{"id":887,"date":"2013-07-03T18:13:32","date_gmt":"2013-07-03T18:13:32","guid":{"rendered":"http:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=640"},"modified":"2013-07-03T18:13:32","modified_gmt":"2013-07-03T18:13:32","slug":"do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/","title":{"rendered":"Do pau de arara aos palanques: as primeiras muta\u00e7\u00f5es sociais e f\u00edsicas de Lula"},"content":{"rendered":"<p><i>\u201cVoc\u00ea sabe quem \u00e9 esse homem, mas n\u00e3o conhece a sua hist\u00f3ria\u201d (Trailer de Lula, O Filho do Brasil)<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_635\" aria-describedby=\"caption-attachment-635\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-635\" alt=\"Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-01.jpg\" width=\"560\" height=\"537\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-635\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Podemos relacionar o processo de transforma\u00e7\u00f5es ocorridas com a persona de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva com o que Neide Riva Campelo, em <i>Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos,<\/i> define como o corpo do homem em rela\u00e7\u00e3o ao mundo f\u00edsico a que pertence, uma vez que, segundo a autora (1996, p. 67), \u201cquem constr\u00f3i para o corpo a no\u00e7\u00e3o de identidade, a no\u00e7\u00e3o de sujeito, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do outro\u201d. Analisando a trajet\u00f3ria de Lula, \u00e9 not\u00e1vel a sua adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente f\u00edsico e social em que est\u00e1 inserido, o que lhe possibilitou criar uma identidade pol\u00edtica e uma representatividade muito fortes, culminando, d\u00e9cadas depois, na chegada \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica. <b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da inf\u00e2ncia pobre no Nordeste e depois em S\u00e3o Paulo, passando pelo ch\u00e3o das f\u00e1bricas no ABC paulista e pela carreira pol\u00edtica, que culminou na sua elei\u00e7\u00e3o para presidente, em 2002, a trajet\u00f3ria de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 muito conhecida. Contudo, pela sua import\u00e2ncia simb\u00f3lica, do homem de origem pobre que conseguiu ocupar democraticamente o cargo pol\u00edtico mais importante do pa\u00eds, pesquisar a biografia de Lula revela sempre novos motivos para a notoriedade conquistada pelo ex-presidente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de viver o in\u00edcio da inf\u00e2ncia no interior de Pernambuco, Luiz In\u00e1cio se mudou com a m\u00e3e e os irm\u00e3os para a Baixada Santista, onde o pai vivia com outra mulher e um dos irm\u00e3os de Lula, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o dos pais, o menino vai morar na capital paulista, desde cedo trabalhando para ajudar no sustento de casa. V\u00e1rios anos se passaram at\u00e9 que o ent\u00e3o oper\u00e1rio, que havia perdido um dos dedos em um acidente com uma prensa, ingressasse na atividade sindical e adquirisse uma consci\u00eancia pol\u00edtica de classe. A partir deste per\u00edodo, especialmente com a sua elei\u00e7\u00e3o para a presid\u00eancia do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo, em 1975, \u00e9 vis\u00edvel a preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de uma imagem de l\u00edder sindical identificado com seus pares, na fala, nos gestos e na apar\u00eancia.