{"id":2991,"date":"2022-06-02T00:08:16","date_gmt":"2022-06-02T03:08:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=2991"},"modified":"2022-06-02T00:21:06","modified_gmt":"2022-06-02T03:21:06","slug":"importancia-da-comunicacao-nao-verbal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/importancia-da-comunicacao-nao-verbal\/","title":{"rendered":"IMPORT\u00c2NCIA DA COMUNICA\u00c7\u00c3O N\u00c3O VERBAL"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea j\u00e1 pensou no quanto \u00e9 poss\u00edvel comunicar sem o uso das palavras? Costumamos prestar aten\u00e7\u00e3o mais direta \u00e0s palavras porque elas nos parecem l\u00f3gicas e aparentam formatar uma mensagem mais completa. Na inf\u00e2ncia aprendemos a falar, na vida escolar aprendemos a escrever e somos ensinados sobre os usos da gram\u00e1tica da nossa l\u00edngua, mas n\u00e3o somos capacitados da mesma forma para compreender gestos, express\u00f5es faciais, posturas, entre outros. Assim, cria-se o ju\u00edzo de que <strong>comunica\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 apenas verbal. Todavia Ray Birdwhistell (1970), antrop\u00f3logo estadunidense, afirma que mais de 60% da comunica\u00e7\u00e3o humana \u00e9 n\u00e3o verbal. Esse dado evidencia a import\u00e2ncia de prestarmos aten\u00e7\u00e3o e nos capacitarmos para decodificar a <strong>linguagem n\u00e3o verbal<\/strong>. A aptid\u00e3o que desenvolvemos para desvendar tal dom\u00ednio, na maioria das vezes, fica no \u00e2mbito da experi\u00eancia e da bagagem de viv\u00eancias que acumulamos ao longo da vida.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se estuda as <strong>corporalidades<\/strong>, o n\u00e3o verbal assume relev\u00e2ncia, pois amplia exponencialmente a gama de recursos expressivos e efeitos de sentidos da comunica\u00e7\u00e3o. Nessa perspectiva, \u00e9 pertinente buscar identificar os tra\u00e7os distintivos ou estruturalidades (LOTMAN, 1999) que operam como indicadores de sentidos, auxiliando a entender o processo de significa\u00e7\u00e3o do corpo. Esses tra\u00e7os distintivos podem ser sistematizados em por\u00e7\u00f5es organizadas \u2013 feixes \u2013 que, conforme se articulam com outras estruturalidades, v\u00e3o compondo as mensagens. Por outras palavras, determinados aspectos da gestualidade unidos a certas caracter\u00edsticas da express\u00e3o facial e da postura, por exemplo, comp\u00f5em uma mensagem. Assim, pode-se afirmar a exist\u00eancia de elementos b\u00e1sicos da express\u00e3o do corpo que s\u00e3o comuns a determinados grupos sociais e, a partir da observa\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel encontrar feixes de tra\u00e7os distintivos em: etnia, g\u00eanero, marcas f\u00edsicas individuais, gestos, posturas, express\u00f5es faciais, espacialidades, tato, olfato, paladar, vestimenta, adere\u00e7os e maquiagem.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"630\" height=\"466\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/expressao-facial-etnia.png\" alt=\"Express\u00e3o Facial e Etnia\" class=\"wp-image-2993\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/expressao-facial-etnia.png 630w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/expressao-facial-etnia-300x222.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tra\u00e7os \u00e9tnicos constituem marcas distintivas principalmente de cor da pele, cor e a textura do cabelo, formato dos olhos, dos l\u00e1bios e do nariz e, at\u00e9 mesmo, porte f\u00edsico. Essas caracter\u00edsticas v\u00e3o determinar a possibilidade de perten\u00e7a a um grupo, impondo determinados sentidos culturais. Os sentidos de <strong>etnia <\/strong>v\u00e3o se configurar de acordo com as combina\u00e7\u00f5es dos elementos que comp\u00f5em esse feixe e se manifestam automaticamente, uma vez que est\u00e3o \u2018impressos\u2019 no f\u00edsico por determina\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas \u2013 a n\u00e3o ser que sejam modificados por t\u00e9cnicas e procedimentos est\u00e9ticos, m\u00e9dicos, entre outros. A