{"id":3876,"date":"2026-03-31T17:02:59","date_gmt":"2026-03-31T20:02:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?p=3876"},"modified":"2026-03-31T17:03:00","modified_gmt":"2026-03-31T20:03:00","slug":"porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/","title":{"rendered":"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Patrick Nascimento\/Mia The Witch<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cena drag porto-alegrense \u00e9 reconhecida pelas muitas artistas que performam estere\u00f3tipos de feminilidade, beleza e luxo. Isto \u00e9, diversas artistas que comp\u00f5em a cena da capital ga\u00facha usam como base da sua express\u00e3o art\u00edstica signos hegem\u00f4nicos da est\u00e9tica \u201cperfeita\u201d atribu\u00edda socialmente aos corpos das mulheres e demais identidades femininas. Neste caminho, Porto Alegre apresenta um cen\u00e1rio drag baseado em cl\u00e1ssicos concursos, como o The Queens e o Top Drag, ambos da tamb\u00e9m cl\u00e1ssica casa porto-alegrense Vitraux Club, que entre as expertises da arte drag, tamb\u00e9m consideram est\u00e9tica, glamour e opul\u00eancia como atributos para vencer. H\u00e1 claramente um tipo espec\u00edfico de drag que se destaca nesses concursos, sendo este relativo \u00e0s queens de beleza. A exemplo disso, temos como vencedoras do The Queens: Jazzy Jones, Dylan Summers, Rafaela Face, Mona Vip\u00e8re e Tina Oliver \u2013 embora umas mais e outras menos, todas pertencentes \u00e0 est\u00e9tica hegem\u00f4nica da beleza feminina. Claro que todas, ao seu modo, entregam outros atributos que justificam suas vit\u00f3rias no concurso, tais como a qualidade da maquiagem, a performance no palco, figurinos babadeiros. O ponto aqui \u00e9 observar que, independente disso, todas performatizam atributos femininos de modo hegem\u00f4nico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIA-2-POA-ME-DOI-768x768-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3879\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIA-2-POA-ME-DOI-768x768-1.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIA-2-POA-ME-DOI-768x768-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIA-2-POA-ME-DOI-768x768-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MIA-2-POA-ME-DOI-768x768-1-75x75.jpg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vencedoras do concurso The Queens: Jazzy Jones, Dylan Summers, Rafaela Face, Mona Vip\u00e8re e Tina Oliver (da esquerda para a direita). Fonte: Instagram das artistas e elabora\u00e7\u00e3o da autora (2026).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Oferecendo um diferencial para a cena local, a Workroom Bar parecia adotar uma perspectiva mais inclusiva de abordagens drag. Apesar do seu elenco fixo tamb\u00e9m ser majoritariamente pertencente \u00e0 est\u00e9tica da feminilidade, era poss\u00edvel ainda ver certa diversidade drag nos shows apresentados pela casa. L\u00e1, aconteciam espet\u00e1culos de drag <em>kings<\/em> [1], drag <em>queers<\/em> [2] e drag monstras, entre outras vertentes da arte drag, que dificilmente s\u00e3o vistas em outros ambientes da cena porto-alegrense. Tamb\u00e9m realizavam concursos, tendo como principal destaque a Copa do Mundo das Drags (CDMD) \u2013 competi\u00e7\u00e3o que, em suma, apresentava oportunidades para talentos iniciantes ou para artistas sem tanta visibilidade na cena. Em suas quatro edi\u00e7\u00f5es, os elencos da CDMD carregavam uma variedade consider\u00e1vel de artistas drag, tendo em vista o panorama geral da cena porto-alegrense, a comprovar pelas vencedoras Amy Babydoll, Grida, Myah e Savanah Queen. Embora tamb\u00e9m inclu\u00eddas na feminilidade, demonstram uma abertura maior \u00e0 disrup\u00e7\u00e3o \u00e0 essa est\u00e9tica ou n\u00e3o se limitam a ela \u2013 fato que tamb\u00e9m pode ser entendido atrav\u00e9s da leitura de que metade dessas vencedoras tem sua identidade de g\u00eanero firmada em identidades femininas, dando uma camada maior \u00e0 cr\u00edtica do uso da feminilidade em sua express\u00e3o drag. A Workroom parecia oferecer uma vis\u00e3o mais ampla da arte drag em Porto Alegre, n\u00e3o se restringindo aos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos e normatiza\u00e7\u00f5es que o mercado busca. Infelizmente, o seu fechamento representou uma grande perda na diversidade drag da cidade.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3880\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2-1.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/2-1-75x75.jpg 75w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vencedoras do concurso Copa do Mundo das Drags: Amy Babydoll, Grida, Myah e Savannah Queen (da esquerda para a direita). Fonte: Instagram das artistas e elabora\u00e7\u00e3o da autora (2026).<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outubro de 2025, a Workroom Bar fechou suas portas, encerrando as atividades ativas desde 2017. Os motivos alegados foram as dificuldades ap\u00f3s as enchentes que aconteceram em maio de 2024, a falta de valoriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e0 arte drag e, talvez tamb\u00e9m pud\u00e9ssemos cogitar, alguns problemas estrat\u00e9gicos da empresa. Carregando um legado important\u00edssimo para a cena drag ga\u00facha, a Workroom teve diversos feitos e causou grande impacto, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel local, como tamb\u00e9m no pa\u00eds. Diversas foram as atra\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais que se apresentaram em seu palco, contando inclusive com diversas <em>RuGirls<\/em> [3]. A pr\u00f3pria Michelle Visage, jurada de RuPaul\u2019s Drag Race e melhor amiga da MammaRu, esteve presente e discursou no palco do bar \u2013 o que acabou sendo pauta de RuPaul no seu podcast \u201cWhat\u2019s the Tee?