{"id":3530,"date":"2023-05-01T00:00:44","date_gmt":"2023-05-01T03:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=3530"},"modified":"2023-04-27T14:47:07","modified_gmt":"2023-04-27T17:47:07","slug":"memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii\/","title":{"rendered":"Memoric\u00eddios e as pol\u00edticas do esquecimento &#8211; Parte II"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gilmar Montargil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mem\u00f3ria da amn\u00e9sia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mem\u00f3ria da amn\u00e9sia<\/strong> d\u00e1 nome a uma interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica realizada na virada de 2015 para 2016 na cidade de S\u00e3o Paulo. O foco est\u00e1 nas est\u00e1tuas e monumentos que s\u00e3o retirados de seus locais de origem, indo parar no desterro \u2013 local que deveria abrigar essas pe\u00e7as momentaneamente, mas que acaba virando a nova morada dos objetos, esquecidos e ocultados do olho p\u00fablico. \u201cVia de regra, tr\u00eas s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que explicam a mudan\u00e7a de monumentos de lugar em S\u00e3o Paulo: obras urbanas, quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e argumentos de cunho ideol\u00f3gico moral\u201d (BEIGUELMAN, 2019, p. 79). A autora discute, portanto, as quest\u00f5es tecno-pol\u00edticas que decidem aquilo que deve ser visto ou n\u00e3o. Est\u00e1tuas podem eventualmente serem mudadas de seus locais de origem (Giselle conta a hist\u00f3ria de v\u00e1rias no livro), por\u00e9m, esse nomadismo vem acompanhado tamb\u00e9m da perda de simbolismo e de afetividade do p\u00fablico com a pe\u00e7a. Ficar dois ou oitenta anos em um galp\u00e3o \u2013 conjuntamente com outros in\u00fameros objetos como restos de computadores e de obras \u2013 n\u00e3o s\u00f3 compromete a integridade das pe\u00e7as, como tamb\u00e9m a integridade do p\u00fablico que n\u00e3o l\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por esse motivo, <em><strong>Mem\u00f3ria da Amn\u00e9sia<\/strong><\/em> colocou em exposi\u00e7\u00e3o novamente alguma dessas pe\u00e7as, mas deixando-as deitadas para fazer o p\u00fablico refletir sobre horizontalidade\/verticalidade; o que se l\u00ea\/ o que se contempla; documento\/monumento. Est\u00e1tuas n\u00e3o s\u00e3o meras esculturas art\u00edsticas, elas tamb\u00e9m possuem o car\u00e1ter de documento \u2013 objetos capazes de historicizar a sociedade e nossos sentimentos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"415\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto4.png\" alt=\"Descarregamento dos monumentos retirados do Dep\u00f3sito do Canind\u00e9 para montagem de Mem\u00f3ria da amn\u00e9sia no Arquivo Hist\u00f3rico de S\u00e3o Paulo. Fotografia de Andr\u00e9 Turazzi, retirada em 2015. Observa\u00e7\u00e3o: Glitch na lateral esquerda produzido no momento de escanear o livro.\" class=\"wp-image-3525\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto4.png 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto4-300x178.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Descarregamento dos monumentos retirados do Dep\u00f3sito do Canind\u00e9 para montagem de Mem\u00f3ria da amn\u00e9sia no Arquivo Hist\u00f3rico de S\u00e3o Paulo. Fotografia de Andr\u00e9 Turazzi, retirada em 2015. Observa\u00e7\u00e3o: Glitch na lateral esquerda produzido no momento de escanear o livro. Fonte: BEIGUELMAN, 2019, p. 115.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>J\u00e1 \u00e9 ontem?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca se verbalizou tanto sobre a efemeridade e a r\u00e1pida obsolesc\u00eancia das tecnologias, como exposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas brincando com m\u00eddias velhas e todo o debate envolvendo lixo tecnol\u00f3gico e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. An\u00fancio de um mundo catastr\u00f3fico. A cultura digital, por sua vez, intensifica ainda mais o descarte e perdas de toda ordem: dados, arquivos, programas que param de funcionar, redes sociais que deixam de existir, fotografias nunca mais encontradas, videogames e celulares que n\u00e3o ligam mais. O que reina hoje \u00e9 uma <strong>cultura da reprograma\u00e7\u00e3o<\/strong>, nada pode ser perdido e tudo deve ser consumido e reconsumido. &#8220;Esse sistema responde bem a uma cultura capaz de conviver com o envelhecimento, a corros\u00e3o dos materiais, as asperezas do que \u00e9 natural&#8221; (BEIGUELMAN, 2019, p. 140).