manifesta\u00e7\u00e3o desses tra\u00e7os n\u00e3o pode ser evitada, do mesmo modo que sua significa\u00e7\u00e3o, e, assim, sua comunica\u00e7\u00e3o vai acontecer independentemente da vontade dos sujeitos que as manifestam, o que, na nossa cultura, se recobre de estere\u00f3tipos e hierarquias. No que diz respeito \u00e0s regula\u00e7\u00f5es impostas sobre as diversas etnias, \u00e9 relevante, por exemplo, como o movimento de mulheres negras que assumem os tra\u00e7os originais de seus cabelos tem sido capaz de tensionar a est\u00e9tica feminina e fazer os c\u00f3digos de beleza se deslocarem acolhendo o cabelo afro, mas, sobretudo, auxiliando a tensionar o lugar da negritude na cultura. Claro que se observam resist\u00eancias a esses tensionamentos, o que expressa o percurso das disputas de sentido que se d\u00e3o por meio da linguagem do corpo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feixe distintivo de <strong>g\u00eanero <\/strong>se configura pelo volume dos seios\/peito, amplitude do t\u00f3rax, largura dos ombros, tamanho do quadril, formato do rosto, corte de cabelo, forma da cintura, tipo de \u00f3rg\u00e3o genital, entre outros aspectos. No processo de significa\u00e7\u00e3o, esses tra\u00e7os indicam sexo biol\u00f3gico, identidade de g\u00eanero e s\u00e3o, ainda, duramente codificados. Os sistemas modelizantes t\u00eam operado com rigor nesse \u00e2mbito, produzindo e legitimando a estereotipiza\u00e7\u00e3o do sistema bin\u00e1rio homem\/mulher. O g\u00eanero ocupa uma dimens\u00e3o importante na significa\u00e7\u00e3o do ser no mundo e tem um car\u00e1ter autom\u00e1tico de produ\u00e7\u00e3o de sentido quando se refere aos humanos (tanto quanto os tra\u00e7os \u00e9tnicos), assumindo relev\u00e2ncia primordial e determinando categoriza\u00e7\u00f5es. Basta perceber que uma das primeiras curiosidades\/problem\u00e1ticas a ser resolvida na gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 a descoberta do sexo do beb\u00ea. Nessa via, o g\u00eanero se associa, tamb\u00e9m, ao uso de cores, ao tipo de vestimenta, ao corte de cabelo, ao uso de adere\u00e7os e maquiagem e implica a forma de comportamento e de tratamento. Dessa maneira, os tra\u00e7os de g\u00eanero contribuem para a defini\u00e7\u00e3o das identidades sociais dos indiv\u00edduos a partir do pertencimento e da diferencia\u00e7\u00e3o das feminilidades e masculinidades. Recentemente o sistema modelizante de g\u00eanero tem sido tensionado socialmente pelos feminismos e pelas manifesta\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es LGBTQIA+, provocando fortes rupturas de sentido, que entram em disputas com codifica\u00e7\u00f5es presas na tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"638\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tracos_fisicos.png\" alt=\"Mulher com a barriga chegia de desejnhos de pl\u00e1stica\" class=\"wp-image-2997\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tracos_fisicos.png 638w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/tracos_fisicos-300x198.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os recursos expressivos dos <strong>tra\u00e7os f\u00edsicos<\/strong> individuais podem se dar em, no m\u00ednimo, dois \u00e2mbitos: as linhas e formas do rosto \u2013 considerando, por exemplo, o desenho da sobrancelha, o tamanho e a forma dos olhos, do nariz, dos l\u00e1bios, o tamanho e \u00e2ngulo do rosto; as linhas e formas do t\u00f3rax, do peito, dos quadris, das pernas, dos bra\u00e7os e mesmo das m\u00e3os e dos p\u00e9s \u2013 tendo em vista volumes, distribui\u00e7\u00e3o de massa, tonicidade, comprimento e harmonia dos membros. A partir da percep\u00e7\u00e3o desses tra\u00e7os e de sua combina\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel encontrar seus efeitos de sentido refletidos na idade, na beleza, na altura, entre outros. Os tra\u00e7os f\u00edsicos individuais est\u00e3o fortemente associados a modelos est\u00e9ticos rigidamente codificados e, tamb\u00e9m, ao que se considera saud\u00e1vel na cultura ocidental. Pela