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_636\" aria-describedby=\"caption-attachment-636\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-636\" alt=\"Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o \" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-02.jpg\" width=\"560\" height=\"436\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-636\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 frente do sindicato, Lula se torna um representante dos trabalhadores das ind\u00fastrias, organizando assembleias e greves em um pa\u00eds onde as organiza\u00e7\u00f5es sindicais eram tradicionalmente neutralizadas, com o prevalecimento da figura dos \u201cpelegos\u201d, dirigentes sindicais de confian\u00e7a dos governantes. Ao aparentemente dar um car\u00e1ter aut\u00f4nomo aos sindicatos e de empunhar a bandeira de defesa de melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho aos oper\u00e1rios, o sindicalista ganha visibilidade e legitimidade como representante de parte da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tal processo pode ser observado na sua participa\u00e7\u00e3o do programa Vox Populi, da TV Cultura, em 1978, em que Lula critica a baixa representatividade dos trabalhadores em cargos pol\u00edticos, al\u00e9m de tentar distanciar a sua imagem como dirigente sindical da dos \u201cpelegos\u201d. Segundo ele, \u201cap\u00f3s 64, surgiram alguns dirigentes sindicais, dentre os quais eu quero me incluir, que n\u00e3o t\u00eam compromissos pol\u00edticos com quem quer que seja, e que est\u00e3o pura e simplesmente dispostos a qualquer sacrif\u00edcio para defesa da classe trabalhadora que eles representam\u201d. Ao conquistar maior notoriedade e consequentemente ter de expressar-se com frequ\u00eancia por meio de discursos e entrevistas, ele passa a se expor ao que Riva Campelo (1996, p. 92) chama de imagens cindidas, em que algu\u00e9m \u201cdiz uma determinada coisa atrav\u00e9s do verbal e, talvez por desconhecer a imagem que est\u00e1 continuamente projetando com seu corpo, expressa outra muito diferente pela linguagem n\u00e3o-verbal\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0WxBBoejv3w]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conforme citado na ep\u00edgrafe do post, o filme <i>Lula, O Filho do Brasil<\/i>, lan\u00e7ado no primeiro dia de um ano eleitoral, 2010, com dire\u00e7\u00e3o de Fabio Barreto, pretendia apresentar a hist\u00f3ria pessoal do ex-presidente, desde a inf\u00e2ncia pobre at\u00e9 a sua ascens\u00e3o como l\u00edder sindical. Com or\u00e7amento grandioso e enfoque melodram\u00e1tico, a produ\u00e7\u00e3o centraliza a hist\u00f3ria na figura do retirante de origem simples e biografia permeada por sofrimentos (mis\u00e9ria, pai ausente e violento, acidente de trabalho, morte da esposa). Tamb\u00e9m foca na m\u00e3e de Luiz In\u00e1cio, Dona Lindu, a mulher boa e sofredora, dotada de uma aura de quase santidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o, o filme foi criticado por n\u00e3o tratar da trajet\u00f3ria pol\u00edtico-partid\u00e1ria de Lula, abordando apenas o per\u00edodo da morte de Dona Lindu, em 1980, enquanto ele estava preso. Fortalecendo o melodrama e os aspectos dram\u00e1ticos da trajet\u00f3ria do ex-metal\u00fargico, o longa parece empenhado em mostrar que o ent\u00e3o presidente da rep\u00fablica era um homem comum e de origem pobre, um brasileiro como tantos outros, que conseguiu \u201cchegar l\u00e1\u201d, sem explicar, no entanto, como isso efetivamente ocorreu. Conforme a cr\u00edtica do filme publicada na revista Bravo! de janeiro de 2010, escrita por Andr\u00e9 Nigri: \u201ccom sua habilidade e contradi\u00e7\u00f5es, Lula \u00e9 antes de tudo um pol\u00edtico. E este lado fundamental de sua personalidade &#8211; que \u00e9 tamb\u00e9m o de maior interesse para os brasileiros que s\u00e3o governados por ele &#8211; \u00e9 ignorado no filme da fam\u00edlia Barreto\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zRUfdAI7u3g]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda em 1980, Lula entra efetivamente para a pol\u00edtica