00e7\u00e3o em algumas cenas (2D) e em outras com o recurso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica (3D) interagia com uma adolescente que sofre de alucina\u00e7\u00f5es na trama. Desde o primeiro cap\u00edtulo, a menina conversava com a boneca, que n\u00e3o falava, mas respondia com o olhar e com gestos. &nbsp; &nbsp; No entanto, com menos de vinte cap\u00edtulos no ar a anima\u00e7\u00e3o foi tirada da novela, a autora Claudia Souto diz que isso j\u00e1 estava programado para acontecer, o que nos parece coerente, porque manter uma personagem animada no ritmo de grava\u00e7\u00e3o de uma telenovela, sobretudo com apari\u00e7\u00f5es frequentes, demanda tempo e um custo elevado. Uma cena em que a personagem de Pega-pega contracenava com a anima\u00e7\u00e3o da canguru Flor chegava a levar uma semana para ser finalizada. O que nos chama mais a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a personagem animada teve uma rejei\u00e7\u00e3o grande por parte do p\u00fablico que se manifestou com veem\u00eancia nas redes sociais, alguns espectadores alegavam que n\u00e3o conseguiam compreender o papel dela, outros que era interessante, mas ainda assim, Flor causava estranhamento\u00b9. Parafraseando Bakhtin (1986), esse \u201cdiscurso estranho\u201d desencadeou uma ruptura de sentidos, porque esse di\u00e1logo anima\u00e7\u00e3o\/atores n\u00e3o \u00e9 recorrente no sistema de signos, que \u00e9 a teledramaturgia. Sob essas condi\u00e7\u00f5es, animar \u00e9 dar vida a seres inanimados. Anima\u00e7\u00e3o vem do termo latino anima, que significa alma, sopro vital; tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 anima\u00e7\u00e3o o poder de transformar a realidade. Na teledramaturgia, segundo Sydenstricker (2012), s\u00e3o priorizados o uso de t\u00e9cnicas que garantam rapidez na produ\u00e7\u00e3o e baixo custo. \u00c9 por isso que, quando a anima\u00e7\u00e3o faz parte de uma narrativa ficcional, em geral o roteirista deve evitar solicita\u00e7\u00f5es como \u201c(&#8230;) movimentos girat\u00f3rios; muitos personagens na mesma cena e; utiliza\u00e7\u00e3o de elementos naturais (chuva, \u00e1gua, fogo). Assim, a anima\u00e7\u00e3o de vetor \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica bastante adotada para oferecer mais agilidade de produ\u00e7\u00e3o.\u201d\u00b2\u00a0. Personagens com movimentos muito elaborados e com muitos detalhes (como cabelos, dentes e olhares diversos) tamb\u00e9m representam dificuldade em uma obra televisual, porque exigem o uso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que tem como processo de finaliza\u00e7\u00e3o a renderiza\u00e7\u00e3o, e essa etapa \u00e9 demorada mesmo quando as imagens s\u00e3o simples, motivo pelo qual o uso da anima\u00e7\u00e3o em uma rotina industrial de grava\u00e7\u00e3o \u2013 como a de telenovelas e seriados semanais \u2013 precisa ser cuidadoso e quase sempre \u00e9 evitado. Outro complicador pode ser o tempo destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos wireframes (esqueletos das cenas animadas, imagem a seguir) e dos bodys shape (as modelagens dos corpos das personagens, cria\u00e7\u00f5es de texturas e cores e, como j\u00e1 dito, dos detalhes), processos que tamb\u00e9m contribuem para elevar o custo da produ\u00e7\u00e3o. &nbsp; &nbsp; Sydenstricker (2012) \u00e9 contundente: quando a anima\u00e7\u00e3o \u00e9 associada \u00e0 teledramaturgia \u201cO roteirista poder\u00e1 enriquecer e modificar o seu roteiro desde que conte com a parceria do storyboardista\u00a0\u00b3(&#8230;) 4\u201d . Esse \u00e9 mais um quesito a ser considerado, visto que \u201cEnquanto o roteiro para a imagem real \u00e9 destinado \u00e0 an\u00e1lise do diretor e\/ou produtor, na anima\u00e7\u00e3o os leitores primordiais s\u00e3o o storyboardista, o ilustrador e o animador.\u201d5\u00a0. S\u00e3o desses profissionais a fun\u00e7\u00e3o, entre outras, de iluminar a cena com a \u201cluz digital\u201d, isto \u00e9, seguir o conceito-guia da narrativa e imprimir nas imagens animadas a mesma proposta de fotografia prevista para o est\u00fadio em que as cenas reais est\u00e3o sendo rodadas, seguindo os mesmos par\u00e2metros. Melhor dizendo, no caso de um trabalho que une anima\u00e7\u00e3o e capta\u00e7\u00e3o de cena com atores reais, a sintonia entre a equipe da cria\u00e7\u00e3o em computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e o diretor art\u00edstico precisa ser afinada. Por tais motivos \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o seriada na TV Globo realizada pelo autor e diretor