{"id":18213,"date":"2022-03-08T18:59:53","date_gmt":"2022-03-08T21:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/?p=18213"},"modified":"2022-03-10T17:17:59","modified_gmt":"2022-03-10T20:17:59","slug":"as-multiplas-faces-de-uma-artista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/as-multiplas-faces-de-uma-artista\/","title":{"rendered":"As m\u00faltiplas faces de uma artista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Fabio Alt<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 quem acredite que todo artista segue apenas em uma habilidade no meio art\u00edstico. No entanto, a trajet\u00f3ria de Lilian Maus no universo das artes contraria essa suposi\u00e7\u00e3o. Foi durante a inf\u00e2ncia, aos 5 anos, que sua rela\u00e7\u00e3o com o desenho e com a pintura surgiu. Espelhada pela m\u00e3e, ao v\u00ea-la retratar indiv\u00edduos, Lilian deu seus primeiros passos para a arte que hoje estuda e pratica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A habilidade com a ponta do l\u00e1pis e com os pinc\u00e9is a seguiu desde a escola at\u00e9 sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Nascida em Salvador\/BA, Lilian se mudou para o Sul ainda pequena, para a cidade de Os\u00f3rio, e aos 15 anos para a capital ga\u00facha. J\u00e1 em 2001 ingressou no curso de Bacharelado em Artes Pl\u00e1sticas na UFRGS e, logo depois de concluir, teve o desejo de complementar a gradua\u00e7\u00e3o com disciplinas da licenciatura. Apesar de ter tido uma longa hist\u00f3ria dentro do Instituto de Artes, sua escola pr\u00e1tica foi o Atelier Subterr\u00e2nea, espa\u00e7o art\u00edstico independente no qual atuou como gestora depois de concluir o bacharelado. \u201cFoi realmente uma escola da vida\u201d, relata. \u201cPude aprender a montar exposi\u00e7\u00f5es, dar cursos, fazer uma s\u00e9rie de atividades culturais e art\u00edsticas com outras \u00e1reas a partir desse espa\u00e7o gerido por jovens artistas da \u00e9poca.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a partir da\u00ed que Lilian viu que poderia trabalhar em diversas \u00e1reas do circuito art\u00edstico: como produtora cultural, nos bastidores, e at\u00e9 como propositora de parcerias com secretarias de educa\u00e7\u00e3o para fazer com que os projetos acontecessem na pr\u00e1tica. De acordo com ela, o Atelier foi sua escola pr\u00e1tica, enquanto o IA ofereceu um respaldo em termos de linguagens art\u00edsticas e tamb\u00e9m de leituras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEsse projeto foi bem importante na minha trajet\u00f3ria, me colocou em contato com muitos artistas, muitas pessoas com quem eu aprendi muito. Ali eu aprendi que dando se recebe e que os trabalhos colaborativos v\u00e3o sempre deixar alguma sementinha para a tua produ\u00e7\u00e3o autoral\u201d<\/p><cite>Lilian Maus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo do seu percurso como estudante na UFRGS, Lilian participou de diversos projetos de extens\u00e3o. Segundo ela, o que mais chamava sua aten\u00e7\u00e3o eram os que a colocavam em pontes diretas com outras realidades. Envolveu-se com inform\u00e1tica na educa\u00e7\u00e3o durante o doutorado, o que lhe possibilitou trabalhar em um laborat\u00f3rio multidisciplinar, com diferentes plataformas digitais e m\u00eddias integradas. \u201cO que eu mais gostava desse laborat\u00f3rio era a capacidade de poder sonhar com coisas que ainda n\u00e3o existiam\u201d, declara. Os encontros com m\u00faltiplos pesquisadores de \u00e1reas diversas, como exatas, humanas e at\u00e9 das linguagens, encantavam a artista. \u201cJuntava todo mundo para falar de educa\u00e7\u00e3o, que era um tema transversal, e hoje eu fa\u00e7o isso com arte, seja com arte e educa\u00e7\u00e3o ou apenas com arte\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente Lilian \u00e9 professora de pintura do Instituto de Artes. Quando questionada sobre o in\u00edcio da sua trajet\u00f3ria como docente, a artista brinca sobre como s\u00f3 foi conhecer realmente a UFRGS ap\u00f3s essa passagem de aluna para professora. \u201cA gente acha que conhece muito bem a Universidade quando somos alunos\u201d, diverte-se. \u201cE s\u00f3 nos damos conta do quanto n\u00e3o conhecemos nada quando mudamos o papel dentro dela &#8211; seja para t\u00e9cnico ou para professor &#8211; porque a\u00ed que tu vai conhecer realmente como funciona essa m\u00e1quina.