{"id":3549,"date":"2023-05-09T00:00:00","date_gmt":"2023-05-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=3549"},"modified":"2023-05-05T13:06:28","modified_gmt":"2023-05-05T16:06:28","slug":"metodologia-liu-propriamente-dita-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/metodologia-liu-propriamente-dita-parte-ii\/","title":{"rendered":"Metodologia Li\u00f9 propriamente dita &#8211; Parte II"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00edlvio Luiz Sant\u2019Anna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Maria da Concei\u00e7\u00e3o da Costa Golobovante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa <strong>metodologia<\/strong> \u00e9 aquela que n\u00e3o pare\u00e7a como uma doutrina dos iluminados para seus <em>a-lunus <\/em>seguirem, mas ao mesmo tempo, que tenha objetividade cient\u00edfica, ou seja: que se comprove sua efic\u00e1cia por meio de experimentos anteriores, sem repetir a receita, visto que cada <em>evento<\/em> \u00e9 espec\u00edfico em sua natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que possa ser aplicada para solu\u00e7\u00e3o de problemas pessoais e coletivos, fortalecendo a autocondu\u00e7\u00e3o subjetiva e a autonomia de grupo, mas sem hermetismo ou dogmatismo de seus pressupostos te\u00f3ricos, anal\u00edticos e pr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que seja instrumento, como os andaimes de um pr\u00e9dio em constru\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o pr\u00e9dio em si. Visto que conclu\u00edda a obra, os andaimes s\u00e3o descartados e o pr\u00e9dio permanece, at\u00e9 que seja reformado e necessite de novos andaimes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, se tem o equil\u00edbrio proporcional rejeitando-se duas armadilhas: a <em><strong>atitude displicente<\/strong><\/em> de se conduzir conforme o \u201candar da carruagem\u201d, sem compromisso com os resultados e a <em><strong>atitude fanatizada<\/strong> <\/em>de que o resultado \u00e9 a express\u00e3o inevit\u00e1vel do modelo determin\u00edstico proposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em nossa metodologia, <em><strong>evento axial<\/strong> <\/em>significa o processamento da a\u00e7\u00e3o consciente, decidida, planejada e transformada ou em processo para a transforma\u00e7\u00e3o. O evento pode ser subjetivo, como um planejamento de carreira, ou coletivo, como um movimento de moradia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, na verdade, tudo est\u00e1 sujeito a eventos, ou seja, circunst\u00e2ncias que nem sempre s\u00e3o antr\u00f3picas, como, por exemplo o evento dos rios a\u00e9reos oriundos da Amaz\u00f4nia, que produzem chuva na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo e impedem que esse ecossistema que estaria fadado a ser um deserto, como todas as demais regi\u00f5es do globo terrestre na mesma faixa tropical, possibilitando a exist\u00eancia dessa geocultura urbana complexa e adversa aos ditames do tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o denominamos de <em>eventos axiais <\/em>aqueles que s\u00e3o objetos de nossa metodologia e de <em>eventos adversos, <\/em>todos os demais que afetam ou n\u00e3o os eventos axiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Li\u00f9<\/strong> <\/em>significa seis em chin\u00eas <strong>\u516d<\/strong>. A nossa metodologia contempla seis processos sist\u00eamicos de abordagem de um evento, qualquer que seja ele, para sua compreens\u00e3o l\u00f3gica, &nbsp;intuitiva e pragm\u00e1tica. Nesse sentido, a <em><strong>Metodologia Li\u00f9 <\/strong><\/em>incorporou os operacionais do pensamento sist\u00eamico brasileiro apresentados por M\u00fcller e Gregori, &nbsp;percebendo a similaridade com os pressupostos de <strong><em>A Arte da Guerra<\/em> <\/strong>e apresentando um modelo reduzido, mas igualmente significativo &nbsp;da sistematiza\u00e7\u00e3o campbelliana, &nbsp;por meio da nossa plataforma sist\u00eamica hexagonal.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"357\" height=\"273\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1-hexagonal-arte-da-guerra.jpg\" alt=\"Sistematiza\u00e7\u00e3o campbelliana, por meio da plataforma sist\u00eamica hexagonal\" class=\"wp-image-3540\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1-hexagonal-arte-da-guerra.jpg 357w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1-hexagonal-arte-da-guerra-300x229.