{"id":1829,"date":"2017-09-20T12:00:48","date_gmt":"2017-09-20T12:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=1829"},"modified":"2017-09-20T12:00:48","modified_gmt":"2017-09-20T12:00:48","slug":"cao-sem-plumas-corpos-em-movimento-no-palco-e-na-tela-atravessados-por-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/cao-sem-plumas-corpos-em-movimento-no-palco-e-na-tela-atravessados-por-poesia\/","title":{"rendered":"C\u00e3o sem Plumas: corpos em movimento no palco e na tela atravessados por poesia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; padding-left: 330px;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Como o rio \/ aqueles homens \/ s\u00e3o como c\u00e3es sem plumas \/ (um c\u00e3o sem plumas \/ \u00e9 mais que um c\u00e3o saqueado; \/ \u00e9 mais que um c\u00e3o assassinado. \/ Um c\u00e3o sem plumas \/ \u00e9 quando uma \u00e1rvore sem voz. \/ \u00c9 quando de um p\u00e1ssaro \/ suas ra\u00edzes no ar. \/ \u00c9 quando a alguma coisa \/ roem t\u00e3o fundo \/ at\u00e9 o que n\u00e3o tem).<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 330px; text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Trecho de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O c\u00e3o sem plumas<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O c\u00e3o sem plumas (1953) \u00e9 um poema de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999), pernambucano que traduziu quase como um manifesto em forma de versos a agonia de um rio, o rio Capibaribe que serpenteia todo o estado em que nasceu, Pernambuco, nordeste do Brasil. \u00c9 esse texto que agora se move representado nos corpos dos bailarinos da companhia de dan\u00e7a da core\u00f3grafa, Deborah Colker, que criou o espet\u00e1culo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ovo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2009) para os artistas do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Cirque du Soleil <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e tamb\u00e9m dirigiu os movimentos da abertura da Olimp\u00edadas do Rio. Essa dan\u00e7a, no entanto, teve como parceiro outro especialista em movimento, s\u00f3 que das imagens em movimento, o cineasta Claudio Assis, respons\u00e1vel pelo longa-metragem <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Amarelo Manga<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (2002), entre outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse texto dan\u00e7ante e po\u00e9tico, teatral e audiovisual, Colker (2017)\u00b9<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> diz que h\u00e1 momentos em parece que o bailarino sai do palco e vai para a tela e em outros, seu corpo deixa a tela e se transporta para o palco. Uma fus\u00e3o entre tr\u00eas artes: a poesia, a dan\u00e7a e o cinema que prop\u00f5e, sem d\u00favida, uma experi\u00eancia intermidi\u00e1tica conduzida por corpos que dan\u00e7am. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma divis\u00e3o tripartida oferecida pela semioticista Irina Rajewsky (2012) prop\u00f5e pensar a intermidialidade em um sentido restrito como uma transposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Por exemplo, a transposi\u00e7\u00e3o do poema de Jo\u00e3o Cabral para o teatro, a dan\u00e7a ou o cinema; nessa proposta, o foco \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um produto transformado para outra m\u00eddia. Em outro sentido, Rajewsky (2012) chama a aten\u00e7\u00e3o para a intermidialidade como uma combina\u00e7\u00e3o de m\u00eddias distintas, as rela\u00e7\u00f5es mixm\u00eddias, como acontecem em alguns programas de TV, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">performances<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou espet\u00e1culos de dan\u00e7a. E no \u00faltimo sentido restrito para se refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es intermidi\u00e1ticas, segundo a autora, h\u00e1 as refer\u00eancias entre m\u00eddias, como a cita\u00e7\u00e3o de um texto liter\u00e1rio em um seriado de TV, a evoca\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas na composi\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria em quadrinhos ou a musicaliza\u00e7\u00e3o da literatura. Todas essas possibilidades podem se mesclar em um \u00fanico texto, e \u00e9 o que parece acontecer na recria\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">C\u00e3o sem Plumas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> concebida por Colker e Assis. As refer\u00eancias que comp\u00f5em a produ\u00e7\u00e3o<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">realizam um di\u00e1logo interartes permeado pelos tr\u00eas vieses colocados por Rajewsky (2012): a combina\u00e7\u00e3o, a refer\u00eancia e a transposi\u00e7\u00e3o e faz isso para nos lembrar de uma quest\u00e3o imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia humana, a escassez de \u00e1gua doce no mundo, infelizmente um problema que inspirou poesia h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas e ainda se faz t\u00e3o atual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O espet\u00e1culo esteve em Porto Alegre no in\u00edcio deste m\u00eas e estreia essa semana no Teatro Municipal da cidade do Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 360px;\"><em><span style=\"font-weight: 400;\">Na paisagem do rio \/ dif\u00edcil \u00e9 saber \/ onde come\u00e7a o rio; \/ onde a lama \/ come\u00e7a do rio; \/ onde a terra \/ come\u00e7a da lama; \/ onde o homem, \/ onde a pele<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">come\u00e7a da lama; \/ onde come\u00e7a o homem (&#8230;)<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 360px; text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Trecho de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O c\u00e3o sem plumas<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00b9\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Entrevista concedida \u00e0 revista eletr\u00f4nica Fant\u00e1stico em 23\/07\/2017. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2017\/07\/deborah-colker-mistura-de-danca-poesia-e-cinema-em-novo-espetaculo.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2017\/07\/deborah-colker-mistura-de-danca-poesia-e-cinema-em-novo-espetaculo.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Acesso em: 24\/07\/2017, 10:51.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>TEXTO<\/b><\/p>\n<p><b>Adriana Pierre Coca<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MELO NETO, Jo\u00e3o Cabral de.\u00a0<\/span><b>Obra completa<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999, p. 105-116.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">RAJEWSKY, Irina O. A fronteira em discuss\u00e3o: o status problem\u00e1tico das fronteiras midi\u00e1ticas no debate contempor\u00e2neo sobre intermidialidade. Trad. Isabela S. Mundin. In: DINIZ, Tha\u00efs Flores Nogueira; VIEIRA, Andr\u00e9 S. (orgs.). \u00a0<\/span><b>Intermidialidade e estudos interartes<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 desafios da arte contempor\u00e2nea II. Belo Horizonte: UFMG, 2012, p. 51-73.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o rio \/ aqueles homens \/ s\u00e3o como c\u00e3es sem plumas \/ (um c\u00e3o sem plumas \/ \u00e9 mais que um c\u00e3o saqueado; \/ \u00e9 mais que um c\u00e3o assassinado. \/ Um c\u00e3o sem plumas \/ \u00e9 quando uma \u00e1rvore sem voz. \/ \u00c9 quando de um p\u00e1ssaro \/ suas ra\u00edzes no ar. \/ \u00c9 quando a alguma coisa \/ roem t\u00e3o fundo \/ at\u00e9 o que n\u00e3o tem). Trecho de O c\u00e3o sem plumas O c\u00e3o sem plumas (1953) \u00e9 um poema de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999), pernambucano que traduziu quase como um manifesto em forma de versos a agonia de um rio, o rio Capibaribe que serpenteia todo o estado em que nasceu, Pernambuco, nordeste do Brasil. \u00c9 esse texto que agora se move representado nos corpos dos bailarinos da companhia de dan\u00e7a da core\u00f3grafa, Deborah Colker, que criou o espet\u00e1culo Ovo (2009) para os artistas do Cirque du Soleil e tamb\u00e9m dirigiu os movimentos da abertura da Olimp\u00edadas do Rio. Essa dan\u00e7a, no entanto, teve como parceiro outro