{"id":19437,"date":"2022-04-19T11:00:00","date_gmt":"2022-04-19T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/?p=19437"},"modified":"2022-10-04T09:36:11","modified_gmt":"2022-10-04T12:36:11","slug":"ressignificacao-atraves-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/ressignificacao-atraves-da-arte\/","title":{"rendered":"Ressignifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da arte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Angelica Dass &#8211; Meu Pantone: autorretrato cujo fundo foi colocado <\/em><br><em>a minha cor Pantone correspondente_ refer\u00eancia Humanae 2012<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Normalmente, a maioria dos artistas tem seu primeiro contato com a arte durante a inf\u00e2ncia. No entanto, foi j\u00e1 na vida adulta que \u00c1rio Gon\u00e7alves teve sua paix\u00e3o pela fotografia consolidada. Apaixonado por capturar imagens, o artista viu nessa t\u00e9cnica das artes visuais uma maneira de registrar o mundo para al\u00e9m daquilo que se v\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proximidade com a fotografia se estabeleceu de fato aos 23 anos por meio de fotoclubes. A partir da\u00ed, teve contato com fot\u00f3grafos amadores, al\u00e9m de praticar e aprender t\u00e9cnicas para aprimorar ainda mais a captura de imagens. \u201cEu aperfei\u00e7oei muito meu jeito de fotografar\u201d, reitera. \u201cDesenvolvi um olhar mais atento e mais art\u00edstico.\u201d Com isso, passou a participar de eventos como bienais, concursos internacionais, nos quais conquistou algumas premia\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o, a fotografia passou a integrar completamente a jornada de \u00c1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de sua caminhada por tr\u00e1s das lentes ter come\u00e7ado no in\u00edcio da vida adulta, ingressou no curso de Licenciatura em Artes Visuais somente em 2016, aos 46 anos. Isso porque o artista foi fot\u00f3grafo criminal\u00edstico no Instituto Geral de Per\u00edcias por 20 anos. No decorrer desse per\u00edodo, suas fotos se transformaram, em raz\u00e3o de ele n\u00e3o poder interferir ou modificar o que capturava. \u201cMinha fotografia passou a ser unicamente t\u00e9cnica. Elas faziam parte de um laudo que iria para um inqu\u00e9rito e daqui a pouco para o Judici\u00e1rio em um julgamento\u201d, afirma. Assim, ao longo da sua carreira na criminal\u00edstica, \u00c1rio acabou se desvinculando totalmente das fotos art\u00edsticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQuando se fica muito tempo lidando com essas cenas brutais tu tenta, pelo menos naquele per\u00edodo, te desumanizar, porque sen\u00e3o tu n\u00e3o aguenta\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi prestes a se aposentar que o fot\u00f3grafo decidiu buscar uma ressignifica\u00e7\u00e3o. Ao ingressar no Instituto de Artes, ele p\u00f4de finalmente retomar seu olhar art\u00edstico. Fez isso fotografando os entornos da cena do crime. A partir da\u00ed, o artista retornou com a sua sensibilidade e voltou a fotografar espa\u00e7os da cidade que chamavam a sua aten\u00e7\u00e3o. &#8220;Comecei a fazer uns devaneios pela cidade e fotografar o que eu via de Porto Alegre\u201d, diz. \u00c1rio tem prefer\u00eancia por capturar imagens de zonas perif\u00e9ricas, pois, segundo ele, a regi\u00e3o central todo mundo v\u00ea e conhece, j\u00e1 as periferias s\u00e3o as partes invis\u00edveis da cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEu estava caminhando para uma desumaniza\u00e7\u00e3o por conta do meu trabalho e com a arte eu me reumanizei, recuperei uma sensibilidade que estava sendo perdida\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a gradua\u00e7\u00e3o, entrou no N\u00facleo de Arte Impressa (NAI), da UFRGS, o que foi um divisor de \u00e1guas para a sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica e profissional. \u201cEu ingressei no grupo justamente porque, dentro da Universidade, era o segmento que mais se aproximava do que eu fazia com fotografia\u201d, declara. De acordo com \u00c1rio, havia poucas disciplinas ligadas \u00e0 fotografia no curso de Artes Visuais e entrar para o NAI fez com que ele se aproximasse mais das gravuras. &#8220;Porque o NAI trabalha com esse entendimento, esse pensamento de gravura e seus desdobramentos\u201d, conta. \u201cE foi a\u00ed que eu realmente percebi que era esse o caminho que eu queria trilhar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Encontrei-minhas-origens_inteira_bx.