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sistematiza\u00e7\u00e3o campbelliana, por meio da plataforma sist\u00eamica hexagonal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma metodologia sempre deve trabalhar com indaga\u00e7\u00f5es, nunca com certezas. Assim, a metodologia <em><strong>Li\u00f9<\/strong><\/em> faz seis indaga\u00e7\u00f5es fundamentais: <em>Por qu\u00ea? Onde? Quando? Quem? Como? O qu\u00ea\/Para qu\u00ea? <\/em>\u00c9 o processo de coleta de dados, sistematiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e a racionaliza\u00e7\u00e3o engajada, que dar\u00e1 a ela, as tend\u00eancias probabil\u00edsticas dos resultados esperados, para se formular padr\u00f5es efetivos. <em>Por qu\u00ea? Refere-se a motiva\u00e7\u00e3o. &nbsp;Onde? Ao ecossistema. Quando? A cronologia. &nbsp;Quem? Aos jogadores. Como? Aos procedimentos. O qu\u00ea\/Para qu\u00ea? A meta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em nossa <strong>plataforma sist\u00eamica hexagonal<\/strong>, o vetor segue sentido hor\u00e1rio l\u00f3gico, mas n\u00e3o de modo determin\u00edstico e sim did\u00e1tico. Mas como sist\u00eamica, ela \u00e9 fluida e aberta como a pr\u00f3pria grafia chinesa do n\u00famero seis.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1-hexagrama.jpg\" alt=\"Hexagrama chin\u00eas com seis pontas. A prop\u00f3sito, Li\u00f9, significa seis em chin\u00eas.\" class=\"wp-image-3541\" width=\"159\" height=\"157\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1-hexagrama.jpg 103w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/1-hexagrama-75x75.jpg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 159px) 100vw, 159px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hexagrama chin\u00eas com seis pontas. A prop\u00f3sito, Li\u00f9, significa seis em chin\u00eas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">1. Motiva\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada evento come\u00e7a necessariamente com a motiva\u00e7\u00e3o. O motivo para a a\u00e7\u00e3o. Sem esse <em>mote<\/em> ou tema inspirador, n\u00e3o h\u00e1 evento propriamente dito. \u00c9 o momento deflagrat\u00f3rio de toda a\u00e7\u00e3o potencial que se desenvolver\u00e1 na sequ\u00eancia, como transforma\u00e7\u00e3o de uma realidade original para outra desejada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo come\u00e7a com o desejo, como j\u00e1 diagnosticou a <strong>Psican\u00e1lise<\/strong> e o desejo \u00e9 a busca pela satisfa\u00e7\u00e3o de nossas necessidades concretas ou at\u00e9 mesmo imagin\u00e1rias. Esse impulso s\u00f3 se viabiliza quando se torna <em>inten\u00e7\u00e3o<\/em>, ou seja, desejo esclarecido que se p\u00f5e em movimento e torna-se vontade (lat. <em>vol\u016bntas), <\/em>que transforma o desejante em volunt\u00e1rio da a\u00e7\u00e3o. Tudo isso se refere \u00e0 din\u00e2mica individual. Quando isso passa para o plano do coletivo esse processo vira uma <em>cren\u00e7a <\/em>que se deve realizar por um imperativo moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o se a demanda \u00e9 subjetiva, o evento \u00e9 deflagrado a partir da fase da vontade. Se coletiva, a vontade se transmuta em <em>cren\u00e7a<\/em> para que haja a <em>converg\u00eancia de interesses<\/em> de um grupo simp\u00e1tico \u00e0 causa, que se mobilizar\u00e1 em uma <em>cooperativa de talentos<\/em> espont\u00e2neos, mas org\u00e2nicos, para a ativa\u00e7\u00e3o do evento circunstancial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 dentro dessa complexidade que temos a <em>motiva\u00e7\u00e3o<\/em> como o primeiro <strong>processo din\u00e2mico da metodologia <em>Li\u00f9<\/em><\/strong>. E aqui j\u00e1 se coloca a quest\u00e3o da gest\u00e3o processual do evento. Tradicionalmente, a gest\u00e3o implica na constitui\u00e7\u00e3o de uma hierarquia. De uma estrutura\u00e7\u00e3o vertical de cima para baixo de forma hier\u00e1rquica. Isso est\u00e1, por exemplo, em <em><strong>A Arte da Guerra<\/strong>. <\/em>Em nossa proposi\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, veja que o evento surge da motiva\u00e7\u00e3o (desejo, inten\u00e7\u00e3o, vontade, cren\u00e7a e interesse). A hierarquia n\u00e3o tem essa espontaneidade, pois \u00e9 uma estrutura\u00e7\u00e3o r\u00edgida, que tende a se descolar da necessidade que gera um evento e, pela sua estrutura, tende a se perenizar e burocratizar resultados. A <strong>metodologia <em>Li\u00f9<\/em><\/strong><em> <\/em>n\u00e3o \u00e9 adequada a hierarquia, mas a <em><strong>cooperativa de talentos <\/strong><\/em>onde h\u00e1 possibilidade de <em><strong>heterarquia<\/strong><\/em> e\/ou de <em><strong>pantoisocracia<\/strong><\/em>, ou seja, o procedimento de rod\u00edzio flex\u00edvel de lideran\u00e7as, conforme a compet\u00eancia e a exig\u00eancia situacional.