{"id":910,"date":"2013-09-18T14:21:31","date_gmt":"2013-09-18T14:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/corporalidades.wordpress.com\/?p=704"},"modified":"2013-09-18T14:21:31","modified_gmt":"2013-09-18T14:21:31","slug":"iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/","title":{"rendered":"Iconofagia: a era do caos imag\u00e9tico e do esvaziamento de sentidos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_705\" aria-describedby=\"caption-attachment-705\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/09\/foto-01-post-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-705\" alt=\"Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/09\/foto-01-post-01.jpg\" width=\"560\" height=\"313\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-705\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cA era da visibilidade nos transforma a todos em imagens, invertendo o vetor da intera\u00e7\u00e3o humana, criando a vis\u00e3o que se satisfaz apenas com a vis\u00e3o\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 30).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em <em>A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura<\/em>, Norval Baitello Junior analisa a import\u00e2ncia das imagens na sociedade, dentro do que define como um fen\u00f4meno de \u201cdevora\u00e7\u00e3o\u201d imag\u00e9tica: \u201cnossos \u00edndios praticavam a antropofagia ritual. Os nossos artistas dos anos 20 falaram da antropofagia cultural contra todos os colonialismos. Nossa era contempor\u00e2nea pratica a iconofagia: ou n\u00f3s devoramos as imagens, ou s\u00e3o as imagens que nos devoram\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 35). Mas agora, para o autor (2005, p. 09), da antropofagia criativa dos modernistas passamos, enquanto icon\u00f3fagos, para: \u201cuma assim chamada cultura universal, pasteurizada e homogeneizada (&#8230;), a servir de \u201ccomida\u201d ou alimento para esta mesma cultura universal das imagens\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da superexposi\u00e7\u00e3o das imagens, Baitello Junior destaca a import\u00e2ncia da chamada m\u00eddia prim\u00e1ria, o corpo, que com um determinado limite de tempo e espa\u00e7o, o aqui e o agora, seria: \u201co primeiro suporte dos textos culturais e dos processos comunicativos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 07). Al\u00e9m da prim\u00e1ria, t\u00eam grande import\u00e2ncia as m\u00eddias secund\u00e1ria &#8211; constitu\u00edda pelas \u201cimagens exteriores, aquelas que se registram sobre materiais externos ao corpo\u201d, segundo o autor (2005, p. 33) &#8211; e terci\u00e1ria. E enquanto a secund\u00e1ria seria a mediadora entre o corpo que emite uma mensagem e o corpo que a recebe, a m\u00eddia terci\u00e1ria seria a jun\u00e7\u00e3o da prim\u00e1ria com: \u201co aparato do emissor que se utiliza de imagem e de escrita ou que transforma o seu pr\u00f3prio corpo em imagem ou escrita, e as transporta imediatamente via eletricidade para outro aparato que as capta e as apresenta a um outro corpo que est\u00e1 l\u00e1 do outro lado\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 34).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na era da iconofagia, segundo o autor (2005, p. 15), o esvaziamento de sentido das imagens ocorre quando elas n\u00e3o representam uma rela\u00e7\u00e3o entre o homem e seus s\u00edmbolos, demonstrando assim uma perda dos valores referenciais de uma cultura. No entanto, se as imagens \u201cportam valores, elas sustentam os v\u00ednculos entre o homem e suas ra\u00edzes culturais e hist\u00f3ricas\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 15). Essa import\u00e2ncia cultural das imagens se deve justamente ao valor dos s\u00edmbolos, \u00a0que seriam \u201cgrandes s\u00ednteses sociais, resultantes da elabora\u00e7\u00e3o de grandes complexos de imagens e viv\u00eancias de todos os tipos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 17), sendo, em sua falta, substitu\u00eddos por simulacros simb\u00f3licos:<br \/>\n\u201cs\u00edmbolos que se desgastam n\u00e3o apenas desmoronam como tamb\u00e9m podem abrir caminho para falsas sa\u00eddas. Quando, por exemplo, o estado falha e a religi\u00e3o n\u00e3o mais congrega, imagens vazias podem se oferecer a assumir o v\u00e1cuo deixado pela perda de capacidade agregadora de seus s\u00edmbolos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 16).