{"id":17566,"date":"2022-02-23T11:22:19","date_gmt":"2022-02-23T14:22:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/?p=17566"},"modified":"2022-02-24T08:16:51","modified_gmt":"2022-02-24T11:16:51","slug":"gugu-lacerda-filho-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/gugu-lacerda-filho-da-arte\/","title":{"rendered":"Gugu Lacerda: filho da arte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\">*<em>Foto: <\/em>Ana Laura Freitas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi durante a inf\u00e2ncia e finalmente na mocidade que Luiz Augusto Lacerda teve forjado o apelido que hoje exibe. O &#8220;Gugu&#8221;, conta ele, lhe foi dado por Iara Deodoro quando ele ainda era crian\u00e7a, enquanto frequentava uma escola de educa\u00e7\u00e3o infantil na Vila Ipiranga, Zona Norte de Porto Alegre, bairro onde nasceu e reside. A alcunha completa seria concebida apenas d\u00e9cadas depois, em 2009, pelo jornalista e amigo Vin\u00edcius Brito momentos antes da realiza\u00e7\u00e3o de uma entrevista sobre o Carnaval daquele ano. &#8220;N\u00e3o faz isso, esse n\u00e3o \u00e9 o meu nome&#8221;, relembra Gugu sobre sua rea\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de Vin\u00edcius \u00e0 \u00e9poca, bastante oposta \u00e0 maneira com que lida com o nome art\u00edstico atualmente. &#8220;Hoje, nas redes sociais, \u00e9 Luiz Augusto &#8216;Gugu&#8217; Lacerda. Se algu\u00e9m me encontrar, ser\u00e1 assim&#8221;, afirma o artista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A relut\u00e2ncia de Gugu em aceitar o apelido com o qual hoje tanto se identifica faz lembrar sua antiga resist\u00eancia em se aceitar como artista. Estudante de Artes Visuais na UFRGS, o carnavalesco e figurinista conta que tardou a concordar em trilhar os caminhos das artes, ainda que seu contato com o universo art\u00edstico tenha sido estimulado desde cedo. &#8220;Eu demorei muito para aceitar que a minha vida era na arte&#8221;, conta Gugu. &#8220;Porque eu fui criado de uma forma em que o certo seria eu me concursar, ter uma carreira no sistema p\u00fablico, para ter estabilidade. Sendo negro, essa responsabilidade cresce duas vezes mais, porque tu tens que provar diariamente, a todo instante, que tu \u00e9s capaz.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu costumo dizer que sou filho da arte&#8221;, responde sobre o momento em que as artes se fizeram presentes em sua vida. Hoje figurinista, aderecista, cen\u00f3grafo e roteirista de espet\u00e1culos do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomode e figurinista de shows burlescos do Valen Bar, a trajet\u00f3ria art\u00edstica de Gugu teve in\u00edcio com rabiscos infantis de casas, influ\u00eancia do padrinho engenheiro civil. &#8220;Mas a\u00ed, em um belo dia, eu me deparei com um figurino de Carnaval&#8221;, recorda sobre quando, aos cinco anos, conheceu uma obra do comunicador e artista gr\u00e1fico Adoniram Ferreira. &#8220;Era um figurino com cores muito vibrantes. E no desenho dele os modelos eram negros com tra\u00e7os de pessoas negras. Aquilo me chamou muito aten\u00e7\u00e3o&#8221;, recorda Gugu. Foi o princ\u00edpio de sua identifica\u00e7\u00e3o e fasc\u00ednio com as artes.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mestres<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adoniram Ferreira, Alvino Machado, Guaraci Feij\u00f3, Paula Kaminski. Quando questionado sobre o in\u00edcio dessa trajet\u00f3ria, Gugu instantaneamente evoca suas refer\u00eancias, demonstrando ser imposs\u00edvel dissociar sua hist\u00f3ria das contribui\u00e7\u00f5es dessas figuras. Al\u00e9m de Ferreira, que apresentou a Gugu o desenho de figurinos carnavalescos vestidos por corpos pretos como o seu, o artista recorda-se de Alvino Machado, cuja liga\u00e7\u00e3o com a cultura popular muito o interessou. &#8220;O Alvino sempre tentou levar para a avenida temas relacionados ao povo, cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica, sempre trabalhou muito com materiais reciclados. E ele tamb\u00e9m tinha um desenho muito bonito&#8221;, lembra Lacerda.