{"id":2852,"date":"2022-03-14T19:51:45","date_gmt":"2022-03-14T22:51:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=2852"},"modified":"2022-03-14T19:59:07","modified_gmt":"2022-03-14T22:59:07","slug":"revisitando-a-transcriacao-de-os-maias-para-a-televisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/revisitando-a-transcriacao-de-os-maias-para-a-televisao\/","title":{"rendered":"Revisitando a transcria\u00e7\u00e3o de \u201cOs Maias\u201d para a televis\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Adriana Coca<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">A miniss\u00e9rie <strong>\u201cOs Maias\u201d<\/strong> (TV Globo\/SIC, 2001) foi inspirada no romance hom\u00f4nimo do portugu\u00eas <strong>E\u00e7a de Queiroz<\/strong> e, embora proponha fidelidade ao livro, vai al\u00e9m de uma <strong>adapta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria<\/strong> para televis\u00e3o e se constitui como um ato de <strong>transcria\u00e7\u00e3o<\/strong> (CAMPOS, 2013), uma tradu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e criativa. Adapta\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o ocupam caminhos te\u00f3ricos distintos, nesse caso, especialmente, se convergem para reconstruir o texto liter\u00e1rio para a televis\u00e3o e, embora a proposta de Campos (2013) esteja centrada na tradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, suas orienta\u00e7\u00f5es s\u00e3o precisas para se pensar, tamb\u00e9m, a <strong>tradu\u00e7\u00e3o criativa<\/strong> no audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por isso que nesta reflex\u00e3o me propus a ampliar os estudos sobre as quest\u00f5es da <strong>tradu\u00e7\u00e3o criativa <\/strong>revisitando \u201cOs Maias\u201d, pois acredito que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um trabalho de transposi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria para o audiovisual que trouxe frescor \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de s\u00e9ries para a TV e sinaliza esteticamente o aparecimento de <strong>marcas estil\u00edsticas<\/strong> que, mais tarde, v\u00e3o se sobressair na obra do diretor <strong>Luiz Fernando Carvalho<\/strong>, como por exemplo, as <strong>anamorfoses t\u00e9cnicas e cronot\u00f3picas<\/strong> (COCA, 2015; MACHADO, 2011) que, anos depois, foram exploradas com desenvoltura na micross\u00e9rie \u201cCapitu\u201d (TV Globo\/2008), sobre as quais j\u00e1 discorri em um <em>post<\/em> para o Blog Corporalidades, em\u00a0 2017, em <strong><em><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/anamorfoses-corporais-audiovisuais-o-caso-de-capitu%c2%b9\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Anamorfoses Corporais Audiovisuais: o caso de Capitu<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u201cOs Maias\u201d conta a hist\u00f3ria tr\u00e1gica de uma fam\u00edlia lisboeta no s\u00e9culo XIX e traz no bojo o retrato de uma aristocracia em decad\u00eancia. A miniss\u00e9rie tem 44 cap\u00edtulos, o que era usual para a \u00e9poca em que foi ar na TV Globo, no Brasil, e na Sociedade Independente de Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; SIC, emissora privada aberta e generalista, em Portugal, coprodutora da obra. Se ainda n\u00e3o assistiu, vale a pena comprar o DVD, procurar alguns cap\u00edtulos dispon\u00edveis no YouTube ou cenas pontuais no site Mem\u00f3ria Globo ou acesse a plataforma digital da emissora, a Globoplay.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Assista o primeiro cap\u00edtulo da miniss\u00e9rie &#8211; Os Maias<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Maias - Epis\u00f3dio 01\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VclzXyuZ7xU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Patchwork<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Maria Adelaide Amaral <\/strong>foi quem roteirizou \u201cOs Maias\u201d para TV, ela \u00e9 portuguesa e teve durante toda a adolesc\u00eancia, antes de se mudar para o Brasil, um contato fundamental com a obra de E\u00e7a de Queiroz. Na transposi\u00e7\u00e3o do texto liter\u00e1rio para imagens em movimento, a autora, que tamb\u00e9m \u00e9 dramaturga e escritora, trouxe outras refer\u00eancias do romancista, al\u00e9m do livro \u201cOs Maias\u201d, est\u00e3o presentes na produ\u00e7\u00e3o televisual, os textos \u201cA Rel\u00edquia\u201d e \u201cA Capital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de outros livros do autor, foram consultados desenhos da \u00e9poca, ensaios, correspond\u00eancias e anota\u00e7\u00f5es