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_706\" aria-describedby=\"caption-attachment-706\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/09\/foto-02-post-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-706\" alt=\"Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/09\/foto-02-post-01.jpg\" width=\"560\" height=\"292\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-706\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9ditos: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um exemplo da substitui\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos por imagens \u00e9 a exibi\u00e7\u00e3o televisiva dos hinos nacionais antes das partidas de futebol, como no jogo entre Brasil e Espanha, na final da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es deste ano. S\u00edmbolos m\u00e1ximo de amor \u00e0 p\u00e1tria, os hinos louvam a hist\u00f3ria e o povo de uma na\u00e7\u00e3o, e a imagem audiovisual deles sendo cantados pelos jogadores antes de uma partida vista por milh\u00f5es de pessoas al\u00e7a astros esportivos \u00e0 categoria de patriotas exemplares. Com isso, forja-se uma imagem de unidade nacional e de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0s virtudes da p\u00e1tria e de seus cidad\u00e3os, acentuada pela ades\u00e3o ao canto por parte dos torcedores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9x1hWNsirJQ]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda sobre a iconofagia, Baitello Junior se mostra um grande cr\u00edtico da cultura de reprodutibilidade de imagens <em>ad infinitum<\/em>, em uma sociedade imag\u00e9tica que prioriza a superficialidade e: \u201cn\u00e3o abre espa\u00e7os para as complexidades e exig\u00eancias do corpo, para as corporeidades, quando elas insistem em emergir como diferen\u00e7as\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 51). Isso gera um ass\u00e9dio de imagens, que nos transforma em seres superficiais, com, segundo o autor (2005, p. 56): \u201cum corpo sem mat\u00e9ria, sem massa, sem volume, apenas feito de fun\u00e7\u00f5es abstratas como trabalho, sucesso, visibilidade, carreira, profiss\u00e3o e fama\u201d, resultando em uma vis\u00e3o condicionada a perceber apenas \u00edcones, como s\u00edmbolos, marcas e logotipos, sem nenhuma conex\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o em qualquer contexto. \u201cJ\u00e1 quase n\u00e3o vemos mais nexos, rela\u00e7\u00f5es, sentidos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 107).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Morto sob os escombros dos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2011, o fot\u00f3grafo Bill Biggart \u00e9 utilizado pelo autor como um exemplo de transforma\u00e7\u00e3o do corpo em imagem. Ao presenciar o desabamento da primeira torre, Biggart entrou no tempo imag\u00e9tico ao se dirigir ao local da a\u00e7\u00e3o e registrar suas impress\u00f5es em fotos digitais que: \u201cforam resgatadas e d\u00e3o o testemunho de sua entrada suicida no mundo da imagem espetacular criada pelos atentados\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 97).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/09\/foto-03-post-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-707 aligncenter\" alt=\"FOTO 03 POST 01\" src=\"http:\/\/corporalidades.files.wordpress.com\/2013\/09\/foto-03-post-01.jpg\" width=\"560\" height=\"386\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<br \/>\nBAITELLO JUNIOR, Norval. <strong>A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Hacker Editores, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto:<\/p>\n<p>N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio<\/p>\n<p>Guilherme Almeida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cA era da visibilidade nos transforma a todos em imagens, invertendo o vetor da intera\u00e7\u00e3o humana, criando a vis\u00e3o que se satisfaz apenas com a vis\u00e3o\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 30). &nbsp; Em A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura, Norval Baitello Junior analisa a import\u00e2ncia das imagens na sociedade, dentro do que define como um fen\u00f4meno de \u201cdevora\u00e7\u00e3o\u201d imag\u00e9tica: \u201cnossos \u00edndios praticavam a antropofagia ritual. Os nossos artistas dos anos 20 falaram da antropofagia cultural contra todos os colonialismos. Nossa era contempor\u00e2nea pratica a iconofagia: ou n\u00f3s devoramos as imagens, ou s\u00e3o as imagens que nos devoram\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 