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">2. Ecossistema<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada acontece fora do espa\u00e7o f\u00edsico-geogr\u00e1fico. Mesmo em nossos tempos, em que a virtualidade ganha a aten\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es e que a possibilidade de pouqu\u00edssimos humanos privilegiados emigrar para Marte, nosso Planetinha azul continua a ser a nossa <em><strong>Casa Comum<\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed <em><strong>oikos<\/strong>, <\/em>casa em grego em que o prefixo foi aportuguesado para <strong>Eco<\/strong>, presente em <strong>Economia, Ecologia e Ecossistema<\/strong>, sempre remetendo ao sentido de habitat.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ec\u00fameno: <\/em>mundo habitado pelos humanos, voc\u00e1bulo muitousado antigamente, hoje se contrap\u00f5e ao <em>Anec\u00fameno<\/em>, lugares onde mesmo que o humano n\u00e3o esteja fisicamente presente, ele \u00e9 capaz de sondar com seus microsc\u00f3pios, telesc\u00f3pios e sat\u00e9lites os assim chamados mundos ignotos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A espacialidade \u00e9 t\u00e3o fundamental que o geopol\u00edtico <strong>Yves&nbsp;<em>Lacoste<\/em><\/strong><em> escreveu um livro com o t\u00edtulo: \u201cA Geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra\u201d &nbsp;revelando o \u00edmpeto beligerante europeu expansionista. Todos sabemos que a guerra \u00e9 o saque e a nega\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica como arte de gerir conflitos para o bem comum. Em edi\u00e7\u00e3o posterior, o livro passou a se chamar: \u201cA Geografia \u2013 isso serve em primeiro lugar, para fazer a guerra\u201d. Em contraponto a uma ci\u00eancia t\u00e3o nefasta que pensa o espa\u00e7o como objeto de disputa e saque, temos <strong>Immanuel Wallerstein<\/strong> com o livro \u201cGeopol\u00edtica e Geocultura\u201d; e os pensamentos de ge\u00f3grafos brasileiros como o m\u00e9dico <strong>Josu\u00e9 de Castro<\/strong> com seu \u201cGeografia da fome\u201d, <strong>Milton Santos <\/strong>\u201cPor uma outra Globaliza\u00e7\u00e3o\u201d e <strong>Aziz Ab&#8217;S\u00e1ber<\/strong> em \u201cOs dom\u00ednios de natureza no Brasil\u201d, entre outros. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ent\u00e3o o espa\u00e7o \u00e9 territ\u00f3rio de demanda, mas antes de tudo de conviv\u00eancia, produ\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia. Em nossa metodologia o espa\u00e7o, que preferimos chamar de ecossistema, \u00e9 um dado de realidade que n\u00e3o pode ser jamais desconsiderado em uma metodologia. <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O <strong>ecossistema<\/strong> \u2013 mundo como sistema &#8211; &nbsp;no sentido macro, como uma casa, tem o telhado que \u00e9 a atmosfera, com suas respectivas camadas: <\/em><strong><em>t<\/em>roposfera, estratosfera, mesosfera,&nbsp; termosfera&nbsp;e&nbsp;exosfera<\/strong>. A crosta terrestre \u00e9 o piso da casa, com seus subsolos: manto superior, manto, n\u00facleo externo e n\u00facleo interno. Entre o piso e o teto, h\u00e1 a biosfera, onde a vida acontece. Ali\u00e1s, a Terra \u00e9 toda ela, um macro ser vivo, conforme sempre afirmaram as cren\u00e7as ancestrais e a <em><strong>Hip\u00f3tese Gaia<\/strong><\/em> de <strong>James Lovelock<\/strong>, convertida em teoria cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda esp\u00e9cie, n\u00e3o s\u00f3 a humana, ao entrar em metabolismo com o ecossistema produz cultura. Podemos exemplificar isso com as bact\u00e9rias que fermentam o mosto da uva convertendo a subst\u00e2ncia em vinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre que o processo cultural humano pode se dar em harmonia com a natureza, como aconteceu por milhares de anos com os humanos nas florestas e ainda acontece com os povos ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia e outros ecossistemas ainda preservados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas boa parte dos biomas originais brasileiros e mundiais foram devastados e transformados em campos para as atividades agropecu\u00e1rias e minerais e depois sucedeu que os campos se converteram em cidades, numa sequ\u00eancia autof\u00e1gica de negar a