partid\u00e1ria, fundando o Partido dos Trabalhadores (PT), e adotando, por muitos anos, um discurso similar ao empregado enquanto sindicalista, de defesa dos interesses dos trabalhadores e cr\u00edtica ao que considera o dom\u00ednio burgu\u00eas na esfera pol\u00edtica brasileira. A postura cr\u00edtica e que o associou a um radicalismo ideol\u00f3gico \u00e9 composta n\u00e3o apenas por um modo de falar incisivo e direto, mas tamb\u00e9m pelo gestual e pela apar\u00eancia, como \u00e9 poss\u00edvel notar no v\u00eddeo a seguir, que registra uma conversa entre Lula e Ol\u00edvio Dutra, tamb\u00e9m um dos fundadores do PT.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b><\/b>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=C7kS8779Zyw]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Analisando os corpos atrav\u00e9s da semiologia do espa\u00e7o, chamada de prox\u00eamica, N\u00edzia Villa\u00e7a e Fred G\u00f3es afirmam que os mesmos \u201cs\u00e3o objetos marcados pelas normas culturais e a leitura de suas articula\u00e7\u00f5es, de sua maior ou menor proximidade, possibilita a compreens\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social\u201d (1998, p. 76). Dessa forma, nos primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica de Lula, a sua inser\u00e7\u00e3o em um ambiente particular foi fundamental para formar uma determinada imagem p\u00fablica, que mesmo passando por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es nos anos seguintes, manteve uma ess\u00eancia fundamental em todo o conjunto, tanto nos gestos como no modo de falar do futuro presidente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_637\" aria-describedby=\"caption-attachment-637\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-final.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-637\" alt=\"Cr\u00e9ditos: reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-final.jpg\" width=\"560\" height=\"577\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-637\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Lula, O Filho do Brasil \u2013 Cr\u00edtica: <\/b><a href=\"http:\/\/bravonline.abril.com.br\/materia\/lula-filho-brasil-critica\">http:\/\/bravonline.abril.com.br\/materia\/lula-filho-brasil-critica<\/a>. Visualizado em 10 de junho de 2013.<\/p>\n<p>CAMPELO, Cleide Riva. <b>Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos.<\/b> S\u00e3o Paulo: ANNABLUME, 1996.<\/p>\n<p>VILLA\u00c7A, N\u00edzia e G\u00d3ES, Fred. <b>Em nome do corpo.<\/b> Rio de Janeiro: Rocco, 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio<\/p>\n<p>Guilherme Almeida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVoc\u00ea sabe quem \u00e9 esse homem, mas n\u00e3o conhece a sua hist\u00f3ria\u201d (Trailer de Lula, O Filho do Brasil) &nbsp; \u00a0 \u00a0 Podemos relacionar o processo de transforma\u00e7\u00f5es ocorridas com a persona de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva com o que Neide Riva Campelo, em Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos, define como o corpo do homem em rela\u00e7\u00e3o ao mundo f\u00edsico a que pertence, uma vez que, segundo a autora (1996, p. 67), \u201cquem constr\u00f3i para o corpo a no\u00e7\u00e3o de identidade, a no\u00e7\u00e3o de sujeito, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do outro\u201d. Analisando a trajet\u00f3ria de Lula, \u00e9 not\u00e1vel a sua adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente f\u00edsico e social em que est\u00e1 inserido, o que lhe possibilitou criar uma identidade pol\u00edtica e uma representatividade muito fortes, culminando, d\u00e9cadas depois, na chegada \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica. &nbsp; Da inf\u00e2ncia pobre no Nordeste e depois em S\u00e3o Paulo, passando pelo