A arte de ilustrar 

*Foto: Priscila Zavadil/ Divulgação

Foi a paixão pelo desenho e pela ilustração que levou a professora e ilustradora Priscila Zavadil a escolher o Design como profissão. A proximidade de Priscila com o desenho aconteceu ainda na infância. Foi com sua mãe, estilista, que a ilustradora descobriu a arte de criar universos, imagens a partir de linhas, pontos e formas. “Eu lembro de desenhar a partir dos cadernos de desenho de moda da minha mãe”, recorda. Até hoje ela guarda com carinho o certificado de um concurso de desenho em que participou ainda na infância. 

Para poder trabalhar com desenhos e ilustrações, em 2000, aos 17 anos, Priscila ingressou na graduação em Comunicação Social – Publicidade na UFRGS. “Na época não tinha um curso de Design na Federal. E eu realmente só podia fazer Federal, por isso eu escolhi a Publicidade, que era o mais próximo”, recorda. A graduação de Design Visual só passou a ser ofertada pela UFRGS em 2005, cinco anos depois de a ilustradora ter ingressado na Universidade. 

Após concluir a graduação, Priscila seguiu aprimorando seus conhecimentos. Em 2008, ingressou na especialização em Design de Produto Gráfico e Informação, na Uniritter. “Foi muito legal, foi quase uma faculdade. Eu peguei professores excelentes e um currículo muito bom também”, conta. A partir da especialização, Priscila teve certeza de que queria seguir na área acadêmica, e com isso, em 2009, a ilustradora cursou o mestrado em Design. E logo em seguida ingressou no doutorado, na área de criatividade, processo criativo e projetual e analogias, na UFRGS. 

Depois de alguns anos atuando como professora substituta no Departamento de Design e Expressão Gráfica da UFRGS, em 2014 Priscila tornou-se servidora. “Surgiu o concurso e eu consegui passar e, desde então, sou efetiva no departamento, atuando nas disciplinas de Design de Embalagem 1 e 2”, conta.

Relação com a ilustração e a estamparia 

A palavra ilustração vem do latim “illustris”, que significa brilhar e iluminar, e é através dessa prática que Priscila se ilumina e se comunica com o mundo. A natureza é a sua principal fonte de inspiração. Adepta à prática do surf, a ilustradora traz muito do seu contato com o mar em suas inspirações para os trabalhos.

Existem diversas técnicas utilizadas para ilustrar a partir de softwares, como o Photoshop. Um dos métodos preferidos de Priscila para expressar as suas ideias e pensamentos é a aquarela. “Ela realmente é uma das minhas preferidas. Nunca pensei muito no porquê, mas eu acho que é pela fluidez que ela proporciona”, explica. “E para me desafiar um pouco, porque eu sou bastante perfeccionista”, completa.

Segundo Priscila, uma de suas ilustrações prediletas é a de uma arara azul. “Foi o primeiro pássaro que eu fiz bem detalhado. Eu gosto muito dele, é uma das minhas preferidas. Acho que é porque eu consegui chegar ao resultado que eu realmente tinha planejado.”

A ilustradora revela que gostaria de ter mais tempo para se dedicar à prática. “Então, sempre que eu posso, faço.” Com o tempo escasso, uma das formas que ela encontrou para explorar mais a aquarela foi direcionar as ilustrações à estamparia. “Grande parte das ilustrações que eu desenvolvo são para esse fim, seja para projetos práticos ou experimentais. Então acabou sendo o meio que consegui para ter uma frequência maior para desenvolver”, conta.

De fato, a estamparia é outra prática que sempre esteve muito presente na vida de Priscila. Foi com a família que ela se familiarizou com a arte de criar estampas. “Minha mãe sempre trabalhou com moda; ela e minha irmã têm uma empresa familiar, e eu comecei desenvolvendo as estampas ali para elas”, explica.

A experiência no núcleo de Design de Superfície da UFRGS intensificou ainda mais a sua relação com a estamparia. De acordo com Priscila, com a aposentadoria da professora responsável pelo núcleo e a pandemia, ele acabou ficando um pouco parado. “A ideia era eu dar sequência a esse laboratório, que é um espaço bem legal para isso. E foi ali também que eu comecei a dar aulas de design de superfície para a graduação”, revela.

A obra de Priscila Zavadil ilustra o site do JU Cultura nessa quinzena (Arte: Priscila Zavadil)
Futuro

Sobre os projetos, Priscila diz estar trabalhando em muitas coisas. “Eu sempre tenho muitas coisas, mas infelizmente neste momento não são tão ligadas à ilustração”, conta. Há, no entanto, um projeto prestes a ser lançado: um livro no qual ela realizou as ilustrações. “Foi um projeto que envolveu várias pessoas, porque ele tem muitas linguagens. A temática do livro é sobre um menino haitiano”, diz.

A ilustradora conta que também está envolvida em um projeto de pesquisa que é ligado a empreendedorismo e inovação. “Nessa parte eu atuo mais em interfaces”, explica. “São várias ilustrações no estilo 3D que a gente está desenvolvendo.”

Além dos trabalhos em andamento, Priscila diz que está estudando abrir uma nova turma de especialização em Design Gráfico, onde atua como vice-coordenadora. “O pessoal gostou bastante, é um curso de caráter bem experimental, que trabalha bem a parte de processo criativo em todas as áreas. Tem, então, o projeto para abrir uma nova turma na sequência”, conclui.