{"id":20470,"date":"2022-06-14T13:13:20","date_gmt":"2022-06-14T16:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/?p=20470"},"modified":"2022-07-01T09:32:42","modified_gmt":"2022-07-01T12:32:42","slug":"luzes-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/luzes-da-cidade\/","title":{"rendered":"Luzes da Cidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ebebeb\"><strong>O<\/strong> restauro dos postes de luz do Centro Hist\u00f3rico aproxima Porto Alegre de outras cidades mais cuidadosas com seus equipamentos urbanos, al\u00e9m de ser um convite a um passeio atento na mem\u00f3ria da cidade.\u00a0 A cr\u00f4nica-reportagem foi produzida em 2021 durante a disciplina de Jornalismo e Cultura do curso de Jornalismo da FABICO, com orienta\u00e7\u00e3o da professora Cida Golin.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Arthur Mezacasa<\/em><br><em>*Foto: <em>Arthur Mezacasa<\/em> &#8211; Postes fabricados pela Union Metal, nos EUA, na d\u00e9cada de 1920 d\u00e3o charme a v\u00e1rios espa\u00e7os da capital ga\u00facha<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na manh\u00e3 de 17 de janeiro de 2021 caminhei, pela primeira vez em v\u00e1rios meses, pelas ruas de Porto Alegre. Eu que vim morar aqui por causa da faculdade, voltei para o interior no in\u00edcio da pandemia de Covid e l\u00e1 fiquei at\u00e9 esta data. Lembro-me com precis\u00e3o do dia, pois era anivers\u00e1rio da minha m\u00e3e. Viemos para almo\u00e7ar em uma churrascaria aqui na capital e rever uma prima, que h\u00e1 muito n\u00e3o encontrava, que dali a poucos dias estaria tamb\u00e9m comemorando mais um ano de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saindo do meu apartamento, na rua Bento Martins, e me dirigindo para a General C\u00e2mara, onde visitaria o ateli\u00ea de costura da prima, reparei que a Rua dos Andradas apresentava algo de diferente em sua constitui\u00e7\u00e3o. Os postes de ilumina\u00e7\u00e3o antigos haviam sido grosseiramente substitu\u00eddos por outros, fincados nas bases ainda em p\u00e9 dos seus similares mais velhos e presos por barras de ferro posicionadas displicentemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Me indignei, junto com minha m\u00e3e, mas pensei \u201cbem, pelo menos agora a rua estar\u00e1 melhor iluminada\u2026\u201d, tentando ver algo de positivo nesta situa\u00e7\u00e3o que julguei bastante triste. O charme antigo (qui\u00e7\u00e1, demod\u00ea) de Porto Alegre \u00e9 uma das coisas que mais me encanta na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia seguinte, ao relatar meu espanto \u00e0 uma amiga, ela me apontou que, na verdade, os antigos postes estavam em processo de restauro e seriam devolvidos ao seu local de origem ap\u00f3s serem recuperados. Isso teve dois efeitos em mim: me fez satisfeito por poder ver a hist\u00f3ria arquitet\u00f4nica de nossa regi\u00e3o ser valorizada, assim como me instigou a pesquisar mais sobre este item t\u00e3o necess\u00e1rio &#8211; por\u00e9m frequentemente ignorado &#8211; dos cen\u00e1rios urbanos, os postes de ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/luzes-da-cidade.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"695\" height=\"519\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/luzes-da-cidade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-20473\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/luzes-da-cidade.png 695w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/luzes-da-cidade-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><\/a><figcaption>Parte dos postes em processo de restauro. Eles receberam pintura verde, semelhante \u00e0 original do s\u00e9culo passado (foto: Marcos Felipi\/SMSUrb)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Me considero um pouco man\u00edaco por quest\u00f5es aparentemente bobas, como a desses postes. J\u00e1 desenvolvi um interesse s\u00fabito absurdo em trens, barcos, avi\u00f5es e, agora, no mobili\u00e1rio urbano. O que me parece enfadonho \u00e9 o desconhecimento que temos, enquanto sociedade, da import\u00e2ncia hist\u00f3rica dos itens de locais p\u00fablicos (cal\u00e7adas, bancos, postes), ao mesmo tempo em que prontamente percebemos a sua import\u00e2ncia pr\u00e1tica quando eles faltam nas ruas de nosso bairro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo dia em que percebi a retirada dos postes, ali\u00e1s, minha prima me disse que estava surpresa com a taxa de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica que havia pago na conta de energia do ateli\u00ea. \u201cOlhei para a pra\u00e7a de noite e pensei \u2018tamb\u00e9m, com a quantidade de poste que tem ali\u2019\u201d, disse ela, enquanto pass\u00e1vamos pela Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega. Acho que foi a \u00fanica vez que vi, at\u00e9 ent\u00e3o, algu\u00e9m reclamar que a rua estava iluminada <em>demais<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Melhorar a ilumina\u00e7\u00e3o das ruas \u00e9 uma proposta frequente de pol\u00edticos em cargos municipais. \u00c9 tamb\u00e9m a justificativa que embasa a retirada dos postes da Rua dos Andradas para restauro. Al\u00e9m da recupera\u00e7\u00e3o da integridade visual das pe\u00e7as, os postes de ferro fundido e a\u00e7o, fabricados nos Estados Unidos, ter\u00e3o seu sistema de l\u00e2mpadas substitu\u00eddo por LEDs. Em entrevista para GZH em outubro de 2020, o ent\u00e3o secret\u00e1rio de Servi\u00e7os Urbanos, Hiratan Pinheiro da Silva, afirmou que a nova ilumina\u00e7\u00e3o seguiria apresentando tom amarelado, para n\u00e3o descaracterizar o \u201ccharme\u201d do Centro Hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viaduto-otavio-rocha-luzes-da-cidade.png\"><img decoding=\"async\" width=\"610\" height=\"457\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viaduto-otavio-rocha-luzes-da-cidade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-20474\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viaduto-otavio-rocha-luzes-da-cidade.png 610w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viaduto-otavio-rocha-luzes-da-cidade-300x225.png 300w\" sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/a><figcaption>Outro modelo da Union Metal presente no Viaduto Ot\u00e1vio Rocha (Foto: Arthur Mezacasa)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realmente, a ambienta\u00e7\u00e3o proporcionada pelos postes antigos ao bairro \u00e9 uma boa justificativa para promover a conserva\u00e7\u00e3o das estruturas, por\u00e9m o valor que esse tipo de mobili\u00e1rio urbano agrega a uma cidade vai muito al\u00e9m da beleza. A ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o direta dos avan\u00e7os e percal\u00e7os socioecon\u00f4micos de um determinado local, e est\u00e1 tamb\u00e9m relacionada ao povo que ali reside. &nbsp;Nas ruas da Chinatown, o bairro oriental de S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos, os postes apresentam tem\u00e1tica chinesa, imitando antigas lamparinas de papel de seda que s\u00e3o suportadas por pequenas esculturas de drag\u00e3o, animal importante na cultura da China. Mas n\u00e3o precisamos ir t\u00e3o longe. O bairro da Liberdade, reduto da imigra\u00e7\u00e3o japonesa em S\u00e3o Paulo, segue premissa parecida: a ilumina\u00e7\u00e3o das ruas \u00e9 feita por lumin\u00e1rias que remetem \u00e0s lamparinas tradicionais do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Urban-light-luzes-da-cidade.png\"><img decoding=\"async\" width=\"332\" height=\"507\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Urban-light-luzes-da-cidade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-20475\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Urban-light-luzes-da-cidade.png 332w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Urban-light-luzes-da-cidade-196x300.png 196w\" sizes=\"(max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/a><figcaption>Na imagem a instala\u00e7\u00e3o Urban Light, localizada em Los Angeles, Estados Unidos (foto: Kehn Hermano)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, exemplos da valoriza\u00e7\u00e3o destas estruturas est\u00e3o mais presentes no exterior do que aqui no Brasil. Los Angeles, tamb\u00e9m nos Estados Unidos, viu uma mir\u00edade de obras de arte, projetos coletivos e curiosos por conta pr\u00f3pria reviverem a hist\u00f3ria da cidade atrav\u00e9s de suas lumin\u00e1rias. Uma instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica chamada <em>Urban Light<\/em> (\u201cluz urbana\u201d) localizada na parte externa do Los Angeles County Museum of Art, hoje bastante popular em fotos do Instagram, \u00e9 um dos exemplos desse movimento. Comp\u00f5em a obra 202 postes que fizeram parte da paisagem urbana de Los Angeles e algumas outras cidades, enfileirados e iluminados todas as noites. Desde que foi inaugurada, em 2006, a <em>Urban Light<\/em> j\u00e1 foi cen\u00e1rio para cenas de s\u00e9ries de TV, filmes, videoclipes e incont\u00e1veis ensaios fotogr\u00e1ficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiosamente, o autor da instala\u00e7\u00e3o, Chris Burden comprou os primeiros postes que viriam a fazer parte da exposi\u00e7\u00e3o em uma feira de