ch\u00e3o das f\u00e1bricas no ABC paulista e pela carreira pol\u00edtica, que culminou na sua elei\u00e7\u00e3o para presidente, em 2002, a trajet\u00f3ria de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 muito conhecida. Contudo, pela sua import\u00e2ncia simb\u00f3lica, do homem de origem pobre que conseguiu ocupar democraticamente o cargo pol\u00edtico mais importante do pa\u00eds, pesquisar a biografia de Lula revela sempre novos motivos para a notoriedade conquistada pelo ex-presidente. &nbsp; Depois de viver o in\u00edcio da inf\u00e2ncia no interior de Pernambuco, Luiz In\u00e1cio se mudou com a m\u00e3e e os irm\u00e3os para a Baixada Santista, onde o pai vivia com outra mulher e um dos irm\u00e3os de Lula, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o dos pais, o menino vai morar na capital paulista, desde cedo trabalhando para ajudar no sustento de casa. V\u00e1rios anos se passaram at\u00e9 que o ent\u00e3o oper\u00e1rio, que havia perdido um dos dedos em um acidente com uma prensa, ingressasse na atividade sindical e adquirisse uma consci\u00eancia pol\u00edtica de classe. A partir deste per\u00edodo, especialmente com a sua elei\u00e7\u00e3o para a presid\u00eancia do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo, em 1975, \u00e9 vis\u00edvel a preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de uma imagem de l\u00edder sindical identificado com seus pares, na fala, nos gestos e na apar\u00eancia. \u00a0 \u00a0 &nbsp; \u00c0 frente do sindicato, Lula se torna um representante dos trabalhadores das ind\u00fastrias, organizando assembleias e greves em um pa\u00eds onde as organiza\u00e7\u00f5es sindicais eram tradicionalmente neutralizadas, com o prevalecimento da figura dos \u201cpelegos\u201d, dirigentes sindicais de confian\u00e7a dos governantes. Ao aparentemente dar um car\u00e1ter aut\u00f4nomo aos sindicatos e de empunhar a bandeira de defesa de melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho aos oper\u00e1rios, o sindicalista ganha visibilidade e legitimidade como representante de parte da classe trabalhadora. &nbsp; Tal processo pode ser observado na sua participa\u00e7\u00e3o do programa Vox Populi, da TV Cultura, em 1978, em que Lula critica a baixa representatividade dos trabalhadores em cargos pol\u00edticos, al\u00e9m de tentar distanciar a sua imagem como dirigente sindical da dos \u201cpelegos\u201d. Segundo ele, \u201cap\u00f3s 64, surgiram alguns dirigentes sindicais, dentre os quais eu quero me incluir, que n\u00e3o t\u00eam compromissos pol\u00edticos com quem quer que seja, e que est\u00e3o pura e simplesmente dispostos a qualquer sacrif\u00edcio para defesa da classe trabalhadora que eles representam\u201d. Ao conquistar maior notoriedade e consequentemente ter de expressar-se com frequ\u00eancia por meio de discursos e entrevistas, ele passa a se expor ao que Riva Campelo (1996, p. 92) chama de imagens cindidas, em que algu\u00e9m \u201cdiz uma determinada coisa atrav\u00e9s do verbal e, talvez por desconhecer a imagem que est\u00e1 continuamente projetando com seu corpo, expressa outra muito diferente pela linguagem n\u00e3o-verbal\u201d. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0WxBBoejv3w] &nbsp; Conforme citado na ep\u00edgrafe do post, o filme Lula, O Filho do Brasil, lan\u00e7ado no primeiro dia de um ano eleitoral, 2010, com dire\u00e7\u00e3o de Fabio Barreto, pretendia apresentar a hist\u00f3ria pessoal do ex-presidente, desde a inf\u00e2ncia pobre at\u00e9 a sua ascens\u00e3o como l\u00edder sindical. Com or\u00e7amento grandioso e enfoque melodram\u00e1tico, a produ\u00e7\u00e3o centraliza a hist\u00f3ria na figura do retirante de origem simples e biografia permeada por sofrimentos (mis\u00e9ria, pai ausente e violento, acidente de trabalho, morte