
Um Mundaréu no bairro Floresta
Do reuso ao ressignificar, estas são as palavras que um antiquário tem para contar. A partir da proposta de explorar as memórias da cidade, dentro da disciplina de Jornalismo e Cultura da FABICO, a estudante Mariana Bier foi conhecer a história de uma casa da rua Hoffman cheia de coisas antigas.
*Por: Mariana Bier
*Fotos: Mariana Bier – Fachada do Mundaréu, rua Hoffman, 500
Depois de 21 anos como produtor executivo da área de eventos, parecia que o dia a dia não fazia mais sentido para Rodrigo. Mesmo em meio a um deslumbrante trabalho na implementação de projetos de teatros, produção de shows e eventos, Rodrigo não sentia mais que aquele era o seu lugar. E foi em setembro de 2017 que as coisas começaram a mudar.
Ao mesmo tempo em que Rodrigo estava inserido no mercado de trabalho da área de eventos, ele mantivera um hobbie – talvez incomum, ou talvez inesperado: comprar, restaurar e reunir antiguidades. Com a delicadeza de observar, conhecer e escolher peças únicas, Rodrigo se descreve “um rato de mercado de pulgas”, alguém que admira peças antigas e tem a determinação de restaurá-las, quando necessário. Assim, durante anos, Diego guardou peças o suficientes para encher quatro depósitos; quatro depósitos que reuniam história, tanto a história de cada peça, como a história de Rodrigo – e a história do Mundaréu que estava por vir.
Rodrigo, o que tu vai fazer da vida? Já decidiu?”
Os amigos e familiares de Rodrigo tinham muita expectativa sobre qual seria o próximo passo da vida de alguém que tivera uma sólida carreira, mas acabou decidindo que era hora de mudar. E em meio a uma conversa com Diego, amigo de anos de Rodrigo, foi que nasceu o Mundaréu. Rodrigo já cultivava seu hobbie como admirador e consumidor de antiguidades, mas pela primeira vez resolveu pensar nesse hábito para além de um passatempo.
“Sabe o que eu vou fazer, Diego, eu vou reunir todo o meu material em um único pavilhão e vou fazer o que eu quiser: vou fazer um mundaréu de coisas. Se eu quiser fazer evento, eu vou fazer; se eu quiser fazer show, eu vou fazer; se eu quiser alugar peças, eu vou alugar; vou fazer um mundaréu de coisas, vai ser o que eu quiser que seja.”
E o que, de início, era para ser apenas um espaço de expressão de ideias, acabou acrescentando mais um sentido ao mundaréu de coisas: o Mundaréu se tornou também um negócio.
Em dezembro de 2017, o espaço que hoje habita o número 500 da rua Hoffmann, no bairro Floresta, foi inaugurado como o Mundaréu, um local de venda, compra e locação de antiguidades.
“O Mundaréu nasceu muito daquilo que eu acredito, do reuso mesmo; eu acredito muito na cultura do reuso, eu acho que isso pode ser responsável por um respiro para o planeta, acho que é um dos caminhos (…) eu acho que o reuso é um caminho bem importante.”
Diferente de muitos antiquários antigos, que existem desde 1900 e ultrapassam gerações, o Mundaréu é diferente e carrega uma proposta diferente – como o próprio slogan já diz, “não é só um antiquário”. O Mundaréu é um dos espaços da cidade que veio para fazer história, para, daqui pra frente, ocupar a cidade e misturar o novo e o antigo, o ontem e o amanhã. E para fazer história, o Mundaréu se utiliza do melhor artifício para lembrar e valorizar a cultura: o reuso, afinal, reutilizar é também ressignificar.
“Eu acredito muito na possibilidade do reuso, de se utilizar as coisas que já existem e não servem para mim, mas podem servir para ti, e o que não serve pra ti pode servir para mim”, conta Rodrigo, proprietário do Mundaréu.
Mundaréu é sobre conservar histórias e unir gerações; o Mundaréu também é sobre estilo e sobre a oportunidade de alguém, de Rodrigo, de traçar um novo caminho; o Mundaréu é um espaço para acreditar e pensar no futuro, em gente, na gente; o Mundaréu traz a possibilidade de dar um novo significado, através do reuso, aquilo que já existe; o Mundaréu é isso que o próprio nome diz: um mundaréu de coisas.