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"562\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Encontrei-minhas-origens_inteira_bx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19530\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Encontrei-minhas-origens_inteira_bx.jpg 794w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Encontrei-minhas-origens_inteira_bx-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Encontrei-minhas-origens_inteira_bx-768x544.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><\/a><figcaption>Encontrei minhas origens. Obra que ilustra o site JU Cultura nesta quinzena.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pesquisa e reflex\u00f5es<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo \u00c1rio, outro marco para a sua caminhada como artista e como pessoa foi voltar a questionar a falta de representatividade negra dentro dos espa\u00e7os que ocupava. O fot\u00f3grafo conta que foi criado na periferia de Alvorada e passou toda a sua adolesc\u00eancia tendo contato com a comunidade negra e refletindo sobre diversas quest\u00f5es. Depois de passar no concurso p\u00fablico e engrenar na carreira de fot\u00f3grafo criminal, come\u00e7ou a se afastar um pouco das suas origens. \u201cNaturalmente os corpos negros v\u00e3o sumindo da tua volta, v\u00e3o desaparecendo, s\u00f3 que tu n\u00e3o te d\u00e1 conta disso, porque vai se tornando normal\u201d, reflete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEnt\u00e3o, quando eu entrei no Instituto de Artes, para mim, essa falta de corpos negros dentro da sala de aula era natural, porque onde eu circulava eu sempre era um dos \u00fanicos ali\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somente na reta final do curso o artista percebeu essa aus\u00eancia de pessoas negras no seu entorno, al\u00e9m da falta de artistas negros sendo citados como refer\u00eancias nas aulas. Foi analisando um livro que essa percep\u00e7\u00e3o veio \u00e0 tona. \u00c1rio notou que naquele livro havia poucas imagens ou representa\u00e7\u00f5es de pessoas negras e, quando tinha, elas eram quase brancas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cE a\u00ed passa um filme, um flash na cabe\u00e7a da gente. O Instituto de Artes \u00e9 isso daqui\u201d, relembra o artista. Ao perceber isso, \u00c1rio criou materiais educativos que trouxessem artistas negros como refer\u00eancia e definiu esse assunto como pesquisa para o seu TCC. De acordo com o fot\u00f3grafo, durante seu estudo encontrou v\u00e1rios outros artistas que tamb\u00e9m perceberam isso no final da forma\u00e7\u00e3o. \u00c1rio comenta que isso acontece em raz\u00e3o de a gradua\u00e7\u00e3o dar um embasamento te\u00f3rico para os estudantes-artistas negros, o que traz coragem para falarem de quest\u00f5es que n\u00e3o tinham falado at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSe tu fala sobre isso no meio da forma\u00e7\u00e3o ou tu n\u00e3o vai ser ouvido ou tu vai falar de uma maneira errada, porque, no meu caso, agora com 53 anos, tu passa mais de 50 anos sendo colocado no lugar de subalterno, ent\u00e3o acaba n\u00e3o tendo a coragem de falar quando entra\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As refer\u00eancias que \u00c1rio utilizou para estruturar sua pesquisa s\u00e3o variadas. O fot\u00f3grafo transitou por artistas como Ang\u00e9lica Dass, carioca que mora em Madrid e trabalha na cria\u00e7\u00e3o de um grande mosaico &#8211; intitulado Humanae -, em que cada retrato \u00e9 apresentado num papel de parede da cor correspondente ao da pele da pessoa. O projeto vem com o forte intuito de abolir a discrimina\u00e7\u00e3o e encorajar o di\u00e1logo sobre os estere\u00f3tipos e preconceitos que condicionam nossas percep\u00e7\u00f5es. Traz tamb\u00e9m o fot\u00f3grafo e artista visual Eust\u00e1quio Neves com o trabalho chamado \u201cBoa Apar\u00eancia\u201d, em que ele confronta textos de classificados