da esposa). Tamb\u00e9m foca na m\u00e3e de Luiz In\u00e1cio, Dona Lindu, a mulher boa e sofredora, dotada de uma aura de quase santidade. &nbsp; Com mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o, o filme foi criticado por n\u00e3o tratar da trajet\u00f3ria pol\u00edtico-partid\u00e1ria de Lula, abordando apenas o per\u00edodo da morte de Dona Lindu, em 1980, enquanto ele estava preso. Fortalecendo o melodrama e os aspectos dram\u00e1ticos da trajet\u00f3ria do ex-metal\u00fargico, o longa parece empenhado em mostrar que o ent\u00e3o presidente da rep\u00fablica era um homem comum e de origem pobre, um brasileiro como tantos outros, que conseguiu \u201cchegar l\u00e1\u201d, sem explicar, no entanto, como isso efetivamente ocorreu. Conforme a cr\u00edtica do filme publicada na revista Bravo! de janeiro de 2010, escrita por Andr\u00e9 Nigri: \u201ccom sua habilidade e contradi\u00e7\u00f5es, Lula \u00e9 antes de tudo um pol\u00edtico. E este lado fundamental de sua personalidade &#8211; que \u00e9 tamb\u00e9m o de maior interesse para os brasileiros que s\u00e3o governados por ele &#8211; \u00e9 ignorado no filme da fam\u00edlia Barreto\u201d. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zRUfdAI7u3g] &nbsp; Ainda em 1980, Lula entra efetivamente para a pol\u00edtica partid\u00e1ria, fundando o Partido dos Trabalhadores (PT), e adotando, por muitos anos, um discurso similar ao empregado enquanto sindicalista, de defesa dos interesses dos trabalhadores e cr\u00edtica ao que considera o dom\u00ednio burgu\u00eas na esfera pol\u00edtica brasileira. A postura cr\u00edtica e que o associou a um radicalismo ideol\u00f3gico \u00e9 composta n\u00e3o apenas por um modo de falar incisivo e direto, mas tamb\u00e9m pelo gestual e pela apar\u00eancia, como \u00e9 poss\u00edvel notar no v\u00eddeo a seguir, que registra uma conversa entre Lula e Ol\u00edvio Dutra, tamb\u00e9m um dos fundadores do PT. \u00a0 [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=C7kS8779Zyw] &nbsp; Analisando os corpos atrav\u00e9s da semiologia do espa\u00e7o, chamada de prox\u00eamica, N\u00edzia Villa\u00e7a e Fred G\u00f3es afirmam que os mesmos \u201cs\u00e3o objetos marcados pelas normas culturais e a leitura de suas articula\u00e7\u00f5es, de sua maior ou menor proximidade, possibilita a compreens\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social\u201d (1998, p. 76). Dessa forma, nos primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica de Lula, a sua inser\u00e7\u00e3o em um ambiente particular foi fundamental para formar uma determinada imagem p\u00fablica, que mesmo passando por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es nos anos seguintes, manteve uma ess\u00eancia fundamental em todo o conjunto, tanto nos gestos como no modo de falar do futuro presidente. &nbsp; \u00a0 &nbsp; Refer\u00eancias &nbsp; Lula, O Filho do Brasil \u2013 Cr\u00edtica: http:\/\/bravonline.abril.com.br\/materia\/lula-filho-brasil-critica. Visualizado em 10 de junho de 2013. CAMPELO, Cleide Riva. Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos. S\u00e3o Paulo: ANNABLUME, 1996. VILLA\u00c7A, N\u00edzia e G\u00d3ES, Fred. Em nome do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. &nbsp; &nbsp; Texto &nbsp; N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio Guilherme Almeida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Do pau de arara aos palanques: as primeiras muta\u00e7\u00f5es sociais e f\u00edsicas de Lula - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Do pau de arara aos palanques: as primeiras muta\u00e7\u00f5es sociais e f\u00edsicas de Lula - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u201cVoc\u00ea sabe quem \u00e9 esse homem, mas n\u00e3o conhece a sua hist\u00f3ria\u201d (Trailer de Lula, O Filho do Brasil) &nbsp; \u00a0 \u00a0 Podemos relacionar o processo de transforma\u00e7\u00f5es ocorridas com a persona de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva com o que Neide Riva Campelo, em Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos, define como o corpo do homem em rela\u00e7\u00e3o ao mundo f\u00edsico a que pertence, uma vez que, segundo a autora (1996, p. 67), \u201cquem constr\u00f3i para o corpo a no\u00e7\u00e3o de identidade, a no\u00e7\u00e3o de sujeito, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do outro\u201d. 