relev\u00e2ncia que assumem, s\u00e3o determinantes de status social, de pertencimento a determinados grupos e at\u00e9 de aceita\u00e7\u00e3o. \u00c9 pela conquista de um \u201ccorpo perfeito\u201d que muitos se empenham em ter sucesso em academias, sal\u00f5es de beleza, cl\u00ednicas est\u00e9ticas, consult\u00f3rios m\u00e9dicos. Esses tra\u00e7os-padr\u00e3o se organizam sobre o perfil caucasiano e a partir de valores estabelecidos pela sociedade, que, por um lado, busca a beleza, a sa\u00fade, o comedimento do peso e, por outro, oferece orgias alimentares em restaurantes e fast foods. Nessa padroniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para estaturas baixas, narizes achatados, cabelos pixaim, barrigas proeminentes, quadris avantajados, celulite, flacidez, estrias, narizes grandes, pouco cabelo, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo <strong>gesto <\/strong>implica movimento, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o e pode variar de acordo com a velocidade, a for\u00e7a empregada e a amplitude, segundo Morris (1985). Mas, para Birdwhistell (apud Morris), \u00e9 a intensidade que vai ajudar a diminuir a ambiguidade da mensagem gestual. O gesto, em geral, se comp\u00f5e na complementaridade com a postura, mas se atualiza principalmente no deslocamento de m\u00e3os, bra\u00e7os e pernas na rela\u00e7\u00e3o direta com a dire\u00e7\u00e3o e o deslocamento assumido. Dessa forma, interpret\u00e1-lo implica considerar um conjunto de posi\u00e7\u00f5es dos membros do corpo em conex\u00e3o com os fluxos provocados por eles. Nesse \u00e2mbito, \u00e9 preciso considerar que um mesmo gesto pode ter mais de um sentido e, por outro lado, v\u00e1rios gestos podem ter apenas um significado. Por exemplo, o dedo polegar e o indicador unidos pelas pontas, formando um c\u00edrculo e os demais dedos erguidos na vertical, indicam \u201cok\u201d para os americanos e ingleses, dinheiro para os japoneses, e sem valor ou zero para os franceses, quando esse gesto vem acompanhado de uma express\u00e3o facial s\u00e9ria ou meio triste. No Brasil, o mesmo gesto colocando os dedos na horizontal representa um palavr\u00e3o. A inser\u00e7\u00e3o em um contexto e em um grupo social \u00e9 que vai determinar a diferencia\u00e7\u00e3o e a consequente significa\u00e7\u00e3o. Esses tra\u00e7os distintivos utilizam-se muito da <strong>cin\u00e9sica<\/strong>, que tem como principal alvo o gesto convencional dotado de valor significativo. Guiraud (2001, p.59) define a cin\u00e9sica como \u201co estudo dos gestos e m\u00edmicas utilizados como signos de comunica\u00e7\u00e3o, quer por si s\u00f3s, quer como acompanhamento da linguagem articulada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As posturas articulam-se em uma combina\u00e7\u00e3o complexa dos diversos membros do corpo \u2013 cabe\u00e7a, pesco\u00e7o, ombro, abd\u00f4men, bra\u00e7os e pernas. Vale lembrar que o corpo humano tem a capacidade de assumir cerca de mil posturas diferentes, todas elas em posi\u00e7\u00f5es im\u00f3veis. Apesar de serem relativamente f\u00e1ceis de identificar, entender seus efeitos de sentido exige que se observe a totalidade dos membros em sua inter-rela\u00e7\u00e3o. A decodifica\u00e7\u00e3o da <strong>postura<\/strong> \u00e9 muito associada a tra\u00e7os de personalidade e a estados emocionais, via em que h\u00e1 forte consenso no que diz respeito aos efeitos de sentido articulados por determinados recursos expressivos, como, por exemplo, costas arqueadas, ombros ca\u00eddos e cabe\u00e7a baixa indicam pessoas depressivas; peito para frente, ombros para tr\u00e1s e cabe\u00e7a erguida indicam pessoa corajosa e arrojada. Esses c\u00f3digos parecem j\u00e1 estar estabelecidos na maioria dos grupos sociais do ocidente, por\u00e9m, \u00e9 preciso examinar a postura com mais aten\u00e7\u00e3o, considerando uma vasta gama de sentidos que extrapolam esses significados mais usuais. No desdobramento dessas configura\u00e7\u00f5es pode-se citar a tipifica\u00e7\u00e3o de postura congruente elaborada