{"id":20252,"date":"2022-06-08T11:25:00","date_gmt":"2022-06-08T14:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/?p=20252"},"modified":"2022-06-28T09:56:10","modified_gmt":"2022-06-28T12:56:10","slug":"o-desenhar-em-voz-alta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/o-desenhar-em-voz-alta\/","title":{"rendered":"O desenhar em voz alta"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi transformando uma poltrona branca da sua casa em sua primeira tela, aos 5 anos de idade, que Mariana Lemmertz iniciou sua paix\u00e3o por desenhos. Al\u00e9m da poltrona, a artista lembra de desenhar naturalmente em qualquer superf\u00edcie que pudesse \u2013 inclusive nas que n\u00e3o podia. A partir da\u00ed, a vontade de querer aprimorar o que fazia, produzir figuras mais realistas e conhecer outros meios art\u00edsticos s\u00f3 cresceu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do contato com a ponta do l\u00e1pis ter come\u00e7ado cedo, a escolha da artista para o curso de Bacharelado em Artes Visuais aconteceu de \u00faltima hora. Durante o ensino m\u00e9dio sua paix\u00e3o pela arte aumentou. Mariana, por\u00e9m, conta que n\u00e3o se via trabalhando com o \u00e2mbito art\u00edstico no futuro. \u201cEu achava que seria uma coisa incr\u00edvel, mas muito fora do meu alcance, muito em outra realidade, algo s\u00f3 de sonho\u201d, afirma. Foi com o incentivo dos pais, em especial de sua m\u00e3e, que ela decidiu prestar vestibular para Artes Visuais em 2019. Apesar da incerteza, a graduanda reitera que fez a escolha certa. \u201cEra um medo para mim, mas quanto mais eu avan\u00e7o no curso mais fico certa de que foi a decis\u00e3o que eu precisava e a decis\u00e3o que mais faz sentido.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Mariana, quando ingressou no bacharelado, pensava que iria aprender a pintar e a desenhar apenas obras realistas. \u201cCom certeza foi um choque\u201d, recorda. \u201cMas tamb\u00e9m uma surpresa muito boa descobrir que muitos dos professores te incentivam a fugir do realismo, do padr\u00e3o e do mais \u00f3bvio.\u201d Antes de ingressar nas Artes, a estudante achava que quanto mais realista ela desenhasse mais bonita seria a obra. Atualmente, a artista passou a considerar outras coisas quando inicia um trabalho, como a po\u00e9tica, a linguagem, os materiais e a trajet\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cIsso foi uma coisa que fez eu mudar o pensamento sobre arte que eu tinha. O que mudou mais talvez seja pensar qual \u00e9 o meu objetivo em vez de pensar no meu tra\u00e7o em si\u201d<\/p><cite>Mariana Lemmertz <\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2020-tinta-acrilica-sobre-papel-30-x-30-cm.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2020-tinta-acrilica-sobre-papel-30-x-30-cm.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20350\" width=\"544\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2020-tinta-acrilica-sobre-papel-30-x-30-cm.jpeg 725w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2020-tinta-acrilica-sobre-papel-30-x-30-cm-300x284.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><\/a><figcaption>Sem t\u00edtulo, 2020<br>Tinta acr\u00edlica sobre papel<br>30cm x 30 cm<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda, para al\u00e9m da UFRGS, Mariana guarda com muito carinho as recorda\u00e7\u00f5es das visitas ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) antes da pandemia. De acordo com a graduanda, elas tamb\u00e9m foram essenciais para o seu crescimento nas Artes, pois ofereceram um respaldo art\u00edstico para al\u00e9m da Universidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na maioria das vezes, Mariana inicia uma obra levando em considera\u00e7\u00e3o a cor, a materialidade e a luz com que quer trabalhar. Atualmente ela tem optado por representar coisas abstratas ou n\u00e3o materiais. Com a pandemia, a graduanda passou a aplicar nas obras seus sentimentos sobre a situa\u00e7\u00e3o. \u201cEsse sentimento que eu tentei representar \u00e9 aquele de tu estar preso dentro de casa, se sentindo impotente em rela\u00e7\u00e3o ao que t\u00e1 acontecendo no mundo\u201d, afirma. \u201cO sentimento de amarra, de estar num espa\u00e7o t\u00e3o grande, mas n\u00e3o poder te mexer, n\u00e3o poder respirar praticamente.