\u201d <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lilian-no-Atelie_Arquivo-Pessoal-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"759\" height=\"424\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lilian-no-Atelie_Arquivo-Pessoal-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18424\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lilian-no-Atelie_Arquivo-Pessoal-1.jpg 759w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Lilian-no-Atelie_Arquivo-Pessoal-1-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 759px) 100vw, 759px\" \/><\/a><figcaption> Lilian no ateli\u00ea (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Natureza nas pinturas<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o da natureza sempre permeou as obras de Lilian ao longo sua caminhada no meio art\u00edstico. A docente conta que em seus primeiros esbo\u00e7os, logo no in\u00edcio da gradua\u00e7\u00e3o, isso j\u00e1 era muito presente. O repert\u00f3rio de paisagens sinuosas, as curvas das montanhas e os paisagismos urbanos sempre a instigaram muito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil dizer por que gostamos de uma coisa que parece que sempre esteve presente\u201d, diz Lilian sobre a invas\u00e3o da natureza em seus trabalhos. De acordo com ela, sua recorda\u00e7\u00e3o mais alegre da inf\u00e2ncia no Sul \u00e9 o contato com o s\u00edtio dos av\u00f3s. O h\u00e1bito de passar as f\u00e9rias com os primos no campo, fazendo trabalhos na fazenda, andando a cavalo e nadando no a\u00e7ude foram marcantes. \u201cAcho que todo artista carrega essas recorda\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia, e recorremos muito a isso durante o processo de cria\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. Essa proximidade com a natureza foi fundamental para a artista no que diz respeito \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o nos seus processos art\u00edsticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEsse despertar da crian\u00e7a \u00e9 o mais dif\u00edcil. T\u00e9cnicas se aprendem, mas o dif\u00edcil \u00e9 se libertar para criar uma coisa que tu tenha certeza de que \u00e9 tua e que resgata essa crian\u00e7a anterior\u201d<\/p><cite>Lilian Maus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de retratar paisagens em seus trabalhos, Lilian gosta de pensar na rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza. Refletir sobre a condi\u00e7\u00e3o de vida do ser humano dentro do ambiente do planeta e sobre como isso atravessa o mundo todo, indo al\u00e9m do local em que moramos e vivemos. \u201cQuando vemos um desastre, como uma guerra, nos deparamos com isso na pr\u00e1tica\u201d, conta a artista. \u201cPercebemos o quanto t\u00e1 tudo muito conectado e que n\u00e3o somos totalmente autossuficientes.\u201d Zonas de reservas ambientais e diretrizes de desenvolvimento social tamb\u00e9m perpassam os projetos da docente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir disso, sempre que atua no campo da arte, Lilian gosta de pensar como a obra ser\u00e1 produzida e quais materiais ser\u00e3o usados &#8211; ou seja, quest\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m de apenas retratar paisagens. Envolve di\u00e1logo com pessoas, o aprendizado de coisas novas, entrar em contato com outras \u00e1reas de conhecimento e visitar lugares diferentes dos usuais. Todas essas quest\u00f5es s\u00e3o o que mais fascina a artista: como a arte tem o poder, por meio da sensibilidade, de transformar a natureza e suas paisagens de acordo com o olhar de cada indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cCom a arte a gente consegue valorizar coisas que pareciam estar esquecidas ou passando por um processo de esquecimento tamb\u00e9m\u201d<\/p><cite>Lilian Maus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hist\u00f3rias