\u201d. A Workroom fomentou a arte drag na cena ga\u00facha, nos colocando em lugar de evid\u00eancia entre os cen\u00e1rios drag brasileiros, com diversos especiais oferecidos em parceria com nossas artistas locais e atra\u00e7\u00f5es contratadas. De modo geral, a marca ofereceu grandes movimenta\u00e7\u00f5es da arte drag na cidade enquanto esteve na ativa. Dentro disso, destaco a pluralidade pela qual viam e promoviam a arte drag, acreditando no trabalho de drags que desafiavam as normatividades do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para muitos contratantes de Porto Alegre e parte do p\u00fablico consumidor, drag ainda \u00e9 um movimento art\u00edstico pautado na eleg\u00e2ncia e glamour feminino. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que um bom artista drag deva emular todos os signos de poder, beleza e luxo que s\u00e3o atribu\u00eddos socialmente \u00e0s identidades de g\u00eanero femininas. Essa ideia ainda perpassa majoritariamente as competidoras presentes em Drag Race, maior produto cultural na atualidade sobre drag queens, apesar dos t\u00edmidos e discretos movimentos para tornar-se um programa inclusivo. Ao encontro disso, sabemos que o <em>reality<\/em> pauta tamb\u00e9m as din\u00e2micas das cenas drag global, uma vez sendo grande influ\u00eancia neste mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a arte drag n\u00e3o se limita apenas a esses ideais, apesar de termos muitas artistas que, sem problema algum, norteiam suas expressividades art\u00edsticas nesta dire\u00e7\u00e3o. A arte drag atualmente conta com diversas abordagens est\u00e9ticas e pol\u00edticas, n\u00e3o se tratando de algo homog\u00eaneo. Drag \u00e9 arte e a arte est\u00e1 na subjetividade de cada artista. Resumir a performatividade drag em mimetiza\u00e7\u00e3o dos signos de feminilidade, em pleno ano de 2026, \u00e9 recusar-se a caminhar de acordo com o avan\u00e7o da \u00e1rea. Devido a essa mentalidade que se tem acerca da arte drag, cruzando os interesses capitalistas envoltos nessa ind\u00fastria, Porto Alegre apresenta uma cena bastante restrita ao que diz respeito \u00e0s oportunidades que s\u00e3o oferecidas. Os locais que contratam drags j\u00e1 est\u00e3o se tornando escassos na cidade, comparando com a realidade de anos anteriores \u2013 e a maioria dos que restam parece valorizar especificamente um tipo de artista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraponto, h\u00e1 um grande potencial, inclusive lucrativo, em apostar em outras abordagens art\u00edsticas. Se formos pensar pelo prisma da novidade, do desconhecido, outras vertentes drags representam ineditismo \u00e0 cena. O trabalho desempenhado por outros artistas drag pode provocar o p\u00fablico em diferentes lugares de questionamentos sociais, baseados em pautas que s\u00e3o igualmente importantes, de modos perform\u00e1ticos e art\u00edsticos que s\u00e3o novos para a cena ga\u00facha. Isso pode causar curiosidade, gerando interesse e resultando nas a\u00e7\u00f5es de venda, nesse sentido. Ademais, um local que se comprometa em apoiar a arte drag deve ter um equil\u00edbrio entre suas responsabilidades pol\u00edticas com essa arte e seus interesses lucrativos. Drag n\u00e3o \u00e9 apenas uma moeda de troca, um modo de captar mais recursos e dinheiro para os estabelecimentos. Antes disso, \u00e9 uma forma art\u00edstica de fazer pol\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levando em conta a sua diversidade, sair para assistir a um show drag nem sempre precisa ser sin\u00f4nimo de ver bate cabelo e performances <em>sexies<\/em>. Por\u00e9m, talvez seja entristecedor pensar que Porto Alegre apenas se recusa a enxergar isso por ser ref\u00e9m de uma mentalidade que n\u00e3o acompanha transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais, n\u00e3o estando t\u00e3o disposta assim para a mudan\u00e7a. Sem d\u00favida, o cen\u00e1rio da cidade est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, e nos cabe trazer inquieta\u00e7\u00f5es para que as din\u00e2micas locais realmente sejam transformadoras. Longe de ter uma vis\u00e3o pessimista da cidade, estou apenas trazendo um balan\u00e7o realista de atividades que conformam parte do quadro porto-alegrense. Com certa esperan\u00e7a, mas sob muita luta pol\u00edtica, espero que em alguns anos a realidade da nossa cena seja outra e que possamos celebrar, enfim, toda a pluralidade que Porto Alegre pode ter no \u00e2mbito cultural drag.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[1] \u00a0Abordagem drag pautada na performance da masculinidade e caracter\u00edsticas do seu entorno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[2] \u00a0Abordagem drag pautada na quebra do binarismo de g\u00eanero, com uma est\u00e9tica que provoca normatiza\u00e7\u00f5es sociais sobre masculino\/feminino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[3] RuGirl \u00e9 o apelido concedido \u00e0s drags que j\u00e1 participaram do <em>reality show<\/em> estadunidense RuPaul\u2019s Drag Race.