por Morris (1985), segundo a qual as pessoas articulam seus corpos de forma a que uma posi\u00e7\u00e3o se constitua como eco da outra. Assim, as express\u00f5es de afetividade, de apoio, de solidariedade, muitas vezes, se d\u00e3o a partir do que o autor chama de tie-signs, ou seja, a postura e o gesto que vinculam duas pessoas pelo corpo \u2013 por exemplo, o abra\u00e7o, os bra\u00e7os dados, as m\u00e3os dadas, o beijo. Por outro lado, ao contr\u00e1rio, alguns comportamentos que envolvem posturas e gestos se articulam como um sinal de barreira, que busca defender o corpo de a\u00e7\u00f5es ou situa\u00e7\u00f5es sociais, como os bra\u00e7os cruzados, as costas colocadas em dire\u00e7\u00e3o ao outro, as pernas cruzadas, bem como objetos colocados entre os interlocutores.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>express\u00e3o facial<\/strong> apresenta uma complexa rede de significa\u00e7\u00f5es, fruto da inter-rela\u00e7\u00e3o de olhos, sobrancelhas, m\u00fasculos da testa, nariz, l\u00e1bios, queixo. A combina\u00e7\u00e3o de todas essas partes do rosto, com suas diversas nuances, resulta em uma vasta gama de recursos expressivos da face. Segundo Flora Davis (1979), o rosto \u00e9 capaz de transmitir mais de mil express\u00f5es e adquire ainda mais significado porque \u00e9, praticamente, a \u00fanica parte do corpo humano ocidental que est\u00e1 constantemente desnuda. Desmond Morris (1977), por exemplo, afirma que o olhar dirigido ao rosto humano n\u00e3o se fixa em apenas um ponto, mas em v\u00e1rios, detendo-se, principalmente, nos olhos e na boca. Aumont (2000) classifica essa a\u00e7\u00e3o como \u2018busca visual\u2019, que consiste em realizar, pela fixa\u00e7\u00e3o ocular sucessiva, a explora\u00e7\u00e3o das imagens que estejam mais providas de informa\u00e7\u00e3o. Olhos e boca s\u00e3o, pois, os dois elementos mais expressivos da face. Pode-se considerar uma s\u00e9rie de formas de olhar que se engendram a partir da conforma\u00e7\u00e3o adotada pela posi\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos dos olhos, pelo tamanho da pupila, pela intensidade (tempo), pela dire\u00e7\u00e3o e pela dist\u00e2ncia. Acrescentem-se, a todas essas vari\u00e1veis, os movimentos da sobrancelha. Todes j\u00e1 entendemos como o olhar \u00e9 importante na azara\u00e7\u00e3o, por exemplo, e, nesses casos, o usamos de acordo com nossos interesses em articula\u00e7\u00e3o com a boca, os movimentos de cabe\u00e7a, os gestos e a postura. Por outro lado, pode-se considerar uma gama bastante variada de posi\u00e7\u00f5es assumida pelos m\u00fasculos labiais, que vai desde o fechamento total da boca, passando por sua abertura parcial at\u00e9 chegar \u00e0 abertura completa. Todas essas articula\u00e7\u00f5es oferecem uma diversidade de efeitos de sentido que pode variar do choro at\u00e9 o riso, passando pela sedu\u00e7\u00e3o. Nessa via, \u00e9 importante lembrar que o choro e o sorriso integram as express\u00f5es humanas mais prim\u00e1rias e mais universais, usam os m\u00fasculos labiais em combina\u00e7\u00e3o com os m\u00fasculos dos olhos para transmitir alegria, satisfa\u00e7\u00e3o, como\u00e7\u00e3o, for\u00e7a, contentamento, prazer, agrado, timidez, vergonha, desprezo, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 caminho para entender a comunica\u00e7\u00e3o do corpo sem passar pela utiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os pelo f\u00edsico. A import\u00e2ncia da semi\u00f3tica do <strong>espa\u00e7o <\/strong>\u2013 a <strong>prox\u00eamica <\/strong>\u2013 para a an\u00e1lise do corpo \u00e9 justificada por Villa\u00e7a e G\u00f3es (1998, p.76): \u201cOs corpos s\u00e3o objetos marcados pelas normas culturais e a leitura de suas articula\u00e7\u00f5es, de sua maior ou menor proximidade, possibilita a compreens\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social\u201d. J\u00e1 Guiraud (2001, p.76\/77) diz que, para o indiv\u00edduo, o espa\u00e7o \u00e9 fundamental, e cada cultura estabelece os limites de aproxima\u00e7\u00e3o e