{"id":3033,"date":"2022-06-18T17:53:24","date_gmt":"2022-06-18T20:53:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=3033"},"modified":"2022-06-18T18:12:12","modified_gmt":"2022-06-18T21:12:12","slug":"como-a-agressao-a-uma-mulher-no-futebol-pode-e-deve-nos-instigar-sobre-a-participacao-feminina-nos-esportes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/como-a-agressao-a-uma-mulher-no-futebol-pode-e-deve-nos-instigar-sobre-a-participacao-feminina-nos-esportes\/","title":{"rendered":"Como a agress\u00e3o a uma mulher no futebol pode (e deve) nos instigar sobre a participa\u00e7\u00e3o feminina nos esportes"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vanessa Drehmer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em abril deste ano um caso de <strong>viol\u00eancia<\/strong> no <strong>futebol brasileiro<\/strong> gerou repercuss\u00e3o maior do que outras agress\u00f5es, infelizmente t\u00e3o rotineiras no esporte, isso em fun\u00e7\u00e3o da particularidade do caso: em um jogo de futebol masculino entre os times <em>Desportiva Ferrovi\u00e1ria<\/em> e <em>Nova Ven\u00e9cia<\/em>, que ocorria pelo <strong>Campeonato Capixaba<\/strong>, o t\u00e9cnico do Desportiva, Rafael Soriano, agrediu a auxiliar em arbitragem <strong>Marcelly Netto<\/strong> com uma cabe\u00e7ada, por n\u00e3o concordar com uma decis\u00e3o tomada pelo \u00e1rbitro, que encerrou o primeiro tempo do jogo antes do time cobrar um escanteio. Ap\u00f3s o ato ainda afirmou que a bandeirinha se aproveitaria da situa\u00e7\u00e3o por ser <strong>mulher <\/strong>pois, de acordo com o pr\u00f3prio t\u00e9cnico, sequer teria encostado nela. Na s\u00famula da partida \u00e9 poss\u00edvel verificar o ocorrido com detalhes, em que a bandeirinha tenta intervir contra uma poss\u00edvel agress\u00e3o do treinador ao \u00e1rbitro, e este ent\u00e3o fala diversos palavr\u00f5es a ela, desferindo, por fim, a cabe\u00e7ada no nariz da profissional. Nos dias que seguiram a agress\u00e3o diversas personalidades, jornalistas, grupos esportivos, <strong>feministas <\/strong>e o p\u00fablico em geral comentaram e compartilharam o v\u00eddeo com a lament\u00e1vel cena.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"592\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/agressao-bandeirinha-marcielly-reproducao-youtube.png\" alt=\"Imagem congelada da transmiss\u00e3o que a \u00e1rbitra assistente Marcielly \u00e9 agredida com uma cabe\u00e7ada\" class=\"wp-image-3036\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/agressao-bandeirinha-marcielly-reproducao-youtube.png 799w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/agressao-bandeirinha-marcielly-reproducao-youtube-300x222.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/agressao-bandeirinha-marcielly-reproducao-youtube-768x569.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><figcaption>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o YouTube<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 bastante comum que os \u00e2nimos de <strong>jogadores <\/strong>e demais membros das equipes estejam aflorados nestas competi\u00e7\u00f5es e que, em fun\u00e7\u00e3o disso, ocorram alguns tipos de <strong>viol\u00eancias<\/strong>, principalmente xingamentos, em especial com os \u00e1rbitros. O ambiente do futebol, predominantemente masculino, possui um forte marcador das masculinidades, que \u00e9 a <strong>viol\u00eancia<\/strong>, a <strong>agressividade<\/strong>. Seja dentro de campo, nas arquibancadas ou at\u00e9 mesmo nos bares que exibem os jogos em tel\u00f5es e televisores, nesses locais parecem permitidos certos comportamentos <strong>exacerbados <\/strong>de <strong>demonstra\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es<\/strong>, principalmente \u00e0quelas ligadas a viol\u00eancia, como empurr\u00f5es, gritos, palavr\u00f5es, xingamentos e murros em mesas, condutas que n\u00e3o s\u00e3o aceitas fora desses ambientes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para J J Bola (2020, p. 159), a \u201c<strong>raiva <\/strong>\u00e9 frequentemente a emo\u00e7\u00e3o padr\u00e3o dos <strong>homens<\/strong>, n\u00e3o apenas porque ela vem mais f\u00e1cil ou de maneira natural, mas em grande parte porque aos homens \u00e9 sempre dito que eles n\u00e3o s\u00e3o seres emocionais, a ponto da pr\u00f3pria raiva n\u00e3o ser vista como uma emo\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que em geral essa raiva se transforma em <strong>viol\u00eancia<\/strong>, que se torna a principal<strong> linguagem da express\u00e3o masculina<\/strong>\u201d. Assim sendo, a raiva \u00e9 uma forma de