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><em>*Este texto foi publicado no blog Grafia Drag, dia 09 de mar\u00e7o de 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Patrick Nascimento\/Mia The Witch A cena drag porto-alegrense \u00e9 reconhecida pelas muitas artistas que performam estere\u00f3tipos de feminilidade, beleza e luxo. Isto \u00e9, diversas artistas que comp\u00f5em a cena da capital ga\u00facha usam como base da sua express\u00e3o art\u00edstica signos hegem\u00f4nicos da est\u00e9tica \u201cperfeita\u201d atribu\u00edda socialmente aos corpos das mulheres e demais identidades femininas. Neste caminho, Porto Alegre apresenta um cen\u00e1rio drag baseado em cl\u00e1ssicos concursos, como o The Queens e o Top Drag, ambos da tamb\u00e9m cl\u00e1ssica casa porto-alegrense Vitraux Club, que entre as expertises da arte drag, tamb\u00e9m consideram est\u00e9tica, glamour e opul\u00eancia como atributos para vencer. H\u00e1 claramente um tipo espec\u00edfico de drag que se destaca nesses concursos, sendo este relativo \u00e0s queens de beleza. A exemplo disso, temos como vencedoras do The Queens: Jazzy Jones, Dylan Summers, Rafaela Face, Mona Vip\u00e8re e Tina Oliver \u2013 embora umas mais e outras menos, todas pertencentes \u00e0 est\u00e9tica hegem\u00f4nica da beleza feminina. Claro que todas, ao seu modo, entregam outros atributos que justificam suas vit\u00f3rias no concurso, tais como a qualidade da maquiagem, a performance no palco, figurinos babadeiros. O ponto aqui \u00e9 observar que, independente disso, todas performatizam atributos femininos de modo hegem\u00f4nico. \u00a0Oferecendo um diferencial para a cena local, a Workroom Bar parecia adotar uma perspectiva mais inclusiva de abordagens drag. Apesar do seu elenco fixo tamb\u00e9m ser majoritariamente pertencente \u00e0 est\u00e9tica da feminilidade, era poss\u00edvel ainda ver certa diversidade drag nos shows apresentados pela casa. L\u00e1, aconteciam espet\u00e1culos de drag kings [1], drag queers [2] e drag monstras, entre outras vertentes da arte drag, que dificilmente s\u00e3o vistas em outros ambientes da cena porto-alegrense. Tamb\u00e9m realizavam concursos, tendo como principal destaque a Copa do Mundo das Drags (CDMD) \u2013 competi\u00e7\u00e3o que, em suma, apresentava oportunidades para talentos iniciantes ou para artistas sem tanta visibilidade na cena. Em suas quatro edi\u00e7\u00f5es, os elencos da CDMD carregavam uma variedade consider\u00e1vel de artistas drag, tendo em vista o panorama geral da cena porto-alegrense, a comprovar pelas vencedoras Amy Babydoll, Grida, Myah e Savanah Queen. Embora tamb\u00e9m inclu\u00eddas na feminilidade, demonstram uma abertura maior \u00e0 disrup\u00e7\u00e3o \u00e0 essa est\u00e9tica ou n\u00e3o se limitam a ela \u2013 fato que tamb\u00e9m pode ser entendido atrav\u00e9s da leitura de que metade dessas vencedoras tem sua identidade de g\u00eanero firmada em identidades femininas, dando uma camada maior \u00e0 cr\u00edtica do uso da feminilidade em sua express\u00e3o drag. A Workroom parecia oferecer uma vis\u00e3o mais ampla da arte drag em Porto Alegre, n\u00e3o se restringindo aos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos e normatiza\u00e7\u00f5es que o mercado busca. Infelizmente, o seu fechamento representou uma grande perda na diversidade drag da cidade.\u00a0 Em outubro de 2025, a Workroom Bar fechou suas portas, encerrando as atividades ativas desde 2017. Os motivos alegados foram as dificuldades ap\u00f3s as enchentes que aconteceram em maio de 2024, a falta de valoriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e0 arte drag e, talvez tamb\u00e9m pud\u00e9ssemos cogitar, alguns problemas estrat\u00e9gicos da empresa. Carregando um legado important\u00edssimo para a cena drag ga\u00facha, a Workroom teve diversos feitos e causou grande impacto, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel local, como tamb\u00e9m no pa\u00eds. Diversas foram as atra\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais que se apresentaram em seu palco, contando inclusive com diversas RuGirls [3]. A pr\u00f3pria Michelle Visage, jurada de RuPaul\u2019s Drag Race e melhor amiga da MammaRu, esteve presente e discursou no palco do bar \u2013 o que acabou sendo pauta de RuPaul no seu podcast \u201cWhat\u2019s the Tee?\u201d. A Workroom fomentou a arte drag na cena ga\u00facha, nos colocando em lugar de evid\u00eancia entre os cen\u00e1rios drag brasileiros, com diversos especiais oferecidos em parceria com nossas artistas locais e atra\u00e7\u00f5es contratadas. De modo geral, a marca ofereceu grandes movimenta\u00e7\u00f5es da arte drag na cidade enquanto esteve na ativa. Dentro disso, destaco a pluralidade pela qual viam e promoviam a arte drag, acreditando no trabalho de drags que desafiavam as normatividades do mercado. Para muitos contratantes de Porto Alegre e parte do p\u00fablico consumidor, drag ainda \u00e9 um movimento art\u00edstico pautado na eleg\u00e2ncia e glamour feminino. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que um bom artista drag deva emular todos os signos de poder, beleza e luxo que s\u00e3o atribu\u00eddos socialmente \u00e0s identidades de g\u00eanero femininas. Essa ideia ainda perpassa majoritariamente as competidoras presentes em Drag Race, maior produto cultural na atualidade sobre drag queens, apesar dos t\u00edmidos e discretos movimentos para tornar-se um programa inclusivo. Ao encontro disso, sabemos que o reality pauta tamb\u00e9m as din\u00e2micas das cenas drag global, uma vez sendo grande influ\u00eancia neste mercado.