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu tamb\u00e9m tenho uma madrinha que \u00e9 artista pl\u00e1stica, a Paula Kaminski. O meu primeiro estojo de aquarela foi ela quem me deu. Inclusive esse estojo est\u00e1 olhando para mim agora. Eu sempre fui muito impulsionado pelas pessoas, porque elas entenderam que eu era artista&#8221;<\/p><cite>Gugu Lacerda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grande mestre de Gugu \u00e9 o carnavalesco e figurinista Guaraci Feij\u00f3, cujo estilo de desenho deslumbrou o ent\u00e3o jovem artista. &#8220;Guaraci Feij\u00f3 me apresentou um outro estilo de desenho, pintado em aquarela. E que n\u00e3o fazia uso de purpurina, mas que brilhava do mesmo jeito s\u00f3 pela maneira como ele pintava&#8221;, afirma. Amigo de longa data da fam\u00edlia Lacerda, Feij\u00f3 prontamente assumiu a paternidade do percurso art\u00edstico de Gugu quando soube que o outrora menino possu\u00eda predile\u00e7\u00e3o pela mesma arte que a sua. &#8220;O teu filho agora \u00e9 o meu filho&#8221;, teria dito Feij\u00f3 ao pai de Gugu. &#8220;Toda vez que o Guaraci chegava na Vila do IAPI, ele me pegava pela m\u00e3o, e a\u00ed as pessoas diziam &#8216;Guaraci, tu tens um filho?&#8217;. &#8216;\u00c9 meu filho, sim. Ele tamb\u00e9m desenha&#8217;, Guaraci respondia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Com o Guaraci e com o Grupo Afro-Sul, com a Iara Deodoro, eu tamb\u00e9m descobri a cultura afro-brasileira. O Guaraci \u00e9 um pesquisador da cultura afro e, referente \u00e0s artes pl\u00e1sticas, foi talvez o carnavalesco que mais apresentou temas-enredo e figurinos relacionados \u00e0 cultura afro-brasileira&#8221;<\/p><cite>Gugu Lacerda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Universidade<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gugu ingressou na UFRGS em 2016, no Bacharelado em Artes Visuais. Segundo o artista, um importante compromisso foi assumido por ele j\u00e1 no primeiro dia de aula na Universidade, e que o guia ainda hoje. &#8220;O IA tem uma reuni\u00e3o para receber os calouros. Naquele dia, eu me dei conta do seguinte: em 1957, o primeiro negro se formou nessa institui\u00e7\u00e3o. Foi Djalma do Alegrete. Djalma foi um artista que retratou, na grande maioria das suas obras, as manifesta\u00e7\u00f5es da cultura afro-brasileira. Mas foi um artista esquecido. E eu disse: &#8216;Eu estou aqui para honrar esse legado&#8217;. Eu, que j\u00e1 tinha pesquisa sobre cultura afro-brasileira, assumi isso para mim como um compromisso: a partir de ent\u00e3o, e em todos os meus trabalhos, eu ia exaltar a cultura afro-brasileira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Gugu, algo que a academia lhe proporcionou foi aplicar a filosofia da arte em seu trabalho. O artista revela, contudo, que a experi\u00eancia nas Artes Visuais da UFRGS n\u00e3o tem sido livre de tens\u00f5es. Lacerda conta que h\u00e1 um esquecimento das contribui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de pessoas negras, sejam brasileiras ou estrangeiras, nos conte\u00fados do curso. &#8220;N\u00f3s temos aqui Abdias do Nascimento, Djalma do Alegrete, tantos outros que n\u00e3o s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o. Para alguns acad\u00eamicos, as artes pl\u00e1sticas