35). Mas agora, para o autor (2005, p. 09), da antropofagia criativa dos modernistas passamos, enquanto icon\u00f3fagos, para: \u201cuma assim chamada cultura universal, pasteurizada e homogeneizada (&#8230;), a servir de \u201ccomida\u201d ou alimento para esta mesma cultura universal das imagens\u201d. &nbsp; Al\u00e9m da superexposi\u00e7\u00e3o das imagens, Baitello Junior destaca a import\u00e2ncia da chamada m\u00eddia prim\u00e1ria, o corpo, que com um determinado limite de tempo e espa\u00e7o, o aqui e o agora, seria: \u201co primeiro suporte dos textos culturais e dos processos comunicativos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 07). Al\u00e9m da prim\u00e1ria, t\u00eam grande import\u00e2ncia as m\u00eddias secund\u00e1ria &#8211; constitu\u00edda pelas \u201cimagens exteriores, aquelas que se registram sobre materiais externos ao corpo\u201d, segundo o autor (2005, p. 33) &#8211; e terci\u00e1ria. E enquanto a secund\u00e1ria seria a mediadora entre o corpo que emite uma mensagem e o corpo que a recebe, a m\u00eddia terci\u00e1ria seria a jun\u00e7\u00e3o da prim\u00e1ria com: \u201co aparato do emissor que se utiliza de imagem e de escrita ou que transforma o seu pr\u00f3prio corpo em imagem ou escrita, e as transporta imediatamente via eletricidade para outro aparato que as capta e as apresenta a um outro corpo que est\u00e1 l\u00e1 do outro lado\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 34). &nbsp; Na era da iconofagia, segundo o autor (2005, p. 15), o esvaziamento de sentido das imagens ocorre quando elas n\u00e3o representam uma rela\u00e7\u00e3o entre o homem e seus s\u00edmbolos, demonstrando assim uma perda dos valores referenciais de uma cultura. No entanto, se as imagens \u201cportam valores, elas sustentam os v\u00ednculos entre o homem e suas ra\u00edzes culturais e hist\u00f3ricas\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 15). Essa import\u00e2ncia cultural das imagens se deve justamente ao valor dos s\u00edmbolos, \u00a0que seriam \u201cgrandes s\u00ednteses sociais, resultantes da elabora\u00e7\u00e3o de grandes complexos de imagens e viv\u00eancias de todos os tipos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 17), sendo, em sua falta, substitu\u00eddos por simulacros simb\u00f3licos: \u201cs\u00edmbolos que se desgastam n\u00e3o apenas desmoronam como tamb\u00e9m podem abrir caminho para falsas sa\u00eddas. Quando, por exemplo, o estado falha e a religi\u00e3o n\u00e3o mais congrega, imagens vazias podem se oferecer a assumir o v\u00e1cuo deixado pela perda de capacidade agregadora de seus s\u00edmbolos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 16). &nbsp; &nbsp; Um exemplo da substitui\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos por imagens \u00e9 a exibi\u00e7\u00e3o televisiva dos hinos nacionais antes das partidas de futebol, como no jogo entre Brasil e Espanha, na final da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es deste ano. S\u00edmbolos m\u00e1ximo de amor \u00e0 p\u00e1tria, os hinos louvam a hist\u00f3ria e o povo de uma na\u00e7\u00e3o, e a imagem audiovisual deles sendo cantados pelos jogadores antes de uma partida vista por milh\u00f5es de pessoas al\u00e7a astros esportivos \u00e0 categoria de patriotas exemplares. Com isso, forja-se uma imagem de unidade nacional e de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0s virtudes da p\u00e1tria e de seus cidad\u00e3os, acentuada pela ades\u00e3o ao canto por parte dos torcedores. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9x1hWNsirJQ] &nbsp; Ainda sobre a iconofagia, Baitello Junior se mostra um grande cr\u00edtico da cultura de reprodutibilidade de imagens ad infinitum, em uma sociedade imag\u00e9tica que prioriza a superficialidade e: \u201cn\u00e3o abre espa\u00e7os para as complexidades e exig\u00eancias do corpo, para as corporeidades, quando elas insistem em emergir como diferen\u00e7as\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 51). Isso gera um ass\u00e9dio de imagens, que nos transforma em seres superficiais, com, segundo o autor (2005, p. 56): \u201cum corpo sem mat\u00e9ria, sem massa, sem volume, apenas feito de fun\u00e7\u00f5es abstratas como trabalho, sucesso, visibilidade, carreira, profiss\u00e3o e fama\u201d, resultando em uma vis\u00e3o condicionada a perceber apenas \u00edcones, como s\u00edmbolos, marcas e logotipos, sem nenhuma conex\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o em qualquer contexto. \u201cJ\u00e1 