{"id":2302,"date":"2014-04-24T11:31:55","date_gmt":"2014-04-24T11:31:55","guid":{"rendered":"http:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=875"},"modified":"2014-04-24T11:31:55","modified_gmt":"2014-04-24T11:31:55","slug":"nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/","title":{"rendered":"Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 falamos aqui no blog sobre a viol\u00eancia obst\u00e9trica relacionada ao impressionante n\u00famero de ces\u00e1reas realizadas no Brasil, muito acima do recomendado pela OMS, como um produto de diversas constru\u00e7\u00f5es de ordens econ\u00f4micas e sociais (ver post anterior: &#8220;Nem todo nascimento \u00e9 lindo:\u00a0marcas da viol\u00eancia obst\u00e9trica no corpo da mulher brasileira&#8221;). H\u00e1, no entanto, diversos tipos de viol\u00eancia obst\u00e9trica al\u00e9m do n\u00famero de ces\u00e1reas n\u00e3o necess\u00e1rias ou em que o m\u00e9dico n\u00e3o exp\u00f5e \u00e0 gestante as suas desvantagens ou desrespeita seu desejo pelo parto normal. Um destes tipos, que vem mobilizando muitos grupos de luta pelo parto humanizado, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o indiscriminada de <strong>episiotomias <\/strong>\u2013 cortes na regi\u00e3o do per\u00edneo, \u00e1rea muscular entre a vagina e o \u00e2nus, para ampliar o canal de passagem do beb\u00ea. Hoje, a OMS j\u00e1 determinou a necessidade de cautela no procedimento e h\u00e1 pesquisas indicando que n\u00e3o seja necess\u00e1rio cortar as m\u00e3es para realiza\u00e7\u00e3o do parto natural. No entanto, o Grupo Maternidade Ativa estima que entre 80% e 90% das brasileiras sofram o procedimento durante o parto normal, em muitos casos, sem consentimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_876\" aria-describedby=\"caption-attachment-876\" style=\"width: 507px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2014\/04\/foto-012.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-876\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2014\/04\/foto-012.jpg\" alt=\"A foto acima pertence ao projeto 1:4, um projeto fotogr\u00e1fico que busca materializar as marcas deixadas pela viol\u00eancia no nascimento no Brasil. Na imagem, a cicatriz da mulher \u00e9 resultado de uma episiotomia mal sucedida, que atingiu sua coxa, e o texto, parte de seu depoimento. Mais fotos em: http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/galeria\/\" width=\"507\" height=\"338\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-876\" class=\"wp-caption-text\">A foto acima pertence ao projeto 1:4, um projeto fotogr\u00e1fico que busca materializar as marcas deixadas pela viol\u00eancia no nascimento no Brasil. Na imagem, a cicatriz da mulher \u00e9 resultado de uma episiotomia mal sucedida, que atingiu sua coxa, e o texto, parte de seu depoimento. Mais fotos em: http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/galeria\/<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No estudo das rela\u00e7\u00f5es de poder sobre a corporalidade, o saber sobre o corpo se torna poder sobre o corpo. No caso da mulher, esta condi\u00e7\u00e3o remonta a antiguidade e, os n\u00fameros sobre as condi\u00e7\u00f5es de seus partos, mostra como a atua\u00e7\u00e3o do biopoder sobre seus corpos constr\u00f3i uma hist\u00f3ria que nega a sua autonomia e as torna sujeitos an\u00f4nimos, incapazes de conduzir livremente decis\u00f5es, por exemplo, sobre incis\u00f5es cir\u00fargicas em seu corpo. Sobre a afirma\u00e7\u00e3o de Foucault de que a vida agora se tornou objeto de poder, Ant\u00f4nio Negri e Michael Hardt sugerem que chegamos a forma de poder que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>regula a vida social por dentro, acompanhado-a, interpretando-a, absorvendo-a e a rearticulando. O poder s\u00f3 pode adquirir comando efetivo sobre a vida total da popula\u00e7\u00e3o quando se torna fun\u00e7\u00e3o integral, vital, que todos os indiv\u00edduos abra\u00e7am e reativam por sua pr\u00f3pria vontade. A fun\u00e7\u00e3o mais elevada desse poder \u00e9 envolver a vida totalmente, e sua tarefa primordial \u00e9 administr\u00e1-la. O biopoder, portanto, se refere a uma situa\u00e7\u00e3o na qual o que est\u00e1 diretamente em jogo no poder \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. (NEGRI, HARDT, 2001, p 43).