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Ao conquistar maior notoriedade e consequentemente ter de expressar-se com frequ\u00eancia por meio de discursos e entrevistas, ele passa a se expor ao que Riva Campelo (1996, p. 92) chama de imagens cindidas, em que algu\u00e9m \u201cdiz uma determinada coisa atrav\u00e9s do verbal e, talvez por desconhecer a imagem que est\u00e1 continuamente projetando com seu corpo, expressa outra muito diferente pela linguagem n\u00e3o-verbal\u201d. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0WxBBoejv3w] &nbsp; Conforme citado na ep\u00edgrafe do post, o filme Lula, O Filho do Brasil, lan\u00e7ado no primeiro dia de um ano eleitoral, 2010, com dire\u00e7\u00e3o de Fabio Barreto, pretendia apresentar a hist\u00f3ria pessoal do ex-presidente, desde a inf\u00e2ncia pobre at\u00e9 a sua ascens\u00e3o como l\u00edder sindical. Com or\u00e7amento grandioso e enfoque melodram\u00e1tico, a produ\u00e7\u00e3o centraliza a hist\u00f3ria na figura do retirante de origem simples e biografia permeada por sofrimentos (mis\u00e9ria, pai ausente e violento, acidente de trabalho, morte da esposa). Tamb\u00e9m foca na m\u00e3e de Luiz In\u00e1cio, Dona Lindu, a mulher boa e sofredora, dotada de uma aura de quase santidade. &nbsp; Com mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o, o filme foi criticado por n\u00e3o tratar da trajet\u00f3ria pol\u00edtico-partid\u00e1ria de Lula, abordando apenas o per\u00edodo da morte de Dona Lindu, em 1980, enquanto ele estava preso. Fortalecendo o melodrama e os aspectos dram\u00e1ticos da trajet\u00f3ria do ex-metal\u00fargico, o longa parece empenhado em mostrar que o ent\u00e3o presidente da rep\u00fablica era um homem comum e de origem pobre, um brasileiro como tantos outros, que conseguiu \u201cchegar l\u00e1\u201d, sem explicar, no entanto, como isso efetivamente ocorreu. Conforme a cr\u00edtica do filme publicada na revista Bravo! de janeiro de 2010, escrita por Andr\u00e9 Nigri: \u201ccom sua habilidade e contradi\u00e7\u00f5es, Lula \u00e9 antes de tudo um pol\u00edtico. E este lado fundamental de sua personalidade &#8211; que \u00e9 tamb\u00e9m o de maior interesse para os brasileiros que s\u00e3o governados por ele &#8211; \u00e9 ignorado no filme da fam\u00edlia Barreto\u201d. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zRUfdAI7u3g] &nbsp; Ainda em 1980, Lula entra efetivamente para a pol\u00edtica partid\u00e1ria, fundando o Partido dos Trabalhadores (PT), e adotando, por muitos anos, um discurso similar ao empregado enquanto sindicalista, de defesa dos interesses dos trabalhadores e cr\u00edtica ao que considera o dom\u00ednio burgu\u00eas na esfera pol\u00edtica brasileira. A postura cr\u00edtica e que o associou a um radicalismo ideol\u00f3gico \u00e9 composta n\u00e3o apenas por um modo de falar incisivo e direto, mas tamb\u00e9m pelo gestual e pela apar\u00eancia, como \u00e9 poss\u00edvel notar no v\u00eddeo a seguir, que registra uma conversa entre Lula e Ol\u00edvio Dutra, tamb\u00e9m um dos fundadores do PT. \u00a0 [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=C7kS8779Zyw] &nbsp; Analisando os corpos atrav\u00e9s da semiologia do espa\u00e7o, chamada de prox\u00eamica, N\u00edzia