&nbsp; Entretanto, a arte drag n\u00e3o se limita apenas a esses ideais, apesar de termos muitas artistas que, sem problema algum, norteiam suas expressividades art\u00edsticas nesta dire\u00e7\u00e3o. A arte drag atualmente conta com diversas abordagens est\u00e9ticas e pol\u00edticas, n\u00e3o se tratando de algo homog\u00eaneo. Drag \u00e9 arte e a arte est\u00e1 na subjetividade de cada artista. Resumir a performatividade drag em mimetiza\u00e7\u00e3o dos signos de feminilidade, em pleno ano de 2026, \u00e9 recusar-se a caminhar de acordo com o avan\u00e7o da \u00e1rea. Devido a essa mentalidade que se tem acerca da arte drag, cruzando os interesses capitalistas envoltos nessa ind\u00fastria, Porto Alegre apresenta uma cena bastante restrita ao que diz respeito \u00e0s oportunidades que s\u00e3o oferecidas. Os locais que contratam drags j\u00e1 est\u00e3o se tornando escassos na cidade, comparando com a realidade de anos anteriores \u2013 e a maioria dos que restam parece valorizar especificamente um tipo de artista.&nbsp; Em contraponto, h\u00e1 um grande potencial, inclusive lucrativo, em apostar em outras abordagens art\u00edsticas. Se formos pensar pelo prisma da novidade, do desconhecido, outras vertentes drags representam ineditismo \u00e0 cena. O trabalho desempenhado por outros artistas drag pode provocar o p\u00fablico em diferentes lugares de questionamentos sociais, baseados em pautas que s\u00e3o igualmente importantes, de modos perform\u00e1ticos e art\u00edsticos que s\u00e3o novos para a cena ga\u00facha. Isso pode causar curiosidade, gerando interesse e resultando nas a\u00e7\u00f5es de venda, nesse sentido. Ademais, um local que se comprometa em apoiar a arte drag deve ter um equil\u00edbrio entre suas responsabilidades pol\u00edticas com essa arte e seus interesses lucrativos. Drag n\u00e3o \u00e9 apenas uma moeda de troca, um modo de captar mais recursos e dinheiro para os estabelecimentos. Antes disso, \u00e9 uma forma art\u00edstica de fazer pol\u00edtica.&nbsp; Levando em conta a sua diversidade, sair para assistir a um show drag nem sempre precisa ser sin\u00f4nimo de ver bate cabelo e performances sexies. Por\u00e9m, talvez seja entristecedor pensar que Porto Alegre apenas se recusa a enxergar isso por ser ref\u00e9m de uma mentalidade que n\u00e3o acompanha transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais, n\u00e3o estando t\u00e3o disposta assim para a mudan\u00e7a. Sem d\u00favida, o cen\u00e1rio da cidade est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, e nos cabe trazer inquieta\u00e7\u00f5es para que as din\u00e2micas locais realmente sejam transformadoras. Longe de ter uma vis\u00e3o pessimista da cidade, estou apenas trazendo um balan\u00e7o realista de atividades que conformam parte do quadro porto-alegrense. Com certa esperan\u00e7a, mas sob muita luta pol\u00edtica, espero que em alguns anos a realidade da nossa cena seja outra e que possamos celebrar, enfim, toda a pluralidade que Porto Alegre pode ter no \u00e2mbito cultural drag.&nbsp; Notas [1] \u00a0Abordagem drag pautada na performance da masculinidade e caracter\u00edsticas do seu entorno. [2] \u00a0Abordagem drag pautada na quebra do binarismo de g\u00eanero, com uma est\u00e9tica que provoca normatiza\u00e7\u00f5es sociais sobre masculino\/feminino. [3] RuGirl \u00e9 o apelido concedido \u00e0s drags que j\u00e1 participaram do reality show estadunidense RuPaul\u2019s Drag Race. *Este texto foi publicado no blog Grafia Drag, dia 09 de mar\u00e7o de 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3876","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por Patrick Nascimento\/Mia The Witch A cena drag porto-alegrense \u00e9 reconhecida pelas muitas artistas que performam estere\u00f3tipos de feminilidade, beleza e luxo. Isto \u00e9, diversas artistas que comp\u00f5em a cena da capital ga\u00facha usam como base da sua express\u00e3o art\u00edstica signos hegem\u00f4nicos da est\u00e9tica \u201cperfeita\u201d atribu\u00edda socialmente aos corpos das mulheres e demais identidades femininas. Neste caminho, Porto Alegre apresenta um cen\u00e1rio drag baseado em cl\u00e1ssicos concursos, como o The Queens e o Top Drag, ambos da tamb\u00e9m cl\u00e1ssica casa porto-alegrense Vitraux Club, que entre as expertises da arte drag, tamb\u00e9m consideram est\u00e9tica, glamour e opul\u00eancia como atributos para vencer. H\u00e1 claramente um tipo espec\u00edfico de drag que se destaca nesses concursos, sendo este relativo \u00e0s queens de beleza. A exemplo disso, temos como vencedoras do The Queens: Jazzy Jones, Dylan Summers, Rafaela Face, Mona Vip\u00e8re e Tina Oliver \u2013 embora umas mais e outras menos, todas pertencentes \u00e0 est\u00e9tica hegem\u00f4nica da beleza feminina. Claro que todas, ao seu modo, entregam outros atributos que justificam suas vit\u00f3rias no concurso, tais como a qualidade da maquiagem, a performance no palco, figurinos babadeiros. O ponto aqui \u00e9 observar que, independente disso, todas performatizam atributos femininos de modo hegem\u00f4nico. \u00a0Oferecendo um diferencial para a cena local, a Workroom Bar parecia adotar