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ligia Sena, doutora em farmacologia cursando um segundo doutorado em Sa\u00fade coletiva, em sua apresenta\u00e7\u00e3o no evento TEDxFloripa (2013), sugere que o Brasil acostumou-se a rapidamente emitir conclus\u00f5es e julgamentos sobre mutila\u00e7\u00f5es genitais no corpo feminino realizadas em outras culturas, mas deixou de observar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de mutila\u00e7\u00f5es realizadas em seus hospitais com o corpo das brasileiras.\u00a0 No caso das episiotomias, em que superamos muito a recomenda\u00e7\u00e3o de 10 a 15% de utiliza\u00e7\u00e3o do procedimento em partos normais, h\u00e1 ind\u00edcios de que se trataria, sim, de uma forma de mutila\u00e7\u00e3o, uma vez que para a grande maioria das mulheres, o procedimento ao inv\u00e9s de promover a sa\u00fade genital ou a do beb\u00ea, provoca danos sexuais importantes, dor intensa, aumenta os riscos de incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal, e leva a freq\u00fcentemente complica\u00e7\u00f5es infecciosas, problemas na cicatriza\u00e7\u00e3o e deformidades, chegando a necessitar de corre\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas. E, na maioria dos casos, a gestante n\u00e3o \u00e9 devidamente informada sobre nenhum destes riscos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Ligia, \u201cdesde sempre nossa sociedade acha que pode legislar sobre o corpo da mulher\u201d, contudo a mulher n\u00e3o estaria liberada para isso. Ela diz que a cultura exagerada da ces\u00e1rea no Brasil, por exemplo, \u201c\u00e9 um produto social\u201d \u201cmachista e mercantil\u201d, que tem a ver com a \u201cind\u00fastria do nascimento\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um tema apenas para gestantes ou quem est\u00e1 planejando uma gravidez. O nascimento \u00e9 um elo comum a todos e o controle do pr\u00f3prio corpo o direito mais reivindicado pelas mulheres em todo o mundo.\u00a0 Vale a pena assistir o v\u00eddeo abaixo, onde Ligia apresenta dados e casos, em uma fala absolutamente comprometida com a desconex\u00e3o de um modelo violento de tratamento ao corpo da mulher, e, por sua vez, conectada a uma ideia radical de respeito \u00e0 toda mulher em qualquer fase da sua vida, inclusive durante o parto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YZ93QpCJzAc]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para quem se interessar mais sobre o assunto, h\u00e1 ainda o document\u00e1rio mencionado pela Ligia no v\u00eddeo acima, <em>Viol\u00eancia obst\u00e9trica -, a voz das brasileiras<\/em>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eg0uvonF25M]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 muito mais material dispon\u00edvel na internet. Para quem nunca foi gestante, o contato com o volume de grupos reivindicando o parto humanizado e denunciando casos de viol\u00eancia impressiona pelo tamanho da abrang\u00eancia do tema (segundo pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, de 2010, uma em cada quatro brasileiras sofre algum tipo de viol\u00eancia durante o nascimento dos filhos). N\u00fameros t\u00e3o impressionantes quanto pouco divulgados e que precisam fazer parte de uma discuss\u00e3o mais ampla na luta pelo empoderamento da mulher sobre o direito \u00e0 tomada de decis\u00f5es que digam respeito ao corpo feminino e na busca por sociedade \u201cdesconectada da ideia de que parto \u00e9 dor\u201d. Como dito no v\u00eddeo pela L\u00edgia, <em>se a gente quer mudar o mundo, que seja tamb\u00e9m j\u00e1 na forma de nascer<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2014\/04\/foto-013.