do per\u00edodo colonial com ofertas de emprego dos dias de hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, \u00c1rio trouxe artistas do pr\u00f3prio Instituto de Artes, como a graduada P\u00e2mela Zorn Vianna, com sua pesquisa \u201cEste solo n\u00e3o \u00e9 ruim para certos tipos de flores\u201d, em que a artista reflete sobre o pertencimento de corpos mesti\u00e7os\/negros na sociedade e sobre sua pluralidade. \u201cEla tamb\u00e9m descobriu a negritude com o tempo, n\u00e3o foi uma coisa que j\u00e1 nasceu com ela. Ela foi descobrindo\u201d, afirma \u00c1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda para conversar com seu trabalho como fot\u00f3grafo criminal, o graduando traz a perita criminal e artista visual Berna Reale, com a performance \u201cGin\u00e1stica de Pele\u201d. Nesse trabalho, Berna re\u00fane mais de cem jovens entre 18 e 29 anos (m\u00e9dia de idade da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria no Brasil) que j\u00e1 foram abordados pela pol\u00edcia e simula o exerc\u00edcio de prender, de abordar e de encarcerar essa juventude. \u201cEscolhi esse trabalho porque na primeira vez que o vi pessoalmente eu me emocionei muito\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA Brigada Militar imp\u00f5e essa condi\u00e7\u00e3o. Ela discrimina e normalmente age com mais contund\u00eancia na zona de periferia, e eu sei do que se trata isso porque eu cresci nesse lugar\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trabalho mais marcante<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre seus projetos, \u00c1rio diz que n\u00e3o costuma se apegar a eles em raz\u00e3o de ter ficado muito tempo produzindo fotos p\u00fablicas, que viajavam por diversos lugares. Ap\u00f3s voltar a praticar um olhar sens\u00edvel, o graduando passou a juntar a fotografia criminal com a fotografia art\u00edstica. \u201cEu percebi que todas aquelas pessoas que eu fotografava, que estavam mortas, tamb\u00e9m tinham uma hist\u00f3ria\u201d, diz. \u201cTalvez por isso o trabalho da Berna tenha me tocado tanto, porque o que eu fotografava era o que n\u00e3o estava no trabalho dela.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da\u00ed, o fot\u00f3grafo passou a associar as imagens criminais que fazia com alguma obra da hist\u00f3ria da arte. Com isso, \u00c1rio come\u00e7ou a relacionar a escultura Piet\u00e0, de Michelangelo, que mostra Jesus morto nos bra\u00e7os de sua m\u00e3e, Maria, com as cenas dos crimes que fotografava. \u201cEu comecei a observar que a m\u00e3e era sempre a \u00fanica pessoa que chorava de verdade por aquele jovem que tava ali, independente do que ele tivesse feito\u201d, declara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, \u00c1rio transformou essa rela\u00e7\u00e3o em um ensaio intitulado As Dores de Maria. Nele, o fot\u00f3grafo imprimiu uma tela de serigrafia com as tatuagens extra\u00eddas dos corpos que fotografava e as costurou em um manto. \u201cE fiz esse ensaio que representava isso: a Maria pegando seu Cristo morto, s\u00f3 que na contemporaneidade\u201d, relata. O projeto foi feito dentro do pr\u00e9dio incendiado do Instituto de Criminal\u00edstica e uma das fotos participou da exposi\u00e7\u00e3o dos cinco anos do NAI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEsse manto da Maria ficou com as tatuagens por isso, porque ela leva a dor, ela leva a saudade, leva a falta do filho que foi colocado nesse manto atrav\u00e9s dessas tatuagens\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c1rio Gon\u00e7alves como artista<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 um cara que faz muitas coisas ao mesmo tempo e sempre acha que podia ter feito melhor.