distanciamento entre indiv\u00edduos por meio do uso do espa\u00e7o. Morris (1985) estabelece tr\u00eas tipos de territorialidades: a tribal, a familiar e a pessoal. J\u00e1 Hall (1999) defende, como dist\u00e2ncias relevantes, a p\u00fablica, a social, a pessoal e a \u00edntima. Obviamente que essas dist\u00e2ncias v\u00e3o articular sentidos diferentes e est\u00e3o ancoradas nos modelos e nas regras culturais, determinando situa\u00e7\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o, afetividade, coer\u00e7\u00e3o espacial, formas de socialidade, hierarquias, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"629\" height=\"327\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/toque.png\" alt=\"Beb\u00ea pequenino segurando o dedo de um adulto\" class=\"wp-image-2996\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/toque.png 629w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/toque-300x156.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>tato <\/strong>sofre um regramento bastante severo dos c\u00f3digos corporais, tornando o toque, em grande parte das vezes, proibitivo ou contraindicado em p\u00fablico, seja de um indiv\u00edduo em outro, seja o toque no pr\u00f3prio corpo, ou em determinados objetos. Em vista disso, o tato \u00e9 um dos sentidos menos utilizados nos processos comunicativos e, paradoxalmente, envolve o maior \u00f3rg\u00e3o do corpo humano, a pele. Como j\u00e1 se sabe, as tatilidades podem ser experienciadas por qualquer das partes que recobrem o f\u00edsico: m\u00e3os, l\u00e1bios, bochechas, cintura, quadril, coxas, p\u00e9s, pesco\u00e7o etc. Cada um desses fragmentos de pele pode se constituir em um tra\u00e7o distintivo, que, associado a outros, vai compor uma mensagem e, portanto, carrega significa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a m\u00e3o de uma pessoa na cintura de outra \u00e9 um tra\u00e7o de tatilidade, mas seus significados v\u00e3o se constituir em correla\u00e7\u00e3o com as espacialidade (proximidade\/dist\u00e2ncia) e com a performance da gestualidade. Diferentes semioses podem se produzir nesses processos, desde amizade, toque rom\u00e2ntico, sedu\u00e7\u00e3o e at\u00e9 afastamento. \u00c9 particularidade do tato estimular a intimidade, podendo provocar sentidos da ordem da familiaridade, da sexualidade, do carinho, mas tamb\u00e9m da agressividade (atrav\u00e9s de um soco, por exemplo), da raiva e do \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o <strong>olfato <\/strong>se manifesta na invisibilidade, s\u00f3 percept\u00edvel pelo nariz por meio de signos vol\u00e1teis, sendo bastante \u00fatil ao paladar na constitui\u00e7\u00e3o de sentidos, mas tamb\u00e9m importante para identificar ambientes, objetos e situa\u00e7\u00f5es. Um dos pontos ligados \u00e0s significa\u00e7\u00f5es das olfatividades \u00e9 a supress\u00e3o a que o cheiro humano \u00e9 submetido. Tem-se regula\u00e7\u00f5es e c\u00f3digos bem espec\u00edficos para os odores que podem emanar dos corpos, sendo que tudo que \u00e9 exterior ao corpo pode exalar aromas, mas o que vem dele (de suas entranhas), n\u00e3o. Assim, todos os flu\u00eddos corporais \u2013 suor, urina, fezes, saliva \u2013 tendem a ser eliminados e\/ou escondidos, considerando que os c\u00f3digos para eles s\u00e3o associados ao polo negativo, o cheiro ruim. Ao contr\u00e1rio dos animais, os humanos n\u00e3o cheiram uns aos outros para reconhecer sentidos comunicacionais \u2013 e, se buscamos tra\u00e7os de olfatividades em outros corpos, o fazemos muito discretamente. Sobre a pele s\u00e3o aprovados os perfumes passados em pulsos, pesco\u00e7o e outras partes do corpo, ou os aromas dos shampoos, sabonetes, condicionadores, auxiliando, dessa maneira, na exclus\u00e3o do \u2018cheiro original\u2019 e na elabora\u00e7\u00e3o de semioses relativas a n\u00edvel social, eleg\u00e2ncia, limpeza, entre outros. O olfato est\u00e1 ligado tamb\u00e9m \u00e0s mem\u00f3rias, sobretudo as afetivas e subjetivadas, como o cheiro de caf\u00e9 passado, de grama cortada, de p\u00e3o quentinho, e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"653\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/paladar.png\" alt=\"Mulher mordendo pimenta malagueta\" class=\"wp-image-2995\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/paladar.png 653w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/paladar-300x184.