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora rememora uma \u00e9poca de pujan\u00e7a para o Rio de Janeiro, momento em que v\u00e1rias obras foram sendo constru\u00eddas para as Olimp\u00edadas de 2016, \u00e9poca em que se falava em futuro, do <strong>Museu do Amanh\u00e3<\/strong>, com muitos projetos, figuras de linguagem que sintetizam um burburinho econ\u00f4mico, com maquetes 3D mostrando como ficaria a cidade. Por\u00e9m, com os casos de corrup\u00e7\u00e3o, superfaturamento e obras nunca conclu\u00eddas visitar esse contexto acaba ganhando outro sentido. Em alguns locais, &#8220;[&#8230;] a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o futuro chegou e j\u00e1 foi&#8221; (BEIGUELMAN, 2019, p. 142). Nesse sentido, a autora faz um ensaio visual com o intuito de n\u00e3o mostrar apenas o degradado e as mudan\u00e7as ocorridas na zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro, pelo contr\u00e1rio, adota a linguagem dos erros e das imperfei\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas (glitchs) como forma de fazer uma cr\u00edtica do futuro.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Atravessadas por problemas de &#8220;carregamento&#8221;, esgotamento de mem\u00f3ria do sistema e incapacidade de processamento das informa\u00e7\u00f5es, as imagens estouram na tela. Trazem \u00e0 tona seus \u00edndices de cor mais prim\u00e1rios, como se revelassem suas entranhas. Sem ceder ao &#8220;padr\u00e3o global&#8221; de qualidade ou \u00e0 como\u00e7\u00e3o da ru\u00edna urbana que mumifica um passado-presente de exclus\u00f5es sociais [&#8230;].<\/em><\/p>\n<cite><em>BEIGHELMAN, 2019, p. 143<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto5.png\" alt=\"Pier Mau\u00e1 e armaz\u00e9ns visto do elevado da Perimetral. Fotografia de Giselle Beiguelman, retirada em 2011. Fonte: (BEIGUELMAN, 2019, p. 165).\" class=\"wp-image-3526\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto5.png 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto5-300x180.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pier Mau\u00e1 e armaz\u00e9ns visto do elevado da Perimetral. Fotografia de Giselle Beiguelman, retirada em 2011. Fonte: (BEIGUELMAN, 2019, p. 165).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Museus das perdas para nuvens de esquecimento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Giselle Beiguelman argumenta que o mundo contempor\u00e2neo est\u00e1 diante de uma <strong>overdose documental<\/strong>. S\u00f3 que essa overdose \u00e9 conflitante, pois ao mesmo tempo que nunca estivemos produzindo e consumindo tantos registros, voltar ao passado recente \u00e9 dif\u00edcil. Isso ocorre por causa da obsolesc\u00eancia da web e dos aparatos tecnol\u00f3gicos. N\u00e3o s\u00f3 a mem\u00f3ria e os processos de arquivamento sofrem com links quebrados e suspen\u00e7\u00e3o de <em>encodes<\/em>, mas tamb\u00e9m as artes. Indaga a autora:<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>[&#8230;] trata-se de toda uma nova cultura da mem\u00f3ria que subverte os princ\u00edpios do arquivamento tradicional, baseado na l\u00f3gica da sele\u00e7\u00e3o, do descarte e da organiza\u00e7\u00e3o de documentos. Como lidar no campo da preserva\u00e7\u00e3o e da conserva\u00e7\u00e3o, com arquivos que somem obras que param de funcionar, servi\u00e7os que desaparecem de um dia para o outro?<\/em><\/p>\n<cite><em>BEIGUELMAN, 2019, p. 192<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de sua obra <em><strong>O livro depois do livro<\/strong><\/em>, Beiguelman (2019) demonstra as dificuldades de reproduzir a obra de net art na ambi\u00eancia tecnol\u00f3gica atual. \u00c9 preciso lembrar que o contexto de uma obra art\u00edstica tamb\u00e9m \u00e9 conte\u00fado e que os artistas de net art, sobretudo dos anos 1990, estavam envolvidos com taxas de transmiss\u00f5es, padr\u00f5es de velocidade, linguagens de programa\u00e7\u00e3o e modos de usar a internet que s\u00e3o quase imposs\u00edveis de serem reproduzidos no contexto atual devido a essa r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o a que estamos expostos. Existem