itens de segunda-m\u00e3o, evidenciando a displic\u00eancia com que a sociedade, em geral, trata o mobili\u00e1rio urbano, no Brasil e tamb\u00e9m nos EUA. Em Porto Alegre, as lumin\u00e1rias n\u00e3o est\u00e3o sozinhas. Os bancos de pra\u00e7as, principalmente os herdados do antigo Audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna, s\u00e3o depredados ou s\u00e3o deixados ao deus-dar\u00e1. Os pavimentos hist\u00f3ricos de granito ou as cal\u00e7adas de pedras portuguesas s\u00e3o substitu\u00eddos pelo asfalto e pelo concreto. N\u00e3o que esses materiais n\u00e3o tenham sua praticidade, mas se \u00e9 senso-comum que edif\u00edcios como o Mercado P\u00fablico sejam conservados em bom estado por representarem a \u201calma\u201d da cidade, por que n\u00e3o encarar da mesma forma os elementos que caracterizam a \u201ccidade em si\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s da minha curiosidade, descobri, por sinal, que Porto Alegre n\u00e3o deve nada \u00e0s cidades americanas quando o assunto \u00e9 material a ser trabalhado. Os postes ornamentados da Andradas, bem como de outras ruas da parte central da cidade, e de locais como a Pra\u00e7a da Matriz, a Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega ou a Pra\u00e7a Montevid\u00e9u, foram fabricados por uma empresa do estado americano de Ohio, nos anos 1920 a 1940. A Union Metal, em atividade at\u00e9 hoje, al\u00e9m de fornecer infraestrutura de ilumina\u00e7\u00e3o para a capital ga\u00facha, tamb\u00e9m forneceu v\u00e1rios dos modelos que estavam presentes nas ruas de Los Angeles, Nova York, Portland e at\u00e9 mesmo S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio-piratini-luzes-da-cidade.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"589\" height=\"440\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio-piratini-luzes-da-cidade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-20477\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio-piratini-luzes-da-cidade.png 589w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio-piratini-luzes-da-cidade-300x224.png 300w\" sizes=\"(max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><\/a><figcaption>Modelo de lumin\u00e1ria localizado na frente do Pal\u00e1cio Piratini (foto: Arthur Mezacasa)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os modelos tamb\u00e9m s\u00e3o diversos, adaptados para as diversas aplica\u00e7\u00f5es. Na Andradas, os postes s\u00e3o do modelo mais alto, com uma base mais larga em ferro dando suporte \u00e0 coluna principal em a\u00e7o, de onde partem as duas tocheiras em formato de ta\u00e7a que projetam a luz. Nas diversas pra\u00e7as em que est\u00e3o presentes, as lumin\u00e1rias Union Metal s\u00e3o de tocheira \u00fanica, e t\u00eam uma coluna de largura uniforme, com uma pequena base. Na frente dos grandes monumentos arquitet\u00f4nicos, como no edif\u00edcio da Secretaria da Fazenda (Sefaz\/RS) ou no Viaduto Ot\u00e1vio Rocha, est\u00e3o presentes modelos com tocheira em formato de globo, mais baixos, para serem instalados sobre as muretas das escadarias. Na frente do Pal\u00e1cio Piratini, um casal solit\u00e1rio: dois postes compostos por um globo maior em cima e um c\u00edrculo de seis globos menores logo abaixo. Este modelo foi reinstalado recentemente ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de um projeto de ilumina\u00e7\u00e3o para a sede do governo estadual, em comemora\u00e7\u00e3o ao centen\u00e1rio da edifica\u00e7\u00e3o, em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos modelos mais antigos da Union Metal, que foram os primeiros de Porto Alegre a contar com sistema el\u00e9trico, em oposi\u00e7\u00e3o ao sistema antigo, a g\u00e1s, \u00e9 poss\u00edvel perceber no Centro Hist\u00f3rico diversos outros tipos de lumin\u00e1rias na rua. De certa forma, elas funcionam como uma identidade da rua em que se encontram. Na Usina do Gas\u00f4metro, modelos com vidro em forma de gota. Na regi\u00e3o do Museu do Trabalho e da Pra\u00e7a Brigadeiro Sampaio, tocheiras duplas, em estrutura verde e branca. Em boa parte das ruas paralelas \u00e0 Avenida Borges de Medeiros, incluindo a pr\u00f3pria, postes cinza escuro, com l\u00e2mpadas LED, fazem a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A parte do cal\u00e7ad\u00e3o da Andradas \u00e9 a que ficou mais descaracterizada. Ap\u00f3s quase cinco d\u00e9cadas sendo iluminada pelos conjuntos de globos p\u00f3s-modernistas (estilo que caracterizou a transforma\u00e7\u00e3o da rua em cal\u00e7ad\u00e3o na d\u00e9cada de 1970), foram instalados novos equipamentos na gest\u00e3o Marchezan, que agora j\u00e1 sofrem com o descaso de nossa gente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/postes-luzes-da-cidade.