\u201d Assim que o fot\u00f3grafo define sua atua\u00e7\u00e3o no circuito art\u00edstico. Atualmente, o trabalho de \u00c1rio est\u00e1 se modificando por conta de reflex\u00f5es sobre quest\u00f5es raciais voltarem a permear a sua vida. Algumas de suas obras passaram a incomod\u00e1-lo por conta desse contato com essas novas percep\u00e7\u00f5es. \u201cEu sou d\u00favida. \u00c0s vezes pare\u00e7o muito certeza, posso at\u00e9 transmitir isso, mas eu sou d\u00favida o tempo todo\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com ele, depois que come\u00e7ou a se informar, a ver outras coisas, passou a questionar o pr\u00f3prio trabalho e perceber que h\u00e1 poucas pessoas negras nele. Por isso, sua ideia para este ano \u00e9 espalhar o material que est\u00e1 produzindo e pesquisando no momento. Sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que essa pesquisa atinja o p\u00fablico, para que as pessoas consigam encurtar esse caminho e percebam a quest\u00e3o do racismo antes de chegar ao ponto que chegou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Se tu perceber tudo isso antes eu acho que a gente j\u00e1 consegue l\u00e1 no futuro dar uma amenizada. N\u00f3s n\u00e3o temos a pretens\u00e3o de salvar o mundo, mas ao menos tentar dar uma melhorada\u201d<\/p><cite>\u00c1rio Gon\u00e7alves<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Foto: Angelica Dass &#8211; Meu Pantone: autorretrato cujo fundo foi colocado a minha cor Pantone correspondente_ refer\u00eancia Humanae 2012 Normalmente, a maioria dos artistas tem seu primeiro contato com a arte durante a inf\u00e2ncia. No entanto, foi j\u00e1 na vida adulta que \u00c1rio Gon\u00e7alves teve sua paix\u00e3o pela fotografia consolidada. Apaixonado por capturar imagens, o artista viu nessa t\u00e9cnica das artes visuais uma maneira de registrar o mundo para al\u00e9m daquilo que se v\u00ea. A proximidade com a fotografia se estabeleceu de fato aos 23 anos por meio de fotoclubes. A partir da\u00ed, teve contato com fot\u00f3grafos amadores, al\u00e9m de praticar e aprender t\u00e9cnicas para aprimorar ainda mais a captura de imagens. \u201cEu aperfei\u00e7oei muito meu jeito de fotografar\u201d, reitera. \u201cDesenvolvi um olhar mais atento e mais art\u00edstico.\u201d Com isso, passou a participar de eventos como bienais, concursos internacionais, nos quais conquistou algumas premia\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o, a fotografia passou a integrar completamente a jornada de \u00c1rio. Apesar de sua caminhada por tr\u00e1s das lentes ter come\u00e7ado no in\u00edcio da vida adulta, ingressou no curso de Licenciatura em Artes Visuais somente em 2016, aos 46 anos. Isso porque o artista foi fot\u00f3grafo criminal\u00edstico no Instituto Geral de Per\u00edcias por 20 anos. No decorrer desse per\u00edodo, suas fotos se transformaram, em raz\u00e3o de ele n\u00e3o poder interferir ou modificar o que capturava. \u201cMinha fotografia passou a ser unicamente t\u00e9cnica. Elas faziam parte de um laudo que iria para um inqu\u00e9rito e daqui a pouco para o Judici\u00e1rio em um julgamento\u201d, afirma. Assim, ao longo da sua carreira na criminal\u00edstica, \u00c1rio acabou se desvinculando totalmente das fotos art\u00edsticas.&nbsp; \u201cQuando se fica muito tempo lidando com essas cenas brutais tu tenta, pelo menos naquele per\u00edodo, te desumanizar, porque sen\u00e3o tu n\u00e3o aguenta\u201d \u00c1rio Gon\u00e7alves Foi prestes a se aposentar que o fot\u00f3grafo decidiu buscar&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/ressignificacao-atraves-da-arte\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":19528,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[195],"tags":[263,183,216,610,609,223,611],"ppma_author":[542],"class_list":["post-19437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artista-da-capa","tag-arte","tag-artista","tag-fotografia","tag-fotografo","tag-imagens","tag-instituto-de-artes","tag-nai"],"authors":[{"term_id":542,"user_id":19,"is_guest":0,"slug":"victoriarodrigues","display_name":"Victoria Rodrigues","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d3997792c26b1ea0c4669c3516d4bbfe6508b75f0d78afdbbd437a29e0d2c2a3?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","user_url":"","last_name":"Rodrigues","first_name":"Victoria","job_title":"","description":"Bolsista do Jornal da Universidade"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19437"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19531,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19437\/revisions\/19531"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19437"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=19437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}