precisam ser figurativas e passearem no <em>Louvre<\/em>, ou seja, ela \u00e9 europeia, branca, colonizadora&#8221;, afirma. &#8220;Nem sempre as pessoas est\u00e3o dispostas a esse tipo de discuss\u00e3o. Mas a gente vai trazendo essas quest\u00f5es, problematizando as rela\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Carnaval<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Carnaval \u00e9 a mola que me impulsiona&#8221;, diz Gugu convicto sobre a import\u00e2ncia da folia em sua vida. N\u00e3o poderia ser diferente. Cria de in\u00fameros barrac\u00f5es de samba, ele construiu sua vida em meio \u00e0 festa. &#8220;Eu sou muito grato ao Carnaval, at\u00e9 pelos presentes que ele me deu, como algumas das grandes pessoas da minha vida&#8221;, afirma ele sobre sua intensa rela\u00e7\u00e3o com o Carnaval, raz\u00e3o pela qual pratica uma defesa irrevog\u00e1vel da festa. &#8220;Eu trato como obriga\u00e7\u00e3o, um compromisso inadi\u00e1vel defender o Carnaval. Eu preciso defender essa cultura que \u00e9 marginalizada. E que, por ser marginalizada, \u00e9 perseguida, \u00e9 prejudicada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Artista-da-quinzena-Luiz-Augusto-Lacerda-REPRODUCAO-amanhecer-na-perimetral-2020-obra-A4-bx.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"919\" height=\"650\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Artista-da-quinzena-Luiz-Augusto-Lacerda-REPRODUCAO-amanhecer-na-perimetral-2020-obra-A4-bx.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17902\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Artista-da-quinzena-Luiz-Augusto-Lacerda-REPRODUCAO-amanhecer-na-perimetral-2020-obra-A4-bx.png 919w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Artista-da-quinzena-Luiz-Augusto-Lacerda-REPRODUCAO-amanhecer-na-perimetral-2020-obra-A4-bx-300x212.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Artista-da-quinzena-Luiz-Augusto-Lacerda-REPRODUCAO-amanhecer-na-perimetral-2020-obra-A4-bx-768x543.png 768w\" sizes=\"(max-width: 919px) 100vw, 919px\" \/><\/a><figcaption>Luiz Augusto Lacerda. Amanhecer na perimetral. 2020. Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Eu me apresento como um homem negro, carnavalesco e que tem o compromisso de retratar a cultura afro-brasileira&#8221;<\/p><cite>Gugu Lacerda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lacerda denuncia ainda a crescente intoler\u00e2ncia que vem sofrendo a gente do Carnaval durante a pandemia, praticada por pessoas que, segundo ele, est\u00e3o &#8220;despidas de todo pudor para afirmar o seu \u00f3dio \u00e0s ruas&#8221;. &#8220;Tamanha ignor\u00e2ncia! As escolas de samba foram institui\u00e7\u00f5es que trabalharam de forma beneficente durante toda pandemia. Muitas foram as escolas de samba que doaram cestas b\u00e1sicas, que promoveram campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos, de vestu\u00e1rio, de materiais de constru\u00e7\u00e3o. O Carnaval vai muito al\u00e9m do produto que as pessoas enxergam, que \u00e9 o desfile&#8221;, declara.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A institui\u00e7\u00e3o escola de samba cultiva nos seus adeptos a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, tanto que essas pessoas se sentem protegidas nesses lugares. \u00c9 um lugar onde as fam\u00edlias se encontram, onde a gente confraterniza a vida&#8221;<\/p><cite>Gugu Lacerda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atual integrante da Realeza, escola de samba localizada no bairro Partenon, Gugu afirma ter sido &#8220;complicado&#8221; n\u00e3o desfilar em 2021. &#8220;Mas n\u00f3s temos a esperan\u00e7a de desfilar em 2022. E de forma digna, de forma digna! Como a hist\u00f3ria