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A semiotiza\u00e7\u00e3o pela boca (e seus in\u00fameros receptores) tem relev\u00e2ncia por estar associada \u00e0 primitividade e \u00e0 instintividade humana, tendo em vista que s\u00f3 existimos em fun\u00e7\u00e3o de nos alimentarmos, e, portanto, esta \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Assim, o <strong>paladar <\/strong>assume import\u00e2ncia na comunica\u00e7\u00e3o, seja pelos rituais sociais que o envolvem, seja pela intera\u00e7\u00e3o mam\u00e3e e beb\u00ea pela amamenta\u00e7\u00e3o. Os tra\u00e7os distintivos do paladar est\u00e3o associados aos sabores que conseguimos codificar (doce, salgado, amargo, \u00e1cido) e, al\u00e9m da instintividade que direciona nossa prefer\u00eancia pelo doce , seus significados culturais e individuais est\u00e3o conectados a prazeres b\u00e1sicos dos seres humanos. As modeliza\u00e7\u00f5es culturais acabam determinando as prefer\u00eancias do paladar pela regularidade e continuidade do uso de determinados alimentos, estabelecendo que crian\u00e7as alem\u00e3s, por exemplo, \u201cgostem\u201d mais de queijo, lingui\u00e7a e p\u00e3o, enquanto os brasileiros repetem o feij\u00e3o e o arroz quase que diariamente, n\u00e3o apenas por uma quest\u00e3o financeira, mas de paladar. Enfim, o desenvolvimento do paladar \u00e9 cultural, o que nos leva \u00e0 m\u00e1xima: n\u00e3o comemos algo porque achamos bom, mas achamos bom porque estamos acostumados.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feixe de tra\u00e7os que comp\u00f5e a <strong>vestimenta <\/strong>\u00e9 bastante diversificado, em geral as pe\u00e7as se diferenciam de acordo com o sexo, mas tamb\u00e9m distinguem hierarquias de classe e, nessa via, elas materializam sentidos do car\u00e1ter das rela\u00e7\u00f5es sociais, deixando expl\u00edcitos gostos, propens\u00f5es, estilos e manifesta\u00e7\u00f5es de ideias. Os tipos e a quantidade de pe\u00e7as que comp\u00f5em o vestu\u00e1rio ajudam a determinar o clima, a situa\u00e7\u00e3o, a proposta pessoal, entre outros aspectos. Ainda \u00e9 preciso considerar que o estilo, a textura do tecido, o comprimento, o caimento, o tamanho e a marca comp\u00f5em tra\u00e7os distintivos que ajudam a produzir significados. No que se refere \u00e0 cor, as vestimentas e adere\u00e7os v\u00e3o-se compondo na linha do tempo e do espa\u00e7o, seguindo, com certa rigidez, os padr\u00f5es impostos pela moda, mas, tamb\u00e9m, as prefer\u00eancias pessoais dos sujeitos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"653\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aderecos.png\" alt=\"Menino ind\u00edgena com arco e flecha\" class=\"wp-image-2992\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aderecos.png 653w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aderecos-300x184.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vestu\u00e1rio, os <strong>adere\u00e7os <\/strong>e a <strong>maquiagem <\/strong>comp\u00f5em um feixe complexo de tra\u00e7os distintivos que instituem discursos variados, como o da diferencia\u00e7\u00e3o, da sedu\u00e7\u00e3o, do status, da beleza, da domina\u00e7\u00e3o, da ritualidade, da ludicidade. \u00c9 importante observar, ali\u00e1s, que, al\u00e9m da forma utilitarista, o vestu\u00e1rio tem car\u00e1ter l\u00fadico que se apresenta na fantasia, no jogo e no humor, conforme observa Lipovetsky (1989). Nessas \u201cfalas\u201d, \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar aspectos importantes de significa\u00e7\u00e3o atrelados \u00e0s caracter\u00edsticas e \u00e0s fun\u00e7\u00f5es assumidas. Esses tra\u00e7os, em grande parte das vezes, organizam semioses da ordem est\u00e9tica, visando encobrir