Villa\u00e7a e Fred G\u00f3es afirmam que os mesmos \u201cs\u00e3o objetos marcados pelas normas culturais e a leitura de suas articula\u00e7\u00f5es, de sua maior ou menor proximidade, possibilita a compreens\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social\u201d (1998, p. 76). Dessa forma, nos primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica de Lula, a sua inser\u00e7\u00e3o em um ambiente particular foi fundamental para formar uma determinada imagem p\u00fablica, que mesmo passando por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es nos anos seguintes, manteve uma ess\u00eancia fundamental em todo o conjunto, tanto nos gestos como no modo de falar do futuro presidente. &nbsp; \u00a0 &nbsp; Refer\u00eancias &nbsp; Lula, O Filho do Brasil \u2013 Cr\u00edtica: http:\/\/bravonline.abril.com.br\/materia\/lula-filho-brasil-critica. Visualizado em 10 de junho de 2013. CAMPELO, Cleide Riva. Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos. S\u00e3o Paulo: ANNABLUME, 1996. VILLA\u00c7A, N\u00edzia e G\u00d3ES, Fred. Em nome do corpo. 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Ao aparentemente dar um car\u00e1ter aut\u00f4nomo aos sindicatos e de empunhar a bandeira de defesa de melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho aos oper\u00e1rios, o sindicalista ganha visibilidade e legitimidade como representante de parte da classe trabalhadora. &nbsp; Tal processo pode ser observado na sua participa\u00e7\u00e3o do programa Vox Populi, da TV Cultura, em 1978, em que Lula critica a baixa representatividade dos trabalhadores em cargos pol\u00edticos, al\u00e9m de tentar distanciar a sua imagem como dirigente sindical da dos \u201cpelegos\u201d. Segundo ele, \u201cap\u00f3s 64, surgiram alguns dirigentes sindicais, dentre os quais eu quero me incluir, que n\u00e3o t\u00eam compromissos pol\u00edticos com quem quer que seja, e que est\u00e3o pura e simplesmente dispostos a qualquer sacrif\u00edcio para defesa da classe trabalhadora que eles representam\u201d. Ao conquistar maior notoriedade e consequentemente ter de expressar-se com frequ\u00eancia por meio de discursos e entrevistas, ele passa a se expor ao que Riva Campelo (1996, p. 92) chama de imagens cindidas, em que algu\u00e9m \u201cdiz uma determinada coisa atrav\u00e9s do verbal e, talvez por desconhecer a imagem que est\u00e1 continuamente projetando com seu corpo, expressa outra muito diferente pela linguagem n\u00e3o-verbal\u201d. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0WxBBoejv3w] &nbsp; Conforme citado na ep\u00edgrafe do post, o filme Lula, O Filho do Brasil, lan\u00e7ado no primeiro dia de um ano eleitoral, 2010, com dire\u00e7\u00e3o de Fabio Barreto, pretendia apresentar a hist\u00f3ria pessoal do ex-presidente, desde a inf\u00e2ncia pobre at\u00e9 a sua ascens\u00e3o como l\u00edder sindical. Com or\u00e7amento grandioso e enfoque melodram\u00e1tico, a produ\u00e7\u00e3o centraliza a hist\u00f3ria na figura do retirante de origem simples e biografia permeada por sofrimentos (mis\u00e9ria, pai ausente e violento, acidente de trabalho, morte da esposa). Tamb\u00e9m foca na m\u00e3e de Luiz In\u00e1cio, Dona Lindu, a mulher boa e sofredora, dotada de uma aura de quase santidade. &nbsp; Com mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o, o filme foi criticado por n\u00e3o tratar da trajet\u00f3ria pol\u00edtico-partid\u00e1ria de Lula, abordando apenas o per\u00edodo da morte de Dona Lindu, em 1980, enquanto ele estava preso. Fortalecendo o melodrama e os aspectos dram\u00e1ticos da trajet\u00f3ria do ex-metal\u00fargico, o longa parece empenhado em mostrar que o ent\u00e3o presidente da rep\u00fablica era um homem comum e de origem pobre, um brasileiro como tantos outros, que conseguiu \u201cchegar l\u00e1\u201d, sem explicar, no entanto, como isso efetivamente ocorreu. Conforme a cr\u00edtica do filme publicada na revista Bravo! de janeiro de 2010, escrita por Andr\u00e9 Nigri: \u201ccom sua habilidade e contradi\u00e7\u00f5es, Lula \u00e9 antes de tudo um pol\u00edtico. E este lado fundamental de sua personalidade &#8211; que \u00e9 tamb\u00e9m o de maior interesse para os brasileiros que s\u00e3o governados por ele &#8211; \u00e9 ignorado no filme da fam\u00edlia Barreto\u201d. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zRUfdAI7u3g] &nbsp; Ainda em 1980, Lula entra efetivamente para a pol\u00edtica partid\u00e1ria, fundando o Partido dos Trabalhadores (PT), e adotando, por muitos anos, um discurso similar ao empregado enquanto sindicalista, de defesa dos interesses dos trabalhadores e cr\u00edtica ao que considera o dom\u00ednio burgu\u00eas na esfera pol\u00edtica brasileira. A postura cr\u00edtica e que o associou a um radicalismo ideol\u00f3gico \u00e9 composta n\u00e3o apenas por um modo de falar incisivo e direto, mas tamb\u00e9m pelo gestual e pela apar\u00eancia, como \u00e9 poss\u00edvel notar no v\u00eddeo a seguir, que registra uma conversa entre Lula e Ol\u00edvio Dutra, tamb\u00e9m um dos fundadores do PT. \u00a0 [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=C7kS8779Zyw] &nbsp; Analisando os corpos atrav\u00e9s da semiologia do espa\u00e7o, chamada de prox\u00eamica, N\u00edzia Villa\u00e7a e Fred G\u00f3es afirmam que os mesmos \u201cs\u00e3o objetos marcados pelas normas culturais e a leitura de suas articula\u00e7\u00f5es, de sua maior ou menor proximidade, possibilita a compreens\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social\u201d (1998, p. 76). Dessa forma, nos primeiros anos de forma\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica de Lula, a sua inser\u00e7\u00e3o em um ambiente particular foi fundamental para formar uma determinada imagem p\u00fablica, que mesmo passando por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es nos anos seguintes, manteve uma ess\u00eancia fundamental em todo o conjunto, tanto nos gestos como no modo de falar do futuro presidente. &nbsp; \u00a0 &nbsp; Refer\u00eancias &nbsp; Lula, O Filho do Brasil \u2013 Cr\u00edtica: http:\/\/bravonline.abril.com.br\/materia\/lula-filho-brasil-critica. Visualizado em 10 de junho de 2013. CAMPELO, Cleide Riva. Cal(e)idoscorpos: um estudo semi\u00f3tico do corpo e seus c\u00f3digos. S\u00e3o Paulo: ANNABLUME, 1996. VILLA\u00c7A, N\u00edzia e G\u00d3ES, Fred. Em nome do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. &nbsp; &nbsp; Texto &nbsp; N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio Guilherme Almeida","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/","og_site_name":"Corporalidades","article_published_time":"2013-07-03T18:13:32+00:00","og_image":[{"url":"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-01.jpg","type":"","width":"","height":""}],"author":"gerente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"gerente","Est. reading time":"6 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/"},"author":{"name":"gerente","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"headline":"Do pau de arara aos palanques: as primeiras muta\u00e7\u00f5es sociais e f\u00edsicas de Lula","datePublished":"2013-07-03T18:13:32+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/"},"wordCount":1307,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/07\/foto-01.jpg","articleSection":["Blog"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/do-pau-de-arara-aos-palanques-as-primeiras-mutacoes-sociais-e-fisicas-de-lula-2\/","name":"Do pau de arara aos palanques: as primeiras muta\u00e7\u00f5es sociais e f\u00edsicas de Lula - 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