iniciativas de arquivamento como o <strong>Web ARChive <\/strong>e o <strong>Old Web Today<\/strong> que visam permitir a navega\u00e7\u00e3o em p\u00e1ginas e vers\u00f5es antigas de sites como forma de preservar essas ambi\u00eancias e experiencias. Como era navegar num portal em 2000? Usar o <strong>Facebook<\/strong> em 2010 ou comprar produtos no Ebay em 2018? No entanto, apesar de processos de emula\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, programas e configura\u00e7\u00f5es que permitem a reprodu\u00e7\u00e3o com certa similitude de sites, portais e outras tecnicidades da web de antigamente, sempre haver\u00e1 perdas nesse processo, em especial para artistas, que lidam com um fazer art\u00edstico interligado com a arquitetura tecno-instrumental da internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Giselle Beiguelman relembra o impacto que o evento de 11 de setembro de 2001 teve na compreens\u00e3o e uso da internet, n\u00e3o vista mais apenas pela \u00f3tica da transforma\u00e7\u00e3o social, sendo abordada tamb\u00e9m pelo seu potencial de uso por terroristas e outras inten\u00e7\u00f5es mal\u00e9ficas (um debate tolhido por certo exagero e paranoia). A quest\u00e3o \u00e9 que o uso da internet \u00e9 gratuito \u2013 o que \u00e9 diferente de ser livre. Essa gratuidade vem acompanhada com um pagamento: nossos dados. \u201cMediadas por algoritmos sofisticados, plataformas como <strong>Google, Amazon e Facebook <\/strong>tornaram-se a pr\u00f3pria internet, expelindo tudo aquilo que n\u00e3o se encaixa no modelo das nuvens para um limbo do n\u00e3o reconhecido pelo padr\u00e3o. Entre esses padr\u00f5es n\u00e3o reconhecidos, fica uma galeria de programas e scripts independentes, subitamente \u201cexpulsos\u201d da \u00f3rbita dos browsers e dos sistemas operacionais\u201d (BEIGUELMAN, 2019, p. 197).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como hoje h\u00e1 todo uma pr\u00e1tica institucionalizada de como usar a internet denominada 2.0, com certo monop\u00f3lio de sites e redes sociais vinculadas \u00e0 nuvem, toda uma gama de atividades, ferramentas e artes que n\u00e3o utilizem os padr\u00f5es tecno-instrumentais desse Estado-Plataforma acabam sendo entendidas como erro, v\u00edrus, fora dos padr\u00f5es, spam \u2013 como por exemplo, obras que utilizam freeware, isto \u00e9, softwares livres. &#8220;No horizonte algor\u00edtmico do p\u00f3s-nuvens, no entanto, obras que utilizaram esse tipo de programa est\u00e3o hoje condenadas&#8221; (BEIGHELMAN, 2019, p. 197). Por fim, a autora discute que essas obras pass\u00edveis de serem reprogramadas e atualizadas, elas acabam virando um original de segunda ordem e abrindo margem para a obra ir ganhando novas camadas. Mas talvez precis\u00e1ssemos assumir que na cultura digital algumas obras s\u00e3o irrecuper\u00e1veis e faz parte considerar essas perdas e essas impossibilidades de preserva\u00e7\u00e3o de objetos, obras, memes, arquivos como constituintes da nossa mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Beleza compulsiva tropical<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00faltimo ensaio, a autora rememora o inc\u00eandio do <strong>Museu Nacional<\/strong> ocorrido em 2 de setembro de 2018. Reflete sobre palavras-chave como ru\u00edna e cat\u00e1strofe. &#8220;A cat\u00e1strofe transcende a escala humana. A ru\u00edna \u00e9 local, a cat\u00e1strofe \u00e9 planet\u00e1ria&#8221; (BEIGHELMAN, 2019, p. 215). Por\u00e9m, a cat\u00e1strofe \u00e9 do dom\u00ednio do anunciado, do previsto. O inc\u00eandio foi um tipo de &#8220;memoric\u00eddio&#8221; \u2013 uma forma deliberada de destrui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. Beighelman (2019) argumenta que a cultura de \u00f3dio e de preconceito permite tamb\u00e9m uma cultura de apagamento hist\u00f3rico, uma cultura que n\u00e3o cuida do outro e nem da mem\u00f3ria do outro. &#8220;Somos ex\u00edmios memoricidas&#8221; (BEIGUELMAN, 2019, p. 216).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto6.png\" alt=\"Museu Nacional p\u00f3s-inc\u00eandio. Fotografia de Ana Ottoni, retirada em 2018. Fonte: (BEIGUELMAN, 2019, p. 228).\" class=\"wp-image-3527\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto6.png 700w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto6-300x228.