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-877 aligncenter\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2014\/04\/foto-013.jpg\" alt=\"Foto 01\" width=\"487\" height=\"176\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/p>\n<p>1:4: Retratos da Viol\u00eancia Obst\u00e9trica. <a href=\"http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/\">http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/<\/a>.<\/p>\n<p>DINIZ, Simone. Campanha pela aboli\u00e7\u00e3o da episiotomia de rotina. <a href=\"http:\/\/www.mulheres.org.br\/fiqueamigadela\/episiotomia.html\">http:\/\/www.mulheres.org.br\/fiqueamigadela\/episiotomia.html<\/a>.<\/p>\n<p>FUNDA\u00c7\u00c3O PERSEU ABRAMO. Mulheres Brasileiras e g\u00eanero no espa\u00e7o p\u00fablico e privado \u2013 pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica. Agosto de 2010. <a href=\"http:\/\/www.apublica.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf\">http:\/\/www.apublica.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf<\/a>.<\/p>\n<p>NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Imp\u00e9rio. Rio de Janeiro\/ S\u00e3o Paulo: Ed. Record, 2001.<\/p>\n<p>ZANETTI, Miriam Raquel Diniz. PETRICELLI, Carla Dellabarba, et al. Episiotomia: revendo conceitos. Revista Femina, Julho 2009, vol 37, n\u00ba 7, pag 367-371. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.febrasgo.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Feminav37n7p367-71.pdf\">http:\/\/www.febrasgo.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Feminav37n7p367-71.pdf<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>TEXTO<\/strong><\/p>\n<p>Danielle Miranda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 falamos aqui no blog sobre a viol\u00eancia obst\u00e9trica relacionada ao impressionante n\u00famero de ces\u00e1reas realizadas no Brasil, muito acima do recomendado pela OMS, como um produto de diversas constru\u00e7\u00f5es de ordens econ\u00f4micas e sociais (ver post anterior: &#8220;Nem todo nascimento \u00e9 lindo:\u00a0marcas da viol\u00eancia obst\u00e9trica no corpo da mulher brasileira&#8221;). H\u00e1, no entanto, diversos tipos de viol\u00eancia obst\u00e9trica al\u00e9m do n\u00famero de ces\u00e1reas n\u00e3o necess\u00e1rias ou em que o m\u00e9dico n\u00e3o exp\u00f5e \u00e0 gestante as suas desvantagens ou desrespeita seu desejo pelo parto normal. Um destes tipos, que vem mobilizando muitos grupos de luta pelo parto humanizado, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o indiscriminada de episiotomias \u2013 cortes na regi\u00e3o do per\u00edneo, \u00e1rea muscular entre a vagina e o \u00e2nus, para ampliar o canal de passagem do beb\u00ea. Hoje, a OMS j\u00e1 determinou a necessidade de cautela no procedimento e h\u00e1 pesquisas indicando que n\u00e3o seja necess\u00e1rio cortar as m\u00e3es para realiza\u00e7\u00e3o do parto natural. No entanto, o Grupo Maternidade Ativa estima que entre 80% e 90% das brasileiras sofram o procedimento durante o parto normal, em muitos casos, sem consentimento. &nbsp; &nbsp; No estudo das rela\u00e7\u00f5es de poder sobre a corporalidade, o saber sobre o corpo se torna poder sobre o corpo. No caso da mulher, esta condi\u00e7\u00e3o remonta a antiguidade e, os n\u00fameros sobre as condi\u00e7\u00f5es de seus partos, mostra como a atua\u00e7\u00e3o do biopoder sobre seus corpos constr\u00f3i uma hist\u00f3ria que nega a sua autonomia e as torna sujeitos an\u00f4nimos, incapazes de