floresta pelo campo e depois o campo pela cidade. Essa \u00e9 a l\u00f3gica t\u00e2natos do <em>antropoceno<\/em>. A voracidade do bicho da goiaba destruindo a fruta e inviabilizando sua pr\u00f3pria exist\u00eancia como esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um evento, por menor que seja, desenvolve-se dentro de um ecossistema como se esse fosse seu pr\u00f3prio corpo. \u00c9 a sua materialidade mais objetiva! Deve ser compreendido metodologicamente sobre as varia\u00e7\u00f5es constituintes, seu potencial de recursos, as oscila\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as sazonalidades, a log\u00edstica de abastecimento, a autossufici\u00eancia e suas car\u00eancias. Como estabelecer nuclea\u00e7\u00e3o auto gestion\u00e1ria e postos de c\u00e2mbio de provimento suplementar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ecossistema devemos firmar o p\u00e9, se estabelecer e tra\u00e7ar rotas conectivas de amplia\u00e7\u00e3o de influ\u00eancias colaborativas, para que a presen\u00e7a se manifeste com seguran\u00e7a para si e confian\u00e7a para as outras presen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">3. Cronologia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada acontece fora do tempo hist\u00f3rico. Espacialidade e temporalidade s\u00e3o condicionantes da exist\u00eancia em geral, e dos humanos em particular, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel romper com esses imperativos existenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Narra a mitologia grega que <strong>Cronos<\/strong>, o deus do Tempo, nasceu da uni\u00e3o de <strong>Urano<\/strong>, o <strong>C\u00e9u<\/strong> e <strong>Gaia<\/strong>, a <strong>Terra<\/strong>. \u00c9 conhecido como um dos 12 tit\u00e3s, mas como Urano n\u00e3o se afastava de Gaia devido ao seu insaci\u00e1vel desejo sexual, os filhos eram concebidos, mas n\u00e3o saiam de seu \u00fatero. Ent\u00e3o Gaia encarregou Cronos para que ele decepasse a genit\u00e1lia de Urano e dessa forma ele se afastou, o C\u00e9u e a Terra se separaram e foi poss\u00edvel que todos os filhos, humanos e divinos ao mesmo tempo nascessem. Conta-se tamb\u00e9m que depois, Cronos teve filhos e filhas, mas ele os devorava assim que nasciam. Somos consumidos pelo tempo, desde que nascemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro mito grego fala de <strong>S\u00edsifo<\/strong>, o humano que depois que morreu ludibriou os deuses e conseguiu voltar \u00e0 vida na Terra, s\u00f3 que teve que cumprir uma senten\u00e7a perp\u00e9tua. Levar uma enorme pedra para o cume de um monte e toda vez que l\u00e1 chegava, a pedra rolava ladeira abaixo e ele tinha que fazer o trabalho novamente e incessantemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o rei <strong>Salom\u00e3o<\/strong> preferia olhar o tempo sem pessimismo e dizia que: \u201c<em>H\u00e1 um momento certo para tudo, um tempo para cada atividade debaixo do c\u00e9u\u201d <\/em>&nbsp;Eclesiastes 3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na medida do poss\u00edvel devemos saber negociar com o tempo. Se ficamos ref\u00e9ns dele, de fato, ele pode nos devorar. Se cumprimos s\u00f3 as agendas alheias, corremos o risco de ficar matando o tempo com tarefas repetitivas que n\u00e3o tem nada a ver com nossos interesses e isso torna a vida uma rotina mortal como aquela de S\u00edsifo. \u201cA melhor coisa a fazer \u00e9 ser feliz e desfrutar a vida enquanto \u00e9 poss\u00edvel.\u201d, \u00e9 o conselho que nos d\u00e1 Salom\u00e3o na sequ\u00eancia de seu escrito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas filosofias procuram desconsiderar a Hist\u00f3ria dizendo que o importante \u00e9 o agora! Nesse sentido, se percebemos bem, o ontem j\u00e1 morreu e o amanh\u00e3 ainda n\u00e3o raiou e o hoje, sim, \u00e9 o momento da atua\u00e7\u00e3o e da possibilidade de se tomar decis\u00f5es! \u00c9 o <em>aqui e agora, <\/em>do tempo presente e, por isso mesmo, oportuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui se interp\u00f5e um outro conceito grego de tempo, que n\u00e3o se contrap\u00f5e necessariamente ao <em>Cronos<\/em>, mas \u00e9 como se o tempo desse um salto do quantitativo para o qualitativo. Trata-se do <em>Kair\u00f3s<\/em> ou momento especial que traz algo novo, como um estado alterado de consci\u00eancia, que suspende a pessoa da trama cronol\u00f3gica momentaneamente, e propicia uma ilumina\u00e7\u00e3o, um <em>insight<\/em> e a reintegra de forma plena para