sobre projetos futuros, inspira\u00e7\u00f5es que asseguraram na hist\u00f3ria contada na TV toda a atmosfera do processo de cria\u00e7\u00e3o de E\u00e7a de Queiroz. A exemplo da cena em que Pedro da Maia (Leonardo Vieira) e Maria Monforte (Simone Spoladore na juventude e Mar\u00edlia P\u00eara na maturidade) se encontram pela primeira vez, em uma arena de touros. Durante a investiga\u00e7\u00e3o que Maria Adelaide fez na Biblioteca Nacional, em Portugal, ela se deparou com informa\u00e7\u00f5es sobre textos in\u00e9ditos mencionadas em um livro, entre elas, uma anota\u00e7\u00e3o de E\u00e7a de Queiroz sobre um romance que deveria come\u00e7ar com uma tourada. Logo, a inser\u00e7\u00e3o dessa cena, gravada na Pra\u00e7a de Touros Campo Pequeno, em Lisboa, \u00e0 obra televisual \u00e9 na verdade uma cita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio autor. Nesse trabalho criativo, falas de personagens de outras obras liter\u00e1rias de E\u00e7a tamb\u00e9m foram incorporadas ao roteiro, isso pode ser percebido nas elucubra\u00e7\u00f5es do amigo mais pr\u00f3ximo do protagonista Carlos Eduardo da Maia (F\u00e1bio Assump\u00e7\u00e3o), Jo\u00e3o da Ega (Selton Mello) (AMARAL, 2004). S\u00e3o aspectos que sinalizam como se concretiza a transcria\u00e7\u00e3o sugerida por Campos (2013), uma cria\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, reproposta, atualizada, mas que n\u00e3o dispensa a mem\u00f3ria do texto de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, segundo Amaral (2004), s\u00f3 houve a sua interven\u00e7\u00e3o nos momentos em que a teledramaturgia se imp\u00f4s ao texto liter\u00e1rio, por exemplo, quando a narrativa televisual tornou imperioso que a personagem Maria Monforte retornasse \u00e0 hist\u00f3ria e fosse ela a portadora da tr\u00e1gica not\u00edcia que os amantes, prestes a se casarem, eram irm\u00e3os, pois no romance quem faz essa revela\u00e7\u00e3o \u00e9 outra personagem, decis\u00f5es como essa configuram \u00a0como ocorre uma atualiza\u00e7\u00e3o ao texto original, ofertando ao telespectador \u201cnovos atos ficcionais\u201d como pressup\u00f5e Campos (2013).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e criativa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para <strong>Haroldo de Campos<\/strong> (2013) traduzir \u00e9 recriar um novo texto que desconstr\u00f3i o original para reconstru\u00ed-lo e, assim, \u201ctraduz <em>a tradi\u00e7\u00e3o<\/em>, reinventando-a\u201d (p. 39, grifo do autor). Segundo ele, s\u00f3 dessa maneira contornamos a impossibilidade de traduzir textos criativos, quando \u201cA apropria\u00e7\u00e3o da historicidade do texto-fonte pensada como uma constru\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o viva \u00e9 um ato at\u00e9 certo ponto usurpat\u00f3rio, que se rege pelas necessidades do presente da cria\u00e7\u00e3o\u201d (CAMPOS, 2013, p. 39), como fez Maria Adelaide Amaral. Nessas conting\u00eancias, a tradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica repensa os conceitos de fidelidade e liberdade. \u201cEm vez da \u2018fidelidade\u2019 entendida como literalidade servil em fun\u00e7\u00e3o da restitui\u00e7\u00e3o do sentido, agora a fidelidade estar\u00e1, antes, numa \u2018redoa\u00e7\u00e3o da forma\u2019\u201d (2013, p. 103), que ele nomeia de transcria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a redoa\u00e7\u00e3o da forma ou transcria\u00e7\u00e3o em \u201cOs Maias\u201d, a autora teve um aliado \u00e0 altura do seu processo de (re)cria\u00e7\u00e3o, o diretor Luiz Fernando Carvalho, que soube traduzir e recontar em imagens a dor das personagens. Destaco alguns momentos pontuais, como os longos sil\u00eancios que invadem a cena de abertura, guiada por um plano-sequ\u00eancia que parece intermin\u00e1vel e acompanha o retorno de Carlos Eduardo da Maia \u00e0 casa do av\u00f4, Dom Afonso (Walmor Chagas), um suspense, um sobressalto que sinaliza o que vir\u00e1 pela frente nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos. Nesse mesmo cap\u00edtulo de estreia, outra cena revela um raro momento de descontra\u00e7\u00e3o entre Dom Afonso e seu fiel amigo Vila\u00e7a (Ewerton de Castro), que brincam com a premoni\u00e7\u00e3o de que as paredes do casar\u00e3o dos Maias (O Ramalhete) escondem fatalidades inevit\u00e1veis. Essa cena, em especial, se constr\u00f3i como uma esp\u00e9cie de anamorfose cronot\u00f3pica (MACHADO, 2011; COCA, 2018), pois, ao abrir a porta da sala empoeirada e ocupada por m\u00f3veis cobertos com len\u00e7\u00f3is, Carlos Eduardo revive suas mem\u00f3rias