conduzir livremente decis\u00f5es, por exemplo, sobre incis\u00f5es cir\u00fargicas em seu corpo. Sobre a afirma\u00e7\u00e3o de Foucault de que a vida agora se tornou objeto de poder, Ant\u00f4nio Negri e Michael Hardt sugerem que chegamos a forma de poder que: &nbsp; regula a vida social por dentro, acompanhado-a, interpretando-a, absorvendo-a e a rearticulando. O poder s\u00f3 pode adquirir comando efetivo sobre a vida total da popula\u00e7\u00e3o quando se torna fun\u00e7\u00e3o integral, vital, que todos os indiv\u00edduos abra\u00e7am e reativam por sua pr\u00f3pria vontade. A fun\u00e7\u00e3o mais elevada desse poder \u00e9 envolver a vida totalmente, e sua tarefa primordial \u00e9 administr\u00e1-la. O biopoder, portanto, se refere a uma situa\u00e7\u00e3o na qual o que est\u00e1 diretamente em jogo no poder \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. (NEGRI, HARDT, 2001, p 43). \u00a0 Ligia Sena, doutora em farmacologia cursando um segundo doutorado em Sa\u00fade coletiva, em sua apresenta\u00e7\u00e3o no evento TEDxFloripa (2013), sugere que o Brasil acostumou-se a rapidamente emitir conclus\u00f5es e julgamentos sobre mutila\u00e7\u00f5es genitais no corpo feminino realizadas em outras culturas, mas deixou de observar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de mutila\u00e7\u00f5es realizadas em seus hospitais com o corpo das brasileiras.\u00a0 No caso das episiotomias, em que superamos muito a recomenda\u00e7\u00e3o de 10 a 15% de utiliza\u00e7\u00e3o do procedimento em partos normais, h\u00e1 ind\u00edcios de que se trataria, sim, de uma forma de mutila\u00e7\u00e3o, uma vez que para a grande maioria das mulheres, o procedimento ao inv\u00e9s de promover a sa\u00fade genital ou a do beb\u00ea, provoca danos sexuais importantes, dor intensa, aumenta os riscos de incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal, e leva a freq\u00fcentemente complica\u00e7\u00f5es infecciosas, problemas na cicatriza\u00e7\u00e3o e deformidades, chegando a necessitar de corre\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas. E, na maioria dos casos, a gestante n\u00e3o \u00e9 devidamente informada sobre nenhum destes riscos. &nbsp; Para Ligia, \u201cdesde sempre nossa sociedade acha que pode legislar sobre o corpo da mulher\u201d, contudo a mulher n\u00e3o estaria liberada para isso. Ela diz que a cultura exagerada da ces\u00e1rea no Brasil, por exemplo, \u201c\u00e9 um produto social\u201d \u201cmachista e mercantil\u201d, que tem a ver com a \u201cind\u00fastria do nascimento\u201d. &nbsp; N\u00e3o se trata de um tema apenas para gestantes ou quem est\u00e1 planejando uma gravidez. O nascimento \u00e9 um elo comum a todos e o controle do pr\u00f3prio corpo o direito mais reivindicado pelas mulheres em todo o mundo.\u00a0 Vale a pena assistir o v\u00eddeo abaixo, onde Ligia apresenta dados e casos, em uma fala absolutamente comprometida com a desconex\u00e3o de um modelo violento de tratamento ao corpo da mulher, e, por sua vez, conectada a uma ideia radical de respeito \u00e0 toda mulher em qualquer fase da sua vida, inclusive durante o parto. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YZ93QpCJzAc] &nbsp; Para quem se interessar mais sobre o assunto, h\u00e1 ainda o document\u00e1rio mencionado pela Ligia no v\u00eddeo acima, Viol\u00eancia obst\u00e9trica -, a voz das brasileiras: &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eg0uvonF25M] &nbsp; H\u00e1 muito mais material dispon\u00edvel na internet. Para quem nunca foi gestante, o contato com o volume de grupos reivindicando o parto humanizado e denunciando casos de viol\u00eancia impressiona pelo tamanho da abrang\u00eancia do tema (segundo pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, de 2010, uma em cada quatro brasileiras sofre algum tipo de viol\u00eancia durante o nascimento dos filhos). N\u00fameros t\u00e3o impressionantes quanto pouco divulgados e que precisam fazer parte de uma discuss\u00e3o mais ampla na luta pelo empoderamento da mulher sobre o direito \u00e0 tomada de decis\u00f5es que digam respeito ao corpo feminino e na busca por sociedade \u201cdesconectada da ideia de que parto \u00e9 dor\u201d. Como dito no v\u00eddeo pela L\u00edgia, se a gente quer mudar o mundo, que seja tamb\u00e9m j\u00e1 na forma de nascer. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; REFER\u00caNCIAS 1:4: Retratos da Viol\u00eancia Obst\u00e9trica. http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/. DINIZ, Simone. Campanha pela aboli\u00e7\u00e3o da episiotomia de rotina. http:\/\/www.mulheres.org.br\/fiqueamigadela\/episiotomia.html. FUNDA\u00c7\u00c3O PERSEU ABRAMO. Mulheres Brasileiras e g\u00eanero no espa\u00e7o p\u00fablico e privado \u2013 pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica. Agosto de 2010. http:\/\/www.apublica.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf. NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Imp\u00e9rio. Rio de Janeiro\/ S\u00e3o Paulo: Ed. Record, 2001. ZANETTI, Miriam Raquel Diniz. PETRICELLI, Carla Dellabarba, et al. Episiotomia: revendo conceitos. Revista Femina, Julho 2009, vol 37, n\u00ba 7, pag 367-371. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.febrasgo.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Feminav37n7p367-71.pdf. &nbsp; TEXTO Danielle Miranda. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2302","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"J\u00e1 falamos aqui no blog sobre a viol\u00eancia obst\u00e9trica relacionada ao impressionante n\u00famero de ces\u00e1reas realizadas no Brasil, muito acima do recomendado pela OMS, como um produto de diversas constru\u00e7\u00f5es de ordens econ\u00f4micas e sociais (ver post anterior: &#8220;Nem todo nascimento \u00e9 lindo:\u00a0marcas da viol\u00eancia obst\u00e9trica no corpo da mulher brasileira&#8221;). 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No entanto, o Grupo Maternidade Ativa estima que entre 80% e 90% das brasileiras sofram o procedimento durante o parto normal, em muitos casos, sem consentimento. &nbsp; &nbsp; No estudo das rela\u00e7\u00f5es de poder sobre a corporalidade, o saber sobre o corpo se torna poder sobre o corpo. No caso da mulher, esta condi\u00e7\u00e3o remonta a antiguidade e, os n\u00fameros sobre as condi\u00e7\u00f5es de seus partos, mostra como a atua\u00e7\u00e3o do biopoder sobre seus corpos constr\u00f3i uma hist\u00f3ria que nega a sua autonomia e as torna sujeitos an\u00f4nimos, incapazes de conduzir livremente decis\u00f5es, por exemplo, sobre incis\u00f5es cir\u00fargicas em seu corpo. Sobre a afirma\u00e7\u00e3o de Foucault de que a vida agora se tornou objeto de poder, Ant\u00f4nio Negri e Michael Hardt sugerem que chegamos a forma de poder que: &nbsp; regula a vida social por dentro, acompanhado-a, interpretando-a, absorvendo-a e a rearticulando. O poder s\u00f3 pode adquirir comando efetivo sobre a vida total da popula\u00e7\u00e3o quando se torna fun\u00e7\u00e3o integral, vital, que todos os indiv\u00edduos abra\u00e7am e reativam por sua pr\u00f3pria vontade. A fun\u00e7\u00e3o mais elevada desse poder \u00e9 envolver a vida totalmente, e sua tarefa primordial \u00e9 administr\u00e1-la. O biopoder, portanto, se refere a uma situa\u00e7\u00e3o na qual o que est\u00e1 diretamente em jogo no poder \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. (NEGRI, HARDT, 2001, p 43). \u00a0 Ligia Sena, doutora em farmacologia cursando um segundo doutorado em Sa\u00fade coletiva, em sua apresenta\u00e7\u00e3o no evento TEDxFloripa (2013), sugere que o Brasil acostumou-se a rapidamente emitir conclus\u00f5es e julgamentos sobre mutila\u00e7\u00f5es genitais no corpo feminino realizadas em outras culturas, mas deixou de observar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de mutila\u00e7\u00f5es realizadas em seus hospitais com o corpo das brasileiras.