conduzir o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um evento \u00e9 sempre um interregno temporal de outros eventos. Por isso deve ser o porta-voz da memoria desses outros, pois em sua constitui\u00e7\u00e3o circunstancial traz de certa forma o DNA daqueles outros epis\u00f3dios passados, muitas vezes n\u00e3o expl\u00edcitos, mas latentes na pr\u00f3pria exist\u00eancia desse evento em si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossa <strong>metodologia busca essas pistas cronol\u00f3gicas<\/strong>, n\u00e3o s\u00f3 na historiografia oficial, mas <strong>tamb\u00e9m na oralidade<\/strong>, daqueles que atuam direta ou indiretamente no evento analisado, de forma a identificar tend\u00eancias e caracter\u00edsticas das narrativas, que constituem a compreens\u00e3o dos agentes din\u00e2micos no processo implicado.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">4. Jogadores<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De nada vale a encruzilhada da temporalidade com a espacialidade, sem que haja agentes din\u00e2micos no processo. S\u00e3o eles que fazem a Hist\u00f3ria e transformam o ambiente conforme suas conveni\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer esp\u00e9cie biol\u00f3gica produz um impacto sist\u00eamico em seu habitat, no sentido do provimento, log\u00edstica, seguran\u00e7a e abrigo para os indiv\u00edduos da esp\u00e9cie, como por exemplo, uma colmeia de abelhas, que se estabelece numa floresta, em condi\u00e7\u00f5es objetivas favor\u00e1veis para sua exist\u00eancia. A esse impacto chamamos de cultura da esp\u00e9cie, que necessariamente ter\u00e1 que conviver com a diversidade da <strong>biosfera florestal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teia da vida tem se constitu\u00eddo desde o princ\u00edpio dessa forma, com regula\u00e7\u00f5es da cadeia alimentar, de modo que nenhuma esp\u00e9cie dentro da lei natural da proporcionalidade seja extinta, ou se torne uma superpopula\u00e7\u00e3o dominante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00fanica esp\u00e9cie que quebra essa regra \u00e9 a humana. Seu impacto desiquilibra a composi\u00e7\u00e3o das demais esp\u00e9cies animais e vegetais, decretando o exterm\u00ednio de algumas e a super reprodu\u00e7\u00e3o de outras, por processos artificiais, gerando resultados aparentemente favor\u00e1veis aos humanos, e outros nefastos como a prolifera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies hostis, al\u00e9m de ambientes absolutamente insalubres, resultando em pestes e condi\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00f5es profundas a qualquer exist\u00eancia, seja ela humana ou das demais esp\u00e9cies biol\u00f3gicas. Mas de onde viria essa puls\u00e3o violenta da condi\u00e7\u00e3o humana? Muitos pensadores j\u00e1 se debru\u00e7aram sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constata\u00e7\u00e3o de que o &#8220;<em><strong>homo homini lupus<\/strong><\/em>&#8221; (o homem \u00e9 o lobo do homem), conforme a formula\u00e7\u00e3o do dramaturgo romano Plautus (254-184 a.C.) e imortalizada por <strong>Tomas Hobbes<\/strong> em <em><strong>Leviat\u00e3<\/strong>,<\/em> justificaria a necessidade de se criar uma inst\u00e2ncia superior aos humanos, como se fosse um <em>deus encarnado<\/em>, ou seja, o Estado, que \u00e9 institu\u00eddo pela pr\u00f3pria sociedade, que temerosa de sua autodestrui\u00e7\u00e3o, renuncia \u00e0 liberdade em troca de seguran\u00e7a. No lugar do \u201ctodos contra todos\u201d, o Estado assume o monop\u00f3lio da viol\u00eancia. <strong>Marx<\/strong> e <strong>Engels<\/strong> s\u00e3o taxativos no pr\u00f3logo d\u2019<strong><em>O<\/em> <em>Manifesto<\/em><\/strong><em>: \u201ca hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 hist\u00f3ria da luta de classes\u201d<\/em>, contribuindo com a ideia de que a viol\u00eancia \u00e9 a mestra da Hist\u00f3ria e n\u00e3o \u00e9 praticada apenas pelo Estado, mas principalmente pela classe dominante em seu constante movimento de subalternizar a classe dominada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A essa vis\u00e3o filos\u00f3fica e das ci\u00eancias sociais, soma-se a m\u00edtico-religiosa da narrativa judaica-crist\u00e3-isl\u00e2mica que aborda a desconfian\u00e7a fundante entre os g\u00eaneros, da expuls\u00e3o do para\u00edso tel\u00farico e do fratric\u00eddio entre os primeiros humanos. Mas se <strong>T\u00e2natos<\/strong> parece ser o impulso autodestrutivo da humanidade, tamb\u00e9m