do Carnaval merece, honrando essas figuras que tanto lutaram para que a gente estivesse aqui&#8221;, diz Gugu. &#8220;O Carnaval precisa ser levado a s\u00e9rio, e para isso a gente precisa defender essa dignidade. O evento merece respeito por tudo o que j\u00e1 contribuiu e contribui para essa cidade, um segmento cultural t\u00e3o digno quanto qualquer outro, como o nativismo&#8221;, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Futuro<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Luiz Augusto deseja ainda levar a academia ao encontro de sua gente &#8211; e vice-versa -, pois, de acordo com ele, &#8220;de nada adianta eu me munir de conhecimentos acad\u00eamicos se eu n\u00e3o os colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da minha comunidade&#8221;. Al\u00e9m disso, Gugu tamb\u00e9m pretende promover ainda mais oficinas de artes em escolas de samba, incentivando a experimenta\u00e7\u00e3o das artes no interior dos barrac\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lacerda afirma desejar que os artistas sejam mais valorizados por parte da popula\u00e7\u00e3o por sua contribui\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio cultural do pa\u00eds. &#8220;E, da mesma forma, eu espero mais respeito pelo artista carnavalesco, seja ele artista pl\u00e1stico, da dan\u00e7a, da m\u00fasica, enfim, que ele seja valorizado n\u00e3o s\u00f3 no Carnaval, mas em todos os momentos&#8221;, complementa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Que a gente consiga trabalhar cada vez mais e que a cultura nesse pa\u00eds volte a ser valorizada e respeitada. A gente precisa reconstruir esse cen\u00e1rio para viver dias felizes daqui por diante&#8221;<\/p><cite>Gugu Lacerda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Foto: Ana Laura Freitas Foi durante a inf\u00e2ncia e finalmente na mocidade que Luiz Augusto Lacerda teve forjado o apelido que hoje exibe. O &#8220;Gugu&#8221;, conta ele, lhe foi dado por Iara Deodoro quando ele ainda era crian\u00e7a, enquanto frequentava uma escola de educa\u00e7\u00e3o infantil na Vila Ipiranga, Zona Norte de Porto Alegre, bairro onde nasceu e reside. A alcunha completa seria concebida apenas d\u00e9cadas depois, em 2009, pelo jornalista e amigo Vin\u00edcius Brito momentos antes da realiza\u00e7\u00e3o de uma entrevista sobre o Carnaval daquele ano. &#8220;N\u00e3o faz isso, esse n\u00e3o \u00e9 o meu nome&#8221;, relembra Gugu sobre sua rea\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de Vin\u00edcius \u00e0 \u00e9poca, bastante oposta \u00e0 maneira com que lida com o nome art\u00edstico atualmente. &#8220;Hoje, nas redes sociais, \u00e9 Luiz Augusto &#8216;Gugu&#8217; Lacerda. Se algu\u00e9m me encontrar, ser\u00e1 assim&#8221;, afirma o artista. A relut\u00e2ncia de Gugu em aceitar o apelido com o qual hoje tanto se identifica faz lembrar sua antiga resist\u00eancia em se aceitar como artista. Estudante de Artes Visuais na UFRGS, o carnavalesco e figurinista conta que tardou a concordar em trilhar os caminhos das artes, ainda que seu contato com o universo art\u00edstico tenha sido estimulado desde cedo. &#8220;Eu demorei muito para aceitar que a minha vida era na arte&#8221;, conta Gugu. &#8220;Porque eu fui criado de uma forma em que o certo seria eu me concursar, ter uma carreira no sistema p\u00fablico, para ter estabilidade. Sendo negro, essa responsabilidade cresce duas vezes mais, porque tu tens que provar diariamente, a todo instante, que tu \u00e9s capaz.&#8221; &#8220;Eu costumo dizer que sou filho da arte&#8221;, responde sobre o momento em que as artes se fizeram presentes em sua vida. 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