\u00a0 No caso das episiotomias, em que superamos muito a recomenda\u00e7\u00e3o de 10 a 15% de utiliza\u00e7\u00e3o do procedimento em partos normais, h\u00e1 ind\u00edcios de que se trataria, sim, de uma forma de mutila\u00e7\u00e3o, uma vez que para a grande maioria das mulheres, o procedimento ao inv\u00e9s de promover a sa\u00fade genital ou a do beb\u00ea, provoca danos sexuais importantes, dor intensa, aumenta os riscos de incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal, e leva a freq\u00fcentemente complica\u00e7\u00f5es infecciosas, problemas na cicatriza\u00e7\u00e3o e deformidades, chegando a necessitar de corre\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas. E, na maioria dos casos, a gestante n\u00e3o \u00e9 devidamente informada sobre nenhum destes riscos. &nbsp; Para Ligia, \u201cdesde sempre nossa sociedade acha que pode legislar sobre o corpo da mulher\u201d, contudo a mulher n\u00e3o estaria liberada para isso. Ela diz que a cultura exagerada da ces\u00e1rea no Brasil, por exemplo, \u201c\u00e9 um produto social\u201d \u201cmachista e mercantil\u201d, que tem a ver com a \u201cind\u00fastria do nascimento\u201d. &nbsp; N\u00e3o se trata de um tema apenas para gestantes ou quem est\u00e1 planejando uma gravidez. O nascimento \u00e9 um elo comum a todos e o controle do pr\u00f3prio corpo o direito mais reivindicado pelas mulheres em todo o mundo.\u00a0 Vale a pena assistir o v\u00eddeo abaixo, onde Ligia apresenta dados e casos, em uma fala absolutamente comprometida com a desconex\u00e3o de um modelo violento de tratamento ao corpo da mulher, e, por sua vez, conectada a uma ideia radical de respeito \u00e0 toda mulher em qualquer fase da sua vida, inclusive durante o parto. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YZ93QpCJzAc] &nbsp; Para quem se interessar mais sobre o assunto, h\u00e1 ainda o document\u00e1rio mencionado pela Ligia no v\u00eddeo acima, Viol\u00eancia obst\u00e9trica -, a voz das brasileiras: &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eg0uvonF25M] &nbsp; H\u00e1 muito mais material dispon\u00edvel na internet. Para quem nunca foi gestante, o contato com o volume de grupos reivindicando o parto humanizado e denunciando casos de viol\u00eancia impressiona pelo tamanho da abrang\u00eancia do tema (segundo pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, de 2010, uma em cada quatro brasileiras sofre algum tipo de viol\u00eancia durante o nascimento dos filhos). N\u00fameros t\u00e3o impressionantes quanto pouco divulgados e que precisam fazer parte de uma discuss\u00e3o mais ampla na luta pelo empoderamento da mulher sobre o direito \u00e0 tomada de decis\u00f5es que digam respeito ao corpo feminino e na busca por sociedade \u201cdesconectada da ideia de que parto \u00e9 dor\u201d. Como dito no v\u00eddeo pela L\u00edgia, se a gente quer mudar o mundo, que seja tamb\u00e9m j\u00e1 na forma de nascer. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; REFER\u00caNCIAS 1:4: Retratos da Viol\u00eancia Obst\u00e9trica. http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/. DINIZ, Simone. Campanha pela aboli\u00e7\u00e3o da episiotomia de rotina. http:\/\/www.mulheres.org.br\/fiqueamigadela\/episiotomia.html. FUNDA\u00c7\u00c3O PERSEU ABRAMO. Mulheres Brasileiras e g\u00eanero no espa\u00e7o p\u00fablico e privado \u2013 pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica. Agosto de 2010. http:\/\/www.apublica.