temos <strong>Eros<\/strong>, a puls\u00e3o da &nbsp;vida e da rela\u00e7\u00e3o afetiva que deve ser potencializada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usamos <strong>na Li\u00f9 a express\u00e3o <em>jogadores<\/em> para falar das rela\u00e7\u00f5es humanas<\/strong>, ao inv\u00e9s de personagens, que se restringiria a pap\u00e9is sociais, ou m\u00e1scaras que as pessoas apenas usam circunstancialmente. Atores seria melhor que personagem, pois atuar remete a ideia de vestir-se de algum personagem circunstancial, e tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o objetiva social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim preferimos jogadores&nbsp; pois ningu\u00e9m joga sozinho! Nem o solit\u00e1rio jogador de games eletr\u00f4nicos, que interage com a m\u00e1quina e al\u00e9m da m\u00e1quina com os programadores e os prop\u00f3sitos dos produtores de games que excitam emo\u00e7\u00f5es variadas no jogador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o as intera\u00e7\u00f5es, provoca\u00e7\u00f5es e respostas que comp\u00f5em o jogo da vida. Quem n\u00e3o joga ativamente \u00e9 jogado e torna-se ref\u00e9m do jogo ou dos jogadores. Nem por isso \u00e9 um processo necessariamente agressivo, mas uma comunica\u00e7\u00e3o plena de interesses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos como os demais animais mam\u00edferos, greg\u00e1rios e mim\u00e9ticos. Vivemos desde sempre em bandos e elegemos modelos inspiradores. A subjetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre intersubjetiva, que seleciona aliados e advers\u00e1rios circunstanciais. Defendemos que <strong>o <em>jogo \u00e9 tri\u00e1dico<\/em><\/strong>, desde a rela\u00e7\u00e3o mais fundamental com nossos pais, em preferir um e preterir o outro, depois isso se replica com os irm\u00e3os e em todas as organiza\u00e7\u00f5es sociais que participamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o que a <strong>Cibern\u00e9tica Social<\/strong> chama de tr\u00eas subgrupos: oficial, antioficial e oscilante. Essa tr\u00edade pode se dar num <em>grau<\/em> <em>m\u00e1ximo de tens\u00e3o<\/em> beligerante: de todos contra todos, <em>m\u00e9dio<\/em> de dois contra um, ou com <em>grau m\u00ednimo de tens\u00e3o<\/em> proativa entre os tr\u00eas subgrupos, onde h\u00e1 complementaridade na diversidade. &nbsp;O jogo \u00e9 como a Capoeira, que se luta, mas que tamb\u00e9m pode ser arte brincante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo, como foi mencionado no processo 1: <em>motiva\u00e7\u00e3o, <\/em>o que nos aproxima uns dos outros \u00e9 a <em>converg\u00eancia de interesses: <\/em>se as minhas necessidades s\u00e3o as suas, ent\u00e3o estamos juntos. Depois isso evolui para as quest\u00f5es pr\u00e1ticas que \u00e9 a <em>cooperativa de talentos: <\/em>no que eu posso ajudar com minha capacidade \u00e0 causa comum? Mas a consolida\u00e7\u00e3o efetiva de projetos em comum, s\u00f3 se torna perene se estabelecermos como diz Airton Krenak, <em>alian\u00e7as afetivas: <\/em>criando lealdade entre os participantes da articula\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">5. Procedimentos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <em><strong>procedimentos<\/strong><\/em> s\u00e3o a alma da metodologia Li\u00f9! A <strong>fase de matura\u00e7\u00e3o da pesquisa de campo para uma nova abordagem sist\u00eamica transformadora<\/strong>, que leve \u00e0 meta projetada na idilicamente na <em>motiva\u00e7\u00e3o<\/em>. Algo que, no processo, sofreu a metamorfose do choque com a realidade objetiva, mas que preservou os genes da novidade, que se projetava nos primeiros ensaios antes da imers\u00e3o na objetividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <em>procedimentos<\/em> s\u00e3o o ponto de chegada dos <em>inputs <\/em>das quatro fases anteriores que agora passam por processamento seletivo tendo em vista um panejamento estrat\u00e9gico para &nbsp;a prototipagem daquilo que ir\u00e1 se configurar como a meta final do evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa de campo participativa, em todas as fases anteriores ter\u00e1 produzido um banco de dados significativo, mas que precisa ser depurado, nessa fase decisiva do evento. A isso \u00e9 que chamamos de <em>processamento seletivo<\/em>. O que de fato interessa para os procedimentos posteriores?