e pr\u00e1ticas art\u00edsticas<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre seu envolvimento em projetos de extens\u00e3o, Lilian conta que ocorreu por conta do seu perfil de trabalhar com produ\u00e7\u00e3o cultural e da sua facilidade de di\u00e1logo com pessoas do circuito da arte que n\u00e3o est\u00e3o dentro da UFRGS. \u201c\u00c0s vezes eu tenho muito mais facilidade de trabalhar fora da Universidade do que dentro\u201d, brinca. Atualmente, Lilian coordena o programa de extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas, que promove uma troca entre a academia e o \u00e2mbito das artes da cidade e at\u00e9 do pa\u00eds, oferecendo cursos e oficinas de diferentes tem\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O programa oportuniza, ainda, que estudantes da Universidade atuem como formadores desse p\u00fablico por meio de orienta\u00e7\u00e3o com um professor. Segundo Lilian, possibilitar que estudantes-artistas atuem nesse \u201coutro lugar\u201d &#8211; do oficineiro e do ministrante &#8211; e tenham essa viv\u00eancia durante a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica \u00e9 muito valioso. Em raz\u00e3o de experi\u00eancias pr\u00e1ticas terem marcado sua trajet\u00f3ria nas artes, a docente acha importante essa abertura para que mais alunos possam fazer muitas coisas com isso. \u201cVai formar esse cidad\u00e3o que pensar\u00e1 arte nesse outro lugar; esse \u00e9 um caminho que h\u00e1 muito eu vejo necess\u00e1rio\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas vezes, ser artista implica inventar lugares para trabalhar com arte, seja com educa\u00e7\u00e3o ou cultura. Ter, ent\u00e3o, a possibilidade de compartilhar processos art\u00edsticos, fazer parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es e trocar saberes com outras pessoas do circuito da arte ainda na gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 muito rico. Al\u00e9m de colocar o aluno na posi\u00e7\u00e3o de professor, algo que Lilian cr\u00ea que o conduz a outro patamar, pleno de outras concep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEle muda tamb\u00e9m a perspectiva sobre o professor. Porque s\u00f3 na hora de ensinar tu te d\u00e1 conta sobre a valoriza\u00e7\u00e3o da doc\u00eancia\u201d<\/p><cite>Lilian Maus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poder criar possibilidades para os alunos foi o que mais marcou Lilian na sua jornada como professora do Instituto de Artes. De acordo com ela, \u00e9 fant\u00e1stico impulsion\u00e1-los e depois v\u00ea-los caminhando com as pr\u00f3prias pernas, criando novos espa\u00e7os para atuarem e dando continuidade aos seus projetos. \u201cO que mais me encanta\u201d, diz, \u201c\u00e9 quando eles conseguem fazer bom uso daquilo que a gente ensina e levam isso com eles para onde forem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-area-de-cultivo-1-Lilian-maus-1.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"835\" height=\"656\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-area-de-cultivo-1-Lilian-maus-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18425\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-area-de-cultivo-1-Lilian-maus-1.jpg 835w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-area-de-cultivo-1-Lilian-maus-1-300x236.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-area-de-cultivo-1-Lilian-maus-1-768x603.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 835px) 100vw, 835px\" \/><\/a><figcaption>Lilian Maus: \u00c1rea de cultivo 1, produzida durante a quarentena. Pintura em acr\u00edlico.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-Area-de-Cultivo-2-Lilian-maus-1-1.jpg\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1014\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-Area-de-Cultivo-2-Lilian-maus-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18426\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-Area-de-Cultivo-2-Lilian-maus-1-1.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-Area-de-Cultivo-2-Lilian-maus-1-1-300x297.