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf. NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Imp\u00e9rio. Rio de Janeiro\/ S\u00e3o Paulo: Ed. Record, 2001. ZANETTI, Miriam Raquel Diniz. PETRICELLI, Carla Dellabarba, et al. Episiotomia: revendo conceitos. Revista Femina, Julho 2009, vol 37, n\u00ba 7, pag 367-371. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.febrasgo.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Feminav37n7p367-71.pdf. &nbsp; TEXTO Danielle Miranda. &nbsp;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2014-04-24T11:31:55+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/imagem9-1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"430\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"480\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"gerente\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"gerente\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"6 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"gerente\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43\"},\"headline\":\"Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil\",\"datePublished\":\"2014-04-24T11:31:55+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/\"},\"wordCount\":1130,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2013\\\/12\\\/imagem9-1.jpg\",\"articleSection\":[\"Blog\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\\\/\",\"name\":\"Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil - 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No entanto, o Grupo Maternidade Ativa estima que entre 80% e 90% das brasileiras sofram o procedimento durante o parto normal, em muitos casos, sem consentimento. &nbsp; &nbsp; No estudo das rela\u00e7\u00f5es de poder sobre a corporalidade, o saber sobre o corpo se torna poder sobre o corpo. No caso da mulher, esta condi\u00e7\u00e3o remonta a antiguidade e, os n\u00fameros sobre as condi\u00e7\u00f5es de seus partos, mostra como a atua\u00e7\u00e3o do biopoder sobre seus corpos constr\u00f3i uma hist\u00f3ria que nega a sua autonomia e as torna sujeitos an\u00f4nimos, incapazes de conduzir livremente decis\u00f5es, por exemplo, sobre incis\u00f5es cir\u00fargicas em seu corpo. Sobre a afirma\u00e7\u00e3o de Foucault de que a vida agora se tornou objeto de poder, Ant\u00f4nio Negri e Michael Hardt sugerem que chegamos a forma de poder que: &nbsp; regula a vida social por dentro, acompanhado-a, interpretando-a, absorvendo-a e a rearticulando. O poder s\u00f3 pode adquirir comando efetivo sobre a vida total da popula\u00e7\u00e3o quando se torna fun\u00e7\u00e3o integral, vital, que todos os indiv\u00edduos abra\u00e7am e reativam por sua pr\u00f3pria vontade. A fun\u00e7\u00e3o mais elevada desse poder \u00e9 envolver a vida totalmente, e sua tarefa primordial \u00e9 administr\u00e1-la. O biopoder, portanto, se refere a uma situa\u00e7\u00e3o na qual o que est\u00e1 diretamente em jogo no poder \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. (NEGRI, HARDT, 2001, p 43). \u00a0 Ligia Sena, doutora em farmacologia cursando um segundo doutorado em Sa\u00fade coletiva, em sua apresenta\u00e7\u00e3o no evento TEDxFloripa (2013), sugere que o Brasil acostumou-se a rapidamente emitir conclus\u00f5es e julgamentos sobre mutila\u00e7\u00f5es genitais no corpo feminino realizadas em outras culturas, mas deixou de observar a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de mutila\u00e7\u00f5es realizadas em seus hospitais com o corpo das brasileiras.