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEsta obra que eu fiz \u00e9 uma tela a \u00f3leo e eu coloquei cores pesadas, cores que remetem a mofo e a coisas apodrecendo, s\u00e3o cores que deixam uma sensa\u00e7\u00e3o pesada e que incomoda\u201d<\/p><cite>Mariana Lemmertz <\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/corpos-da-pandemia_-imagem-digital-2021-1.jpeg\"><img decoding=\"async\" width=\"587\" height=\"790\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/corpos-da-pandemia_-imagem-digital-2021-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20344\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/corpos-da-pandemia_-imagem-digital-2021-1.jpeg 587w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/corpos-da-pandemia_-imagem-digital-2021-1-223x300.jpeg 223w\" sizes=\"(max-width: 587px) 100vw, 587px\" \/><\/a><figcaption>Sem t\u00edtulo, 2021<br>Colagem digital<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2021-oleo-e-acrilica-sobre-tela-50-x-70-cm.jpeg\"><img decoding=\"async\" width=\"590\" height=\"789\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2021-oleo-e-acrilica-sobre-tela-50-x-70-cm.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20351\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2021-oleo-e-acrilica-sobre-tela-50-x-70-cm.jpeg 590w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2021-oleo-e-acrilica-sobre-tela-50-x-70-cm-224x300.jpeg 224w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-2021-oleo-e-acrilica-sobre-tela-50-x-70-cm-300x400.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><\/a><figcaption>Sem t\u00edtulo, 2021<br>\u00d3leo e acr\u00edlica sobre tela<br>50 x 70 cm<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, Mariana teve a oportunidade de ter experi\u00eancia em pesquisa acad\u00eamica. Sem nunca ter participado desse tipo de trabalho, ela conta que a pr\u00e1tica a transformou em termos art\u00edsticos e pessoais. \u201cEu fui conseguindo essa maior autonomia e podendo dar mais a minha opini\u00e3o, intervir mais como artista-pesquisadora e menos como estudante\u201d, revela. Teve a oportunidade de fazer conex\u00f5es e pesquisar ativamente sobre ilustra\u00e7\u00f5es, tema que a interessa bastante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa aborda livros ilustrados, ou seja, a diferen\u00e7a de livro com ilustra\u00e7\u00e3o e livro ilustrado. Segundo a artista, o livro com ilustra\u00e7\u00e3o poderia ser qualquer publica\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m imagens, sem importar o qu\u00e3o grande seja a narrativa em palavras; se conteve uma ou outra imagem ele j\u00e1 \u00e9 considerado um livro com ilustra\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o livro ilustrado \u00e9 aquele em que a narrativa \u00e9 sustentada tanto pelas imagens quanto pelo texto escrito; se anular um ou outro a narrativa se perde.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA gente usa esse termo do livro ilustrado como objeto de pesquisa e o qu\u00e3o importante \u00e9 inserir o livro ilustrado como uma possibilidade art\u00edstica dentro da Universidade. Porque por muito tempo a Universidade era um pouco mais seletiva quanto ao que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 arte, ent\u00e3o isso \u00e9 uma coisa que tem sido aos poucos aberta\u201d<\/p><cite>Mariana Lemmertz <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana conta que a ideia de que arte \u00e9 s\u00f3 o que est\u00e1 dentro de um museu, com uma \u00fanica c\u00f3pia que fica sobre um pedestal e ningu\u00e9m pode encostar j\u00e1 est\u00e1 sendo substitu\u00edda h\u00e1 algumas d\u00e9cadas. Por isso, o livro acaba sendo um objeto que qualquer um pode ter. \u201cAinda mais o livro ilustrado, que muitas vezes \u00e9 feito para crian\u00e7as, ent\u00e3o tu vai botar o que a gente est\u00e1 chamando de uma obra de arte na m\u00e3o de uma crian\u00e7a\u201d, ressalta a graduanda.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Luto-nacional-versao-de-glitch-23.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Luto-nacional-versao-de-glitch-23.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20348\" width=\"611\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Luto-nacional-versao-de-glitch-23.jpeg 815w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Luto-nacional-versao-de-glitch-23-300x219.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Luto-nacional-versao-de-glitch-23-768x562.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 611px) 100vw, 611px\" \/><\/a><figcaption>Luto Nacional, 2021<br>Imagem Digital<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;Trabalhos marcantes<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre suas produ\u00e7\u00f5es, a artista relata que algumas a tocam por conta de nascerem de um lugar muito pessoal. Uma delas \u00e9 uma obra que fez sobre o luto que estava sentindo com a morte de sua av\u00f3. \u201cFoi uma coisa que eu precisava fazer de alguma forma para me entender, para entender o que eu estava sentindo\u201d, diz. \u201cComecei a rabiscar essa tela no dia em que recebi a not\u00edcia, ent\u00e3o acabou sendo um trabalho de uns dois meses de luto em que \u00e9 poss\u00edvel ver as etapas atrav\u00e9s do desenho. \u00c9 um trabalho que me marcou muito justamente pelo peso emocional que eu coloquei nele.