demonstra\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es de homens, mesmo que tais demonstra\u00e7\u00f5es exponham outros tantos tipos de sentimentos, como frustra\u00e7\u00e3o, tristeza, ansiedade, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma divis\u00e3o social entre <strong>g\u00eaneros <\/strong>que estabelece que determinados ambientes s\u00e3o mais apropriados para homens e outros para mulheres. Evidente que esta defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 linear e permite, dependendo das conven\u00e7\u00f5es sociais de cada local, a participa\u00e7\u00e3o de outros g\u00eaneros. O futebol e os locais destinados \u00e0 sua pr\u00e1tica ou aprecia\u00e7\u00e3o \u00e9 onde se percebe uma restri\u00e7\u00e3o mais not\u00f3ria em \u00e2mbito brasileiro; em que o ambiente desportivo ainda conta com um \u00ednfimo n\u00famero de mulheres com rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de homens esportistas e nos grupos de arbitragem. As competi\u00e7\u00f5es que envolvem <strong>times femininos<\/strong> t\u00eam menores sal\u00e1rios, patroc\u00ednios e aten\u00e7\u00e3o muito menor ao se comparar com a cobertura que meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais d\u00e3o ao segmento masculino. Parece que a ideia \u00e9 abrir um espa\u00e7o \u00e0s mulheres, mas sem dar import\u00e2ncia aos eventos com os times femininos, como se seu desempenho n\u00e3o fosse t\u00e3o bom quanto o de homens, deslegitimando seu trabalho. Quando jogam bem, s\u00e3o comparadas n\u00e3o s\u00f3 com o desempenho em campo, mas tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua <strong>sexualidade<\/strong>, como \u00e9 o caso da jogadora da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol feminino <strong>Marta<\/strong>, que muitas vezes \u00e9 \u201cmasculinizada\u201d por cronistas e p\u00fablico em geral, como forma de normalizar seu talento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que os \u00e1rbitros s\u00e3o frequentemente hostilizados pelas equipes em fun\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es tomadas em campo, principalmente com rela\u00e7\u00e3o a faltas e penalidades, e que s\u00e3o comuns <strong>agress\u00f5es f\u00edsicas <\/strong>e verbais, que s\u00e3o normalizadas em fun\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 citamos anteriormente, no que se refere aos comportamentos agressivos neste espa\u00e7o. Por\u00e9m, ao ter que acatar a autoridade de uma mulher, muitos homens n\u00e3o toleram e partem para o ataque, pois mais que ocorra uma diverg\u00eancia, h\u00e1 uma disputa generificada ali, est\u00e1 em jogo o <strong>poder do homem<\/strong>, em um universo predominantemente masculino, sendo invalidado pelo poder e autoridade de uma mulher. Em uma <strong>cultura patriarcal<\/strong> e <strong>machista<\/strong>, ocorrem rela\u00e7\u00f5es de poder em que habitualmente homens exercem domina\u00e7\u00e3o sobre corpos femininos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim sendo, acatar a decis\u00e3o de uma mulher acaba soando contradit\u00f3rio, principalmente para homens inseridos em um modelo <strong>patriarcal <\/strong>de que homem deve ter sempre a palavra final. <strong>Foucault<\/strong>, em <em>Vigiar e Punir <\/em>(2014), cita que h\u00e1 uma pena, um castigo, em que o superior ataca o seu advers\u00e1rio lhe causando alguma forma de puni\u00e7\u00e3o e a busca pela repara\u00e7\u00e3o de sua honra, no caso que trazemos, a cabe\u00e7ada do treinador na auxiliar de arbitragem indica uma forma de demonstrar que a <strong>mulher <\/strong>n\u00e3o deve <strong>exercer poder<\/strong> em um ambiente \u201cpara homens\u201d, como o futebol. Ainda, dentro deste modelo, percebe-se o comportamento combativo, pronto para defender-se dos outros. Para <strong>S\u00f3crates Nolasco<\/strong> (1993), \u201cOs padr\u00f5es tradicionais definidos pelo modelo patriarcal para o comportamento masculino dissimulam as possibilidades desde o encontro nas rela\u00e7\u00f5es sociais, pois definem que em uma rela\u00e7\u00e3o, a priori, algu\u00e9m ataca e algu\u00e9m defende, algu\u00e9m ganha e algu\u00e9m perde.