{"id":3480,"date":"2023-04-05T00:00:00","date_gmt":"2023-04-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=3480"},"modified":"2023-04-06T15:40:20","modified_gmt":"2023-04-06T18:40:20","slug":"o-ccru-nao-existe-nunca-existiu-e-nunca-vai-existir-uma-introducao-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/o-ccru-nao-existe-nunca-existiu-e-nunca-vai-existir-uma-introducao-parte-i\/","title":{"rendered":"\u201cO CCRU n\u00e3o existe, nunca existiu, e nunca vai existir\u201d &#8211; Uma introdu\u00e7\u00e3o &#8211; Parte I"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase que ilustra a contracapa de <em><strong>Writings<\/strong> 1997-2003<\/em> (CCRU, 2020) foi, conforme consta j\u00e1 na introdu\u00e7\u00e3o ao livro (CCRU,\u00a0 2020, p. 7), afirmada pela pr\u00f3pria Universidade de Warwick\u00a0 \u2013 institui\u00e7\u00e3o cujo Departamento de Filosofia abrigou uma porta com estas mesmas quatro letras de 1995 at\u00e9, pelo menos, 1998. Tra\u00e7ar linhas que circunscrevem o que foi \u2013 ou n\u00e3o \u2013 o CCRU \u00e9 uma tarefa complexa, que parece implicar em revirar e fazer uma escava\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria tanto da internet quanto de certos desdobramentos contempor\u00e2neos da filosofia e das ci\u00eancias humanas como um todo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nota de explica\u00e7\u00e3o inclusa no gloss\u00e1rio disponibilizado originalmente no <em>blog <\/em>do coletivo \u2013 e adicionado como ap\u00eandice \u00e0 colet\u00e2nea de textos organizada<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> e publicada pela editora <em>Urbanomic<\/em> \u2013 n\u00e3o \u00e9 muito esclarecedora \u00e0 primeira vista (e talvez nem \u00e0 segunda), mas ajuda a inserir o leitor no tom geral do que se espera da produ\u00e7\u00e3o do <strong><em>Cybernetic Culture Research Unit<\/em><\/strong><em>: <\/em>\u201cCCRU: Entidade hipersticional cr\u00edptica, com vis\u00edveis tend\u00eancias <strong>Neolemurianas<\/strong>, envolvida na escritura de diversas transmuta\u00e7\u00f5es microculturais\u201d (CCRU, 2020, p. 359). Se nada disso parece fazer sentido, \u00e9 porque funciona; uma desorienta\u00e7\u00e3o inicial, penso, \u00e9 parte integrante \u2013 e imprescind\u00edvel! \u2013 da experi\u00eancia de mergulhar, ainda que de forma breve, na produ\u00e7\u00e3o do grupo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma hist\u00f3ria t\u00e3o cheia de pontas soltas, tra\u00e7ar um caminho linear, cronol\u00f3gico, meramente documental, parece poder reduzir o potencial de instiga\u00e7\u00e3o de curiosidade que o universo te\u00f3rico do CCRU proporciona \u2013 afinal, como os pr\u00f3prios afirmam: \u201ca quest\u00e3o \u2018da\u2019 hist\u00f3ria do CCRU \u00e9 problem\u00e1tica, uma vez que suas atividades s\u00e3o caracterizadas pelo seu antagonismo a uma temporalidade est\u00e1vel [&#8230;] o processo do CCRU se conecta a coincid\u00eancias, glitches e consequ\u00eancias imprevistas \u2013 quebras, viradas e curvas no tempo\u201d (CCRU, 1999?).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma chave de leitura inicial adequada ao enorme buraco de minhoca que constitui a cosmologia desenvolvida pelo e ao redor do grupo talvez seja algo pr\u00f3ximo ao trajeto percorrido por <strong>Simon Reynolds<\/strong><a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, em reportagem realizada ainda no final dos anos 90; segundo o jornalista, seus \u00fanicos contatos com o coletivo at\u00e9 ent\u00e3o se tratavam dos textos \u201c<strong>desorientadores<\/strong>\u201d publicados na <em>Abstract Culture<\/em><a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> e por e-mails recebidos descritos como \u201c<strong>intencionalmente vagos<\/strong>\u201d. Em um dos \u201ccomunicados<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u201d enviados para Reynolds, o CCRU se define como \u201cEnxames-Converg\u00eancias datific\u00e1veis em processo. N\u00e3o possui genealogia, centro geogr\u00e1fico, atribui\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica ou depend\u00eancia institucional\u201d (CCRU, 2020, p. 7). Apesar disso, relata, \u201cdesencadeia-se