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse processamento seletivo \u00e9 que se ter\u00e1 a mat\u00e9ria-prima para o <em>planejamento estrat\u00e9gico<\/em>. Os caminhos que se deve priorizar, as eventuais alternativas epis\u00f3dicas, a previsibilidade do tempo que se deve empenhar para o \u00eaxito, a prioridade qualitativa em detrimento da quantitativa para a otimiza\u00e7\u00e3o dos &nbsp;recursos dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel nesse est\u00e1gio dos procedimentos realizar simula\u00e7\u00f5es, que levem a <em>prototipagem<\/em> da meta desejada. Note que na fase inicial de todo o processo, na motiva\u00e7\u00e3o, j\u00e1 havia a imagina\u00e7\u00e3o da meta pretendida, mas seria imposs\u00edvel a prototipagem, sem o percurso de todo o processo metodol\u00f3gico Li\u00f9. De certa forma, a prototipagem \u00e9 a meta em seu est\u00e1gio provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">6. Meta<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os procedimentos s\u00e3o a alma, a <em>meta <\/em>\u00e9 a corporifica\u00e7\u00e3o da metodologia Li\u00f9. O resultado do empenho realizado para a concretude do evento em si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Li\u00f9 o importante \u00e9 toda a viv\u00eancia e o aprendizado do caminho de Santiago e a transforma\u00e7\u00e3o que ele produz no peregrino, mas tamb\u00e9m o \u00eaxito da chegada a Compostela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 cada estrela e a constela\u00e7\u00e3o toda que interessa<\/strong>. Isso \u00e9 a Li\u00f9: os seis processos sist\u00eamicos interconectados. Por isso h\u00e1 uma linha t\u00eanue entre a meta e a prototipagem dela, a tens\u00e3o do jogo, o tempo a percorrer e o p\u00e9-regrino no caminho, mas antes de tudo, o desejo de caminhar e de chegar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel fazer o percurso sem a sequ\u00eancia sugerida pela Li\u00f9, alternando os passos? Sim, mas correndo o risco de perder o p\u00e9 da regra. \u00c9 poss\u00edvel at\u00e9 usar parte da sequ\u00eancia, como por exemplo: 1, 5 e 6 ou 2, 3 e 4, mas a\u00ed ter\u00edamos resultados dispares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Triangula\u00e7\u00e3o \u00c1rtica: <\/strong><em>motiva\u00e7\u00e3o, procedimentos e metas<\/em>. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e naturalmente recorremos a ela: ter uma ideia, ver as condi\u00e7\u00f5es objetivas e realiz\u00e1-la. Dependendo da complexidade do evento \u00e9 poss\u00edvel desencadear esse processo, mas \u00e9 um procedimento que tem bases meramente idealistas. Por isso, denominamos triangula\u00e7\u00e3o \u00e1rtica, cujo desafio \u00e9 querer estabelecer uma base concreta em um mar de gelo, que poder\u00e1 derreter e naufragar o evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Triangula\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica: <\/strong><em>ecossistema,<\/em><strong> <\/strong><em>cronologia e Jogadores. <\/em>Tamb\u00e9m \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel e eventualmente recorremos a ela: ter um determinismo geogr\u00e1fico, uma hist\u00f3ria deflagrada e posi\u00e7\u00f5es definidas dos jogadores. O evento pode ser processado, mas as bases s\u00e3o essencialmente materialistas. Por isso, chama-se triangula\u00e7\u00e3o ant\u00e1rtica, isso \u00e9, contr\u00e1ria ao \u00e1rtico. O desafio \u00e9 com mais seguran\u00e7a estabelecer base concreta no continente gelado, que se derreter tem uma estrutura que n\u00e3o afunda, mas n\u00e3o tem imagin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na <strong>metodologia Li\u00f9<\/strong> temos a complementariedade dos dois tri\u00e2ngulos que se unem pela tropicalidade inclusiva e formam o hex\u00e1gono ou a estrela que tamb\u00e9m \u00e9 a constela\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A escolha epist\u00eamica da L\u00ed\u00f9 contempla obras e autores que d\u00e3o origem a um sistema metodol\u00f3gico aberto a contribui\u00e7\u00f5es decoloniais e ancestrais<\/strong> de todas as matrizes culturais dos seres participantes da metodologia. Devemos lembrar que somente enfrentaremos a \u201cqueda do c\u00e9u\u201d se assumirmos o di\u00e1logo, a toler\u00e2ncia e a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica como princ\u00edpios capazes de construir urgentes ant\u00eddotos e alternativas ao patriarcado neoliberal e beligerante que nos assombra e compromete o futuro da humanidade no planeta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Referencias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BORAN, Jorge. <strong>O Senso Cr\u00edtico e o M\u00e9todo. Ver Julgar Agir<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Loyola, 1977.