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-Area-de-Cultivo-2-Lilian-maus-1-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Obra-completa-Area-de-Cultivo-2-Lilian-maus-1-1-768x761.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Lilian Maus: \u00c1rea de cultivo 2, produzida durante a quarentena. Pintura em acr\u00edlico. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A arte e sua import\u00e2ncia <\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu n\u00e3o saberia n\u00e3o ser artista!\u201d \u00c9 assim que Lilian se refere \u00e0 magnitude da arte em sua vida. Apesar de todas as dificuldades e empecilhos, a docente conta que n\u00e3o saberia ser outra coisa al\u00e9m disso. Os processos de cria\u00e7\u00e3o, de gerar obras, fazem com que a artista se sinta muito plena, como se isso desse um sentido a sua vida. A arte ainda oportuniza a Lilian atuar em diferentes campos ao mesmo tempo. A docente produz filmes, ilustra livros, dialoga com \u00e1reas como a inform\u00e1tica e a museologia, lida com burocracias de produ\u00e7\u00f5es culturais, trabalha com gest\u00e3o na Universidade e, n\u00e3o bastasse, reflete sobre o impacto do meio ambiente no mundo art\u00edstico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas diferentes \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o alimentam Lilian diariamente, mas o que calibra mesmo a artista \u00e9 a pintura. O trabalho introspectivo no seu ateli\u00ea \u00e9 o que a auxilia a pensar e elaborar todos esses projetos. &#8220;Eu penso muito com as m\u00e3os\u201d, afirma. \u201cEnt\u00e3o eu sinto essa necessidade de manter sempre o trabalho mais artesanal, voltado para o fazer manual.\u201d A docente reitera que seus momentos pintando s\u00e3o como um encontro consigo mesma, uma solid\u00e3o sem estar s\u00f3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a artista, provavelmente sua maior caracter\u00edstica \u00e9 ter a capacidade de fazer diversas coisas ao mesmo tempo. Conta que j\u00e1 tentou mudar isso na sua vida, mas que foi imposs\u00edvel. \u201cEu fa\u00e7o melhor tr\u00eas coisas ao mesmo tempo do que uma\u201d, diverte-se. Criar situa\u00e7\u00f5es diferentes do habitual faz parte da sua vida incessantemente, algo que a aproxima de outros profissionais e artistas talentosos todos os anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEssas parcerias eu adoro, \u00e9 do que eu mais gosto. Porque s\u00e3o aventuras e ao mesmo tempo \u00e9 uma loucura fazer essas coisas acontecerem, apesar de tantas dificuldades\u201d<\/p><cite>Lilian Maus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planos para o futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre os projetos em aberto, Lilian fala que est\u00e1 desenvolvendo mais um livro infantil para os pr\u00f3ximos anos, trazendo causas ambientais para o enredo. Al\u00e9m disso, ir\u00e1 lan\u00e7ar o filme em que trabalhou durante a quarentena, chamado Yg\u00e1p\u00e9ba, em parceria com o artista e cineasta Biel Gomes e que ser\u00e1 lan\u00e7ado este ano. \u201cAl\u00e9m disso, o filme tamb\u00e9m vai fazer parte do acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS)\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atuando na parte de produ\u00e7\u00e3o cultural, Lilian ser\u00e1 curadora da exposi\u00e7\u00e3o de um artista pernambucano com estreia em julho deste ano. J\u00e1 trabalhando como artista, encabe\u00e7ando semin\u00e1rios, a docente participar\u00e1 de uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva que abordar\u00e1 o tema do feminic\u00eddio a partir da leitura de tr\u00eas casos espec\u00edficos. O evento leva o nome de 3 Marias, em raz\u00e3o de as hist\u00f3rias passarem pelo caso da Maria Degolada, lenda urbana da capital ga\u00facha, da Maria Luiza, Noiva da Lagoa, mito da cidade de Os\u00f3rio, e da Maria do Carmo, hist\u00f3ria contada em S\u00e3o Borja.