uma perspectiva mais inclusiva de abordagens drag. Apesar do seu elenco fixo tamb\u00e9m ser majoritariamente pertencente \u00e0 est\u00e9tica da feminilidade, era poss\u00edvel ainda ver certa diversidade drag nos shows apresentados pela casa. L\u00e1, aconteciam espet\u00e1culos de drag kings [1], drag queers [2] e drag monstras, entre outras vertentes da arte drag, que dificilmente s\u00e3o vistas em outros ambientes da cena porto-alegrense. Tamb\u00e9m realizavam concursos, tendo como principal destaque a Copa do Mundo das Drags (CDMD) \u2013 competi\u00e7\u00e3o que, em suma, apresentava oportunidades para talentos iniciantes ou para artistas sem tanta visibilidade na cena. Em suas quatro edi\u00e7\u00f5es, os elencos da CDMD carregavam uma variedade consider\u00e1vel de artistas drag, tendo em vista o panorama geral da cena porto-alegrense, a comprovar pelas vencedoras Amy Babydoll, Grida, Myah e Savanah Queen. Embora tamb\u00e9m inclu\u00eddas na feminilidade, demonstram uma abertura maior \u00e0 disrup\u00e7\u00e3o \u00e0 essa est\u00e9tica ou n\u00e3o se limitam a ela \u2013 fato que tamb\u00e9m pode ser entendido atrav\u00e9s da leitura de que metade dessas vencedoras tem sua identidade de g\u00eanero firmada em identidades femininas, dando uma camada maior \u00e0 cr\u00edtica do uso da feminilidade em sua express\u00e3o drag. A Workroom parecia oferecer uma vis\u00e3o mais ampla da arte drag em Porto Alegre, n\u00e3o se restringindo aos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos e normatiza\u00e7\u00f5es que o mercado busca. Infelizmente, o seu fechamento representou uma grande perda na diversidade drag da cidade.\u00a0 Em outubro de 2025, a Workroom Bar fechou suas portas, encerrando as atividades ativas desde 2017. Os motivos alegados foram as dificuldades ap\u00f3s as enchentes que aconteceram em maio de 2024, a falta de valoriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e0 arte drag e, talvez tamb\u00e9m pud\u00e9ssemos cogitar, alguns problemas estrat\u00e9gicos da empresa. Carregando um legado important\u00edssimo para a cena drag ga\u00facha, a Workroom teve diversos feitos e causou grande impacto, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel local, como tamb\u00e9m no pa\u00eds. Diversas foram as atra\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais que se apresentaram em seu palco, contando inclusive com diversas RuGirls [3]. A pr\u00f3pria Michelle Visage, jurada de RuPaul\u2019s Drag Race e melhor amiga da MammaRu, esteve presente e discursou no palco do bar \u2013 o que acabou sendo pauta de RuPaul no seu podcast \u201cWhat\u2019s the Tee?\u201d. A Workroom fomentou a arte drag na cena ga\u00facha, nos colocando em lugar de evid\u00eancia entre os cen\u00e1rios drag brasileiros, com diversos especiais oferecidos em parceria com nossas artistas locais e atra\u00e7\u00f5es contratadas. De modo geral, a marca ofereceu grandes movimenta\u00e7\u00f5es da arte drag na cidade enquanto esteve na ativa. Dentro disso, destaco a pluralidade pela qual viam e promoviam a arte drag, acreditando no trabalho de drags que desafiavam as normatividades do mercado. Para muitos contratantes de Porto Alegre e parte do p\u00fablico consumidor, drag ainda \u00e9 um movimento art\u00edstico pautado na eleg\u00e2ncia e glamour feminino. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que um bom artista drag deva emular todos os signos de poder, beleza e luxo que s\u00e3o atribu\u00eddos socialmente \u00e0s identidades de g\u00eanero femininas. Essa ideia ainda perpassa majoritariamente as competidoras presentes em Drag Race, maior produto cultural na atualidade sobre drag queens, apesar dos t\u00edmidos e discretos movimentos para tornar-se um programa inclusivo. Ao encontro disso, sabemos que o reality pauta tamb\u00e9m as din\u00e2micas das cenas drag global, uma vez sendo grande influ\u00eancia neste mercado.&nbsp; Entretanto, a arte drag n\u00e3o se limita apenas a esses ideais, apesar de termos muitas artistas que, sem problema algum, norteiam suas expressividades art\u00edsticas nesta dire\u00e7\u00e3o. A arte drag atualmente conta com diversas abordagens est\u00e9ticas e pol\u00edticas, n\u00e3o se tratando de algo homog\u00eaneo. Drag \u00e9 arte e a arte est\u00e1 na subjetividade de cada artista. Resumir a performatividade drag em mimetiza\u00e7\u00e3o dos signos de feminilidade, em pleno ano de 2026, \u00e9 recusar-se a caminhar de acordo com o avan\u00e7o da \u00e1rea. Devido a essa mentalidade que se tem acerca da arte drag, cruzando os interesses capitalistas envoltos nessa ind\u00fastria, Porto Alegre apresenta uma cena bastante restrita ao que diz respeito \u00e0s oportunidades que s\u00e3o oferecidas. Os locais que contratam drags j\u00e1 est\u00e3o se tornando escassos na cidade, comparando com a realidade de anos anteriores \u2013 e a maioria dos que restam parece valorizar especificamente um tipo de artista.