Luiz Fernando Carvalho se destaca por sua inser\u00e7\u00e3o recorrente da anima\u00e7\u00e3o, artesanal (2D) ou digital (3D) e muitas vezes elaborada, como \u00e9 o caso dos corpos animados das narrativas das s\u00e9ries Hoje \u00e9 dia de Maria (2005) (imagem abaixo) e Afinal, o que querem as mulheres? (2010). Carvalho chegou a fazer o uso da anima\u00e7\u00e3o com desenvoltura, inclusive no formato telenovela em Meu pedacinho de ch\u00e3o (2014). Devemos levar em conta que o diretor \u00e9 visto como um profissional que navega pela experimenta\u00e7\u00e3o e que esse di\u00e1logo como ele produz n\u00e3o pode ser considerado uma regularidade na teledramaturgia brasileira, sobretudo, na TV aberta. &nbsp; &nbsp; \u00b9 Informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em: &lt;https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/telinha\/pega-pega-canguru-flor-deixa-novela-bebeth-faz-tratamento-medico-21468447.html&gt; ; \u00a0&lt;http:\/\/portalovertube.com\/2017\/06\/13\/canguru-animado-de-pega-pega-saira-de-cena-em-breve\/&gt; ; &lt;http:\/\/e10blog.blogspot.com.br\/2017\/06\/o-pior-da-semana-canguru-de-animacao-em.html &gt; e &lt;https:\/\/rd1.com.br\/questionada-pelo-publico-canguru-flor-deixa-pega-pega-na-proxima-semana\/&gt; Acesso em: 23 jun. 2017, 14:21. \u00b2\u00a0Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. 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Um fato que comprova que esse modo de uso da anima\u00e7\u00e3o se tornou uma regularidade foi presen\u00e7a da personagem da canguru Flor na telenovela Pega pega (2017\/TV Globo\/ exibida na faixa das 19h, imagens abaixo), essa boneca animada (por meio de manipula\u00e7\u00e3o em algumas cenas (2D) e em outras com o recurso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica (3D) interagia com uma adolescente que sofre de alucina\u00e7\u00f5es na trama. Desde o primeiro cap\u00edtulo, a menina conversava com a boneca, que n\u00e3o falava, mas respondia com o olhar e com gestos. &nbsp; &nbsp; No entanto, com menos de vinte cap\u00edtulos no ar a anima\u00e7\u00e3o foi tirada da novela, a autora Claudia Souto diz que isso j\u00e1 estava programado para acontecer, o que nos parece coerente, porque manter uma personagem animada no ritmo de grava\u00e7\u00e3o de uma telenovela, sobretudo com apari\u00e7\u00f5es frequentes, demanda tempo e um custo elevado. Uma cena em que a personagem de Pega-pega contracenava com a anima\u00e7\u00e3o da canguru Flor chegava a levar uma semana para ser finalizada. O que nos chama mais a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a personagem animada teve uma rejei\u00e7\u00e3o grande por parte do p\u00fablico que se manifestou com veem\u00eancia nas redes sociais, alguns espectadores alegavam que n\u00e3o conseguiam compreender o papel dela, outros que era interessante, mas ainda assim, Flor causava estranhamento\u00b9. Parafraseando Bakhtin (1986), esse \u201cdiscurso estranho\u201d desencadeou uma ruptura de sentidos, porque esse di\u00e1logo anima\u00e7\u00e3o\/atores n\u00e3o \u00e9 recorrente no sistema de signos, que \u00e9 a teledramaturgia. Sob essas condi\u00e7\u00f5es, animar \u00e9 dar vida a seres inanimados. Anima\u00e7\u00e3o vem do termo latino anima, que significa alma, sopro vital; tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 anima\u00e7\u00e3o o poder de transformar a realidade. Na teledramaturgia, segundo Sydenstricker (2012), s\u00e3o priorizados o uso de t\u00e9cnicas que garantam rapidez na produ\u00e7\u00e3o e baixo custo. \u00c9 por isso que, quando a anima\u00e7\u00e3o faz parte de uma narrativa ficcional, em geral o roteirista deve evitar solicita\u00e7\u00f5es como \u201c(&#8230;) movimentos girat\u00f3rios; muitos personagens na mesma cena e; utiliza\u00e7\u00e3o de elementos naturais (chuva, \u00e1gua, fogo). Assim, a anima\u00e7\u00e3o de vetor \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica bastante adotada para oferecer mais agilidade de produ\u00e7\u00e3o.