o feio e descobrir o belo. Outra configura\u00e7\u00e3o que assumem \u00e9 da ordem da apar\u00eancia e buscam mostrar, pela exterioridade, aqueles aspectos que v\u00e3o confirmar a diferencia\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, distinguindo, por exemplo, a classe social e a profiss\u00e3o, mas colocam, tamb\u00e9m, o bom gosto em oposi\u00e7\u00e3o ao desleixo, a sofistica\u00e7\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 simplicidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os adere\u00e7os, os objetos pessoais e a maquiagem tamb\u00e9m integram o processo de constru\u00e7\u00e3o de sentidos do corpo, ajudando homens e mulheres a se \u201cmascararem\u201d, escondendo detalhes e ressaltando outros por meio de celulares, brincos, colares, an\u00e9is, pulseiras, rel\u00f3gios, \u00f3culos, pingentes, perucas, tatuagens, tintas, bases, cremes, entre outros. Esses elementos refletem semioses mais espec\u00edficas ao se investigar formas, texturas, volumes, cores, materiais, tamanhos e contextos. Atrav\u00e9s dos processos de \u2018adere\u00e7amento\u2019 e de embelezamento, que tamb\u00e9m buscam guarida na maquiagem, os sujeitos conseguem se adaptar aos preceitos dos sistemas modelizantes da cultura, mas tamb\u00e9m podem criar novos modos de express\u00e3o ou apenas \u2018estar junto\u2019, conforme coloca Maffesoli (1999, p167\/8): \u201cPintar-se, tatuar-se, enfeitar-se com adere\u00e7os, em suma, cosmetizar-se, tudo isso tem um papel sacramental: tornar vis\u00edvel essa gra\u00e7a invis\u00edvel que \u00e9 estar junto\u201d. Uma infinidade de produtos \u00e9 criada diariamente, elaborada e testada para produzir sentidos, para o consumo da beleza e para o prazer est\u00e9tico. Eles encobrem olheiras e marcas, alongam ou diminuem os olhos, delineiam os l\u00e1bios, real\u00e7am o colo, adornam os dedos, trazem ou levam as cores naturais do sujeito, aperfei\u00e7oam as formas naturais. Conseguem, enfim, transforma\u00e7\u00f5es substanciais para o corpo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, o corpo produz uma comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se encarna no verbo propriamente, mas em formas, cores, texturas, cheiros, tons, movimentos, sons, gostos e assim por diante. \u00c9 por meio da composi\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os distintivos que engendram discursos de vontade, verdade, beleza, intelig\u00eancia, criatividade, exclus\u00e3o, disciplina, autoria (considerando Foucault, 1996). Boa parte desses discursos se articula pelo n\u00e3o verbal, para o que, no entanto, se d\u00e1 pouca aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BIRDWHISTELL, Ray L. Kinesics and context : essays on body motion communication. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, c1970.<br>DAVIS, Flora. A comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-verbal. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 1979.<br>FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1996.<br>GUIRAUD, Pierre. A linguagem do corpo. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2001.<br>LIPOVETSKY, Gilles. O imp\u00e9rio do ef\u00eamero. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1989.<br>HALL, Stuart. Identidade cultural na p\u00f3s-modernidade. 3.ed. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 1999.<br>LOTMAN, I. Cultura y explosi\u00f3n. Barcelona: Gedisa, 1999.<br>MAFFESOLI, Michel. No fundo das apar\u00eancias. Petr\u00f3polis: Vozes, 1999.<br>MORRIS, D. Manwatching \u2013 a field guide to human behaviour. London: Triad Panther, 1985.<br>VILLA\u00c7A, N.; G\u00d3ES, F. Em nome do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como citar este artigo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROS\u00c1RIO, N\u00edsia Martins. Import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal. 2022. Edi\u00e7\u00e3o: Ricardo Machado. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/importancia-da-comunicacao-nao-verbal\/. 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