&nbsp; Em contraponto, h\u00e1 um grande potencial, inclusive lucrativo, em apostar em outras abordagens art\u00edsticas. Se formos pensar pelo prisma da novidade, do desconhecido, outras vertentes drags representam ineditismo \u00e0 cena. O trabalho desempenhado por outros artistas drag pode provocar o p\u00fablico em diferentes lugares de questionamentos sociais, baseados em pautas que s\u00e3o igualmente importantes, de modos perform\u00e1ticos e art\u00edsticos que s\u00e3o novos para a cena ga\u00facha. Isso pode causar curiosidade, gerando interesse e resultando nas a\u00e7\u00f5es de venda, nesse sentido. Ademais, um local que se comprometa em apoiar a arte drag deve ter um equil\u00edbrio entre suas responsabilidades pol\u00edticas com essa arte e seus interesses lucrativos. Drag n\u00e3o \u00e9 apenas uma moeda de troca, um modo de captar mais recursos e dinheiro para os estabelecimentos. Antes disso, \u00e9 uma forma art\u00edstica de fazer pol\u00edtica.&nbsp; Levando em conta a sua diversidade, sair para assistir a um show drag nem sempre precisa ser sin\u00f4nimo de ver bate cabelo e performances sexies. Por\u00e9m, talvez seja entristecedor pensar que Porto Alegre apenas se recusa a enxergar isso por ser ref\u00e9m de uma mentalidade que n\u00e3o acompanha transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais, n\u00e3o estando t\u00e3o disposta assim para a mudan\u00e7a. Sem d\u00favida, o cen\u00e1rio da cidade est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, e nos cabe trazer inquieta\u00e7\u00f5es para que as din\u00e2micas locais realmente sejam transformadoras. Longe de ter uma vis\u00e3o pessimista da cidade, estou apenas trazendo um balan\u00e7o realista de atividades que conformam parte do quadro porto-alegrense. Com certa esperan\u00e7a, mas sob muita luta pol\u00edtica, espero que em alguns anos a realidade da nossa cena seja outra e que possamos celebrar, enfim, toda a pluralidade que Porto Alegre pode ter no \u00e2mbito cultural drag.&nbsp; Notas [1] \u00a0Abordagem drag pautada na performance da masculinidade e caracter\u00edsticas do seu entorno. [2] \u00a0Abordagem drag pautada na quebra do binarismo de g\u00eanero, com uma est\u00e9tica que provoca normatiza\u00e7\u00f5es sociais sobre masculino\/feminino. [3] RuGirl \u00e9 o apelido concedido \u00e0s drags que j\u00e1 participaram do reality show estadunidense RuPaul\u2019s Drag Race. *Este texto foi publicado no blog Grafia Drag, dia 09 de mar\u00e7o de 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-03-31T20:02:59+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-03-31T20:03:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/493cf5-1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1310\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1310\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"gerente\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"gerente\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"7 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"gerente\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43\"},\"headline\":\"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade\",\"datePublished\":\"2026-03-31T20:02:59+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-31T20:03:00+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/\"},\"wordCount\":1419,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/03\\\/493cf5-1.jpg\",\"articleSection\":[\"Blog\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/\",\"name\":\"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade - Corporalidades\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/03\\\/493cf5-1.jpg\",\"datePublished\":\"2026-03-31T20:02:59+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-31T20:03:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/03\\\/493cf5-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/03\\\/493cf5-1.jpg\",\"width\":1310,\"height\":1310,\"caption\":\"20230727_221006\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/\",\"name\":\"Corporalidades\",\"description\":\"Grupo de Pesquisa UFRGS\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43\",\"name\":\"gerente\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/3e20ba034b29ee4c5e13396e78492919818d7999d9bb18df4214ce921ac824c1?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/3e20ba034b29ee4c5e13396e78492919818d7999d9bb18df4214ce921ac824c1?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/3e20ba034b29ee4c5e13396e78492919818d7999d9bb18df4214ce921ac824c1?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"gerente\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/www.ufrgs.br\\\/corporalidades\\\/author\\\/gerente\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade - Corporalidades","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/","og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade - Corporalidades","og_description":"Por Patrick Nascimento\/Mia The Witch A cena drag porto-alegrense \u00e9 reconhecida pelas muitas artistas que performam estere\u00f3tipos de feminilidade, beleza e luxo. Isto \u00e9, diversas artistas que comp\u00f5em a cena da capital ga\u00facha usam como base da sua express\u00e3o art\u00edstica signos hegem\u00f4nicos da est\u00e9tica \u201cperfeita\u201d atribu\u00edda socialmente aos corpos das mulheres e demais identidades femininas. Neste caminho, Porto Alegre apresenta um cen\u00e1rio drag baseado em cl\u00e1ssicos concursos, como o The Queens e o Top Drag, ambos da tamb\u00e9m cl\u00e1ssica casa porto-alegrense Vitraux Club, que entre as expertises da arte drag, tamb\u00e9m consideram est\u00e9tica, glamour e opul\u00eancia como atributos para vencer. H\u00e1 claramente um tipo espec\u00edfico de drag que se destaca nesses concursos, sendo este relativo \u00e0s queens de beleza. A exemplo disso, temos como vencedoras