{"id":2898,"date":"2022-04-18T16:13:54","date_gmt":"2022-04-18T19:13:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=2898"},"modified":"2022-04-18T17:06:15","modified_gmt":"2022-04-18T20:06:15","slug":"reativar-a-experiencia-do-corpo-na-rua-na-investigacao-e-na-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/reativar-a-experiencia-do-corpo-na-rua-na-investigacao-e-na-pratica\/","title":{"rendered":"Reativar a experi\u00eancia do corpo na rua &#8211; na investiga\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Danielle Miranda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">\u201cMulheres regressam \u00e0s ruas este 8 de mar\u00e7o\u201d, informa o t\u00edtulo no jornal. Me encontro entre estas mulheres. Estive na <strong><em>Marcha do Dia Internacional das Mulheres em Lisboa<\/em><\/strong> neste 2022. Presencialmente, corpos novamente pr\u00f3ximos uns dos outros, \u201c<strong>mexeu com uma, mexeu com todas<\/strong>\u201d. Uma a\u00e7\u00e3o e uma linguagem pol\u00edtica que faz do corpo de uma o corpo coletivo. A previsibilidade dos carros ou \u201cbondinhos\u201d el\u00e9tricos que ocupam as ruas interrompidas pela experi\u00eancia que emerge do encontro no percurso at\u00e9 o <strong>Pal\u00e1cio de S\u00e3o Bento<\/strong>, <strong>Assembleia da Rep\u00fablica<\/strong> e sede do parlamento portugu\u00eas. \u00c9 bom regressar.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"517\" height=\"499\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/foto-dani-protesto-lisboa.png\" alt=\"Pessoas caminhanda em protesto do 8 de mar\u00e7o de 2022 em Lisboa, Portugal\" class=\"wp-image-2905\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/foto-dani-protesto-lisboa.png 517w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/foto-dani-protesto-lisboa-300x290.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><figcaption>Lisboa, 8 de mar\u00e7o de 2022. (Foto Danielle Miranda)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ebook <strong><em><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=5sQkEAAAQBAJ&amp;printsec=copyright&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpo, comunica\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o: arranjos performativos <\/a><\/em><\/strong>(2021) , organizado pelos professores <strong>Fabr\u00edcio Silveira<\/strong> e <strong>N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio<\/strong>, escrevi sobre possibilidades de reativar redes de resist\u00eancia apesar dos in\u00fameros desafios que o <strong>distanciamento social<\/strong> no contexto da <strong>pandemia<\/strong> imp\u00f4s. Nesse cap\u00edtulo do livro, selecionamos dois tipos de experi\u00eancias vinculadas a movimentos de ordem corporal e comunicativo que consideramos exemplares durante a pandemia: a experi\u00eancia da \u201c<strong>cultura das janelas<\/strong>\u201d das quarentenas, e a da realiza\u00e7\u00e3o de protestos durante o primeiro ano da pandemia (Miranda, 2021).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1020\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco-1020x1024.png\" alt=\"Capa do livro Corpo, Comunica\u00e7\u00e3o e Espa\u00e7o\" class=\"wp-image-2904\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco-1020x1024.png 1020w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco-768x771.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco-75x75.png 75w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capa-livro-corpos-e-espaco.png 1023w\" sizes=\"auto, (max-width: 1020px) 100vw, 1020px\" \/><figcaption>O livro reu\u0301ne textos produzidos na o\u0301rbita do Nu\u0301cleo de Pesquisas \u201cCorporalidades\u201d, com aten\u00e7\u00e3o aos corpos em interfaceamento com as m\u00eddias, \u00e0s performances e gram\u00e1ticas corporais, sob uma perspectiva comunicacional. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No per\u00edodo analisado, mulheres polonesas, milhares, foram \u00e0s ruas impedir retrocessos em rela\u00e7\u00e3o aos seus direitos reprodutivos; as argentinas, nas <em>calles<\/em>, conquistaram o direito ao aborto; dos EUA a Porto Alegre, os protestos do <em>Black Lives Matter<\/em> explodiram o grito de quem h\u00e1 muito n\u00e3o pode respirar e n\u00e3o permitiram que a viol\u00eancia das mortes de <strong>George Floyd<\/strong> e <strong>Jo\u00e3o Alberto Freitas<\/strong> se esvanecessem na estat\u00edstica; no Brasil, pa\u00eds asfixiado, em carreatas p\u00f4de-se visualizar um movimento, ainda que ef\u00eamero, <strong>contra o governo<\/strong> do presidente<strong> Jair Bolsonaro<\/strong> e sua genocida estrat\u00e9gia institucional de propaga\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus; no Chile, milhares impondo o fim da constitui\u00e7\u00e3o de <strong>Pinochet<\/strong>; na Fran\u00e7a, manifesta\u00e7\u00f5es massivas, sem desrespeitar o hor\u00e1rio de recolher obrigat\u00f3rio devido \u00e0 pandemia, quebrando tudo e travando o pa\u00eds contra normas autorit\u00e1rias da <strong>Lei de Seguran\u00e7a Global<\/strong>. S\u00e3o exemplos de protestos atravessados pelo contexto do coronav\u00edrus e que abordamos desde um ponto de vista que privilegia os aspectos transindividuais comunicativos. O texto, na \u00edntegra, pode ser conferido no <strong><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=5sQkEAAAQBAJ&amp;printsec=copyright&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ebook<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, mesmo em um quadro de demanda por isolamento mundial, e de necess\u00e1ria discuss\u00e3o no campo da comunica\u00e7\u00e3o sobre a expressividade, potencialidades e usos das redes digitais para o ativismo nesse momento, vimos emergir <strong>imprevisibilidades semi\u00f3ticas <\/strong>(ROS\u00c1RIO, 2020; LOTMAN, 1996) que estabelecem rela\u00e7\u00f5es constitutivas com a implica\u00e7\u00e3o do corpo e que, com sua produ\u00e7\u00e3o de reorganiza\u00e7\u00f5es e efeitos, atualizam as condi\u00e7\u00f5es nas quais o sentido das resist\u00eancias pand\u00eamicas \u00e9 posto para funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o, h\u00e1, portanto, qualquer minimiza\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia da luta e conex\u00e3o que se estabeleceu entre contra as mais diversas opress\u00f5es, mesmo quando a dist\u00e2ncia dos corpos foi imperativa. Agora, com nossos corpos vacinados ainda conscientes da necessidade do cuidado coletivo, mas j\u00e1 menos condicionados pelo medo, ser\u00e1 produtivo investigar o ressurgimento \u2013 ou n\u00e3o &#8211; do corpo nesta ecologia h\u00edbrida do ativismo. Sobretudo, ser\u00e1 preciso fortalecer e reativar pr\u00e1ticas rumo a uma coletiviza\u00e7\u00e3o transsubjetiva e modos de cria\u00e7\u00e3o do comum. Foi isso o que senti ao caminhar com tantos outros rostos an\u00f4nimos no <strong>8M de 2022 <\/strong>e lembrei de modo encarnado que era um corpo coletivo. \u201cTenho mais necessidade de gritar que de respirar\u201d desabafa o poema de Carlos de Assump\u00e7\u00e3o. Escrevo de longe, mas penso que no Brasil de 2022, precisaremos deste \u00edmpeto. A for\u00e7a dos corpos unidos, da experi\u00eancia conjunta, ser\u00e1 imprescind\u00edvel. A experi\u00eancia, nos diz <strong>Foucault <\/strong>(2018), marca-se pelo risco pelo qual o sujeito aceita sua pr\u00f3pria transmuta\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o, aboli\u00e7\u00e3o e se localiza no campo da pr\u00e1tica. Praticar. Praticar a recusa do estatuto do sujeito no qual nos encontramos, a recusa da opress\u00e3o sobre nossos corpos, a recusa da perman\u00eancia. Imaginar, agir, revidar para al\u00e9m de resistir: ou alcan\u00e7amos tudo o que queremos ou gritaremos a noite inteira, como est\u00e1 no mesmo poema de Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FOUCAULT, M. <strong>O enigma da revolta<\/strong>: entrevistas in\u00e9ditas sobre a revolu\u00e7\u00e3o iraniana. n-1 Edi\u00e7\u00f5es, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOTMAN, Yuri M. <strong>Semiosfera I <\/strong>\u2013 Semio\u0301tica de la cultura e del texto. Madrid: Ca\u0301tredra, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MIRANDA, Danielle. <strong>Corpo, crise e sentidos de interdepend\u00eancia<\/strong>: movimentos transsubjetivos na pandemia de Covid-19. In: Silveira, F. Ros\u00e1rio, N. M. orgs. Corpo, comunica\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o: arranjos performativos. S\u00e3o Paulo, Editora Pimenta Cultural, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROSA\u0301RIO, Ni\u0301sia Martins do. <strong>Explos\u00f5es semi\u00f3ticas na pandemia de Covid-19<\/strong>. In: MUNHOZ, Ange\u0301lica Vier; COSTA, Cristiano Bedin da; LULKIN, Se\u0301rgio Andre\u0301s (org.). Porque Esperamos: [notas sobre a doce\u0302ncia, a obsolesce\u0302ncia e o vi\u0301rus]. 1a ed. Porto Alegre: UFRGS, 2020. p. 76\u201382. E-book. Disponi\u0301vel em https:\/\/www.lume.ufrgs.br\/bitstream\/handle\/10183\/210654\/001115588.pdf?sequence=1. Acesso em fevereiro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como citar este artigo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MIRANDA, Danielle. <strong>Reativar a experi\u00eancia do corpo na rua &#8211; na investiga\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica<\/strong>. 2022. Edi\u00e7\u00e3o: Ricardo Machado. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/reativar-a-experiencia-do-corpo-na-rua-na-investigacao-e-na-pratica\/. 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