retrocronicamente\u201d de outubro de 1995, utilizando uma universidade do Reino Unido como habitat tempor\u00e1rio e afirma que a sua \u201cemerg\u00eancia foi acelerada por uma s\u00e9rie de singularidades\u201d: as confer\u00eancias <em>Virtual Futures<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\"><sup><strong><sup>[5]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>, o livro <em>Cyberpositive<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\"><sup><strong><sup>[6]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>, feito em colabora\u00e7\u00e3o com o coletivo <em>O[rphan] D[rift]<\/em><a id=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, a revista <em>***collapse<a id=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\"><sup><strong><sup>[8]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>, o&nbsp; evento <em>Afro-Futures<a id=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\"><sup><strong><sup>[9]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em>, a zona experimental <em>Ko::Labs<a id=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\"><sup><strong><sup>[10]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>, <\/em>o evento <em>Virotechnics<a id=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\"><sup><strong><sup>[11]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a>, <\/em>e a mostra colaborativa <em>Syzygy<a id=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\"><sup><strong><sup>[12]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em> \u2013 em parceria novamente com <em>O[rphan] D[rift]<\/em>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-ccru-reproducao-Digital_Hyperstition.png\" alt=\"Imagem em preto e branco de uma revista aberta sobre uma mesa.\" class=\"wp-image-3475\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-ccru-reproducao-Digital_Hyperstition.png 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-ccru-reproducao-Digital_Hyperstition-300x225.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reimpress\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o intitulada de \u201cDigital Hyperstition\u201d da revista Abstract Culture feita pela Urbanomic em 2017<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de entrarmos, de fato, no que come\u00e7ou a acontecer em <strong>Warwick <\/strong>a partir de 1995, cabe destacar a descri\u00e7\u00e3o de Reynolds da&nbsp; maneira como foi recebido, para a realiza\u00e7\u00e3o de seu texto, no QG do CCRU j\u00e1 apartado da universidade, em Leamington Spa \u2013 curiosamente, na exata mesma casa onde, pouco mais de 100 anos antes, nascia Aleister Crowley<a id=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu encontro tr\u00eas mulheres e quatro homens que parecem tranquilizadoramente normais. As paredes, no entanto, est\u00e3o cobertas de diagramas e tabelas peculiares que sugerem a amplitude e a bizarrice das pesquisas da unidade. Antes que eu possa investigar melhor, me fazem sentar no meio de tr\u00eas caixas de som. O CCRU havia preparado uma re-apresenta\u00e7\u00e3o da performance feita na <em>Virotechnics <\/em>em outubro de 1997. O primeiro tocador de fitas come\u00e7a a tocar um loop de palavras que lembra a conjura\u00e7\u00e3o de um feiti\u00e7o. Do segundo, vem um texto sinistro recitado por uma mulher americana sem express\u00e3o \u2013 n\u00e3o era uma apresenta\u00e7\u00e3o, mas um tipo de poema em prosa, com uma imag\u00e9tica cheia de&nbsp; \u201cm\u00e1quinas-enxame\u201d [&#8230;]. O terceiro emitia algo que poderia ser tanto uma composi\u00e7\u00e3o eletroac\u00fastica estilo Stockhausen ou uma m\u00fasica do mundo dos insetos, feita com cliques de mand\u00edbula e pizzicatos. Mais tarde, eu descobri que era uma voz humana sinteticamente processada, com todas as vogais removidas<\/p>\n<cite>REYNOLDS, 2009, sp<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa apresenta\u00e7\u00e3o, para <strong>Reynolds<\/strong>, tratava-se de um exemplo extremamente preciso do que o CCRU se propunha a fazer: \u201cuma am\u00e1lgama ultra-v\u00edvida de textos, sons e imagens feitos para <strong>\u2018libidinizar\u2019 os eventos acad\u00eamicos<\/strong> mais sem gra\u00e7a\u201d (REYNOLDS, 2009, sp).