especialista em movimento, s\u00f3 que das imagens em movimento, o cineasta Claudio Assis, respons\u00e1vel pelo longa-metragem Amarelo Manga (2002), entre outros. Nesse texto dan\u00e7ante e po\u00e9tico, teatral e audiovisual, Colker (2017)\u00b9 diz que h\u00e1 momentos em parece que o bailarino sai do palco e vai para a tela e em outros, seu corpo deixa a tela e se transporta para o palco. Uma fus\u00e3o entre tr\u00eas artes: a poesia, a dan\u00e7a e o cinema que prop\u00f5e, sem d\u00favida, uma experi\u00eancia intermidi\u00e1tica conduzida por corpos que dan\u00e7am. Uma divis\u00e3o tripartida oferecida pela semioticista Irina Rajewsky (2012) prop\u00f5e pensar a intermidialidade em um sentido restrito como uma transposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Por exemplo, a transposi\u00e7\u00e3o do poema de Jo\u00e3o Cabral para o teatro, a dan\u00e7a ou o cinema; nessa proposta, o foco \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um produto transformado para outra m\u00eddia. Em outro sentido, Rajewsky (2012) chama a aten\u00e7\u00e3o para a intermidialidade como uma combina\u00e7\u00e3o de m\u00eddias distintas, as rela\u00e7\u00f5es mixm\u00eddias, como acontecem em alguns programas de TV, performances ou espet\u00e1culos de dan\u00e7a. E no \u00faltimo sentido restrito para se refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es intermidi\u00e1ticas, segundo a autora, h\u00e1 as refer\u00eancias entre m\u00eddias, como a cita\u00e7\u00e3o de um texto liter\u00e1rio em um seriado de TV, a evoca\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas na composi\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria em quadrinhos ou a musicaliza\u00e7\u00e3o da literatura. Todas essas possibilidades podem se mesclar em um \u00fanico texto, e \u00e9 o que parece acontecer na recria\u00e7\u00e3o de C\u00e3o sem Plumas concebida por Colker e Assis. As refer\u00eancias que comp\u00f5em a produ\u00e7\u00e3o realizam um di\u00e1logo interartes permeado pelos tr\u00eas vieses colocados por Rajewsky (2012): a combina\u00e7\u00e3o, a refer\u00eancia e a transposi\u00e7\u00e3o e faz isso para nos lembrar de uma quest\u00e3o imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia humana, a escassez de \u00e1gua doce no mundo, infelizmente um problema que inspirou poesia h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas e ainda se faz t\u00e3o atual. O espet\u00e1culo esteve em Porto Alegre no in\u00edcio deste m\u00eas e estreia essa semana no Teatro Municipal da cidade do Rio de Janeiro. &nbsp; Na paisagem do rio \/ dif\u00edcil \u00e9 saber \/ onde come\u00e7a o rio; \/ onde a lama \/ come\u00e7a do rio; \/ onde a terra \/ come\u00e7a da lama; \/ onde o homem, \/ onde a pele come\u00e7a da lama; \/ onde come\u00e7a o homem (&#8230;) Trecho de O c\u00e3o sem plumas &nbsp; \u00b9\u00a0Entrevista concedida \u00e0 revista eletr\u00f4nica Fant\u00e1stico em 23\/07\/2017. Dispon\u00edvel em: http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2017\/07\/deborah-colker-mistura-de-danca-poesia-e-cinema-em-novo-espetaculo.html Acesso em: 24\/07\/2017, 10:51. &nbsp; TEXTO Adriana Pierre Coca &nbsp; REFER\u00caNCIAS &nbsp; MELO NETO, Jo\u00e3o Cabral de.\u00a0Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999, p. 105-116. &nbsp; RAJEWSKY, Irina O. 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Belo Horizonte: UFMG, 2012, p. 51-73. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>C\u00e3o sem Plumas: corpos em movimento no palco e na tela atravessados por poesia - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/cao-sem-plumas-corpos-em-movimento-no-palco-e-na-tela-atravessados-por-poesia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"C\u00e3o sem Plumas: corpos em movimento no palco e na tela atravessados por poesia - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como o rio \/ aqueles homens \/ s\u00e3o como c\u00e3es sem plumas \/ (um c\u00e3o sem plumas \/ \u00e9 mais que um c\u00e3o saqueado; \/ \u00e9 mais que um c\u00e3o assassinado. \/ Um c\u00e3o sem plumas \/ \u00e9 quando uma \u00e1rvore sem voz. \/ \u00c9 quando de um p\u00e1ssaro \/ suas ra\u00edzes no ar. \/ \u00c9 quando a alguma coisa \/ roem t\u00e3o fundo \/ at\u00e9 o que n\u00e3o tem). Trecho de O c\u00e3o sem plumas O c\u00e3o sem plumas (1953) \u00e9 um poema de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999), pernambucano que traduziu quase como um manifesto em forma de versos a agonia de um rio, o rio Capibaribe que serpenteia todo o estado em que nasceu, Pernambuco, nordeste do Brasil. \u00c9 esse texto que agora se move representado nos corpos dos bailarinos da companhia de dan\u00e7a da core\u00f3grafa, Deborah Colker, que criou o espet\u00e1culo Ovo (2009) para os artistas do Cirque du Soleil e tamb\u00e9m dirigiu os movimentos da abertura da Olimp\u00edadas do Rio. Essa dan\u00e7a, no entanto, teve como parceiro outro especialista em movimento, s\u00f3 que das imagens em movimento, o cineasta Claudio Assis, respons\u00e1vel pelo longa-metragem Amarelo Manga (2002), entre outros. Nesse texto dan\u00e7ante e po\u00e9tico, teatral e audiovisual, Colker (2017)\u00b9 diz que h\u00e1 momentos em parece que o bailarino sai do palco e vai para a tela e em outros, seu corpo deixa a tela e se transporta para o palco. Uma fus\u00e3o entre tr\u00eas artes: a poesia, a dan\u00e7a e o cinema que prop\u00f5e, sem d\u00favida, uma experi\u00eancia intermidi\u00e1tica conduzida por corpos que dan\u00e7am. Uma divis\u00e3o tripartida oferecida pela semioticista Irina Rajewsky (2012) prop\u00f5e pensar a intermidialidade em um sentido restrito como uma transposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Por exemplo, a transposi\u00e7\u00e3o do poema de Jo\u00e3o Cabral para o teatro, a dan\u00e7a ou o cinema; nessa proposta, o foco \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um produto transformado para outra m\u00eddia. Em outro sentido, Rajewsky (2012) chama a aten\u00e7\u00e3o para a intermidialidade como uma combina\u00e7\u00e3o de m\u00eddias distintas, as rela\u00e7\u00f5es mixm\u00eddias, como acontecem em alguns programas de TV, performances ou espet\u00e1culos de dan\u00e7a. E no \u00faltimo sentido restrito para se refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es intermidi\u00e1ticas, segundo a autora, h\u00e1 as refer\u00eancias entre m\u00eddias, como a cita\u00e7\u00e3o de um texto liter\u00e1rio em um seriado de TV, a evoca\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas na composi\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria em quadrinhos ou a musicaliza\u00e7\u00e3o da literatura. Todas essas possibilidades podem se mesclar em um \u00fanico texto, e \u00e9 o que parece acontecer na recria\u00e7\u00e3o de C\u00e3o sem Plumas concebida por Colker e Assis. As refer\u00eancias que comp\u00f5em a produ\u00e7\u00e3o realizam um di\u00e1logo interartes permeado pelos tr\u00eas vieses colocados por Rajewsky (2012): a combina\u00e7\u00e3o, a refer\u00eancia e a transposi\u00e7\u00e3o e faz isso para nos lembrar de uma quest\u00e3o imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia humana, a escassez de \u00e1gua doce no mundo, infelizmente um problema que inspirou poesia h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas e ainda se faz t\u00e3o atual. O espet\u00e1culo esteve em Porto Alegre no in\u00edcio deste m\u00eas e estreia essa semana no Teatro Municipal da cidade do Rio de Janeiro. &nbsp; Na paisagem do rio \/ dif\u00edcil \u00e9 saber \/ onde come\u00e7a o rio; \/ onde a lama \/ come\u00e7a do rio; \/ onde a terra \/ come\u00e7a da lama; \/ onde o homem, \/ onde a pele come\u00e7a da lama; \/ onde come\u00e7a o homem (&#8230;) Trecho de O c\u00e3o sem plumas &nbsp; \u00b9\u00a0Entrevista concedida \u00e0 revista eletr\u00f4nica Fant\u00e1stico em 23\/07\/2017. Dispon\u00edvel em: http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2017\/07\/deborah-colker-mistura-de-danca-poesia-e-cinema-em-novo-espetaculo.html Acesso em: 24\/07\/2017, 10:51. &nbsp; TEXTO Adriana Pierre Coca &nbsp; REFER\u00caNCIAS &nbsp; MELO NETO, Jo\u00e3o Cabral de.\u00a0Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999, p. 105-116. &nbsp; RAJEWSKY, Irina O. 