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"641\" height=\"475\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/postes-luzes-da-cidade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-20478\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/postes-luzes-da-cidade.png 641w, https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/postes-luzes-da-cidade-300x222.png 300w\" sizes=\"(max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/a><figcaption>Dos postes antigos, resta apenas a base, por enquanto (Foto: Arthur Mezacasa)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez aos poucos vamos come\u00e7ar a valorizar esses pequenos detalhes, que em conjunto formam o mosaico t\u00edpico da sociedade brasileira. Em Curitiba, a Rua XV de Novembro recebeu diversos postes de ilumina\u00e7\u00e3o similares aos da Andradas nos anos 1990. Em Porto Alegre, o servi\u00e7o necess\u00e1rio \u00e9 apenas o de manter em boas condi\u00e7\u00f5es os exemplares que j\u00e1 existem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo release da Secretaria Municipal de Servi\u00e7os Urbanos (SMSUrb) divulgado em 11 de novembro de 2021, as estruturas centen\u00e1rias da Andradas retornar\u00e3o em plenas condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 fevereiro de 2022. Quem sabe a partir da\u00ed n\u00e3o possamos seguir o exemplo da Rua Market, em S\u00e3o Francisco, nos EUA, e tombar algumas dessas lumin\u00e1rias como patrim\u00f4nio municipal?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O restauro dos postes de luz do Centro Hist\u00f3rico aproxima Porto Alegre de outras cidades mais cuidadosas com seus equipamentos urbanos, al\u00e9m de ser um convite a um passeio atento na mem\u00f3ria da cidade.\u00a0 A cr\u00f4nica-reportagem foi produzida em 2021 durante a disciplina de Jornalismo e Cultura do curso de Jornalismo da FABICO, com orienta\u00e7\u00e3o da professora Cida Golin. *Por: Arthur Mezacasa*Foto: Arthur Mezacasa &#8211; Postes fabricados pela Union Metal, nos EUA, na d\u00e9cada de 1920 d\u00e3o charme a v\u00e1rios espa\u00e7os da capital ga\u00facha Na manh\u00e3 de 17 de janeiro de 2021 caminhei, pela primeira vez em v\u00e1rios meses, pelas ruas de Porto Alegre. Eu que vim morar aqui por causa da faculdade, voltei para o interior no in\u00edcio da pandemia de Covid e l\u00e1 fiquei at\u00e9 esta data. Lembro-me com precis\u00e3o do dia, pois era anivers\u00e1rio da minha m\u00e3e. Viemos para almo\u00e7ar em uma churrascaria aqui na capital e rever uma prima, que h\u00e1 muito n\u00e3o encontrava, que dali a poucos dias estaria tamb\u00e9m comemorando mais um ano de vida. Saindo do meu apartamento, na rua Bento Martins, e me dirigindo para a General C\u00e2mara, onde visitaria o ateli\u00ea de costura da prima, reparei que a Rua dos Andradas apresentava algo de diferente em sua constitui\u00e7\u00e3o. Os postes de ilumina\u00e7\u00e3o antigos haviam sido grosseiramente substitu\u00eddos por outros, fincados nas bases ainda em p\u00e9 dos seus similares mais velhos e presos por barras de ferro posicionadas displicentemente. Me indignei, junto com minha m\u00e3e, mas pensei \u201cbem, pelo menos agora a rua estar\u00e1 melhor iluminada\u2026\u201d, tentando ver algo de positivo nesta situa\u00e7\u00e3o que julguei bastante triste. O charme antigo (qui\u00e7\u00e1, demod\u00ea) de Porto Alegre \u00e9 uma das coisas que mais me encanta na cidade. No dia seguinte, ao relatar meu espanto \u00e0 uma amiga, ela me apontou que, na verdade, os&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/luzes-da-cidade\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":20472,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[356],"tags":[],"ppma_author":[685],"class_list":["post-20470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-laboratorio-fabico"],"authors":[{"term_id":685,"user_id":0,"is_guest":1,"slug":"curso-de-jornalismo-fabico-ufrgs","display_name":"Curso de Jornalismo Fabico\/UFRGS","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","user_url":"","last_name":"","first_name":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20470"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20483,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20470\/revisions\/20483"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20470"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=20470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}