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRYANT, Levi; SRNICEK, Nick; HARMAN, Graham. <strong>The Speculative Turn: <\/strong>Continental Realism and Materialism. Prahran: re.press, 2011<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CCRU. <strong>Writings 1997-2003. <\/strong>Falmouth: Urbanomic, 2020<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CCRU. A Short Prehistory of Ccru. <strong>CCRU<\/strong>, 1999?. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ccru.net\/id(entity)\/ccruhistory.htm\">http:\/\/www.ccru.net\/id(entity)\/ccruhistory.htm<\/a>. Acesso em: 30 mar. 2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FELINTO, Erick. <strong>ARQUEOLOGIA DA HIPERSTI\u00c7\u00c3O #00. <\/strong>[s.l]: Komite Zero, 2023. 1 v\u00eddeo (3h26). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1Biy-rMEGLo&amp;\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1Biy-rMEGLo&amp;<\/a>. Acesso em: 28 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARKS, Gregory. A Theory Fiction Reading List. <strong>The Wasted World<\/strong>, 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/thewastedworld.com\/2018\/11\/03\/a-theory-fiction-reading-list\/\">https:\/\/thewastedworld.com\/2018\/11\/03\/a-theory-fiction-reading-list\/<\/a>. Acesso em: 28 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PINHEIRO, Damares Bastos. <strong>O dom\u00ednio de Tamerl\u00e3o : os efeitos dos press\u00e1gios aceleracionistas em Marx<\/strong>. 2020. 177 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) \u2014 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REYNOLDS, Simon. RENEGADE ACADEMIA: The Cybernetic Culture Research Unit. <strong>Energy Flash<\/strong>, 2009. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/energyflashbysimonreynolds.blogspot.com\/2009\/11\/renegade-academia-cybernetic-culture.html\">http:\/\/energyflashbysimonreynolds.blogspot.com\/2009\/11\/renegade-academia-cybernetic-culture.html<\/a>. Acesso em: 28 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVEIRA, Fabr\u00edcio. Da arqueologia da m\u00eddia \u00e0s fic\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas. Um giro reflexivo. <strong>VOZES &amp; DI\u00c1LOGO<\/strong> , v. 20, p. 102-118, 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.univali.br\/index.php\/vd\/article\/view\/16959\">https:\/\/periodicos.univali.br\/index.php\/vd\/article\/view\/16959<\/a>. Acesso em: 28 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> A colet\u00e2nea, originalmente publicada como um e-book pela <em>Time Spiral Press <\/em>em 2015, e posteriormente publicada em formato de livro em 2017, se prop\u00f5e estritamente ao papel de documenta\u00e7\u00e3o r\u00edgida dos textos escritos e creditados como parte da produ\u00e7\u00e3o do CCRU. Conforme consta no pref\u00e1cio \u00e0 \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, o site original do coletivo entrou e saiu do ar diversas vezes nas \u00faltimas d\u00e9cadas, sem qualquer esfor\u00e7o por parte dos membros originais de tentar preservar as publica\u00e7\u00f5es ali depositadas. Da\u00ed partiu a iniciativa da organiza\u00e7\u00e3o do livro, que \u201cn\u00e3o \u00e9 esperado que esclare\u00e7a qualquer coisa, muito antes pelo contr\u00e1rio\u201d (CCRU, 2020, p.1) e manteve inalteradas \u201cinfelicidades estil\u00edsticas, erros factuais, absurdos conceituais e monstruosidades \u00e9tico-pol\u00edticas\u201d (CCRU, 2020, p.1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Simon Reynolds \u00e9 um jornalista e cr\u00edtico cultural brit\u00e2nico, conhecido particularmente por escritos sobre m\u00fasica \u2013 em especial o <em>rock<\/em>, o <em>p\u00f3s-punk<\/em> e a m\u00fasica eletr\u00f4nica \u2013 e pelo livro <em>Retromania: Pop Culture&#8217;s Addiction to Its Own Past<\/em> (2010).