<br>CAMPBELL, Joseph. <strong>O Her\u00f3i de Mil Faces<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Cultrix\/Pensamento, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CLAUSEWITZ, Carl von. <strong>Da Guerra<\/strong> \u2013 a arte da estrat\u00e9gia. S\u00e3o Paulo. WMF\/Martins Fontes, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DESCARTES, Ren\u00e9. <strong>Discurso do m\u00e9todo <\/strong>(v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas).<br>DUNN, Philip. <strong>A Arte da Paz <\/strong>\u2013 equil\u00edbrio e conflito em A Arte da Guerra de Sun Tzu. S\u00e3o Paulo. Planeta, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FRANCISCO, Papa. <strong>Laudato si <\/strong>\u2013 sobre o cuidado da Casa Comum (enc\u00edclica papal). Roma. Vaticano, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GREGORI, W.: https:\/\/www.youtube.com\/@waldemargregori\/videos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><strong><em>_______<\/em><\/strong><\/em><\/strong>. <strong>Cibern\u00e9tica Social I<\/strong>: um m\u00e9todo interdisciplinar das ci\u00eancias sociais e humanas. S\u00e3o Paulo. Perspectiva, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><strong><em>________<\/em><\/strong><\/em><\/strong>. <strong>Cibern\u00e9tica Social II<\/strong>: metodologia, criatividade e planejamento. S\u00e3o Paulo. Perspectiva, 1988.<br>KRENAK, Ailton. <strong>Ideias para adiar o fim do mundo<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Cia das Letras, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LACOSTE, Yves. <strong>A Geografia <\/strong>\u2013 isso serve em primeiro lugar, para fazer a guerra. S\u00e3o Paulo. Papirus, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAQUIAVEL, N. <strong>A Arte da Guerra<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Lafonte, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARX, K e ENGELS, F. <strong>A Ideologia alem\u00e3<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Boitempo, 2007.<br>MARX, K. <strong>Manuscritos Econ\u00f4micos Filos\u00f3fico de 1848<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Boitempo, 2004.<br>RUBBO M\u00dcLLER, Antonio.: http:\/\/antoniorubbomuller.blogspot.com<br><strong><em><strong><em>_________<\/em><\/strong><\/em><\/strong>. <strong>Elementos basilares da Organiza\u00e7\u00e3o Humana<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Escola de Sociologia pol\u00edtica , 1957.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><strong><em>_________<\/em><\/strong><\/em><\/strong>. <strong>Teoria da Organiza\u00e7\u00e3o Humana <\/strong>\u2013 sua propedeuta did\u00e1tica especial \u2013 acompanhamento de did\u00e1tica geral . S\u00e3o Paulo. Escola de Sociologia Pol\u00edtica, 1958.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TORRES, Camilo Restrepo. <strong>Cristianismo e revolu\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Globo, 1981.<br>TZU, Sun. <strong>A Arte da Guerra <\/strong>\u2013 os treze cap\u00edtulos originais. S\u00e3o Paulo. Jardim dos livros, 2013.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> S\u00edlvio Luiz Sant\u2019Anna \u2013 Diretor Presidente da CEAP, Doutor em Antropologia, Mestre em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o, Especialista em Ci\u00eancias Sociais e em Gest\u00e3o de Marketing e graduado em Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Maria da Concei\u00e7\u00e3o da Costa Golobovante \u2013 Diretora Vice-Presidente da CEAP, Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o, Professora Universit\u00e1ria e Pesquisadora das \u00e1reas da Comunica\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias Socioambientais<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Um conceito do sacerdote e soci\u00f3logo colombiano Camilo Torres, precursor da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, que propugnava um engajamento pleno dos crist\u00e3os na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica transformadora da realidade dos oprimidos, cf. TORRES, Camilo Restrepo. <em>Cristianismo e revolu\u00e7\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo. Globo, 1981.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo, dividido em duas partes, os autores trazem um complexo referencial te\u00f3rico para explicar o que \u00e9 este modo de fazer 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