\u00a0 No caso das episiotomias, em que superamos muito a recomenda\u00e7\u00e3o de 10 a 15% de utiliza\u00e7\u00e3o do procedimento em partos normais, h\u00e1 ind\u00edcios de que se trataria, sim, de uma forma de mutila\u00e7\u00e3o, uma vez que para a grande maioria das mulheres, o procedimento ao inv\u00e9s de promover a sa\u00fade genital ou a do beb\u00ea, provoca danos sexuais importantes, dor intensa, aumenta os riscos de incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal, e leva a freq\u00fcentemente complica\u00e7\u00f5es infecciosas, problemas na cicatriza\u00e7\u00e3o e deformidades, chegando a necessitar de corre\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas. E, na maioria dos casos, a gestante n\u00e3o \u00e9 devidamente informada sobre nenhum destes riscos. &nbsp; Para Ligia, \u201cdesde sempre nossa sociedade acha que pode legislar sobre o corpo da mulher\u201d, contudo a mulher n\u00e3o estaria liberada para isso. Ela diz que a cultura exagerada da ces\u00e1rea no Brasil, por exemplo, \u201c\u00e9 um produto social\u201d \u201cmachista e mercantil\u201d, que tem a ver com a \u201cind\u00fastria do nascimento\u201d. &nbsp; N\u00e3o se trata de um tema apenas para gestantes ou quem est\u00e1 planejando uma gravidez. 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Para quem nunca foi gestante, o contato com o volume de grupos reivindicando o parto humanizado e denunciando casos de viol\u00eancia impressiona pelo tamanho da abrang\u00eancia do tema (segundo pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, de 2010, uma em cada quatro brasileiras sofre algum tipo de viol\u00eancia durante o nascimento dos filhos). N\u00fameros t\u00e3o impressionantes quanto pouco divulgados e que precisam fazer parte de uma discuss\u00e3o mais ampla na luta pelo empoderamento da mulher sobre o direito \u00e0 tomada de decis\u00f5es que digam respeito ao corpo feminino e na busca por sociedade \u201cdesconectada da ideia de que parto \u00e9 dor\u201d. Como dito no v\u00eddeo pela L\u00edgia, se a gente quer mudar o mundo, que seja tamb\u00e9m j\u00e1 na forma de nascer. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; REFER\u00caNCIAS 1:4: Retratos da Viol\u00eancia Obst\u00e9trica. http:\/\/carlaraiter.com\/1em4\/. DINIZ, Simone. Campanha pela aboli\u00e7\u00e3o da episiotomia de rotina. http:\/\/www.mulheres.org.br\/fiqueamigadela\/episiotomia.html. FUNDA\u00c7\u00c3O PERSEU ABRAMO. Mulheres Brasileiras e g\u00eanero no espa\u00e7o p\u00fablico e privado \u2013 pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica. Agosto de 2010. http:\/\/www.apublica.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/www.fpa_.org_.br_sites_default_files_pesquisaintegra.pdf. NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Imp\u00e9rio. Rio de Janeiro\/ S\u00e3o Paulo: Ed. Record, 2001. ZANETTI, Miriam Raquel Diniz. PETRICELLI, Carla Dellabarba, et al. Episiotomia: revendo conceitos. Revista Femina, Julho 2009, vol 37, n\u00ba 7, pag 367-371. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.febrasgo.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/Feminav37n7p367-71.pdf. &nbsp; TEXTO Danielle Miranda. &nbsp;","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/","og_site_name":"Corporalidades","article_published_time":"2014-04-24T11:31:55+00:00","og_image":[{"width":430,"height":480,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/imagem9-1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"gerente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"gerente","Est. reading time":"6 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/"},"author":{"name":"gerente","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"headline":"Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil","datePublished":"2014-04-24T11:31:55+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/"},"wordCount":1130,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/imagem9-1.jpg","articleSection":["Blog"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/nem-todo-nascimento-e-lindo-2-a-violencia-por-tras-das-episiotomias-no-brasil\/","name":"Nem todo nascimento \u00e9 lindo (2): a viol\u00eancia por tr\u00e1s das episiotomias no Brasil - 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