quase n\u00e3o vemos mais nexos, rela\u00e7\u00f5es, sentidos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 107). &nbsp; Morto sob os escombros dos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2011, o fot\u00f3grafo Bill Biggart \u00e9 utilizado pelo autor como um exemplo de transforma\u00e7\u00e3o do corpo em imagem. Ao presenciar o desabamento da primeira torre, Biggart entrou no tempo imag\u00e9tico ao se dirigir ao local da a\u00e7\u00e3o e registrar suas impress\u00f5es em fotos digitais que: \u201cforam resgatadas e d\u00e3o o testemunho de sua entrada suicida no mundo da imagem espetacular criada pelos atentados\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 97). &nbsp; &nbsp; Refer\u00eancias: BAITELLO JUNIOR, Norval. A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura. S\u00e3o Paulo: Hacker Editores, 2005. &nbsp; Texto: N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio Guilherme Almeida.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":913,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Iconofagia: a era do caos imag\u00e9tico e do esvaziamento de sentidos - Corporalidades<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Iconofagia: a era do caos imag\u00e9tico e do esvaziamento de sentidos - Corporalidades\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"&nbsp; \u201cA era da visibilidade nos transforma a todos em imagens, invertendo o vetor da intera\u00e7\u00e3o humana, criando a vis\u00e3o que se satisfaz apenas com a vis\u00e3o\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 30). &nbsp; Em A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura, Norval Baitello Junior analisa a import\u00e2ncia das imagens na sociedade, dentro do que define como um fen\u00f4meno de \u201cdevora\u00e7\u00e3o\u201d imag\u00e9tica: \u201cnossos \u00edndios praticavam a antropofagia ritual. 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Al\u00e9m da prim\u00e1ria, t\u00eam grande import\u00e2ncia as m\u00eddias secund\u00e1ria &#8211; constitu\u00edda pelas \u201cimagens exteriores, aquelas que se registram sobre materiais externos ao corpo\u201d, segundo o autor (2005, p. 33) &#8211; e terci\u00e1ria. E enquanto a secund\u00e1ria seria a mediadora entre o corpo que emite uma mensagem e o corpo que a recebe, a m\u00eddia terci\u00e1ria seria a jun\u00e7\u00e3o da prim\u00e1ria com: \u201co aparato do emissor que se utiliza de imagem e de escrita ou que transforma o seu pr\u00f3prio corpo em imagem ou escrita, e as transporta imediatamente via eletricidade para outro aparato que as capta e as apresenta a um outro corpo que est\u00e1 l\u00e1 do outro lado\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 34). &nbsp; Na era da iconofagia, segundo o autor (2005, p. 15), o esvaziamento de sentido das imagens ocorre quando elas n\u00e3o representam uma rela\u00e7\u00e3o entre o homem e seus s\u00edmbolos, demonstrando assim uma perda dos valores referenciais de uma cultura. No entanto, se as imagens \u201cportam valores, elas sustentam os v\u00ednculos entre o homem e suas ra\u00edzes culturais e hist\u00f3ricas\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 15). Essa import\u00e2ncia cultural das imagens se deve justamente ao valor dos s\u00edmbolos, \u00a0que seriam \u201cgrandes s\u00ednteses sociais, resultantes da elabora\u00e7\u00e3o de grandes complexos de imagens e viv\u00eancias de todos os tipos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 17), sendo, em sua falta, substitu\u00eddos por simulacros simb\u00f3licos: \u201cs\u00edmbolos que se desgastam n\u00e3o apenas desmoronam como tamb\u00e9m podem abrir caminho para falsas sa\u00eddas. Quando, por exemplo, o estado falha e a religi\u00e3o n\u00e3o mais congrega, imagens vazias podem se oferecer a assumir o v\u00e1cuo deixado pela perda de capacidade agregadora de seus s\u00edmbolos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 16). &nbsp; &nbsp; Um exemplo da substitui\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos por imagens \u00e9 a exibi\u00e7\u00e3o televisiva dos hinos nacionais antes das partidas de futebol, como no jogo entre Brasil e Espanha, na final da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es deste ano. S\u00edmbolos m\u00e1ximo de amor \u00e0 p\u00e1tria, os hinos louvam a hist\u00f3ria e o povo de uma na\u00e7\u00e3o, e a imagem audiovisual deles sendo cantados pelos jogadores antes de uma partida vista por milh\u00f5es de pessoas al\u00e7a astros esportivos \u00e0 categoria de patriotas exemplares. Com isso, forja-se uma imagem de unidade nacional e de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0s virtudes da p\u00e1tria e de seus cidad\u00e3os, acentuada pela ades\u00e3o ao canto por parte dos torcedores. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9x1hWNsirJQ] &nbsp; Ainda sobre a iconofagia, Baitello Junior se mostra um grande cr\u00edtico da cultura de reprodutibilidade de imagens ad infinitum, em uma sociedade imag\u00e9tica que prioriza a superficialidade e: \u201cn\u00e3o abre espa\u00e7os para as complexidades e exig\u00eancias do corpo, para as corporeidades, quando elas insistem em emergir como diferen\u00e7as\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 51). Isso gera um ass\u00e9dio de imagens, que nos transforma em seres superficiais, com, segundo o autor (2005, p. 56): \u201cum corpo sem mat\u00e9ria, sem massa, sem volume, apenas feito de fun\u00e7\u00f5es abstratas como trabalho, sucesso, visibilidade, carreira, profiss\u00e3o e fama\u201d, resultando em uma vis\u00e3o condicionada a perceber apenas \u00edcones, como s\u00edmbolos, marcas e logotipos, sem nenhuma conex\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o em qualquer contexto. \u201cJ\u00e1 quase n\u00e3o vemos mais nexos, rela\u00e7\u00f5es, sentidos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 107). &nbsp; Morto sob os escombros dos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2011, o fot\u00f3grafo Bill Biggart \u00e9 utilizado pelo autor como um exemplo de transforma\u00e7\u00e3o do corpo em imagem. Ao presenciar o desabamento da primeira torre, Biggart entrou no tempo imag\u00e9tico ao se dirigir ao local da a\u00e7\u00e3o e registrar suas impress\u00f5es em fotos digitais que: \u201cforam resgatadas e d\u00e3o o testemunho de sua entrada suicida no mundo da imagem espetacular criada pelos atentados\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 97). &nbsp; &nbsp; Refer\u00eancias: BAITELLO JUNIOR, Norval. A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura. 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Os nossos artistas dos anos 20 falaram da antropofagia cultural contra todos os colonialismos. Nossa era contempor\u00e2nea pratica a iconofagia: ou n\u00f3s devoramos as imagens, ou s\u00e3o as imagens que nos devoram\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 35). Mas agora, para o autor (2005, p. 09), da antropofagia criativa dos modernistas passamos, enquanto icon\u00f3fagos, para: \u201cuma assim chamada cultura universal, pasteurizada e homogeneizada (&#8230;), a servir de \u201ccomida\u201d ou alimento para esta mesma cultura universal das imagens\u201d. &nbsp; Al\u00e9m da superexposi\u00e7\u00e3o das imagens, Baitello Junior destaca a import\u00e2ncia da chamada m\u00eddia prim\u00e1ria, o corpo, que com um determinado limite de tempo e espa\u00e7o, o aqui e o agora, seria: \u201co primeiro suporte dos textos culturais e dos processos comunicativos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 07). Al\u00e9m da prim\u00e1ria, t\u00eam grande import\u00e2ncia as m\u00eddias secund\u00e1ria &#8211; constitu\u00edda pelas \u201cimagens exteriores, aquelas que se registram sobre materiais externos ao corpo\u201d, segundo o autor (2005, p. 33) &#8211; e terci\u00e1ria. E enquanto a secund\u00e1ria seria a mediadora entre o corpo que emite uma mensagem e o corpo que a recebe, a m\u00eddia terci\u00e1ria seria a jun\u00e7\u00e3o da prim\u00e1ria com: \u201co aparato do emissor que se utiliza de imagem e de escrita ou que transforma o seu pr\u00f3prio corpo em imagem ou escrita, e as transporta imediatamente via eletricidade para outro aparato que as capta e as apresenta a um outro corpo que est\u00e1 l\u00e1 do outro lado\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 34). &nbsp; Na era da iconofagia, segundo o autor (2005, p. 15), o esvaziamento de sentido das imagens ocorre quando elas n\u00e3o representam uma rela\u00e7\u00e3o entre o homem e seus s\u00edmbolos, demonstrando assim uma perda dos valores referenciais de uma cultura. No entanto, se as imagens \u201cportam valores, elas sustentam os v\u00ednculos entre o homem e suas ra\u00edzes culturais e hist\u00f3ricas\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 15). Essa import\u00e2ncia cultural das imagens se deve justamente ao valor dos s\u00edmbolos, \u00a0que seriam \u201cgrandes s\u00ednteses sociais, resultantes da elabora\u00e7\u00e3o de grandes