Dicionário de Porto-Alegrês

Quem, assim como eu, não é gaúcho, muito menos porto-alegrense, deve ter passado por situação semelhante ao desembarcar por estes rincões: ser apresentado ou ouvir se comentar sobre o Dicionário de Porto-Alegrês (1999, LP&M), do Professor do Instituto de Letras, Luís Augusto Fischer. A obra já teve algumas revisões e ampliações, inclusive uma neste ano de 2022 que inclui termos como “Dale” (que eu, particularmente, uso bastante) e “Vamo ir”, e concentra uma enorme variedade de palavras e expressões tradicionais da cidade, com referências a artistas e escritores que popularizaram os verbetes ao longo das gerações.

Uma das expressões porto-alegrenses registradas no dicionário que mais me surpreendeu, quando vim de São Paulo pra cá, foi o uso de “braço” para elogiar o bom motorista. Na minha cidade, a expressão significa exatamente o oposto! O trecho escolhido pro comentário de hoje traz outra dessas palavras que espanta quem não é dessas bandas e não está acostumado à língua.

Para quem quer conhecer um pouco mais do universo linguístico da cidade, é um prato cheio, inclusive para dar boas risadas e, também, questionar certos usos e expressões que já não deveriam mais ser faladas, mas acabaram normalizadas pelo uso.

Confira o trecho selecionado, com a definição da palavra "Cervejinha":

*capa do livro

CERVEJINHA:
Tipo de pão para sanduíche, ingrediente indispensável para o bauru (v.). É pão d’água, com a singularidade de vir com uma pequena rachadura na face, detalhe que se pode facilmente associar (mesmo sem ser tarado) a uma bunda. Aliás, o pão é ou era mencionado, entre a gurizada, como “pão bundinha”. Mas não na frente do padeiro, muito menos da filha dele – que por sinal tinha apelido, nos anos 60: Maria Semolina.

A seção Para Ler tem curadoria de Liz De Bortoli, locutora da Rádio da Universidade, bacharela em Letras pela UFRGS e coordenadora do projeto de extensão Da Estante.

*Imagem junto ao título: Flávio Dutra/JU – jovens na Orla do Guaíba em 2020 (Porto Alegre)