\u201d\u00b2\u00a0. Personagens com movimentos muito elaborados e com muitos detalhes (como cabelos, dentes e olhares diversos) tamb\u00e9m representam dificuldade em uma obra televisual, porque exigem o uso da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, que tem como processo de finaliza\u00e7\u00e3o a renderiza\u00e7\u00e3o, e essa etapa \u00e9 demorada mesmo quando as imagens s\u00e3o simples, motivo pelo qual o uso da anima\u00e7\u00e3o em uma rotina industrial de grava\u00e7\u00e3o \u2013 como a de telenovelas e seriados semanais \u2013 precisa ser cuidadoso e quase sempre \u00e9 evitado. Outro complicador pode ser o tempo destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos wireframes (esqueletos das cenas animadas, imagem a seguir) e dos bodys shape (as modelagens dos corpos das personagens, cria\u00e7\u00f5es de texturas e cores e, como j\u00e1 dito, dos detalhes), processos que tamb\u00e9m contribuem para elevar o custo da produ\u00e7\u00e3o. &nbsp; &nbsp; Sydenstricker (2012) \u00e9 contundente: quando a anima\u00e7\u00e3o \u00e9 associada \u00e0 teledramaturgia \u201cO roteirista poder\u00e1 enriquecer e modificar o seu roteiro desde que conte com a parceria do storyboardista\u00a0\u00b3(&#8230;) 4\u201d . Esse \u00e9 mais um quesito a ser considerado, visto que \u201cEnquanto o roteiro para a imagem real \u00e9 destinado \u00e0 an\u00e1lise do diretor e\/ou produtor, na anima\u00e7\u00e3o os leitores primordiais s\u00e3o o storyboardista, o ilustrador e o animador.\u201d5\u00a0. S\u00e3o desses profissionais a fun\u00e7\u00e3o, entre outras, de iluminar a cena com a \u201cluz digital\u201d, isto \u00e9, seguir o conceito-guia da narrativa e imprimir nas imagens animadas a mesma proposta de fotografia prevista para o est\u00fadio em que as cenas reais est\u00e3o sendo rodadas, seguindo os mesmos par\u00e2metros. Melhor dizendo, no caso de um trabalho que une anima\u00e7\u00e3o e capta\u00e7\u00e3o de cena com atores reais, a sintonia entre a equipe da cria\u00e7\u00e3o em computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e o diretor art\u00edstico precisa ser afinada. Por tais motivos \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o seriada na TV Globo realizada pelo autor e diretor Luiz Fernando Carvalho se destaca por sua inser\u00e7\u00e3o recorrente da anima\u00e7\u00e3o, artesanal (2D) ou digital (3D) e muitas vezes elaborada, como \u00e9 o caso dos corpos animados das narrativas das s\u00e9ries Hoje \u00e9 dia de Maria (2005) (imagem abaixo) e Afinal, o que querem as mulheres? (2010). Carvalho chegou a fazer o uso da anima\u00e7\u00e3o com desenvoltura, inclusive no formato telenovela em Meu pedacinho de ch\u00e3o (2014). Devemos levar em conta que o diretor \u00e9 visto como um profissional que navega pela experimenta\u00e7\u00e3o e que esse di\u00e1logo como ele produz n\u00e3o pode ser considerado uma regularidade na teledramaturgia brasileira, sobretudo, na TV aberta. &nbsp; &nbsp; \u00b9 Informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em: &lt;https:\/\/extra.globo.com\/tv-e-lazer\/telinha\/pega-pega-canguru-flor-deixa-novela-bebeth-faz-tratamento-medico-21468447.html&gt; ; \u00a0&lt;http:\/\/portalovertube.com\/2017\/06\/13\/canguru-animado-de-pega-pega-saira-de-cena-em-breve\/&gt; ; &lt;http:\/\/e10blog.blogspot.com.br\/2017\/06\/o-pior-da-semana-canguru-de-animacao-em.html &gt; e &lt;https:\/\/rd1.com.br\/questionada-pelo-publico-canguru-flor-deixa-pega-pega-na-proxima-semana\/&gt; Acesso em: 23 jun. 2017, 14:21. \u00b2\u00a0Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50. (SYDENSTRICKER, 2013, p.s\/n). \u00b3\u00a0Profissional respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do storyboard, que \u00e9 um guia visual, o roteiro da cena, filme ou an\u00fancio publicit\u00e1rio traduzido em desenhos. O storyboard pode ser detalhado, indicando plano a plano da a\u00e7\u00e3o, mas em geral revela as principais cenas do roteiro e reproduz com fidelidade como foram pensados os planos e movimentos de c\u00e2mera que devem ser realizados e ou produzidos em uma anima\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o ou filmagem. 4 Informa\u00e7\u00f5es em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animaca o-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50. 5 Idem a anterior &nbsp; &nbsp; TEXTO Adriana Pierre Coca &nbsp; REFER\u00caNCIAS BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1986. &nbsp; SYDENSTRICKER, Iara.\u202fDramaturgia audiovisual:\u202fnotas sobre t\u00e9cnicas de anima\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de narrativas\u00a0transmidi\u00e1ticas. [2010]. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/abra.art.br\/blog\/2013\/11\/04\/dramaturgia-audiovisual-notas-sobre-tecnicas-de-animacao-e-criacao-de-narrativas-transmidiaticas\/&gt;. Acesso em: 23 mar. 2017, 19:50.\u00a0 \u00a0 ________. Teledramaturgia de anima\u00e7\u00e3o para roteiristas.\u00a0Revista Cient\u00edfica de Comunica\u00e7\u00e3o Social do Centro Universit\u00e1rio de Belo Horizonte, volume 9, n\u00ba1, 2012. 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