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O protagonismo de mulheres em entretenimento esportivo habitualmente masculino geralmente n\u00e3o \u00e9 visto com bons olhos por homens, e o meio futebol\u00edstico \u00e9 apenas um exemplo. No caso do futebol jogado por mulheres, a impress\u00e3o \u00e9 que foi dada uma \u201cchance\u201d para que elas pudessem jogar, mas ocupando um espa\u00e7o insignificante em clubes e na aten\u00e7\u00e3o das m\u00eddias. Mas nem sempre as mulheres s\u00e3o hostilizadas em locais de divers\u00e3o predominantemente masculino. Se pensarmos em outros esportes al\u00e9m do futebol, como as lutas e o automobilismo, por exemplo, a figura da mulher aparece como um \u2018adorno embelezador\u2019 que equilibra o cen\u00e1rio t\u00e3o masculinizado e tem como objetivo atrair mais p\u00fablico. No futebol elas est\u00e3o nas arquibancadas, torcendo pelos times em campo, e que aparecem em closes das emissoras de televis\u00e3o que cobrem o evento. Nas lutas, as <em>ring girls,<\/em> ou<em> octagon girls<\/em>, aparecem seminuas entre um <em>round <\/em>e outro, enquanto os oponentes bebem \u00e1gua, limpam o sangue e suor e aguardam o pr\u00f3ximo assalto. No automobilismo desfilam entre os boxes e camarotes mulheres jovens, esbeltas e com roupas coladas, que s\u00e3o contratadas pelas equipes para ficarem pr\u00f3ximas aos pilotos. Poder\u00edamos citar v\u00e1rios outros esportes onde a figura da mulher \u00e9 estereotipada e utilizada como objeto a fim de entreter olhares de homens.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"928\" height=\"336\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mulheres-hiperssexualizadas-esportes-wikimedia-commons.png\" alt=\"Imagens de mulheres em eventos esportivos com performances sensuais\" class=\"wp-image-3037\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mulheres-hiperssexualizadas-esportes-wikimedia-commons.png 928w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mulheres-hiperssexualizadas-esportes-wikimedia-commons-300x109.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/mulheres-hiperssexualizadas-esportes-wikimedia-commons-768x278.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 928px) 100vw, 928px\" \/><figcaption>Imagem: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de <strong>mulheres <\/strong>dentro desses esportes como atletas, competidoras ou parte da equipe t\u00e9cnica \u00e9 diferenciada das mulheres que \u2018embelezam\u2019 o ambiente. No <strong>automobilismo<\/strong> elas podem correr junto com homens, nas lutas e no futebol fazem parte de competi\u00e7\u00f5es por g\u00eanero. No <strong>UFC <\/strong>elas ganham certa notoriedade e atraem bastante p\u00fablico deste g\u00eanero de lutas. J\u00e1 no futebol, como j\u00e1 referimos, vemos uma grande diferen\u00e7a entre os g\u00eaneros. \u00c9 tamb\u00e9m no <strong>futebol <\/strong>que surgiu, h\u00e1 poucos anos, a iniciativa de arbitragem feminina e mista em jogos do futebol masculino, onde ocorrem problemas como este envolvendo a \u00e1rbitra <strong>Marcielly<\/strong>. De maneira lenta, as mulheres v\u00e3o ocupando espa\u00e7os e mostrando que possuem compet\u00eancia para exercer as atividades que assim desejam. Resta esperar que homens como o t\u00e9cnico do time capixaba, que s\u00e3o conhecidos pelo seu p\u00fablico, darem exemplo de respeito dentro e fora dos espa\u00e7os esportivos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALBERTI, Carolina. T\u00e9cnico d\u00e1 cabe\u00e7ada em auxiliar mulher em jogo pelo Campeonato Capixaba. UOL Esportes, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/futebol\/ultimas-noticias\/2022\/04\/10\/tecnico-desportiva-agride-bandeirinha.htm. Acesso em 12 mai 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ASSISTENTE tamb\u00e9m foi agredida verbalmente por Rafael Soriano, relata s\u00famula. A Gazeta, Reda\u00e7\u00e3o. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.agazeta.com.br\/esportes\/futebol-capixaba\/assistente-tambem-foi-agredida-verbalmente-por-rafael-soriano-relata-sumula-0422. Acesso em 27 mai 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOLA, JJ. Seja homem: a masculinidade desmascarada. Porto Alegre: Dublinense, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da pris\u00e3o. 42. ed. Petr\u00f3polis : Vozes, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NOLASCO, S\u00f3crates. O Mito da Masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como citar este artigo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DREHMER, Vanessa. Como a agress\u00e3o a uma mulher no futebol pode (e deve) nos instigar sobre a participa\u00e7\u00e3o feminina nos esportes . 2022. Edi\u00e7\u00e3o: Ricardo Machado. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/como-a-agressao-a-uma-mulher-no-futebol-pode-e-deve-nos-instigar-sobre-a-participacao-feminina-nos-esportes\/. Acesso em: 18 Jun. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste texto Vanessa Drehmer discute como os dispositivos de poder patriarcais agenciam a participa\u00e7\u00e3o feminina em alguns 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