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> A Abstract Culture foi uma zine criada e publicada pelo CCRU com textos de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Intitulado de \u201cCommunique One\u201d, o e-mail enviado para Reynolds pelo CCRU est\u00e1 dispon\u00edvel na \u00edntegra em <em>Writings 1997-2003 <\/em>(CCRU, 2020, p.7)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> A confer\u00eancia <em>Virtual Futures<\/em> foi um evento que aconteceu em Warwick em 1994, 1995 e 1996; se tratava de um espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, interdisciplinar e especulativa ao redor das provoca\u00e7\u00f5es levantadas pela imin\u00eancia do novo mil\u00eanio e da populariza\u00e7\u00e3o da internet. \u00c9 poss\u00edvel dizer que muitas das preocupa\u00e7\u00f5es do CCRU foram gestadas, ou no m\u00ednimo intensificadas, pelo clima propiciado em Warwick pelas confer\u00eancias de 94 e 95. Em 96, sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, o CCRU foi o principal organizador do evento. Existe um arquivo das tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es da confer\u00eancia dispon\u00edvel em: https:\/\/www.virtualfutures.co.uk\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> &nbsp;<em>Cyberpositive<\/em> (1995) \u00e9 um romance experimental de fic\u00e7\u00e3o-cient\u00edfica que serviu como uma esp\u00e9cie de manifesto da proposta do <em>O[rphan] D[rift]<\/em> e de sua proximidade te\u00f3rica e pr\u00e1tica com o CCRU.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> <em>O[rphan] D[drift]<\/em> \u00e9 um coletivo de arte experimental fundado em 1994 que segue ativo e trabalha com performances, videoarte, colagens, artes visuais, m\u00fasicas, textos e interse\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre arte e tecnologia. Por conta da proximidade com os temas abordados pelo CCRU, boa parte das empreitadas art\u00edsticas do CCRU em performances e eventos eram feitas com a colabora\u00e7\u00e3o do <em>O[rphan] D[rift]<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> A ***<em>collapse <\/em>foi um peri\u00f3dico de filosofia experimental iniciado pelo CCRU em 1995 e descontinuado a partir de 1997. Em 2006, foi fundada a <em>Collapse, <\/em>como forma de dar continuidade \u00e0 proposta iniciada na d\u00e9cada anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> O <em>Afro-Futures<\/em> foi um pequeno evento organizado pelo CCRU em parceria com Kodwo Eshun em fevereiro de 1996. O objetivo era explorar as conex\u00f5es entre \u201cteoria perif\u00e9rica, sistemas r\u00edtmicos e <em>Jungle<\/em>\/<em>Drum&amp;Bass<\/em>\u201d (CCRU, 2020, p. 11)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> A <em>Ko::Labs <\/em>era o nome sob o qual eram produzidas as experimenta\u00e7\u00f5es musicais do CCRU atrav\u00e9s, especialmente, de Steve Goodman\/kode9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> <em>Virotechnics<\/em> foi uma confer\u00eancia realizada pelo CCRU em outubro de 1997. De acordo com Reynolds (2009, sp), a ida de Nick Land para o evento no mesmo hor\u00e1rio em que deveria estar oferecendo um semin\u00e1rio na Universidade de Warwick foi o estopim para o eventual pedido de demiss\u00e3o de Land. Al\u00e9m disso, para Land, a <em>Virotechnics <\/em>foi a \u00faltima tentativa do CCRU de tentar produzir o que eles queriam em um ambiente acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> <em>Syzygy <\/em>foi uma mostra art\u00edstica colaborativa que durou 5 semanas. Al\u00e9m disso, o CCRU afirma que, durante esse evento, houveram os primeiros contatos com o Continente de Lem\u00faria \u2013 parte essencial da hist\u00f3ria hipersticional do coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Aleister Crowley foi um dos mais importantes ocultistas do s\u00e9culo XX e respons\u00e1vel pela funda\u00e7\u00e3o de Thelema, linha esot\u00e9rica que teria, posteriormente, influ\u00eancia direta na consolida\u00e7\u00e3o da Magia do Caos, da qual o CCRU toma algumas premissas importantes para seu pensamento: a ideia, por exemplo, de que palavras e cren\u00e7as teriam efeito direto na realidade; ou, ainda, a instrumentaliza\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter ficcional de determinados s\u00edmbolos e conceitos em pr\u00e1ticas <em>magickas<\/em> com suposto efeito no mundo material.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira a primeira parte do texto de Rodrigo Fernandez, sobre o que foi o heterodoxo grupo de pesquisa 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