complexos de imagens e viv\u00eancias de todos os tipos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 17), sendo, em sua falta, substitu\u00eddos por simulacros simb\u00f3licos: \u201cs\u00edmbolos que se desgastam n\u00e3o apenas desmoronam como tamb\u00e9m podem abrir caminho para falsas sa\u00eddas. Quando, por exemplo, o estado falha e a religi\u00e3o n\u00e3o mais congrega, imagens vazias podem se oferecer a assumir o v\u00e1cuo deixado pela perda de capacidade agregadora de seus s\u00edmbolos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 16). &nbsp; &nbsp; Um exemplo da substitui\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos por imagens \u00e9 a exibi\u00e7\u00e3o televisiva dos hinos nacionais antes das partidas de futebol, como no jogo entre Brasil e Espanha, na final da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es deste ano. S\u00edmbolos m\u00e1ximo de amor \u00e0 p\u00e1tria, os hinos louvam a hist\u00f3ria e o povo de uma na\u00e7\u00e3o, e a imagem audiovisual deles sendo cantados pelos jogadores antes de uma partida vista por milh\u00f5es de pessoas al\u00e7a astros esportivos \u00e0 categoria de patriotas exemplares. Com isso, forja-se uma imagem de unidade nacional e de exalta\u00e7\u00e3o \u00e0s virtudes da p\u00e1tria e de seus cidad\u00e3os, acentuada pela ades\u00e3o ao canto por parte dos torcedores. &nbsp; [youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9x1hWNsirJQ] &nbsp; Ainda sobre a iconofagia, Baitello Junior se mostra um grande cr\u00edtico da cultura de reprodutibilidade de imagens ad infinitum, em uma sociedade imag\u00e9tica que prioriza a superficialidade e: \u201cn\u00e3o abre espa\u00e7os para as complexidades e exig\u00eancias do corpo, para as corporeidades, quando elas insistem em emergir como diferen\u00e7as\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 51). Isso gera um ass\u00e9dio de imagens, que nos transforma em seres superficiais, com, segundo o autor (2005, p. 56): \u201cum corpo sem mat\u00e9ria, sem massa, sem volume, apenas feito de fun\u00e7\u00f5es abstratas como trabalho, sucesso, visibilidade, carreira, profiss\u00e3o e fama\u201d, resultando em uma vis\u00e3o condicionada a perceber apenas \u00edcones, como s\u00edmbolos, marcas e logotipos, sem nenhuma conex\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o em qualquer contexto. \u201cJ\u00e1 quase n\u00e3o vemos mais nexos, rela\u00e7\u00f5es, sentidos\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 107). &nbsp; Morto sob os escombros dos atentados ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2011, o fot\u00f3grafo Bill Biggart \u00e9 utilizado pelo autor como um exemplo de transforma\u00e7\u00e3o do corpo em imagem. Ao presenciar o desabamento da primeira torre, Biggart entrou no tempo imag\u00e9tico ao se dirigir ao local da a\u00e7\u00e3o e registrar suas impress\u00f5es em fotos digitais que: \u201cforam resgatadas e d\u00e3o o testemunho de sua entrada suicida no mundo da imagem espetacular criada pelos atentados\u201d (BAITELLO JUNIOR, 2005, p. 97). &nbsp; &nbsp; Refer\u00eancias: BAITELLO JUNIOR, Norval. A Era da Iconofagia \u2013 Ensaios de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura. S\u00e3o Paulo: Hacker Editores, 2005. &nbsp; Texto: N\u00edsia Martins do Ros\u00e1rio Guilherme Almeida.","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/","og_site_name":"Corporalidades","article_published_time":"2013-09-18T14:21:31+00:00","og_image":[{"width":1302,"height":898,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/foto-03-post-01.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"gerente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"gerente","Est. reading time":"5 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/"},"author":{"name":"gerente","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/#\/schema\/person\/e18ecb8063c1f965a031341c25460e43"},"headline":"Iconofagia: a era do caos imag\u00e9tico e do esvaziamento de sentidos","datePublished":"2013-09-18T14:21:31+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/"},"wordCount":916,"commentCount":1,"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/foto-03-post-01.jpg","articleSection":["Blog"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/corporalidades\/iconofagia-a-era-do-caos-imagetico-e-do-esvaziamento-de-sentidos\/","name":"Iconofagia: a era do caos imag\u00e9tico e do esvaziamento de sentidos - 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