do The Queens: Jazzy Jones, Dylan Summers, Rafaela Face, Mona Vip\u00e8re e Tina Oliver \u2013 embora umas mais e outras menos, todas pertencentes \u00e0 est\u00e9tica hegem\u00f4nica da beleza feminina. Claro que todas, ao seu modo, entregam outros atributos que justificam suas vit\u00f3rias no concurso, tais como a qualidade da maquiagem, a performance no palco, figurinos babadeiros. O ponto aqui \u00e9 observar que, independente disso, todas performatizam atributos femininos de modo hegem\u00f4nico. \u00a0Oferecendo um diferencial para a cena local, a Workroom Bar parecia adotar uma perspectiva mais inclusiva de abordagens drag. Apesar do seu elenco fixo tamb\u00e9m ser majoritariamente pertencente \u00e0 est\u00e9tica da feminilidade, era poss\u00edvel ainda ver certa diversidade drag nos shows apresentados pela casa. L\u00e1, aconteciam espet\u00e1culos de drag kings [1], drag queers [2] e drag monstras, entre outras vertentes da arte drag, que dificilmente s\u00e3o vistas em outros ambientes da cena porto-alegrense. Tamb\u00e9m realizavam concursos, tendo como principal destaque a Copa do Mundo das Drags (CDMD) \u2013 competi\u00e7\u00e3o que, em suma, apresentava oportunidades para talentos iniciantes ou para artistas sem tanta visibilidade na cena. Em suas quatro edi\u00e7\u00f5es, os elencos da CDMD carregavam uma variedade consider\u00e1vel de artistas drag, tendo em vista o panorama geral da cena porto-alegrense, a comprovar pelas vencedoras Amy Babydoll, Grida, Myah e Savanah Queen. Embora tamb\u00e9m inclu\u00eddas na feminilidade, demonstram uma abertura maior \u00e0 disrup\u00e7\u00e3o \u00e0 essa est\u00e9tica ou n\u00e3o se limitam a ela \u2013 fato que tamb\u00e9m pode ser entendido atrav\u00e9s da leitura de que metade dessas vencedoras tem sua identidade de g\u00eanero firmada em identidades femininas, dando uma camada maior \u00e0 cr\u00edtica do uso da feminilidade em sua express\u00e3o drag. A Workroom parecia oferecer uma vis\u00e3o mais ampla da arte drag em Porto Alegre, n\u00e3o se restringindo aos padr\u00f5es hegem\u00f4nicos e normatiza\u00e7\u00f5es que o mercado busca. Infelizmente, o seu fechamento representou uma grande perda na diversidade drag da cidade.\u00a0 Em outubro de 2025, a Workroom Bar fechou suas portas, encerrando as atividades ativas desde 2017. Os motivos alegados foram as dificuldades ap\u00f3s as enchentes que aconteceram em maio de 2024, a falta de valoriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e0 arte drag e, talvez tamb\u00e9m pud\u00e9ssemos cogitar, alguns problemas estrat\u00e9gicos da empresa. Carregando um legado important\u00edssimo para a cena drag ga\u00facha, a Workroom teve diversos feitos e causou grande impacto, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel local, como tamb\u00e9m no pa\u00eds. Diversas foram as atra\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais que se apresentaram em seu palco, contando inclusive com diversas RuGirls [3]. A pr\u00f3pria Michelle Visage, jurada de RuPaul\u2019s Drag Race e melhor amiga da MammaRu, esteve presente e discursou no palco do bar \u2013 o que acabou sendo pauta de RuPaul no seu podcast \u201cWhat\u2019s the Tee?\u201d. A Workroom fomentou a arte drag na cena ga\u00facha, nos colocando em lugar de evid\u00eancia entre os cen\u00e1rios drag brasileiros, com diversos especiais oferecidos em parceria com nossas artistas locais e atra\u00e7\u00f5es contratadas. De modo geral, a marca ofereceu grandes movimenta\u00e7\u00f5es da arte drag na cidade enquanto esteve na ativa. Dentro disso, destaco a pluralidade pela qual viam e promoviam a arte drag, acreditando no trabalho de drags que desafiavam as normatividades do mercado. Para muitos contratantes de Porto Alegre e parte do p\u00fablico consumidor, drag ainda \u00e9 um movimento art\u00edstico pautado na eleg\u00e2ncia e glamour feminino. Nessa concep\u00e7\u00e3o, acredita-se que um bom artista drag deva emular todos os signos de poder, beleza e luxo que s\u00e3o atribu\u00eddos socialmente \u00e0s identidades de g\u00eanero femininas. Essa ideia ainda perpassa majoritariamente as competidoras presentes em Drag Race, maior produto cultural na atualidade sobre drag queens, apesar dos t\u00edmidos e discretos movimentos para tornar-se um programa inclusivo. Ao encontro disso, sabemos que o reality pauta tamb\u00e9m as din\u00e2micas das cenas drag global, uma vez sendo grande influ\u00eancia neste mercado.&nbsp; Entretanto, a arte drag n\u00e3o se limita apenas a esses ideais, apesar de termos muitas artistas que, sem problema algum, norteiam suas expressividades art\u00edsticas nesta dire\u00e7\u00e3o. A arte drag atualmente conta com diversas abordagens est\u00e9ticas e pol\u00edticas, n\u00e3o se tratando de algo homog\u00eaneo. Drag \u00e9 arte e a arte est\u00e1 na subjetividade de cada artista. Resumir a performatividade drag em mimetiza\u00e7\u00e3o dos signos de feminilidade, em pleno ano de 2026, \u00e9 recusar-se a caminhar de acordo com o avan\u00e7o da \u00e1rea. Devido a essa mentalidade que se tem acerca da arte drag, cruzando os interesses capitalistas envoltos nessa ind\u00fastria, Porto Alegre apresenta uma cena bastante restrita ao que diz respeito \u00e0s oportunidades que s\u00e3o oferecidas. Os locais que contratam drags j\u00e1 est\u00e3o se tornando escassos na cidade, comparando com a realidade de anos anteriores \u2013 e a maioria dos que restam parece valorizar especificamente um tipo de artista.