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Trecho de O c\u00e3o sem plumas O c\u00e3o sem plumas (1953) \u00e9 um poema de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto (1920-1999), pernambucano que traduziu quase como um manifesto em forma de versos a agonia de um rio, o rio Capibaribe que serpenteia todo o estado em que nasceu, Pernambuco, nordeste do Brasil. \u00c9 esse texto que agora se move representado nos corpos dos bailarinos da companhia de dan\u00e7a da core\u00f3grafa, Deborah Colker, que criou o espet\u00e1culo Ovo (2009) para os artistas do Cirque du Soleil e tamb\u00e9m dirigiu os movimentos da abertura da Olimp\u00edadas do Rio. Essa dan\u00e7a, no entanto, teve como parceiro outro especialista em movimento, s\u00f3 que das imagens em movimento, o cineasta Claudio Assis, respons\u00e1vel pelo longa-metragem Amarelo Manga (2002), entre outros. Nesse texto dan\u00e7ante e po\u00e9tico, teatral e audiovisual, Colker (2017)\u00b9 diz que h\u00e1 momentos em parece que o bailarino sai do palco e vai para a tela e em outros, seu corpo deixa a tela e se transporta para o palco. Uma fus\u00e3o entre tr\u00eas artes: a poesia, a dan\u00e7a e o cinema que prop\u00f5e, sem d\u00favida, uma experi\u00eancia intermidi\u00e1tica conduzida por corpos que dan\u00e7am. Uma divis\u00e3o tripartida oferecida pela semioticista Irina Rajewsky (2012) prop\u00f5e pensar a intermidialidade em um sentido restrito como uma transposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Por exemplo, a transposi\u00e7\u00e3o do poema de Jo\u00e3o Cabral para o teatro, a dan\u00e7a ou o cinema; nessa proposta, o foco \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um produto transformado para outra m\u00eddia. Em outro sentido, Rajewsky (2012) chama a aten\u00e7\u00e3o para a intermidialidade como uma combina\u00e7\u00e3o de m\u00eddias distintas, as rela\u00e7\u00f5es mixm\u00eddias, como acontecem em alguns programas de TV, performances ou espet\u00e1culos de dan\u00e7a. E no \u00faltimo sentido restrito para se refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es intermidi\u00e1ticas, segundo a autora, h\u00e1 as refer\u00eancias entre m\u00eddias, como a cita\u00e7\u00e3o de um texto liter\u00e1rio em um seriado de TV, a evoca\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas na composi\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria em quadrinhos ou a musicaliza\u00e7\u00e3o da literatura. Todas essas possibilidades podem se mesclar em um \u00fanico texto, e \u00e9 o que parece acontecer na recria\u00e7\u00e3o de C\u00e3o sem Plumas concebida por Colker e Assis. As refer\u00eancias que comp\u00f5em a produ\u00e7\u00e3o realizam um di\u00e1logo interartes permeado pelos tr\u00eas vieses colocados por Rajewsky (2012): a combina\u00e7\u00e3o, a refer\u00eancia e a transposi\u00e7\u00e3o e faz isso para nos lembrar de uma quest\u00e3o imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia humana, a escassez de \u00e1gua doce no mundo, infelizmente um problema que inspirou poesia h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas e ainda se faz t\u00e3o atual. O espet\u00e1culo esteve em Porto Alegre no in\u00edcio deste m\u00eas e estreia essa semana no Teatro Municipal da cidade do Rio de Janeiro. &nbsp; Na paisagem do rio \/ dif\u00edcil \u00e9 saber \/ onde come\u00e7a o rio; \/ onde a lama \/ come\u00e7a do rio; \/ onde a terra \/ come\u00e7a da lama; \/ onde o homem, \/ onde a pele come\u00e7a da lama; \/ onde come\u00e7a o homem (&#8230;) Trecho de O c\u00e3o sem plumas &nbsp; \u00b9\u00a0Entrevista concedida \u00e0 revista eletr\u00f4nica Fant\u00e1stico em 23\/07\/2017. Dispon\u00edvel em: http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2017\/07\/deborah-colker-mistura-de-danca-poesia-e-cinema-em-novo-espetaculo.html Acesso em: 24\/07\/2017, 10:51. &nbsp; TEXTO Adriana Pierre Coca &nbsp; REFER\u00caNCIAS &nbsp; MELO NETO, Jo\u00e3o Cabral de.\u00a0Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999, p. 105-116. &nbsp; RAJEWSKY, Irina O. 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