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o 3 Marias envolveu diferentes campos de atua\u00e7\u00e3o durante o processo de produ\u00e7\u00e3o e pesquisa. Novamente a troca de saberes multidisciplinar perpassa os caminhos de Lilian. A artista reitera a import\u00e2ncia do movimento dentro do circuito art\u00edstico para compartilhar processos de cria\u00e7\u00e3o, experi\u00eancias culturais, oportunidades em exposi\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de trabalhos colaborativos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cCom isso, a gente vai ampliando nossa rede de apoio na \u00e1rea da cultura, que \u00e9 t\u00e3o fragilizada e t\u00e3o prec\u00e1ria. \u00c9 importante trabalhar junto tamb\u00e9m com pessoas de fora da \u00e1rea da cultura, pessoas de outros universos, onde a arte deveria chegar e n\u00e3o chega muitas vezes\u201d<\/p><cite>Lilian Maus<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Foto: Fabio Alt H\u00e1 quem acredite que todo artista segue apenas em uma habilidade no meio art\u00edstico. No entanto, a trajet\u00f3ria de Lilian Maus no universo das artes contraria essa suposi\u00e7\u00e3o. Foi durante a inf\u00e2ncia, aos 5 anos, que sua rela\u00e7\u00e3o com o desenho e com a pintura surgiu. Espelhada pela m\u00e3e, ao v\u00ea-la retratar indiv\u00edduos, Lilian deu seus primeiros passos para a arte que hoje estuda e pratica. A habilidade com a ponta do l\u00e1pis e com os pinc\u00e9is a seguiu desde a escola at\u00e9 sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Nascida em Salvador\/BA, Lilian se mudou para o Sul ainda pequena, para a cidade de Os\u00f3rio, e aos 15 anos para a capital ga\u00facha. J\u00e1 em 2001 ingressou no curso de Bacharelado em Artes Pl\u00e1sticas na UFRGS e, logo depois de concluir, teve o desejo de complementar a gradua\u00e7\u00e3o com disciplinas da licenciatura. Apesar de ter tido uma longa hist\u00f3ria dentro do Instituto de Artes, sua escola pr\u00e1tica foi o Atelier Subterr\u00e2nea, espa\u00e7o art\u00edstico independente no qual atuou como gestora depois de concluir o bacharelado. \u201cFoi realmente uma escola da vida\u201d, relata. \u201cPude aprender a montar exposi\u00e7\u00f5es, dar cursos, fazer uma s\u00e9rie de atividades culturais e art\u00edsticas com outras \u00e1reas a partir desse espa\u00e7o gerido por jovens artistas da \u00e9poca.\u201d&nbsp; Foi a partir da\u00ed que Lilian viu que poderia trabalhar em diversas \u00e1reas do circuito art\u00edstico: como produtora cultural, nos bastidores, e at\u00e9 como propositora de parcerias com secretarias de educa\u00e7\u00e3o para fazer com que os projetos acontecessem na pr\u00e1tica. De acordo com ela, o Atelier foi sua escola pr\u00e1tica, enquanto o IA ofereceu um respaldo em termos de linguagens art\u00edsticas e tamb\u00e9m de leituras.&nbsp; \u201cEsse projeto foi bem importante na minha trajet\u00f3ria, me colocou em contato com muitos artistas, muitas pessoas com quem eu aprendi muito. Ali eu aprendi que&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/as-multiplas-faces-de-uma-artista\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":18423,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[195],"tags":[183,365,514,200,119,531,223,530,520,214],"ppma_author":[542],"class_list":["post-18213","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artista-da-capa","tag-artista","tag-artistico","tag-circuito","tag-cultura","tag-exposicao","tag-extensao","tag-instituto-de-artes","tag-multidisciplinar","tag-natureza","tag-pintura"],"authors":[{"term_id":542,"user_id":19,"is_guest":0,"slug":"victoriarodrigues","display_name":"Victoria Rodrigues","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d3997792c26b1ea0c4669c3516d4bbfe6508b75f0d78afdbbd437a29e0d2c2a3?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","user_url":"","last_name":"Rodrigues","first_name":"Victoria","job_title":"","description":"Bolsista do Jornal da Universidade"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18213"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18441,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18213\/revisions\/18441"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18423"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18213"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=18213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}