&nbsp; Em contraponto, h\u00e1 um grande potencial, inclusive lucrativo, em apostar em outras abordagens art\u00edsticas. Se formos pensar pelo prisma da novidade, do desconhecido, outras vertentes drags representam ineditismo \u00e0 cena. O trabalho desempenhado por outros artistas drag pode provocar o p\u00fablico em diferentes lugares de questionamentos sociais, baseados em pautas que s\u00e3o igualmente importantes, de modos perform\u00e1ticos e art\u00edsticos que s\u00e3o novos para a cena ga\u00facha. Isso pode causar curiosidade, gerando interesse e resultando nas a\u00e7\u00f5es de venda, nesse sentido. Ademais, um local que se comprometa em apoiar a arte drag deve ter um equil\u00edbrio entre suas responsabilidades pol\u00edticas com essa arte e seus interesses lucrativos. Drag n\u00e3o \u00e9 apenas uma moeda de troca, um modo de captar mais recursos e dinheiro para os estabelecimentos. Antes disso, \u00e9 uma forma art\u00edstica de fazer pol\u00edtica.&nbsp; Levando em conta a sua diversidade, sair para assistir a um show drag nem sempre precisa ser sin\u00f4nimo de ver bate cabelo e performances sexies. Por\u00e9m, talvez seja entristecedor pensar que Porto Alegre apenas se recusa a enxergar isso por ser ref\u00e9m de uma mentalidade que n\u00e3o acompanha transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais, n\u00e3o estando t\u00e3o disposta assim para a mudan\u00e7a. Sem d\u00favida, o cen\u00e1rio da cidade est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, e nos cabe trazer inquieta\u00e7\u00f5es para que as din\u00e2micas locais realmente sejam transformadoras. Longe de ter uma vis\u00e3o pessimista da cidade, estou apenas trazendo um balan\u00e7o realista de atividades que conformam parte do quadro porto-alegrense. Com certa esperan\u00e7a, mas sob muita luta pol\u00edtica, espero que em alguns anos a realidade da nossa cena seja outra e que possamos celebrar, enfim, toda a pluralidade que Porto Alegre pode ter no \u00e2mbito cultural drag.&nbsp; Notas [1] \u00a0Abordagem drag pautada na performance da masculinidade e caracter\u00edsticas do seu entorno. [2] \u00a0Abordagem drag pautada na quebra do binarismo de g\u00eanero, com uma est\u00e9tica que provoca normatiza\u00e7\u00f5es sociais sobre masculino\/feminino. [3] RuGirl \u00e9 o apelido concedido \u00e0s drags que j\u00e1 participaram do reality show estadunidense RuPaul\u2019s Drag Race. *Este texto foi publicado no blog Grafia Drag, dia 09 de mar\u00e7o de 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/.","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/","og_site_name":"Corporalidades","article_published_time":"2026-03-31T20:02:59+00:00","article_modified_time":"2026-03-31T20:03:00+00:00","og_image":[{"width":1310,"height":1310,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/493cf5-1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"gerente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"gerente","Est. reading time":"7 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/"},"author":{"name":"gerente","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"headline":"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade","datePublished":"2026-03-31T20:02:59+00:00","dateModified":"2026-03-31T20:03:00+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/"},"wordCount":1419,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/493cf5-1.jpg","articleSection":["Blog"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/","name":"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade - Corporalidades","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/493cf5-1.jpg","datePublished":"2026-03-31T20:02:59+00:00","dateModified":"2026-03-31T20:03:00+00:00","author":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/493cf5-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/493cf5-1.jpg","width":1310,"height":1310,"caption":"20230727_221006"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/porto-alegre-me-doi-nao-diga-a-ninguem-hegemonias-drag-e-falta-de-apoio-as-diversidades-artisticas-na-cidade\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"PORTO ALEGRE ME D\u00d3I, N\u00c3O DIGA A NINGU\u00c9M: Hegemonias drag e falta de apoio \u00e0s diversidades art\u00edsticas na cidade"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#website","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/","name":"Corporalidades","description":"Grupo de Pesquisa UFRGS","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43","name":"gerente","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/3e20ba034b29ee4c5e13396e78492919818d7999d9bb18df4214ce921ac824c1?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/3e20ba034b29ee4c5e13396e78492919818d7999d9bb18df4214ce921ac824c1?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/3e20ba034b29ee4c5e13396e78492919818d7999d9bb18df4214ce921ac824c1?s=96&d=mm&r=g","caption":"gerente"},"sameAs":["https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades"],"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/author\/gerente\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3876"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3883,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3876\/revisions\/3883"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}