\u201d Mariana conta que at\u00e9 hoje \u00e9 relutante sobre o que fazer com a obra, por ser muito forte e pessoal para ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra produ\u00e7\u00e3o que teve peso em sua trajet\u00f3ria art\u00edstica \u00e9 um trabalho feito numa disciplina de Ilustra\u00e7\u00e3o Digital, \u00e1rea em que Mariana n\u00e3o possu\u00eda nenhum dom\u00ednio, mas sempre admirou. A obra come\u00e7ou com um autorretrato em preto e branco, por\u00e9m precisou ser modificada em fun\u00e7\u00e3o de a graduanda participar do Flow &#8211; Festival de Linguagens, Arte e Tecnologia em Caxias do Sul no ano passado. A proposta do evento consistia em os artistas criarem imagens digitais que seriam projetadas em fachadas de pr\u00e9dios da cidade. \u201cRetrabalhei esse autorretrato de uma forma que ia ficar muito interessante visualmente, colocando muita cor\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cMinha obra acabou sendo esse autorretrato com um cabelo completamente colorido e plantas que crescem ao redor do rosto, e ele foi projetado em alguns pr\u00e9dios de Caxias\u201d<\/p><cite>Mariana Lemmertz <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com ela, essa obra foi marcante por ter sido sua primeira imagem digital conclu\u00edda. Ver sua obra feita no computador ir para a vida real e ser projetada em grandes pr\u00e9dios foi bastante significativo. \u201cO sentimento que isso me causou foi um impulso para eu querer continuar ainda mais, ent\u00e3o esse trabalho me marcou muito positivamente\u201d, reitera Mariana.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/imagem-capa-JU-rosa-640-x-1920.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/imagem-capa-JU-rosa-640-x-1920-1024x341.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20334\"\/><\/a><figcaption>Releitura do trabalho da resid\u00eancia art\u00edstica no Festival Flow, em Caxias do Sul, feita para o Jornal da Ufrgs, 2022<br>640 x 1920 px<br>A obra ilustra o site do JU nesta quinzena.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mariana Lemmertz como artista&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAlgu\u00e9m que usa a arte para tentar entender o mundo ao redor dela e se entender tamb\u00e9m&#8221;: \u00e9 assim que a graduanda define a sua atua\u00e7\u00e3o no meio art\u00edstico. A arte para Mariana \u00e9 quase uma necessidade fisiol\u00f3gica, uma forma para que ela entenda o que sente e traduza o mundo para si mesma. \u201cDaria para fazer uma compara\u00e7\u00e3o com pessoas que falam em voz alta\u201d, afirma. \u201cEu desenho em voz alta para mim mesma, para entender meus pensamentos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso seu principal objetivo \u00e9 conseguir se comunicar por meio da arte e da pintura. Para ela, a troca entre p\u00fablico e obra \u00e9 essencial. \u201cEu acho que a arte \u00e9 muito importante para fazer uma troca intersubjetiva de pensamento entre as pessoas\u201d, ela poderia ser uma forma de expressar os sentimentos quando n\u00e3o se tem palavras para tal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPensando assim \u00e9 muito importante a gente dar valor a essa forma de linguagem, porque tem sentimentos que justamente n\u00e3o tem como explicar. E a troca entre artista e p\u00fablico conversando sobre uma obra \u00e9 muito importante, porque se est\u00e1 incentivando a tua interpreta\u00e7\u00e3o das coisas\u201d<\/p><cite>Mariana Lemmertz <\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-carimbo-de-tinta-acrilica-aquarela-e-nanquim-sobre-papel-30-x-42-cm-2021-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-carimbo-de-tinta-acrilica-aquarela-e-nanquim-sobre-papel-30-x-42-cm-2021-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20352\" width=\"686\" height=\"850\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-carimbo-de-tinta-acrilica-aquarela-e-nanquim-sobre-papel-30-x-42-cm-2021-1.jpeg 686w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/sem-titulo-carimbo-de-tinta-acrilica-aquarela-e-nanquim-sobre-papel-30-x-42-cm-2021-1-242x300.jpeg 242w\" sizes=\"(max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><\/a><figcaption>Sem t\u00edtulo, 2021<br>Carimbo de tinta acr\u00edlica, aquarela e nanquim sobre papel<br>30 x 42 cm<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Futuro&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre os planos em aberto para este ano, a graduanda conta que est\u00e1 participando da Bienal Black Brasil Art 2, ap\u00f3s marcar presen\u00e7a na primeira edi\u00e7\u00e3o, quando exp\u00f4s um trabalho que questionava algumas figuras femininas invisibilizadas na sociedade. \u201cEra quase uma piada, uma coisa meio de s\u00e1tira\u201d, diz. \u201cEnt\u00e3o eu fiz v\u00e1rias Barbies que a Mattel nunca produziria, e esse trabalho foi selecionado para o evento.