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto6-500x380.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Museu Nacional p\u00f3s-inc\u00eandio. Fotografia de Ana Ottoni, retirada em 2018. Fonte: (BEIGUELMAN, 2019, p. 228).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O la\u00e7o da sociedade com o <strong>Museu Nacional<\/strong> era de extrema fragilidade, uma vez que as pessoas passaram a lhe conhecer no notici\u00e1rio quando pegou fogo, burburinho que n\u00e3o durou mais de uma semana. Por\u00e9m, ele era pouco visitado e pouco se sabia dele. Um museu esquecido. Sem assist\u00eancia tamb\u00e9m de recursos governamentais. O que fazer agora que o Museu Nacional foi destru\u00eddo, deixar \u00e0 mostra suas ru\u00ednas? \u00c9 nesse p\u00f3s-inc\u00eandio que Giselle Beiguelman se embrenha para realizar fotografias e nos dar o seu relato. \u00c9 no surrealismo que busca uma explica\u00e7\u00e3o: &#8220;Definitivamente, o inc\u00eandio do Museu Nacional \u00e9 nossa beleza compulsiva. Nossa condi\u00e7\u00e3o de in\u00e9rcia e puls\u00e3o pol\u00edtica de morte&#8221; (BEIGUELMAN, 2019, p. 218). H\u00e1 margem para dizer que o inacredit\u00e1vel, o catastr\u00f3fico, o surreal, em dadas circunst\u00e2ncias, transforma-se em realidade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BEIGUELMAN, Giselle. <strong>Mem\u00f3ria da amn\u00e9sia<\/strong>: pol\u00edticas do esquecimento. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Sesc S\u00e3o Paulo, 2019. 248 p.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como citar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MONTARGIL, Gilmar. Memoric\u00eddios e as pol\u00edticas do esquecimento de Giselle Beiguelman &#8211; Parte II. <strong>Corporalidades,<\/strong> Porto Alegre, 18. abr. 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii> Acesso em: 27-4-2023.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilmar Montargil, ao analisar o livro &#8220;Mem\u00f3rias da amn\u00e9sia&#8221;, faz uma genealogia de certas materialidades da cultura contempor\u00e2nea.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3527,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[894,903,889,16,17,895,181,34,891,888,870,886,902,892,885,887,896,898,357,899,901,897,173,893,890,884,900],"class_list":["post-3530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-3-bienal-da-bahia","tag-amazon","tag-andre-breton","tag-audiovisual","tag-audiovisualidades","tag-beleza-convulsiva-tropical","tag-comunicacao","tag-corporalidades","tag-dadaismo","tag-esquecimento","tag-facebook","tag-giselle-beiguelman","tag-google","tag-kate-bush","tag-materialidades","tag-memoria","tag-memoria-da-amnesia","tag-museu-do-amanha","tag-museu-nacional","tag-o-livro-depois-do-livro","tag-old-web-today","tag-overdose-documental","tag-pesquisa","tag-stranger-things","tag-surrealismo","tag-tecnologias","tag-web-archive"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Memoric\u00eddios e as pol\u00edticas do esquecimento - Parte II - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Gilmar Montargil, ao analisar o livro &quot;Mem\u00f3rias da amn\u00e9sia&quot;, faz uma genealogia de certas materialidades da cultura contempor\u00e2nea.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Memoric\u00eddios e as pol\u00edticas do esquecimento - Parte II - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Gilmar Montargil, ao analisar o livro &quot;Mem\u00f3rias da amn\u00e9sia&quot;, faz uma genealogia de certas materialidades da cultura contempor\u00e2nea.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-05-01T03:00:44+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-beiguelman-foto6.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"700\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"533\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"gerente\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"gerente\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"8 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/memoricidios-e-as-politicas-do-esquecimento-parte-ii\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"gerente\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43\"},\"headline\":\"Memoric\u00eddios e as pol\u00edticas do esquecimento &#8211; 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