como se as observasse por dentro. \u00c9 mais que um mero <em>flashback<\/em>, como costumamos ver compondo a fic\u00e7\u00e3o de TV, \u00e9 como se passado e presente estivessem contracenando. Em outro cap\u00edtulo, Carlos Eduardo l\u00ea um livro em sua poltrona e \u00e9 captado por meio de um longo plano de c\u00e2mera em <em>travelling<\/em>, o enxergamos atrav\u00e9s de um vidro que deixa sua imagem distorcida em uma anamorfose t\u00e9cnica (MACHADO, 2011; COCA, 2018), que pode ser traduzida como um ind\u00edcio de que aquela aparente tranquilidade n\u00e3o \u00e9 bem o que est\u00e1 por tr\u00e1s da sua hist\u00f3ria de vida. J\u00e1 a cena do cortejo f\u00fanebre de Dom Afonso \u00e9 captada sob um v\u00e9u negro de renda, uma imagem que refor\u00e7a o manto de desgra\u00e7as que cobre a fam\u00edlia Maia (COCA, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encerro esse <em>post<\/em> com essas observa\u00e7\u00f5es, outras rela\u00e7\u00f5es mais detalhadas e com aprofundamento te\u00f3rico podem ser lidas no cap\u00edtulo de livro <strong><em><a href=\"https:\/\/repositorio.ufc.br\/bitstream\/riufc\/52950\/1\/2020_capliv_bfcbcarvalho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A transcria\u00e7\u00e3o de Os Maias para a televis\u00e3o<\/a><\/em><\/strong>, dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/repositorio.ufc.br\/bitstream\/riufc\/52950\/1\/2020_capliv_bfcbcarvalho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">acervo virtual da biblioteca da Universidade Fernando Pessoa do Porto<\/a>, em Portugal. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Boa leitura!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"referencias\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AMARAL, Maria Adelaide. Depoimento. In: <strong>Os Maias.<\/strong> [DVD] Dire\u00e7\u00e3o de Carvalho, Luiz Fernando. Rio de Janeiro: TV Globo, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAMPOS, Haroldo.&nbsp; Da tradu\u00e7\u00e3o como cria\u00e7\u00e3o e como cr\u00edtica. In: N\u00d3BREGA, Thelma M.; T\u00c1PIA, Marcelo (orgs.). <strong>Haroldo de Campos<\/strong>:Transcria\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COCA, Adriana. A transcria\u00e7\u00e3o de <em>Os Maias<\/em> para televis\u00e3o. In: Souza, Jorge Pedro (org.) <strong>Jornalismo e Estudos Medi\u00e1ticos<\/strong>. Mem\u00f3ria III. Porto: Editora da Universidade Fernando Pessoa, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">_____________. <strong>Cartografias da teledramaturgia brasileira<\/strong>: entre rupturas de sentidos e processos de telerrecria\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Labrador, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">_____________. <strong>Tecendo Rupturas:<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong>o processo da recria\u00e7\u00e3o televisual de Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Tr\u00edbia, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MACHADO, Arlindo. Anamorfoses cronot\u00f3picas ou a quarta dimens\u00e3o da imagem <em>In<\/em> PARENTE, Andr\u00e9 (org.).<strong> Imagem-m\u00e1quina<\/strong>: a era das tecnologias do virtual. Trad. Rog\u00e9rio Luz <em>et al<\/em>. 4\u00aa ed. Rio de Janeiro: Ed. 34, 2011.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"como-citar-este-texto\">Como citar este texto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COCA, Adriana Pierre.\u00a0<strong>Revisitando a transcria\u00e7\u00e3o de \u201cOs Maias\u201d para a televis\u00e3o\u201d<\/strong>. 2022. Edi\u00e7\u00e3o: Ricardo Machado. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/revisitando-a-transcriacao-de-os-maias-para-a-televisao. Acesso em: 14 mar. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste texto a pesquisadora doutora Adriana Cocca explora a riqueza e as tranforma\u00e7\u00e3o de uma obra liter\u00e1ria na transcria\u00e7\u00e3o audiovisual.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2858,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[212,187,16,185,34,215,59,211,60,217,216,209,210,173,214,213],"class_list":["post-2852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-adaptacao-literaria","tag-adriana-cocca","tag-audiovisual","tag-brasil","tag-corporalidades","tag-eca-de-queiroz","tag-ficcao","tag-ficcao-seriada","tag-filme","tag-luiz-fernando-carvalho","tag-maria-adelaide-amaral","tag-minisserie","tag-os-maias","tag-pesquisa","tag-transcriacao","tag-transposicao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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