\u201d O trabalho escolhido para a segunda edi\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente diferente do primeiro. Desta vez, Mariana produziu uma obra sobre a pandemia. \u201cVirou um quadro sobre ang\u00fastia, sobre gritos, sobre querer sair dali e n\u00e3o poder\u201d, declara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a artista est\u00e1 auxiliando o programa de extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas como fot\u00f3grafa e tamb\u00e9m fazendo um trabalho de auxiliar pedag\u00f3gica com crian\u00e7as, uma experi\u00eancia totalmente nova para ela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cIsso \u00e9 uma coisa que eu comecei recentemente e provavelmente v\u00e1 continuar ajudando na extens\u00e3o de artes. Isso tem sido muito legal, porque eu consigo ter um contato com v\u00e1rias propostas art\u00edsticas, com v\u00e1rios profissionais\u201d<\/p><cite>Mariana Lemmertz <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-4 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/a-representacao-do-padrao-de-beleza-feminina-na-arte_-lapis-de-cor-sobre-papel-e-tecido-2019-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"490\" height=\"873\" data-id=\"20322\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/a-representacao-do-padrao-de-beleza-feminina-na-arte_-lapis-de-cor-sobre-papel-e-tecido-2019-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20322\" 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Al\u00e9m da poltrona, a artista lembra de desenhar naturalmente em qualquer superf\u00edcie que pudesse \u2013 inclusive nas que n\u00e3o podia. A partir da\u00ed, a vontade de querer aprimorar o que fazia, produzir figuras mais realistas e conhecer outros meios art\u00edsticos s\u00f3 cresceu.&nbsp; Apesar do contato com a ponta do l\u00e1pis ter come\u00e7ado cedo, a escolha da artista para o curso de Bacharelado em Artes Visuais aconteceu de \u00faltima hora. Durante o ensino m\u00e9dio sua paix\u00e3o pela arte aumentou. Mariana, por\u00e9m, conta que n\u00e3o se via trabalhando com o \u00e2mbito art\u00edstico no futuro. \u201cEu achava que seria uma coisa incr\u00edvel, mas muito fora do meu alcance, muito em outra realidade, algo s\u00f3 de sonho\u201d, afirma. Foi com o incentivo dos pais, em especial de sua m\u00e3e, que ela decidiu prestar vestibular para Artes Visuais em 2019. Apesar da incerteza, a graduanda reitera que fez a escolha certa. \u201cEra um medo para mim, mas quanto mais eu avan\u00e7o no curso mais fico certa de que foi a decis\u00e3o que eu precisava e a decis\u00e3o que mais faz sentido.\u201d&nbsp; Segundo Mariana, quando ingressou no bacharelado, pensava que iria aprender a pintar e a desenhar apenas obras realistas. \u201cCom certeza foi um choque\u201d, recorda. \u201cMas tamb\u00e9m uma surpresa muito boa descobrir que muitos dos professores te incentivam a fugir do realismo, do padr\u00e3o e do mais \u00f3bvio.\u201d Antes de ingressar nas Artes, a estudante achava que quanto mais realista ela desenhasse mais bonita seria a obra. Atualmente, a artista passou a considerar outras coisas quando inicia um trabalho, como a po\u00e9tica, a linguagem, os materiais e a trajet\u00f3ria.&nbsp; \u201cIsso foi uma coisa que fez eu mudar o pensamento sobre&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/o-desenhar-em-voz-alta\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":20369,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[195],"tags":[201,348,347,223,376,656,214,658,657,478],"ppma_author":[542],"class_list":["post-20252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artista-da-capa","tag-artes-visuais","tag-desenho","tag-ilustracao","tag-instituto-de-artes","tag-livros","tag-obras","tag-pintura","tag-producoes","tag-trabalhos","tag-trajetoria"],"authors":[{"term_id":542,"user_id":19,"is_guest":0,"slug":"victoriarodrigues","display_name":"Victoria Rodrigues","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d3997792c26b1ea0c4669c3516d4bbfe6508b75f0d78afdbbd437a29e0d2c2a3?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","user_url":"","last_name":"Rodrigues","first_name":"Victoria","job_title":"","description":"Bolsista do Jornal da Universidade"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20252"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20394,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20252\/revisions\/20394"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20252"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=20252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}